RENASCIDA DAS CINZAS – Se Serys está tentando retomar militância em Cuiabá, aí vai uma idéia: candidate-se a vereadora e ajude a puxar a renovação da bancada do PT e do próprio partido. O melhor nome do PT para disputar a Prefeitura é Lúdio Cabral.

O PT é um partido que perdeu a importância, em Mato Grosso, nesses últimos anos. Por conta da necessidade de livrar a cara do sr. Alexandre César no caso dos processos  por caixa 2 na campanha eleitoral de 2004 para a prefeitura de Cuiabá, as ocasionais lideranças partidárias buscaram socorro numa ligação com o então hegemônico PR do  sr. Blairo Maggi, que pode ter conseguido livrar Alexandre de suas dores de cabeça mas acabou por colocar a perder toda a credibilidade que o PT granjeara em seus primeiros anos de atuação. Claro que, quando eu falo em Alexandre e em caixa 2, estou simplificando as coisas, pois o caso é muito mais complicado – e o dinheiro que  jorrou farto na campanha de Alexandre, naquele fatídico ano, só jorrou farto porque no comando nacional do PT estavam Zé Dirceu e Delúbio Soares – e todo mundo sabe
para onde esta dupla arrastou o partido, no plano nacional, nos desdobramentos do processo do Mensalão.

As derrotas do PT em Cuiabá representam, então,na minha torta avaliação, um sub-produto das derrotas do PT no plano nacional, no qual o partido conseguiu manter a hegemonia política sobre a Nação mas perdeu, tristemente, sua base orgânica e abriu mão do seu projeto original de transformação radical da politica brasileira. Quem domina o País não é mais um partido a conduzir um projeto de esquerda mas apenas um grupo de dirigentes que vai conseguindo controlar uma máquina partidária bem azeitada. Certamente, que a ideologia de esquerda deixou de ter importância para o PT – e expirou para outros projetos partidários e, hoje em dia, até para projetos antipartidários como se vê no movimento dos indignados que começa crescer também aqui, nas ruas e praças do Brasil.

O PT é hoje um partido que desce a ladeira, tragicamente, como o Partido Comunista Brasileiro já desceu em outras épocas. Ele que chegou a empolgar parcelas expressivas da sociedade, como pretenso condutor de um processo de revolução das práticas políticas em nosso País, é hoje um partido que perdeu seu rumo, se abastardou, se contaminou ao mergulhar no processo eleitoral. Transformou-se em mera legenda eleitoral, e imagino que não consiga mais nem sobreviver sozinho, eleitoralmente, ficando escravo das coligações com as legendas oportunistas de plantão. O PT acabou se transformando numa espécie de fantasma de si mesmo, à luz do que prescreve seu manifesto de fundação.

Em Mato Grosso, o cenário é mais triste, já que é uma história que nos diz respeito mais diretamente. Quem acompanhou a bela trajetória da professora Serys  Slhessarenko na Assembléia Legislativa de Mato Grosso sabe que aquele foi um momento impar em que o mandato parlamentar serviu de alavanca para o fortalecimento da luta e da organização popular em nosso Estado. Militante disciplinada, a professora Serys soube como ninguém servir à causa da mobilização da sociedade contra uma estrutura de poder que sempre esteve a favor da sustentação dos privilegios e da espoliação dos de baixo. Não cumpriu um mandato personalista – antes soube multiplicá-lo na ação incontida de sindicatos, movimentos de sem teto, pequena burguesia radicalizada, grupos de mulheres, movimentos de trabalhadores rurais, etc, etc,

Serys, deputada estadual, brilhou como poucas! Ver a deputada Serys em atuação era como ver Napoleão Bonaparte a submeter a Europa sob o seu poder e a sua genialidade de estrategista. A vitória sobre Dante na disputa pelo Senado, em 2002, representou o ápice de uma carreira que marcará para a sempre a história política de Mato Grosso – com a pequena Davi a tomar o lugar que o gigantesco Golias pensava que já seria seu, por destinação histórica. Dante já se imaginava senador – mas se esqueceu de combinar com o povo, e não soube avaliar o enorme carisma de Serys e sua capacidade de hegemonizar o momento político, subordinando sob a sua candidatura as forças mais diversas. Sim, Serys, naquele momento, rumando estripitosamente para o Senado, era como Lenin marchando rumo à Estação Filândia apoiado discretamente e contraditoriamente por Bismarck e outros setores do conservadorismo internacional. Lá na Russia, acabou não dando certo – e a revolução bolchevique se abastardou sob a ditadura stalinista. Aqui, em Mato Grosso, a combativa Serys deputada estadual que soube colocar seu mandato a serviço da organização independente dos trabalhadores e das trabalhadoras, se diluiu dentro desse mar de diluição que é o Congresso Nacional.

Sim, Serys, como Napoleão, também teve seu Waterloo. Enquanto ela dava dignidade a seu mandato em Brasília, aqueles que conduziam seus interesses dentro do PT em Mato Grosso, arrastaram o partido para um tal nível de sectarismo, que o partido acabou por voltar as costas para os interesses da população matogrossense, se engolfando num enfrentamento interno tão fratricida, que acabou por anular-se políticamente, conforme se viu no episódio Serys x Abicalil. Pior: Serys, distanciada do movimento social em Mato Grosso, à medida que priorizava a atuação parlamentar em Brasília e pelo mundo afora, também referendou a adesão do PT ao governo Maggi e ao PR, desviando completamente o PT do exitoso rumo de independência e compromisso com os setores marginalizados da população que seguira até então.

Transformado em linha auxiliar do PR e dos botinudos, o PT segue até hoje de queda em queda. Culpa de Abicalil? Culpa de Serys? A resposta nunca é simples. O próprio PT demonstrou ser incapazes de responder a este questionamento, à medida que o debate interno foi sufocado a partir do desmantelamento da campanha de Portocarrero a prefeito em 2008. O fato é que o partido perdeu suas bases populares, sua ligação com o movimento social, sua ligação com a intelectualidade da UFMT e hoje patina numa completa insignificancia, colhendo ainda a vexatória performance de ver alguns de seus prefeitos cassados ou processados por corrupção ou se transferindo, com armas e bagagens para o novo partido de Geraldo Riva, o PSD, como fez recentemente o Gauchinho de Jangada.

Há quem diga que não há mais esperança para o PT que, em Mato Grosso, já seria um partido morto e enterrado, sob sete palmos de terra, notadamente depois da acachapante derrota que colheu das urnas na eleição de 2010. O que resta hoje para o PT parece ser apenas a infame participação na partilha de cargos do poder ocasional do PMDB, atividade à qual se dedicam lideranças como Ságuas Moraes, Verinha Araújo e outros que tais, sem nenhuma preocupação com o resgate do papel histórico que o partido já desempenhou, ou desenhou desempenhar em Mato Grosso.

Aproxima-se a eleição de 2012 e tudo indica que o PT, como já acontecera em 2008, não terá candidatura própria a Prefeitura de Cuiabá. Serys, que parece estar tentando retomar sua militância na capital, tem afirmado seu desejo de participar da disputa pela prefeitura na capital. Só que, mal fora lançada para prefeito por alguns diletos e resistentes correligionários, já acena também a possibilidade de se contentar em ser apenas a vice na chapa de Mauro Mendes. O que demonstraria que o empenho de Serys não seria pela reafirmação da legenda do PT diante dos eleitores, mas apenas pela recuperação de sua própria pessoal como liderança política e feminista que,em Mato Grosso, já teve seu tempo de Napoleão Bonaparte.

Não creio que com esta postura tão vacilante Serys vá muito longe. Seu distanciamento do eleitorado mato-grossense já cobrou seu preço em 2010, quando sua derrota não pode ser atribuida apenas aos confrontos com a alucinada e aloprada turma do Carlos Abicalil. Parece-me muita cegueira política de Serys tentar voltar com um projeto pessoal quando a única coisa que poderia atrair a simpatia do eleitorado para sua causa seria a defesa de um projeto partidário, de reconstrução do PT, de forma a recredenciar o partido como porta-voz daqueles setores mais espezinhados da população.

Nesse sentido, Serys deve descer do salto alto indevido e reconhecer que o médico e vereador Lúdio Cabral é o candidato mais credenciado para a disputa da Prefeitura pelo Partido dos Trabalhadores, dado o solitário mas eficiente combate que desenvolveu, estes anos todos, contra os tucanos e agregados que vem promovendo um continuado processo de prostituição da cousa pública à frente da Prefeitura em Cuiabá. E Lúdio é o mais credenciado justamente porque sua candidatura não traduz um projeto pessoal mas, sim, um projeto de sacrificio pessoal visando a reconstrução partidária – já que seria muito mais conveniente e mais fácil para Lúdio se reeleger como vereador e continuar faturando fama e prestígio pessoal – e todo mundo sabe que Lúdio se reelegeria com um pé nas costas. Ao se dispor a disputar a Prefeitura o que Lúdio procura, imagino eu, é a garantia de que o PT tenha candidatura própria, que o PT e a sua militância voltem a erguer suas bandeiras nas ruas, propalando as propostas petistas para um governo municipal que priorize os interesses da maioria da população.

Lúdio se dispõe a ir para a disputa como Serys foi para a disputa do Senado diante de Dante – confiando na sua capacidade de atrair a população para um projeto diferenciado em relação aos partidos da Ordem.

Uma postura diametralmente oposta à da professora Serys, velha combatente de outras horas, que, por trás dela, alguns estariam procurando manipular para buscar não o resgate da imagem e da antiga tradição do PT – mas um espaço de negociação dentro da já anunciada campanha do empresário Mauro Mendes.

Chega a ser constrangedor, para quem já viu a professora Serys conduzindo o PT em tantos momentos de enfrentamento contra o establishment político e economico em nosso Estado, ver agora a professora Serys procurando uma espécie de pós-aposentadoria política, atuando como linha auxiliar do empresário Mauro Mendes no processo de cooptação do PT que ele estaria desencadeando – ao mesmo tempo em que negocia com o PSD de Riva e outros que tais.

Há quem diga que não há mais esperança para o PT. Eu digo que não há mais esperança para o PT se ele insistir na tese da sua própria subordinação diante dos interesses de outras legendas partidárias. Ser vice de Mauro Mendes é a mesma coisa de que não ser coisa nenhuma. (Quem não se lembra daquele personagem do Jô Soares?!?) Existe papel, todavia, mais dígno para a professora Serys, se ela ainda carrega dentro de si a flama combativa de antigamente. Esse papel é o de aliar-se a Lúdio Cabral, reconhecendo-o como o candidato mais indicado para a disputa da Prefeitura, e assumir uma candidatura a vereadora pelo PT, com o objetivo único e definitivo de reerguer a presença do PT dentro da Câmara Municipal.

Essa proposta me foi feita outro dia pela militante Neiva Felix, do grupamento da Militância Socialista, que me parou diante do Tribunal de Justiça, onde eu estava para entrevistar a corajosa Eliana Calmon, e me falou com emoção, uma emoção que me tocou o coração. É sempre magnifico quando os petistas da base falam – coisa para qual o próprio PT não abre mais espaço. Lembrava ela o exemplo da também ex-senadora e ex-candidata a presidente da República Heloisa Helena que, na defesa do seu partido, o PSOL, se tornou vereadora em Maceió e vai, agora, mais uma vez, disputar a reeleição.

Capitaneando a chapa de vereadores do PT, a professora Serys tem condição de puxar muitos votos, se eleger, e ajudar o PT a eleger uma enorme bancada, reaglutinando a militância que está vazando por todos os lados. Tem condição de ajudar o PT a retomar com honra seu papel no processo eleitoral em Cuiabá – e, quem sabe, retomar alguns dos seus antigos principíos como partido que se pretendia uma ferramenta para apoiar o movimento popular em suas conquistas. Serys tem condição de acabar com esta conversa de que o PT em Mato Grosso se transformara num partido de negocios, interpretação muito favorecida pela ação de Abicalil, Alexandre e Ságuas, sempre em busca de uma boquinha no governo de Silval – mesmo que esta boquinha represente colocar a Secretaria de Educação do Estado em confronto direto com os militantes do Sintep e da causa da Educaçáo Publica, como aconteceu na greve recente, com o papelão estrelado pela secretária Rosa Neide.

Seguindo o conselho de Neiva Felix, acho que chegou o momento da professora Serys, uma vez disposta a retomar efetivamente a militância no PT de Cuiabá – ao qual ela virava as costas, priorizando a atuação em Brasilia e em outros quadrantes do planeta -,  demonstrar sua humildade e sua grandeza. Não existe nome mais indicado e mais correto para a disputa da Prefeitura de Cuiabá,pelo PT, que o nome do médico e vereador Lúdio Cabral. Serys deve ter a humildade e a sabedoria de reconhecer isso. E ter a humildade e a sabedoria de reconhecer que, capitaneando a chapa de vereadora, ela ajudará o PT a ressurgir das cinzas, até mesmo ideologicamente, recuperando muito da militância que se perdeu durante esses últimos em que o PT se envolveu com tantos sectarismos e tantos mensalões.

De resto, esta é só uma opinião de um humilde blogueiro que não nega que continua filiado ao PT, talvez pelo fato de ter sido um dos primeiros brasileiros a fazê-lo, quando existia, em 1978, existia apenas um Movimento pela Partido dos Trabalhadores. Nada é pra já. Os fatos aqui narrados podem ter um outro enfoque e abordagem. O que me motivou a escrever este texto foi a alegria de Neiva Felix ao me relatar sua proposta. Bela e pequena Neiva – certamente que ela merece um PT muito melhor!

 

Categorias:Jogo do Poder

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  1. - IP 189.10.99.202 - Responder

    Lúdio Cabral… Esse cara parece o César Polvilho, o Freddy Mercury prateado hehehe… propaganda política no 12! hehehe

  2. - IP 189.9.20.131 - Responder

    Enock,
    Discordo destes trechos:
    “Enquanto ela dava dignidade a seu mandato em Brasília”
    “virava as costas, priorizando a atuação em Brasilia e em outros quadrantes do planeta”.
    Na verdade ela em Brasília votava tudo que o governo federal queria e traia o que sempre defendeu, do qual o é emblemática a votação da “reforma da previdência” contra os interesses dos servidores públicos que ela defendeu perante Dante e FHC.

    Atenciosamente,

    Carlos

  3. - IP 201.86.130.42 - Responder

    Não consigo entender, pois o Enock está sempre se referindo a um certo PIG (sigla que foi criada pelos defensores do PT, para a ela ser atribuida a “invenção” do mensalão), mas agora, criticando o Alexandre Cesar, ele fala, com suas próprias pálavras, em “dinheiro que jorrou farto na campanha de Alexandre, naquele fatídico ano, só jorrou farto porque no comando nacional do PT estavam Zé Dirceu e Delúbio Soares – e todo mundo sabe
    para onde esta dupla arrastou o partido, no plano nacional, nos desdobramentos do processo do Mensalão.”
    Com relação às eleições para a prefeitura de Cuiabá, também discordo do Enock, pois acho que a Serys é a mais forte candidata a prefeita pelo PT, para o bem dos “cumpanheirus”, pois ela tem, dentre os quadros do PT, maior densidade e prestígio eleitoral em Cuiabá e não sei porque esse ex-partido nunca aproveitou o potencial dela
    para ganhar o poder municipal na capital. Ainda bem que o partido dos “cumpanherus” é esse saco de gatos, divergencias e incoerências, pois se eles fossem unidos, teriam conquistado o poder nacional antes e impedido que Itamar Franco, Fernando Henrique e José Serra tivessem implantado o Plano Real (que o PT foi contra, lembram-se???).

  4. - IP 200.255.18.42 - Responder

    Não entendo mais nada. Primeiro voce Enojock, papa muita grana da Serys como seu assessor em Brasilia sem nunca ter pósto os pés no gab. dela. Agora voce vira as costas para ela, postando que Ludio é o melhor para Cuiabá. Faça-me o favor o mau carater, cabnalhice tem limite. Se quer msmo virar as costas para ela, comece por devolver a grana que recebeu sem trabalhar.

  5. - IP 187.123.5.59 - Responder

    Aqui em Mato Grosso temos jornalistas amestrados e alienados. Enock, faça-me o favor….Serys atuante no senado??? É pra acabar com o pequi de Goiás !!!

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