SAÍTO, em tom peremptório: “O dia das mães é todos os dias, todas as manhãs e tardes, todas as noites. Momento não há que não as honre”

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Mãe

POR GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO

 

 

Ninguém discorda que a criação de um dia no ano para homenagear as mães soa metafórico; um símbolo, somente, pois, a cena de uma mãe com seu rebento é, antes de tudo, metafísico, funda a própria existência, transcende. O dia das mães é todos os dias, todas as manhãs e tardes, todas as noites. Momento não há que não as honre.
Os que sofrem, os explorados, os encarcerados, os oprimidos, socorrem-se em penitência à mãe. Os felizes, os pródigos, também. Ser mãe é resumir destino, calar o ódio, reverenciar o amor. É mais que ser gênero, anula-o, plaina sobre as diferenças. É imitação de Deus, que não é masculino e nem feminino.
Das músicas de ninar às brincadeiras de criança, o ser mãe é central, contém e é conteúdo. Pode-se citar vários casos em que a mãe deu a própria vida pelo filho, como foi o de Stacie Crimm. Ao completar 41 anos, Stacie recebeu a noticia de sua primeira gravidez, apesar de tê-la tentado por várias vezes. Com o passar dos meses, começou a sentir fortes dores de cabeça e tremores que sacudiam todo o seu corpo. Após exames, uma tomografia computadorizada revelou que tinha câncer em sua cabeça e pescoço. E agora? Tinha que tomar uma decisão, submetia a tratamento quimioterápico para salvar a sua vida ou manter a gravidez e salvar o bebê. O ser mãe, esse sentimento imensurável, já havia decidido… Em uma formosa manhã ensolarada, após parada cardiorrespiratória, foi reanimada, tornando possível a cesárea e o nascimento de Dottie, com pouco mais de 1 kg. Os médicos disseram ao irmão que, com um tratamento, podiam oferecer uma pequena possibilidade de Stacie sobreviver ao câncer. Mas se doou, amou mais que tudo, abandonou qualquer tratamento pela filha. Após a operação, nova parada cardiorrespiratória. Stacie é novamente reanimada, e os médicos colocam sua filha em seus braços. Olhou-a nos olhos, foi olhada. Mãe e filha ficaram se olhando por vários minutos, se conheciam, (…) o depois é mistério que não nos cabe julgar.
Fico a pensar!… Lá do alto, ou cá embaixo em espírito, mas juntinho de nós, as mães continuam a nos cuidar? Que boa seria essa certeza! A separação seria menos doída. Poder falar-lhe, ser ouvido, ainda que não possa ouvi-la, não é mesmo? Teríamos a certeza de seu mimo; e a solidão de momento seria de uma nota, de um colorido só. Felizes os que as têm em vida neste domingo das mães. Somos privilegiados.
À senhora minha mãe e encanto, D. Leuby, e à Rosana, minha poesia e amada, parabenizo a todas as mães nas letras de Drummond – “Para sempre” – “Por que Deus permite/que as mães vão-se embora?/Mãe não tem limite,/é tempo sem hora,/luz que não apaga/quando sopra o vento/e chuva desaba,/veludo escondido/na pele enrugada,/água pura, ar puro,/puro pensamento./Morrer acontece/com o que é breve e passa/sem deixar vestígio./Mãe, na sua graça,/é eternidade./Por que Deus se lembra/-mistério profundo-/de tirá-la um dia?/Fosse eu Rei do mundo,/baixava uma lei:/Mãe não morre nunca,/mãe ficará sempre/junto de seu filho/e ele, velho embora,/será pequenino/feito grão de milho”. É por aí…

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é Juiz de Direito e escreve aos domingos em A Gazeta (e-mail: antunesdebarros@hotmail.com).

Categorias:Beleza Pura

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