RENATO GOMES NERY: A reminiscência me ocorreu quando me lembrei da soberba e do nariz empinado de alguns estagiários que introduzi na advocacia e outras carreiras jurídica. Fica aqui a homenagem a todos que tiveram e têm a paciência de ensinar alguma coisa

renato gomes nery, advogado e empresário, ex-presidente da oab em mt2

BEABÁ

Por Renato Gomes Nery
A caminhada começa com o primeiro passo. Entretanto, antes é preciso aprender a dar este passo. A primeira letra somente pode ser aprendida com o ensino.

Peguei-me tentando lembrar o nome da minha primeira professora que me ensinou ler. A professora que me lembro se chamava Cristina. Era alta, clara e com uma paciência curta.

Esta reminiscência me ocorreu quando me lembrei da soberba e do nariz empinado de alguns estagiários que introduzi na advocacia e outras carreiras jurídica. Eles são humildes quando chegam e poucas coisas sabem. Com o tempo eles aprendem muitas coisas e passam a achar que superaram o mestre e começam discordar de tudo.

O mestre que dá tudo de si para o ensino, não se incomodando com arrogância e, muito menos, com o destaque ou o sucesso de seus alunos. Ele ensina o que sabe e os alunos ganham o mundo. Cumpriu a sua missão. O resto é resto e nada mais, pois “ingratidão continuará a ser uma pantera”, como nos informa o poeta

O importante no início são aqueles que nos ensinaram a dar os primeiro passos rumo a alfabetização. Sem eles, não seguiríamos em frente. Sem saber ler o aluno seria um zero à esquerda. Daí o relevo daqueles que se dedicaram e nos deram a chave para abrir as cortinas do mundo.

Fica aqui esta homenagem a todos que tiveram e têm a paciência de ensinar alguma coisa. E a todos os professores primários deste Brasil afora, que, na maioria das vezes, em condições precárias, tiram da escuridão milhares e milhares de pequenos brasileiros todos os dias, dando-lhes a luz dos primeiros rudimentos da leitura. Um dia este País haverá de fazer-lhes justiça, dando-lhes um tratamento e um salário digno.

Acompanho com tristeza, pela imprensa, que, na “Pátria Educadora”, tem aumentado sistematicamente o número de analfabetos. Este é um sinal claro de que estamos andando para trás. Que ironia para um País que almeja chegar ao Primeiro Mundo.

Encerro estas reflexões – que não seriam possíveis, se não fosse a dedicação da minha professora Cristina – com trechos dos versos da belíssima canção de Ataulfo Alves, Nos Meus Tempos de Criança:

“ Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos dias de criança
…………………………………….
Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
………………………………………
Eu era feliz e não sabia.

 

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá

E-mail – rgnery@terra.com.br

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