PREFEITURA SANEAMENTO

RENATO GOMES NERY: É de domínio popular, a afirmação: se você quer conhecer alguém dê-lhe poder ou dinheiro. Não são poucas as pessoas que não se embriagam com uma coisa ou com a outra. Outro dia fui recebido inamistosamente por um magistrado que sequer levantou para me cumprimentar.Já sou um advogado há muitos lustros. Não me constrangem mais enfrentar situações como esta. Entretanto, pode ser um golpe duro para os iniciantes aprendizes da arte de suplicar

Renato Gomes Nery, advogado

Renato Gomes Nery, advogado

AS DISTORÇÕES DO PODER
Por Renato Gomes Nery

 

É de domínio popular, a seguinte afirmação: se você quer conhecer alguém dê-lhe poder ou dinheiro. Não são poucas as pessoas que não se embriagam com uma coisa ou com a outra. Elas podem tornar-se soberbas, intolerantes e intratáveis. Enfim são capazes de colocar um rei na barriga de um pobre mortal.

Algumas autoridades públicas são picadas pela “mosca azul” e acham que o poder é oitava maravilha do mundo. E que foi feito para o deleite dos eleitos e para humilhar os que estão fora do Olimpo. Alguns deles se negam ou escamoteiam a lei para fazer valer seus interesses ou pontos de vista. São famosas as peripécias daqueles que afirmam: “sabe com quem está falando?”. Guardas de trânsitos é a maioria das vítimas das “carteiradas” dos semideuses de uma minoritária parte dos funcionários públicos deste Brasil varonil.

Os mandatários da República se julgam acima da lei e dos interesses da população ao fazerem o que lhes convém do poder que têm ou do dinheiro que administram.

Entretanto, não se fica somente ai. Na magistratura existem muitos desta espécie. É certo que não é a maioria. É uma minoria que despreza partes e, sobretudo advogados que vão lhes fazer esclarecimentos e queixas – negando-se a recebê-los ou quando o fazem é a contragosto. Estas pessoas se esquecem que o poder não é para servir-se, mas para atender as demandas daqueles que pagam impostos para custear os seus proventos.

E que magistrado é funcionário público como outro qualquer. E a pecha da agente político é para torná-los superiores. Ressalta que não existe hierarquia entre magistrados, advogados e partes.

Outro dia fui recebido inamistosamente por um magistrado que sequer levantou para me cumprimentar. E somente me mandou sentar quando me movimentei para ocupar uma das cadeiras que estavam em frente a sua mesa de trabalho. Já sou um advogado há muitos lustros. Não me constrangem mais enfrentar situações como esta. Entretanto, pode ser um golpe duro para os iniciantes aprendizes da arte de suplicar.

Neste tempo de eleições para o Conselho da OAB/MT, seria salutar que os postulantes se preocupassem em debelar situações com a aqui descrita. Uma postura mais firme para fazer cumprir a lei e estabelecer uma da boa convivência, seria muito bem vinda para o bom andamento da prestação jurisdicional.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá e ex-presidente da OAB/MT.

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