RENATO GOMES NERY E A MARCHA DA INSENSATEZ NA OAB: Acabo de ver no Facebook que um dos candidatos anuncia a implantação da “Bolsa Filhos”. Se tiver filhos faz jus a desconto de anuidade. Aqui já está implantado o auxílio maternidade. Sem falar nas propostas estapafúrdias de descontos e até de liberação de anuidade para advogados iniciantes. E por aí vai a “caixa de bondades”

RENATO NERY ADV MTA MARCHA DA INSESATEZ

por RENATO GOMES NERY

Acabo de ver no Facebook que um dos candidatos anuncia a implantação da “Bolsa Filhos”. Se tiver filhos faz jus a desconto de anuidade. Aqui já está implantado o auxílio maternidade. Sem falar nas propostas estapafúrdias de descontos e até de liberação de anuidade para advogados iniciantes. E por aí vai a “caixa de bondades”. A OAB/MT sobrevive com as anuidades de seus filiados. Isto não é muito, em face de suas enormes despesas. Não pode ela prescindir de receitas. Se existem advogados que não podem ou tem dificuldade em pagar a anuidade, que isto seja analisado caso a caso. Não se pode em nome dos que não podem pagar liberar a que têm plenas condições de fazê-lo.

A moda vem de cima, onde não se aprendeu que é preciso aprender a pescar e não dar o peixe. Isto é péssimo, pois se retira da miséria dando empregos e não mantendo as pessoas lá, as custas do curto dinheiro público. Pegaram-se os cofres cheios do plano real e usou na “caixa das bondades”, dando-se indistintamente benefícios. E duvidosos milhões e milhões de pessoas teriam ascendido para uma classe social superior. O dinheiro acabou, pois não se preocuparam e em preservar ou aumentar a receita e, muito menos de fazerem as reformas estruturais que País precisa. E hoje a inflação implacável – que não se preocuparam em debelar a tempo – corroeu tudo. E aqueles que subiram de classe já voltaram envergonhados, pois os preços de tudo estão nas alturas. O dólar alcançou patamares nunca antes navegados.

Quero somente lembrar a todos os advogados que o “pacote de bondade” tem conseqüências. Na hora que faltar dinheiro para manutenção de OAB/MT, vão ter que subir anuidade. Assim como se aumentam e se criam novos impostos na esfera federal para estancar políticas inconseqüentes e irresponsáveis.

Está na hora de se ser responsável com as receitas e os gastos, pois dinheiro não nasce em árvore. Uma dose de sensatez não faria mal a ninguém.

Renato Gomes Nery é advogado e ex-presidente da OAB/MT

Categorias:Direito e Torto

2 Comentários

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  1. - IP 189.114.55.107 - Responder

    O Autor aborda com precisão uma questão que extrapola a mera demagogia politica e econômica. Ela vai além, pois representa a indigência mental que já toma conta do país. Sinto-me cada vez mais cético. Uma categoria profissional que, por séculos, é tida em nosso país não só como a mais esclarecida e, em alguns momentos, como de vanguarda, hoje parece ter esquecido as lições da história da entidade.Tal mentalidade generalizou-se para além de qualquer tendência partidária. As inúmeras “Bolsas” criadas, hoje, independentemente da crise econômica, mas também pelo conteúdo político, estão esvaziadas, desmilinguiram-se. E, mais que nunca, mostraram o seu verdadeiro caráter. Se a intenção inicial, quando de suas criações, tinha um sentido verdadeiramente humano e republicano, isto é, o de dar um impulso ou, com se usa dizer, proporcionar um upper grade na vida das pessoas mais necessitadas, e por isso mesmo era temporário, hoje a máscara caiu para mostrar a sua característica demagógica, anti-democrática e, por que não?, desumana. Foram criados tão somente “currais eleitorais” que, como se percebe, estão na vazante. É isso o que a OAB quer repetir? Assim como no país estamos tendo aumento de impostos, o aumento de anuidades certamente virá, mais cedo ou mais tarde, para cobrir o rombo que está sendo gerado. Aqui com uma agravante: a Bolsa Familia, por exemplo, foi criada com a intenção de suprir as necessidades mais básicas e elementares do ser humano. Ora, nem de longe é esse o caso da OAB. Quando, há uns poucos anos, alguns poucos, país afora e menos ainda aqui em MT, combatíamos as injustificáveis benesses que o Governo outorgava com o dinheiro coletivo – distribuído como se caísse do céu – a grande maioria se calava, dava de ombros ou reagia como se fossemos inimigos do povo. Hoje estão às ruas em protesto, inclusive os sempre omissos empresários, contra o desgoverno, a inflação e a crescente carga tributária. O preço da omissão, ou da falta de visão, costuma ser muito alto. O paralelismo vale para esses rasgos de “bondades” oabbianas. Daí que é hora dos advogados, independentemente de que lado estão nessa cada vez mais insonsa “corrida eleitoral, se posicionarem contra tais coisas. A omissão agora pode, daqui a pouco, ter sérios inconvenientes, pelo menos para o bolso. Exige-se um posicionamento firme, nesse e em outros casos. Como vc está fazendo. E é hora também de sermos informados se no Conselho Estadual, e Federal, existe voz independente e altiva que, pelo menos vez ou outra, diverge, ou se lá, como se fossem secretários ou ministros de governo, reina a ordem unida. (Atenção, aqui uso o sentido castrense do termo, sem qualquer duplo sentido).
    Portanto, justificativa nenhuma se tem para esta, e tantas outra medidas assemelhadas que a nossa entidade tem adotado nos últimos tempos. O que a OAB precisa é de maior transparência em sua contabilidade e de um ativismo mais consequente em prol da defesa do munus profissional.

  2. - IP 189.59.60.189 - Responder

    O doutor Renato Nery como sempre lúcido, preparado e sensível com as questões políticas que nos cercam. Na verdade, penso que a Ordem dos Advigados de Mato Grosso, nos últimos 10, 12 anos tem sido usada por alguns para se darem bem. Inclusive, quando se fala na disputa para participar da lista sêxtupla. E o pior, geralmente, as pessoas que fazem parte do grupo são as que participam da lista, portanto, o critério ético está um pouco distante. Já passou da hora de mudar esse quadro. Não há dúvida de que o Dr. Renato seria um grande candidato, sobretudo, pela sua história profissional. Mas, também, por outro lado, existem grandes nomes que poderiam enfrentar esse desafio. Por último, parabéns Dr. Sebastião Carlos pelo seu oportuno comentário.

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