PSOL e PSTU criticam denúncia do MP contra integrantes do Bloco de Luta, em Porto Alegre. Militantes de esquerda são acusados de cometerem os crimes de associação em quadrilha armada, dano ao patrimônio público e com violências à pessoa, explosão e furto qualificado

 

Por Ramiro Furquim/Sul21

Os denunciados são acusadas de cometerem os crimes de associação em quadrilha armada, dano ao patrimônio público e com violências à pessoa, explosão e furto qualificado | Por Ramiro Furquim/Sul21

Nícolas Pasinato, do Sul21

Líderes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) classificam a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra sete pessoas que participaram das manifestações populares ocorridas em junho do ano passado como tentativa de criminalização dos movimentos sociais. O MP apresentou denuncia na sexta-feira (9), acusando os integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público dos crimes de associação em quadrilha armada, dano ao patrimônio público e violências à pessoa, explosão e furto qualificado.

O Promotor de Justiça Luís Antônio Portela levou em consideração quatro episódios para o oferecimento da denúncia contra Lucas Boni Maróstica, 22 anos, José Vicente Mertz, 25, Matheus Pereira Gomes, 21, Rodrigo Barcellos Brizolla, 30, Gilian Vinicius Dias Cidade, 23, Alfeu Costa da Silveira Neto, 29, e Guilherme da Silveira Souza, 21, a partir de inquérito da Polícia Civil que tramita na 9ª Vara Criminal de Porto Alegre.

O primeiro fato, conforme a denúncia, refere-se à segunda quinzena de junho de 2013, quando os denunciados (com exceção de Guilherme Souza), em uma reunião ocorrida na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados, teriam determinado a prática de diversos crimes durante as manifestações populares.

Os outros três fatos estão relacionados ao dia 27 de junho de 2013. Por volta das 22h, na Praça Marechal Deodoro, no Centro da Capital, todos os acusados, acompanhados de outras pessoas não identificadas, teriam arremessado pedras e, com isso, quebrado dois vidros da fachada frontal do Palácio da Justiça. De acordo com as investigações, eles atuaram como líderes dessa ação. Guilherme Souza foi reconhecido como uma das pessoas do grupo que arremessou pedras contra o prédio.

Além disso, a denúncia cita outro episódio no dia 27 de junho, ocorrido na rua Riachuelo, onde os manifestantes teriam rompido a cortina de ferro de uma loja e subtraídos para si cinco itens eletrodomésticos.

Partidos condenam denúncia

Por Ramiro Furquim/Sul21

A maioria dos crimes citados pelo MP estão relacionados ao dia 27 de junho de 2013, mesmo dia que representantes do Bloco foram recebidos pelo governador Tarso Genro (PT) no Palácio Piratini | Por Ramiro Furquim/Sul21

Matheus Gomes (PSTU), um dos denunciados, reforça a ideia de que o inquérito possui caráter político, perseguindo os movimentos sociais. “Vamos discutir com a sociedade a imagem que querem construir do movimento. Se é de um grupo criminoso ou de jovens que buscam intervir em questões da sociedade, como transporte público, educação, saúde e Copa do Mundo”, diz.
Em relação ao dia 27 de junho, Gomes nega estar envolvido nos atos mencionados na denúncia. “Nesse dia, nos encontramos com o governador para denunciar os abusos cometidos pela polícia nas manifestações, o que não foi levado adiante. Nenhum processo de investigação sobre a polícia foi em frente. Isso a polícia não tem disposição de investigar”, criticou.

Na mesma linha, a advogada de Lucas Maróstica (PSOL), a ex-deputada federal Luciana Genro diz que Maróstica não cometeu nenhum dos atos os quais está sendo acusado e que não há provas contra ele. “Ele foi um dos líderes dos protestos de junho, mas não existe nada que o ligue a atos criminosos. A política de depredação não é corroborada pelo Psol”, afirma ela. Matheus Gomes diz que o PSTU também não defende a prática de qualquer tipo de violência como forma de protesto. “Esse tipo de ação vem afastando um setor importante das manifestações”, avalia.

Representantes do PSOL e PSTU estiveram, em março deste ano, no MP questionando o inquérito entregue ao órgão pela Polícia Civil sobre atos de depredações do grupo. As duas siglas tentavam evitar que o MP oferecesse denúncias na Justiça, o que não ocorreu. Representantes dos partidos, porém, seguem afirmando que não há provas de participação dos indiciados nas depredações.

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