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REINALDO AZEVEDO: Todo cuidado é pouco no caso Blairo; acusador, Janot, é quem é, e Fux busca holofotes

 

A história em que tentam enredar o ministro é, com a devida vênia, um tanto inverossímil. Não atestarei a inocência de quem nem conheço, mas sei reconhecer quando uma história é atrapalhada

Por: Reinaldo Azevedo, em seu blogue

 

Resolvi ler os detalhes da denúncia que envolve Blairo Maggi, ministro da Agricultura. Querem um conselho prudencial? Todo cuidado é pouco nessa história.

O ministro foi citado por Silval Barbosa, ex-governador do Mato Grosso do Sul, em delação premiada. Barbosa disse ter intermediado, em 2008, repasse de R$ 4 milhões, a pedido de Blairo e de Mauro Mendes, ex-prefeito de Cuiabá, a um deputado do PMDB. Objetivo? Comprar seu apoio para evitar que um adversário de Blairo se tornasse o candidato do partido à Prefeitura da capital.

Segundo Rodrigo Janot, na denúncia, Blairo seria a figura mais “proeminente da organização criminosa”. Na quinta, como vocês viram, Luiz Fux, relator do caso no Supremo, autorizou mandado de busca e apreensão na casa do ministro, em Brasília.

Vamos ver.

Só não posso dizer quer não conheço Blairo porque já o cumprimentei uma vez. Ele visitou a empresa em que eu trabalhava. Nada além de um “Boa tarde! Como vai?” Assim, não vou aqui, com base em conhecimento pessoal, atestar sua inocência. Mas a coisa parece bem pouco consistente.

As empresas de seu grupo faturam R$ 100 bilhões por ano. A engenharia financeira para comprar o apoio do tal deputado é de tal sorte complicada, procurem se informar, que parece pouco provável que Blairo se metesse na lambança se quisesse comprar alguém. Encurtaria o caminho.

“E os Batistas? Também não são multibilionários?” Sim! Mas calma aí! Vejam a altitude dos negócios ilícitos em que se meteram e vejam o que se atribui ao agora ministro da Agricultura. Não sei, não! Parece que estamos diante de um dos sestros de Janot, que é escolher sempre o, digamos, Macho Alfa de um grupo e lhe pespegar: “chefe de organização criminosa”.

Venham cá: Blairo, sendo quem é, estruturaria uma organização criminosa para ganhar eleições em Cuiabá?

Mais: mandado de busca e apreensão em sua casa de Brasília, em 2017, por algo acontecido no Mato Grosso do Sul (sic) em 2008? Vocês acham isso ao menos verossímil? Pensam mesmo que se pode encontrar lá algum documento comprometedor sobre o suposto pagamento de um agrado que acabou ficando, consta, em R$ 3,3 milhões?

Modestamente, meus radares são bons. Noto que o ministro Luiz Fux parece estar atuando com certa sede de protagonismo nessa história.

Um dos mantras de ministros com o seu perfil, e Roberto Barroso é outro, é o famoso: “Todos são iguais perante a lei”. Ora, claro! Barroso mandou abrir um inquérito para investigar o presidente Michel Temer, com base em outra acusação notavelmente estúpida de Janot envolvendo o porto de Santos, com tal desculpa. Engrolou lá algo como: “Não é porque é presidente que não se vai investigar”. Fux disse algo semelhante sobre Blairo.

Devagar aí! Se não se deve deixar de investigar esse ou aquele em razão do cargo que ocupam, também não cabe investigar esse ou aquele só em razão do cargo que ocupam, sem atentar para a qualidade da acusação ou da denúncia feitas.

Não conheço Blairo. As pessoas que conheço e que o conhecem atestam ser um homem correto. Mas não quero que vocês se fiem nisso. Também nesse caso, recomendo que se tome um tanto de cuidado. Se não posso, aqui, atestar a inocência de ninguém, uma coisa afirmo sem medo de errar: Fux está tentando, digamos, cuidar preventivamente de sua reputação — acho que há um potencial desgaste de sua biografia se desenhando pela frente — ao ordenar uma estrepitosa ação contra um ministro. E Janot, o pai da denúncia, não é alguém especialmente reconhecido pela isenção e pela qualidade técnica nessa área.

 

 

 

 

Reinaldo Azevedo é jornalista , blogueiro e comentarista da Rede TV News

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