gonçalves cordeiro

Quando é que manifestantes, em busca de atenção para suas reivindicações, vão encontrar maneira mais criativa e menos ofensiva às demais pessoas, que o trancamento das avenidas? Nesta semana, trabalhadores rurais interditam rodovias federais, em Mato Grosso

Estradas interditadas por manifestantes: procura-se uma forma mais criativa de reforçar o protesto sem torrar o saco da população que se quer como aliada dos manifestantes

Acho que já passou da hora dos manifestantes, em busca de atenção para suas reivindicações, encontrarem uma maneira mais criativa e menos ofensiva às demais pessoas, do que o trancamento de ruas e avenidas. Basta sentar e pensar. Não dá para continuar repetindo este enredo besta, como se não houvesse outra opção.

Esta semana começa, em Mato Grosso, com a informação de que manifestantes que se identificam como Trabalhadores e Povos do Campo das Águas e da Floresta interditaram quatro trechos de rodovias federais para reivindicarem dos órgãos responsáveis o atendimento a de uma lista de reivindicação que vão desde assentamento de mais de 10 mil famílias a contratação de professora para atuarem no campo.

Meu Deus do céu! Já estou até imaginando o tamanho do engarrafamento que vai se formar nestas estradas, impondo uma série de sacrificios a todos que utilizam caminhões, ônibus e carros que transitam por estas rotas. Nesse calor de Mato Grosso, é sempre uma penura a mais!

Acho que os líderes destes movimentos e dessas manifestações deveriam pensar o seguinte: vamos empentelhar a vida de quem toma as decisões políticas e administrativas – e vamos deixar o povo em paz, circulando livremente.

MST, CUT, estudantes, índios, servidores em greve, sei lá, todos que costumam protestar e ir para as ruas, deveriam, por exemplo, multiplicar os acampamentos diante desses palacetes majestosos que abrigam nossas autoridades públicas. Cercar o Palácio da Justiça, invadir o Ministério Público, atulhar de gente as portas dos palácios onde atuam Silval Barbosa e seus secretários, José Riva e seus caititus.

Não pensem que deixaria de haver confrontos com a Polícia, porque imagino que o incômodos dos poderosos os levaria a acionar também a segurança para abrir os seus caminhos.

Mas o mais importante seria que os manifestantes deixariam de atritar com o povo e com o interesse público. Afinal de contas, os manifestantes sempre buscam o apoio da população – e se esse apoio vier sem dor, muito melhor.

Como velho leninista, sei que quando um movimento resolve fechar uma rua, atravancar uma avenida, esta decisão nasce na cabeça de alguns pretensos iluminados que comandam a massa desses movimentos. Então, que o confronto seja feito dentro dos palácios, e não atravancando os caminhos do povo.

Vejam aqui que dei algumas idéias mas se forem convocadas assembléias especificas para parar e pensar, parar e propor novas opções de manifestação, muita coisa nova há de surgir.

Não pode haver nada pior do que uma esquerda que não evolui, que não supera os desafios e não se aproxima cada vez mais da população.

Neste sentido, gostaria de aplaudir os estudantes da UFMT, no momento em que resolveram tomar de assalto o prédio da Reitoria. Eis aí uma atitude inteligente. Ir pra rua e impedir ônibus e pessoas de circularem, como eles fizeram antes, foi uma repetição da burrice, que ainda os expôs ao enfrentamento bestial com a Policia.

Ficam aqui as minhas considerações. (EC)

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LEIA AGORA A PAUTA DE REIVINDICAÇÃO DOS MANIFESTANTES QUE ESTÃO ATRAVANCANDO RODOVIAS FEDERAIS NESTE INICIO DE SEMANA:

a) TERRA:

1. Assentamento imediato de todas as famílias acampadas no Estado de MT organizadas pelos movimentos sociais e pastorais: MTA, CPT, MST, FETAGRI, Associação 13 de Outubro;

2. Retomada imediata das terras públicas da União;

3. Vistoria de no mínimo 15 áreas por movimentos sociais e pastorais;

4. Desintrusão das terras indígenas de Urubu Branco (Confresa), Juruna (São José do Xingu), Jarudori (Poxoréu) e Manoki (Brasnorte);

5. Demarcação das terras indígenas Myky (Brasnorte), Enawenê Nawê (Juina) e Batelão (Tabaporã), Isolados Kawahiva (Colniza), Chiquitano (Portal do Encantado em Porto Esperidião);

6. Criação da Reserva indígena para o povo Kanela;

b) INFRAESTRUTURA: De acordo com a pauta de cada movimento social e pastoral:

1. Recuperação e abertura de estradas;

2. Recuperação e construção de pontes ou manilhamento;

3. Abertura de poços artesianos e construção de redes de distribuição de água;

4. Rede de distribuição de energia do programa Luz Para Todos;

5. Construção de espaços de convivência, articulação de produção e comercialização nos assentamentos;

6. Distribuição de Patrulhas Mecanizadas para apoio da produção;

7. Construção de parques e áreas de lazer nos Assentamentos;

c) CRÉDITO:

1. Desburocratização do acesso aos créditos;

2. Fomento;

3. Habitação, inicial e reforma para todas as famílias assentadas;

4. Apoio às Políticas de Economia Solidária;

d) Assistência técnica a todas as famílias assentadas no Estado;

e) Liberação de 500 rolos de lona;

f) Liberação de cestas básicas de acordo com a reivindicação de cada movimento social e pastorais e manter a distribuição das cestas básicas pela CONAB e INCRA;

g) QUESTÕES AMBIENTAIS:

1. Fazer o licenciamento ambiental de todas as áreas de assentamentos do Estado;

2. Realizar o CAR – Cadastro Ambiental Rural – de todas as áreas de assentamentos do Estado;

h) EDUCAÇÃO:

1. Infraestrutura (construção, ampliação, reforma, laboratórios (informática, ciências), bibliotecas, salas de vídeos, Quadras cobertas, parque infantil), das escolas do campo e indígenas;

2. Infraestrutura de transporte escolar;

3. Solucionar a falta de professores no campo;

4. Parar imediatamente com o fechamento das escolas do campo e reabrir as que já foram fechadas;

5. Fortalecimento do PRONERA;

i) SAÚDE:

1. Criação dos PSFs em todas as áreas dos Assentamentos (Construção, reforma, ampliação e contratação de equipes);

2. Contratação de agentes de saúde;

3. Aquisição de veículos para atendimento dos PSFs

4. Fortalecimento das práticas de medicinas alternativas;

j) INDÍGENAS: (saúde)

1. Contratação imediata de equipes técnicas de saúde para atender todas as aldeias indígenas;

2. Regularização da distribuição de medicamentos em todas as aldeias;

3. Atendimento imediato às aldeias com problemas de abastecimento de água;

4. Aquisição de veículos para o atendimento à saúde indígena;

k)PESCADORES:

1. Garantir o direito a pesca;

2. Indenização imediata dos pescadores atingidos pelas Hidrelétricas;

3 Comentários

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  1. - Responder

    Caro Enock, realmente bloqueio de rodovia é crime, pois infringe um principio constitucional a liberdade de Ir e de Vir, tais manifestantes pensam que estão acima da lei, pertuba a ordem, atrapalha camionieiros, ônibus, passageiros, pacientes, enfim atrapalham os cidadãos. Esses infratores precisam ser identificados e processados; quando isto acontecer outros não vão querer se expor. Nosso país precisa de ordem!!

    • - Responder

      Em 2006, Blairo Maggi, a Famato e outras representações de empresários paralisaram as rodovias em Mato Grosso. Este ano, empresários do Norte do Estado fizeram o mesmo. Então, pela lógica de Gorski, também devem ser processados por desordem e perturbação da ordem pública.

  2. - Responder

    Caramba, essa discussão ocupa a cachola até do Enock? Pensei que isso fosse apenas coisa de gordos aburguesados, ansiosos dentro de seus carros com ar-condicionado, parados numa via congestionada e mal conservada pelo poder público. É claro que somos uma classe média impotente contra os maus gestores da coisa pública, quando não corruptos e criminosos. Mas não podemos considerar que as ruas são funcionais apenas ao trafego de pessoas e mercadorias e sim que são espaços de ocupação pública, da mesma forma que as praças, palácios e onde mais for necessário para que populares expressem suas carências ou demandas. De modo que, peço vênia, irei discordar totalmente dos que opinam ser a manifestação nas ruas algo arcaico, ineficiente ou besta, porque ao contrário da papagaiada do “é ilegal barrarem o direito de ir e vir das pessoas”, eis que o trancamento das ruas é a melhor forma de manifestação justamente porque o garantidor da legalidade, incluído o “ir e vir”, são as autoridades constituídas, e não os estudantes ou manifestantes em geral, a quem lhes falta o básico, como comida para todos os dias e um teto para todas as noites. Agora, se todos os caras estão fudidex, sem dinheiro para comer, como é que os líderes irão plantá-los frente às sedes do poder? É claro que deslocar manifestantes para longe das vistas da sociedade causa pouco impacto porque é uma tática que leva dias, semanas ou meses para uma conclusão, ao passo que o trancamento de uma rodovia gasta apenas algumas horas, devido em primeiro lugar com a preocupação com as mercadorias, e em segundo lugar com as pessoas que pressionam o governo pela “bagunça dos desocupados”. Os cidadãos de bem, que prezam o seu direito de ir e vir por acaso pressionaram as autoridades para desobstruírem a BR-364 entre Alto Araguaia e Alto Garças? É claro que não, quem está barrando o “ir e vir” naquela rodovia são caminhões de soja que deveriam descarregar no terminal ferroviário numa situação que subsistem todos os meses durante anos. Cadê o “ir e vir” de quem está entrando e saindo de Mato Grosso?

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