PREFEITURA SANEAMENTO

RICARDO NOBLAT: O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) não é apenas um falastrão como querem seus amigos. Nem apenas um bronco como reconhecem alguns dos seus colegas. É um sujeito indecente, obsceno e, com frequência, indecoroso. Bolsonaro, que se diz capaz de estuprar, ofende uma deputada e merece ser cassado. O que as organizações de Direitos Humanos esperam para sair em defesa da honra agredida da deputada Maria do Rosário? O que falta para que os partidos entrem no Conselho de Ética da Câmara com um pedido de abertura de processo para cassar o mandato e os direitos políticos de Bolsonaro? Por que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não lidera essa iniciativa?

Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro de O Globo, e Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PP

Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro de O Globo, e Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PP

POLÍTICA

Bolsonaro, que se diz capaz de estuprar, ofende uma deputada e merece ser cassado

Ricardo Noblat, em seu blogue

 

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) não é apenas um falastrão como querem seus amigos. Nem apenas um bronco como reconhecem alguns dos seus colegas. É um sujeito indecente, obsceno e, com frequência, indecoroso.

Admiradores e desafetos dele na Câmara costumam fazer de conta que não ouvem seus insultos. Procedem assim alegando que confrontar Bolsonaro é fazer o seu jogo. Ele ganha votos quando se torna pivô de polêmicas.

Só que há limite para tudo. E Bolsonaro, na tarde de ontem, ultrapassou todos os limites. Se ainda houver um mínimo de vergonha na Câmara, será instalado um processo no Conselho de Ética para cassar o mandato de Bolsonaro.

Menos do que isso será compactuar com ele.

A deputada Maria Do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, foi gravemente ofendida por Bolsonaro. Mas não somente ela. Também todas as pessoas de bom senso que tomaram conhecimento do episódio.

A Câmara celebrava o Dia Internacional dos Direitos Humanos. E Maria do Rosário acabara de discursar quando Bolsonaro a sucedeu na tribuna. E disse para espanto da maioria dos que o ouviram:

– Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde [da Câmara] e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir — disse Bolsonaro. E foi além:

– A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi pra Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava armas em quarteis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense. Por que não fala isso? Mentirosa, deslavada e covarde. Eu a ouvi falando aqui as asneiras dela. E fiquei aqui.

Em 2003, sem que nada tenha lhe acontecido, Bolsonaro disse a mesma frase e, e seguida, empurrou Maria do Rosário, chamando-a de vagabunda.

A reação da deputada foi enérgica, mas por si só não esgota a questão.

— Não me dirigi a esse senhor, tenho o direito de trabalhar. Peço à Mesa Diretora da Câmara que o mantenha distante e que ele não use meu nome. Não aceitarei. Talvez em alguns locais de tortura, essas palavras são típicas de quem fala em tortura.

No exercício do mandato, os parlamentares são imunes a processos. É o que determina a lei. Mas nem por isso eles podem cometer desatinos que configurem, por exemplo, a quebra do decoro parlamentar.

Luiz Estevão de Oliveira, o primeiro senador cassado da História do Congresso brasileiro, não perdeu o mandato porque embolsou dinheiro público destinado à construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo.

Perdeu porque mentiu a seus pares. Isso é quebra de decoro. Pela mesma razão, José Dirceu, ex-ministro do primeiro governo Lula, acabou cassado. Estevão está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Dirceu saiu de lá há pouco.

Por mais horror que isso represente, Bolsonaro pode, sim, defender o uso da tortura como método para extrair confissões. Já o fez. Pode, sim, defender uma ditadura militar como o melhor dos regimes. Também já o fez.

Mas nada disso equivale ao que ele fez ontem. Bolsonaro admitiu que seria capaz de estuprar uma pessoa. E ao se dirigir à deputada Maria do Rosário, afirmou que só não a estupraria porque ela não fizera por merecer.

(Em um passado nem tão remoto assim, o então deputado Paulo Maluf cunhou uma triste frase a respeito do uso de violência contra mulheres: “Estupra, mas não mata”. Ficou impune.)

O que as organizações de Direitos Humanos esperam para sair em defesa da honra agredida da deputada Maria do Rosário?

O que falta para que os partidos entrem no Conselho de Ética da Câmara com um pedido de abertura de processo para cassar o mandato e os direitos políticos de Bolsonaro?

Por que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não lidera essa iniciativa?

A deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul

A deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul

 

3 Comentários

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  1. - IP 201.15.65.222 - Responder

    E as ofensas que a ex-ministra dirigiu a ele ? Chama-lo de estuprador , torturador e canalha não é a mesma coisa? O deputado estrapolou sim , mas a ex-ministra da pasta inútil tambem está errada . Um sujo atacando uma mal lavada.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Mas a deputada não mentiu senhor Ruas: O próprio Bolosnaro admitiu que é estuprador, logo, por isso canalha e torturador também, uma vez que sempre se diz a favor das tortura pela ditadura militar.

      Ruas eu acho que você é um homem de bem, mas seu ódio ao PT esta deixando você cego, a ponto de defender um safado como esse deputado Bolsonaro.

  2. - IP 179.217.105.193 - Responder

    Assisti ao vídeo sobre a fala do Dep. Jair Bolsonaro e fiquei chocado com a truculência que esse senhor usou para agredir uma Deputada/Mulher. Claro que as grosserias, asneiras e baboseiras desferidas por ele sempre que abre a boca, é conhecida pelas pessoas que acessam as redes sociais. Mais, dai, usar a palavra estupro, como forma de coagir uma outra colega de parlamento, é o fim! Fim da civilidade, fim do convivio social, fim do respeito pelo outro, etc. O que é mais grave nisso tudo, é que ele usa as prerrogativas de deputado para esses fins. Não é pelo fato dela (deputada) ser de esquerda, ou ter sido Ministra dos Direitos Humanos, que o deputado de extrema direita, se sinta no direito de coagi-la. Ele ofendeu não somente a Deputada Maria do Rosário, acredito que, ofendeu também milhões de mulheres brasileiras, que vivem no seu cotidiano, situações de desrespeito, só pelo fato de serem mulheres. Como disse o jornalista Noblat, que a Câmara dos Deputados tome uma atitude enérgica, e que essa atitude sirva de exemplo, para que imbecis como Bolsonaro, não se sintam no direito de desferirem suas agressividades e seus destemperos verborrágicos contra uma representante a sociedade brasileira.

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