Reportagem que, mais uma vez, poderia ridicularizar policiais “caipiras” de Mato Grosso no Jornal Nacional virou um vexatório mico para a Rede Globo e para o repórter atrapalhado Alex Barbosa, preso pelos policiais do Gefron. Restou a exibição restrita à TV Centro América, cheia de justificativas que não respondem ao que Associações de militares denunciam: reportagem desrespeitou “Princípios do Grupo Globo”

Alex Barbosa, repórter de rede da Rede Globo, em Mato Grosso, e a cocaína: mico na fronteira da Bolívia

Alex Barbosa, repórter de rede da Rede Globo, em Mato Grosso, e a cocaína: mico na fronteira da Bolívia

 

Um carro de reportagem carregado com 232 quilos de pó, invadindo a fronteira do Brasil com a Bolívia, para provar como são lerdos e caipiras os policiais que patrulham essa região do Brasil.

Essa, aparentemente, era a proposta da reportagem comandada pelo jornalista Alex Barbosa que micou vergonhosamente, na segunda-feira, 12 de outubro.

Foram também encontrados com a equipe uma microcâmera e material de áudio. O que mostra que eles estavam prontos para gravar e filmar os “caipiras” em ação.

Só que o feitiço se virou contra o feiticeiro e a grande e tola ideia dos editores e repórteres atrapalhados da Rede Globo se transformou em um mico como dificilmente se verá outro igual.

E o mico ficou logo evidente pela atitude da própria Rede Globo: O repórter Alex Bezerra Barbosa disse que a equipe estava produzindo uma matéria que seria transmitida em nível nacional, com o objetivo de demonstrar a fragilidade da segurança de fronteira. Só que não se viu no Jornal Nacional reportagem nenhuma.

Restou a exibição restrita à TV Centro América, cheia de justificativas apresentadas pelo Elias Juruna Neto que não respondem ao que Associações de militares denunciam em nota: a pretensa reportagem desrespeitou “Princípios do Grupo Globo”.

Em nota, Assoade, Assof e ACS questionaram:

– É correto o jornalista se envolver numa reportagem a ponto de simular uma prática criminosa?

Eis o que dizem os “Princípios” alinhados pela Rede Globo para orientação dos seus jornalistas:

“Os jornalistas do Grupo Globo agirão sempre dentro da Lei, procurando adaptar seus métodos de apuração ao arcabouço jurídico do País.”

Ora, transformar um carro de reportagem, descaracterizado, em um pretenso comboio de transporte de droga dificilmente poderá ser definida como uma ação que respeite as Leis vigentes no País. Talvez, só na cabeça de um repórter atrapalhado como o sr. Alex Barbosa que, imagina-se, depois desta deve estar em final de carreira em Mato Grosso. Um repórter tão atrapalhado que terminou preso.

No mais, como dizem também as Associações, em sua nota conjunta, “a Segurança Pública não precisa de mais ingredientes que venham apimentar esse caldeirão de sensação de insegurança vivenciada pelos cidadãos, em Mato Grosso e no Brasil. Precisamos, sim, de parceiros que orientem e divulguem ações proativas e que, de fato, prestem um serviço efetivo e de utilidade pública.”

“Por essa razão, esperamos que a prisão do repórter Alex Barbosa e demais funcionários da Rede Globo, por agentes policiais que cumpriram fielmente com suas responsabilidades, mereça matéria de destaque, em breve, no noticiário da emissora, em caráter nacional. Não se pode admitir que o erro agora cometido vá calar a constatação da eficiência policial diante dos bandidos de fato e dos bandidos de araque que, igualmente, nos ameaçam”

Pois é,  o repórter Alex Barbosa, na nota das Associações, acabou sendo caracterizado como um bandido de araque. Ele fez por merecer.

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LEIA A NOTA DAS ASSOCIAÇÕES SOBRE O EPISÓDIO NA FRONTEIRA DA BOLÍVIA:

http://paginadoenock.com.br/associacoes-representativas-dos-militares-da-policia-militar-de-mato-grosso-assof-assoade-e-acs-repudiam-reportagem-em-que-reporteres-da-rede-globo-tentaram-fingir-que-era-traficantes-e-acabaram/

 

 

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DEU NO PORTAL DO UOL

JORNALISMO INVESTIGATIVO

Jornalista da Globo é detido com 240 quilos de falsa cocaína:

REPRODUÇÃO/TV CENTRO AMÉRICA

O repórter Alex Barbosa, da afiliada da TV Globo em Mato Grosso, a TV Centro América - Reprodução/TV Centro América

O repórter Alex Barbosa, da afiliada da TV Globo em Mato Grosso, a TV Centro América

Original: http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/jornalista-da-globo-e-detido-com-240-quilos-de-falsa-cocaina-9433#ixzz3oVI5b6Fa 

 

DANIEL CASTRO, Notícias da TV

O jornalista Alex Barbosa, da TV Centro América, afiliada da Globo em Mato Grosso, foi detido ontem (12) à noite quando simulava o transporte de cocaína da Bolívia para o Brasil, em uma reportagem para testar a fragilidade do combate ao tráfico de drogas na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Barbosa e três funcionários da Centro América foram detidos em flagrante com 240 quilos de gesso em pó na BR 070, em Cáceres (MT). Eles foram conduzidos à Polícia Federal da cidade e liberados, por volta das 3h de hoje (13), após prestarem depoimentos. O jornalista não considera ter fracassado na reportagem. “A gente ficou das 8h da manhã às 8h da noite rodando com esse carro [com falsa cocaína]. Já tínhamos rodado 600 km quando fomos abordados”, disse ao Notícias da TV.

Barbosa foi detido por policiais do Gefron (Grupo Especial de Fronteira), unidade da Polícia Militar de Mato Grosso que faz combate ao tráfico por meio de policiamento ostensivo. O jornalista e equipe estavam em dois carros, um Gol e uma Parati, ambos da TV Centro América. Segundo a PM de Cáceres (MT), uma patrulha do Gefron viu os dois carros trafegando pela rodovia os abordou. Os veículos teriam levantado supeita porque estavam “baixos”, devido ao peso da carga, segundo a Polícia Militar.

Em um exame preliminar, a PF constatou que o material que eles transportavam não era entorpecente. A falsa droga estava acondicionada em pacotes semelhantes aos usados por traficantes. Mesmo assim, um inquérito policial foi instaurado, e o material apreendido será analisado por peritos no Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Cuiabá.

 

Segundo policiais que participaram da operação, Barbosa e um motorista iam no carro da frente, uma Parati. No veículo de trás, seguia um cinegrafista da TV Centro América.

A reportagem não estava sendo produzida para um telejornal específico, mas a Globo no Rio estava ciente e poderia aproveitá-la, se quisesse, no Jornal Nacional. “Era, a princípio, para sair em rede nacional”, diz Barbosa.

“A gente já tinha informações sobre a fragilidade da segurança na fronteira do Mato Grosso com a Bolívia. O efetivo da Polícia Federal na região é pequeno demais. Não tem monitoramento aéreo no Mato Grosso do Sul. O Gefron tem 90 homens para vigiar 900 quilômetros em quatro turnos. A gente estava procurando exemplos dessa fragilidade”, afirma.

Segundo Barbosa, ele e sua equipe saíram de Cuiabá e foram até Cáceres com os 240 quilos de gesso. De lá, rodaram até a fronteira da Bolívia e voltaram para Cáceres novamente, onde almoçaram. Após captar imagens e gravar passagens, retornavam para Cuiabá, à noite, quando foram abordados pela polícia. “A gente passou pelos três vezes pelos mesmos pontos. Mostramos postos da Polícia Rodoviária vazios”, conta.

Suspeita

A produção da reportagem foi informada previamente ao Ministério Público Federal, em procedimento recomendado por advogados da TV Centro América. Em ofício na última sexta (9), “com o objetivo de preservar os profissionais envolvidos na produção”, Barbosa informou a procuradores da República em Cuiabá que iria realizar a reportagem, a fim “de testar a fiscalização dos órgãos competentes nas fronteiras de Mato Grosso”.

Blogs do Estado estão levantado a suspeita de que a polícia tenha sido avisada da reportagem. Cópias do e-mail de Barbosa ao Ministério Público teriam circulado ontem durante o dia.

A Globo, em nota, afirmou que o material “era uma iniciativa da própria TV Centro América, para o noticiário local. Para a pauta sobre a falta de fiscalização nas fronteiras, a equipe de reportagem não usou nenhum tipo de substância ilícita. O teste comprovou que era gesso em pó e a equipe foi liberada”.

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