RODRIGO RODRIGUES: Jacy Proença foi condenada a 4 anos de reclusão por desvio de 5 mil reais. O caso não chama atenção só pelo valor mas, principalmente, pela condenação. Acredito que Jacy cometeu três grandes crimes em sua vida, o primeiro foi nascer negra, o segundo ter nascido pobre, e o terceiro ter escolhido a profissão de professor. Isso em nossa atual sociedade é imperdoável.” LEIA A ÍNTEGRA DA SENTENÇA

Jacy Proença, professora, ativista do Movimento Negro, foi vice-prefeita de Cuiabá na gestão do prefeito Wilson Santos (PSDB)

Jacy Proença, professora, ativista do Movimento Negro, foi vice-prefeita de Cuiabá na gestão do prefeito Wilson Santos (PSDB)

O CRIME DA COR

POR RODRIGO RODRIGUES

Li hoje pela manhã uma noticia que me deixou indignado, a principio achei péssimo, mas depois nem tanto, me sinto aliviado de não ter perdido a capacidade de  me indignar, ainda que isso nos tragam alguns estigmas negativos. Somos chatos, loucos, inconvenientes, somos processados e, até mesmo discriminados em  determinadas rodas sociais.

A noticia em um jornal eletrônico, anunciava a condenação da professora Jacy Proença, que foi entre outros coisas vice-prefeita de Cuiabá.

O caso em que Jacy foi condenada se deu em 2006, e seria referente a uma divida de campanha. Segundo a denuncia, a professora teria contratado uma gráfica  para confeccionar material de campanha, e efetuou pagamentos com cheques sem fundo. Para quitar as divida, de cinco mil reais, veja bem, cinco mil reais, não  é milhões como estamos acostumados a ver quando caso é corrupção, Proença teria feito uma tomada de preço direcionada a empresa.

Não se sabe por que, depois de concordar e receber o valor da divida, o empresário voltou atrás e denunciou o caso. Obviamente que podemos imaginar os  motivos que levaram o empresário a fazer isso, pode ser vários, menos por honestidade e dever cívico, pois se fosse honesto e ético não teria topado  participar.

Penso eu que crime é crime, se um camarada rouba uma casa ou desvia dinheiro público é ladrão do mesmo jeito. Mas no Brasil, e em especial aqui no Mato  Grosso a realidade é bem diferente, ladrão de casa é bandido, ladrão de dinheiro público é esperto, e goza de respeito.

Culturalmente somos permissivos com a corrupção. Reclamamos, denunciamos, mas somos tolerantes com o ladrão de dinheiro publico. Não temos dó do ladrãzinho  de varal, ainda mais ser for negro, que o caso da maioria. O grande pecado no Brasil é roubar pouco, tem até um ditado antigo que diz roubar não é feio, feio  e não dar conta de carregar. Hoje em dia podemos até dizer que feio mesmo, e fora de moda, é ser honesto.

O ministério público de Mato Grosso, que há quase uma década é comandado pelo grupo do atual procurador de justiça Paulo Prado, dá uma baita de uma  contribuição para que essa cultura “permissiva”, de tolerância e, porque não dizer, de adoração, de idolatria, ao corrupto, se dissemine. Temos reiteradas  vezes assistido a omissão, ou ação conivente, com os bandidos engravatados por parte de alguns promotores. Sempre afirmei, e continuo a afirmar que esses
maus funcionários são uma minoria, pois a maioria dos membros desta, ainda, respeitada instituição são sérios e abnegados.

Poderia escrever aqui cem páginas listando os casos de corrupção no nosso estado, de varias instituições. Mas nem precisa, todos sabem, pois já foram  manchetes em todos os jornais.

Não estou aqui para defender a inocência da professora jacy Proença, nem justificar que pelo valor irrisório, perto de outras centenas de denuncias que  temos conhecimento, ela não tenha que pagar pelo crime, mas com certeza,de todos crimes de corrupção que temos noticia, este é o que menos prejuízo trouxe a  sociedade.

Jacy Proença foi condenada a quatros anos de reclusão por desvio de cinco mil reais. O caso não chama atenção só pelo valor em si, mas principalmente pela  condenação, e daí se juntarmos o fato da condenação e do valor desviado, veremos que um “caso”dos mais raros em nosso estado, principalmente em um momentos  que vivenciamos denuncias do porte da operação Ararath, que envolve tesoureiro de senador, políticos e empresários. Que envolve evasão de divisas, sonegação  fiscal, licitações fraudulentas, agiotagem, caixa-dois de campanha, compra de votos e tráfico de drogas. Que envolve somas milionárias.

Realmente chega a ser uma piada, que uma pessoa com histórico de lutas sociais, com relevantes trabalhos prestados as causas dos menos favorecidos, seja  condenada enquanto os verdadeiros bandidos, aqueles que são altamente nocivos a nossa sociedade, circulam por ai em seus reluzentes carros importado, sendo  reverenciados, e recebidos com tapetes vermelhos, inclusive por diversos magistrados e promotores.

Acredito que Jacy cometeu três grandes crimes em sua vida, o primeiro foi nascer negra, o segundo ter nascido pobre, e o terceiro ter escolhido a profissão  de professor. Isso em nossa atual sociedade é imperdoável.

E aqueles que dizem que somos inconvenientes, chatos, ou loucos, por escancarar a verdade sem medo, e as vezes afrontar aqueles que detém o poder, me apego  ao pensamento do professor Darcy Ribeiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”. No final de sua vida o  professor Darcy Ribeiro concluiu: “Foram varias as minhas lutas, fracassei em tudo. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar  os índios e não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos  são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Força professora Jacy, a luta continua!

Rodrigo Rodrigues é militante político, filiado ao partido Solidariedade em Mato Grosso

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ENTENDA O CASO

Ex-vice-prefeita é condenada por peculato

A ex-vice-prefeita de Cuiabá, Jacy Ribeiro Proença foi condenada por crime de peculato a quatro anos de reclusão, e a então chefe de gabinete, Jeniffer Moraes Matos, a 3 anos e seis meses de reclusão, por desviarem R$ 5 mil do município. Ambas terão que pagar, respectivamente, 90 e 80 dias-multa, sendo fixado cada dia em um terço do salário mínimo vigente na época dos fatos.

A decisão é da juíza Selma Rosane Santos Arruda, da Vara Especializada Contra o Crime Organizado Crimes Contra a Ordem Tributária e Econômica, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes de Lavagem de Dinheiro de Cuiabá.

A magistrada substituiu as penas privativas de liberdade por duas penas restritivas de direito. As rés vão prestar serviços gratuitos à comunidade. Terão que realizar serviços gerais em entidade a ser indicada pelo juízo competente para a execução. Elas terão que cumprir uma hora de tarefa por dia de condenação, durante sete horas por semana.

Jacy e Jeniffer ainda não poderão sair de suas casas aos sábados e domingos, entre os horários de 23h e 6h.

Consta nos autos que o desvio efetuado pelas rés teve como objetivo pagar dívida particular contraída na época da campanha eleitoral de 2006, quando Jacy disputou cargo para deputada federal.

Jacy contratou a empresa Dea Indústrias Gráficas, do empresário Shinaider Bonfim Gomide, e emitiu cheque que não foi compensado por duas vezes por insuficiência de fundos.

Dois anos depois, já como vice-prefeita, simulou tomada de preços e, fraudulentamente, a empresa Dea foi a vencedora para que pudesse receber o valor dos adesivos veiculares confeccionados anteriormente para a campanha à Câmara Federal.

“Por fim, é importante esclarecer que a convicção do juízo no sentido de que as rés praticaram o ilícito imputado na denúncia não decorre exclusivamente da gravação da conversa entre Shinaider e Jennifer, mas de todo o contexto probatório, testemunhal e documental, que convergente e harmônico e resulta na lógica conclusão de que tudo não passou de uma fraude que visou a quitação de despesa pessoal da ré Jacy mediante a utilização de recursos públicos municipais”, afirma a magistrado em trecho da decisão.

FONTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO

Juíza Selma Arruda condena Jacy Proença a 4 anos de reclusão por peculato by Enock Cavalcanti

6 Comentários

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  1. - IP 177.4.180.40 - Responder

    Querer delimitar o caráter da pessoa pela cor da pele é uma atitude mais preconceituosa do que a intenção capciosa do texto! Como se o R$ 5.000,00 fosse para ela nutrir um estado inanição (talvez sim o caráter).

  2. - IP 177.193.170.65 - Responder

    O WELLITNTON ARAUJO, EU ENTENDI O QUE O RODRIGO RODRIGUES QUIS DIZER, MAS PERCEBO QUE VOCÊ, POR MÁ FÉ OU POR SER UM ANALFABETO FUNCIONAL, NÃO ENTENDEU. ELE QUIS DEIZER QUE SE A JACY FOSSE LOIRA DO OLHO AZUL, TIVESSE UM CARGO IMPORTANTE, COMO PROMOTOR, FISCAL DE RENDA, PROCURADOR DOE ESTADO, ADVOGADO, MÉDICO OU ENGENHEIRA DONA DE EMPREITEIRA, NÃO SERIA CONDENADA, COMO ACONTECE COM TODOS COM ESSE PERFIL, OU VOCÊ TEM VISTO GENTE DA ALTA SOCIEDADE CONDENADA POR ROUBO? VEJA O CASO DOS MAQUINÁRIOS DO MT 100% EQUIPADO, FOI PROVADO QUE HOUVE UM ROUBO DE 20 MILHÕES, E O QUE ACONTECEU? NADA SENHOR WELLINTON, NADA, BLAIRO MAGGI FOI ELEITO GOVERNADOR E VAI VIRAR BANQUEIRO,E A JACY?????

    • - IP 200.96.142.111 - Responder

      Analfabeto funcional, mas sua mãe não achava ruim quando ela trabalha na esquina, para te sustentar, então me respeita moleque!

    • - IP 200.96.142.111 - Responder

      E mais uma coisa vira homem, e comenta com nome verdadeiro o anonimato não está garantido na constituição (direito de opinião sim, mas não para os covardes)!

  3. - IP 201.88.96.36 - Responder

    se a ex-vice prefeita foi condenada por desviar 5.000 em 4 anos de cana em quantos anos seria para pessoas acusadas de desviar 500.000.000 da assembléia legislativa de mt se fossem condenados e que nunca foram condenados a nada,aqui no brasil é assim se tiver dinheiro e poder nunca vão presos e jamais serão condenados,já pensou se aplicasse neles a lei do talião olho por olho, dente por dente, 500 anos de cadeia

  4. - IP 177.193.170.65 - Responder

    WELLINTON ARAUJO, AGORA VOCÊ SE REVELOU, NO MINIMO É ENRUSTIDO,SAIA DO ARMARIO, APROVEITA A ONDA.

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