Alexandre César contra Alexandre Guedes. A batalha do VLT

De um lado, Alexandre Guedes, promotor de Justiça. De outro lado, Alexandre César, deputado estadual - e a tentativa do parlamentar de flexibilizar a atuação fiscalizadora do MP, do mesmo modo como ele flexibiliza sua atuação como fiscal na Assembléia Legislativa

Meus amigos, meus inimigos : eu sou daqueles que entende que o procurador do Estado e atual deputado estadual, Alexandre César, é um profissional que não merece muita credibilidade. Faço essa avaliação porque o sr. Alexandre César, ao lado dos outros caititus que compõem a atual bancada de deputados da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, desde que lá se sentou como deputado, por exemplo, não disse uma palavra sequer sobre os rombos denunciados pelo Ministério Público, nos cofres da própria Assembléia Legislativa. Olha que o MP fala no sumiço de quantia que hoje, devidamente submetida à correção monetária, ultrapassa a casa do meio bilhão de reais! Se brincar, paga quase toda a conta do VLT!

Como é que um deputado que não zela pela moralidade da própria Casa onde atua pode falar seja o que for sobre as ações do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual?!

Imagine que, desde que os dois MPs levantaram irregularidades na licitação do VLT, uma verdadeira “patriotada” passou a se operar nesta cidade, com todo mundo tomando os procuradores da República e os promotores de Justiça que cuidam do caso pra Cristo. É como se o VLT fosse a suprema maravilha do mundo e não pudesse sua implantação em Cuiabá ser questionada de qualquer forma que seja – o que é um absurdo.

Ora, pelo que sei, o promotor de Justiça Alexandre Guedes, que é da mesma geração que o Alexandre César, é um profissional que nunca deixou os furos e as suspeições que o Alexandre César, durante sua atuação política e parlamentar, tem deixado pesar sobre si.

Alexandre Guedes é um promotor de Justiça da mais alta respeitabilidade – e se ele se levanta contra a licitação do VLT alguma coisa de muito errado certamente tem neste negócio. Então, vamos deixar o Alexandre Guedes e demais promotores em paz – e vamos tratar de corrigir os erros que porventura existam nesta licitação. Pode ser simples assim.

Esse negócio do Alexandre César vir a boca de cena para atacar o MP e dizer que o MP está querendo governar é um jogo de cena lastimável. Será que o Alexandre César teve a dignidade de dirigir-se até ao MP, até ao MPF, para aprofundar seus conhecimentos quanto aos questionamentos agora levantados?

Pelo que se depreende da ação do MP, ninguém ali está contra o VLT, de per si, mas tão somente exigindo que se cumpra com maior rigidez e higidez os prazos legais na licitação e no acompanhamento de uma obra que, pelo que já se tornou evidente, não tem mais condição de ficar pronto para a Copa da 2014 – e, por isso mesmo, não pode se beneficiar de nenhum regime diferenciado de licitação.

Ou seja, a ação dos procuradores e promotores visa resguardar o interesse público. Será que é um erro procurar resguardar o interesse público?

Não podemos permitir que o interesse de empresas e empreiteiras interessadas em implantar por aqui o VLT sejam maiores e superiores aos interesses de nosso povo. Imagino que o MP age para resguardar estes interesses maiores e superiores de nosso povo.

Então, que prevalesça a sensatez, como demonstrada pelo juiz Julier Sebastião que resolveu armar uma audiência pública para ouvir com mais tranquilidade as partes envolvidas nesta polêmica. Com assunto tão complexo, talvez uma só audiência não seja suficiente – e tenha que se fazer outras e outras. Afinal de contas, Julier Sebastião sabe que não sabe tudo.

Seria de se esperar que, em nossa Assembléia Legislativa, este tipo de sensatez também prevalecesse.

Mas que sensatez se pode esperar de uma Assembléia que é comandada, a ferro e fogo, com o silêncio cúmplice do sr. Alexandre César, por este parlamentar, o deputado José Geraldo Riva que se destaca, no cenário nacional, como o parlamentar mais processado do Brasil??!! E já condenado por práticas deletérias no âmbito da Justiça Eleitoral e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. E sobre isso, vejam só que lastimável, Alexandre César não tem nada a dizer. Se cala, se omite. (EC)

 

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O Ministério Público está querendo governar, diz Alexandre Cesar sobre ação contra VLT

O deputado estadual Alexandre César (PT) defendeu a construção do Veículo Leve sobre Trilhos e acredita ser descabida a ação civil pública ingressada em conjunto pelos Ministérios Público Estadual e Federal que pede a suspensão das obras e o bloqueio no repasse dos recursos.

O petista, que também é procurador do Estado, criticou a atuação do MP por querer interferir na escolha do modal de transporte da capital. Para ele, esta é uma definição que deve ser feita pelo Poder Executivo, cabendo ao MP fiscalizar e acompanhar a obra.

“O MP está tratando de temas que não cabem ao Poder Judiciário e ao Ministério Público com argumentos de ‘futurologia’. É o MP querendo governar e há alguns anos vem querendo substituir o Poder Executivo”, declarou o parlamentar.

Vale ressaltar ainda que durante o debate para a escolha do VLT os promotores do MPE participaram da audiência pública e de todo o processo que envolveu a licitação no Regime Diferenciado de Contratação (RDC).

Sobre o argumento de que a obra não deve ficar pronta para a Copa já que em outros lugares as obras foram realizadas em três anos ou mais, Alexandre César destaca que teve a oportunidade de conhecer o VLT em funcionamento na Europa e é preciso levar em consideração a época em que o modal foi construído nestes lugares.

“Não dá para compara com lugares que construíram VLT há 20 anos. É preciso conhecer os recursos tecnológicos. Além disso, o contrato possui multa altíssima à empresa caso não cumpra o cronograma”, destacou.

O deputado defendeu também a viabilidade do VLT em Cuiabá, pois teve a oportunidade de conhecer o modal funcionando em cidades de grande, médio e pequeno porte. “Tive a oportunidade de conhecer o VLT funcionando em cidades de grande, médio e pequeno porte. O modal atende cidades que tiveram um crescimento desordenado como Cuiabá a exemplo de Granada, Valência e Porto, sem intervenção que acabe com o patrimônio público que temos no nosso Centro Histórico. Não há como o BRT passar por Cuiabá sem a destruição do Centro Histórico. Isso é uma inversão de papel que priva nossa capital de um avanço”, defendeu o parlamentar.(Da Assessoria)

4 Comentários

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  1. - IP 187.5.109.196 - Responder

    Cínico, simplesmente isso, cínico e cara de pau !!!!!

  2. - IP 187.7.246.37 - Responder

    Enock,
    O Alexandre César, como toda a bancada petista, é péssimo parlamentar, porém nesse caso ele está certíssimo.
    Você só o ataca porque ele sempre atuou contra a Serys, outro exemplo jurássico de péssima atuação parlamentar, você nunca cobrou da Serys o que cobra de outros parlamentares, só para refrescar a memória a dita cuja foi deputada estadual sob o comando do Riva, teve apoio deste e do Blairo Máquinas para derrubar o Dante, e nunca levantou a voz contra os demandos na ALMT ou no governo do estado, aliás até tirou fotografia ao lado do maquinário.

    PT NUNCA MAIS

  3. - IP 177.64.225.94 - Responder

    Lamento contrariar o companheiro Enock nesse caso, veja bem eu não defendo Riva ou outro qualquer que tenha cometido erros, Porém não sou leviano em exigir parar uma obra, apenas pelo fato de ser um dos muitos responsáveis o Riva. Não o defendo nunca. Mas para prejudicar uma urbe só porque o dito cujo teve participação eu não faço. Eu quero o melhor para Cuiabá e eu já defendia o metro de superfície para Cuiabá desde 2004 em meu panfleto para concorrer à vaga de vereador, não é de agora que acredito que Cuiabá e seu povo merece o melhor.

  4. - IP 201.71.189.61 - Responder

    parabéns aos comentários … isso mesmo… nesse caso… o Deputado Alexandre César está coberto de reazão… quem atua no Judiciário sabe que por muito menos não se consegue liminar sob o fundamento da ausência do perigo da demora, no entanto, uma causa detamanha complexidade se concede liminar na primeira oportunidade… esse tipo de autação direta contra os intesses da sociedade vai de encontro com a função institucional do MP e da Magistratura… pois podem muito bem fiscalizar, exigir prestação de contas sem cusar tamanho prejuízo… a todos..tanto isso é verdade que o Juiz Jullier não titubeou em adotar medidas imediatas… é bom lembrar que há poucos dias a Desembargadora Maria Erotides já negou um pedido liminar nesses mesmo sentido… é gente… é bom não perder o foco da racioalidade em detrimento dos interesses políticos…

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