RENÚNCIA FISCAL: Empresários usaram a mesma técnica adotada por Mauro Mendes em campanha e lotaram auditório da Assembléia com operários com ponto liberado. No debate, coordenado por Ademir Brunetto, sindicalistas deixaram evidente a falta de transparência no encaminhamento da proposta de prorrogação do beneficio a grandes empresas de MT

Os sindicalistas Gilmar Brunetto e Ricardo Bertolini (à esquerda), representaram o Fórum Sindical e ganharam muitos aplausos depois de deixarem evidente a falta de transparência na política de renúncia fiscal em Mato Grosso. Os sindicatos apresentaram proposta de emenda para corrigir esta situação e acabar com o mistério sobre quem são os empresários que gozam do beneficio (fotos Maurício Barbant - ALMT)

Como esta PAGINA DO E previra, não adiantou A Gazeta, a TV Centro América e outros veiculos da imprensa amestrada fazerem operação abafa: ferveu a audiência pública convocada pela Assembleia Legislativa para debater a possível prorrogação da política de renúncia fiscal patrocinada pelo Governo de Mato Grosso e que beneficia um grupo de seletos empresários do Estado. O ato foi transmitido via Tv Assembléia ao vivo para todo o Estado e em breve estará à disposição do grande público, em vídeo, também nesta PAGINA DO E. A realização da audiência pública foi uma iniciativa do deputado petista Ademir Brunetto, atendendo a uma solicitação dos sindicatos que se articulam em torno do Fórum sindical de Mato Grosso.

Não deve ter sido mera coincidência o fato do ex-coordenador da campanha eleitoral do empresário Mauro Mendes a prefeito pelo PSB ter pontificado na mesa de debates como presidente interino da Federação das Indústrias de Mato Grosso, substituindo o titular Jandir Milan que não apareceu para o confronto com os sindicalistas.

É que, tal como aconteceu no debate entre os então candidatos à Prefeitura Lúdio Cabral e Mauro Mendes, no auditório do Liceu Cuiabano, em setembro de 2012, onde os dois candidatos deveriam ter se encontrado com profissionais da rede municipal de ensino para debater a Educação em Cuiabá – o plenarinho Milton Figueiredo, da Assembléia, ficou logo cedo lotado por operários de diversas indústrias da Grande Cuiabá, liberados do ponto e mobilizados para reforçar a defesa que patrões como os empresário Fernando Kusai, da Açofer, e Edson Bruehmueller, dos Refrigerantes Marajás, fizeram dos incentivos fiscais. No debate sobre Educação, Mauro Mendes (com a campanha coordenada por Gustavo Oliveira) lotou o auditório do Liceu com cabos eleitorais arrastados para o Liceu Cuiabano em diversos ônibus fretados, forçando assim uma aparente divisão do auditório entre os que aplaudiam Lúdio (a maioria dos professores) e os que aplaudiam Mauro (a maioria dos cabos eleitorais invasores). Logo se vê que os empresários estavam imaginando que os sindicalistas iriam promover um verdadeiro ato contra a renúncia fiscal.

Os sindicalistas do Fórum Sindical, por outro lado, também não deixaram de mobilizar sua base de sustentação e também convocaram para o plenarinho um grupo de cerca de 20 agentes penitenciários atualmente em movimento grevista por melhorias salariais. E ficou só nisso a manifestação dos sindicalistas. Eles não jogaram pelo confronto.  Escalados para a mesa, como representantes do Fórum Sindical, os sindicalistas Ricardo Bertolini (Sinfate) e Gilmar Brunetto (Sinterp) deram, no entanto, o tom do debate, deixando patente que não defendem a completa extinção da renúncia fiscal mas que exigem uma completa transparência nos beneficios que são distribuidos, atualmente, em Mato Grosso.

Bertolini demonstrou que o Governo do Estado não exige dos empresários beneficiados com a renúncia fiscal o cumprimento de todas as exigências listadas na própria resolução normativa que orienta este tipo de beneficio. Gilmar Brunetto, sem conseguir resposta eloquente, não vacilou em acusar o secretário Alan Zanata, presente da mesa, de se negar a divulgar a relação de todas as empresas e de todos os empresários que se beneficiam, atualmente, dos chamados incentivos fiscais em Mato Grosso. Lembrou que o dinheiro envolvido é dinheiro público de impostos e este tipo de segredo é um absurdo.

A proposta dos sindicalistas é para que, daqui para a frente, os sindicatos passem a ter também representação nos conselhos que aprovam os incentivos e que avaliam o efetivo cumprimento das condições impostas nas resoluções para que estes incentivos sejam liberados. Além disso, bateram firmemente na tecla de que os incentivos devem se concentrar em benefícios para a indústria e não para o comércio, como vem ocorrendo. Brunetto chegou a citar uma empresa que ganha incentivos para importar perfumes para Mato Grosso. Por enquanto, preferiu não citar nomes.

Mesmo formado, em sua maioria por peões da indústria convocados pelos seus patrões para respaldar a defesa dos incentivos fiscais, o auditório do Plenarinho vibrou intensamente durante as falas dos dois sindicalistas e o presidente do Sinterp, Gilmar Brunetto, foi fortemente aplaudido quando disse que de nada adianta incentivos fiscais para alguns, quando só uns poucos podem comer filé mignon e andar em carros blindados, enquanto a grande maioria vive aterrorizada nos bairros da periferia com medo de assaltos, sem acesso à Educação e sem segurança.

 

Bem comportados, em seus uniformes, operários em empresas como a Açofer, Bimetal e Marajá foram levados para reforçar as teses dos empresários na audiência pública - mas não negaram muitos aplausos também às teses dos sindicalistas

 

2 Comentários

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  1. - IP 177.7.76.152 - Responder

    O deputado Riva foi o grande protagonista desse encontro. Ele mostrou pleno conhecimento do assunto e uma posição equilibrada, pela não extinção dos benefícios mas também pela adoção de regras para as empresas, sobretudo industrias, que recebam os benefícios. Foi aplaudido por todas as correntes presentes.

  2. - IP 179.163.11.76 - Responder

    A unica coisa que pode acontecer depois desse circo e o aumento no numero de pilantras que passarao a dividir as comissoes desse assalto…

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