gonçalves cordeiro

PROMOTOR PERSEU NEGRÃO: Desde que começou a “Lava Jato” há uma sórdida campanha para enfraquecer o Ministério Público e o Poder Judiciário

 

 

 

Perseu Negrão

 

Professor Ambrósio

POR PERSEU GENTIL NEGRÃO

De uns tempos para cá, parte da mídia (ligada a muitos políticos corruptos e populistas), está tentando desmoralizar os magistrados e membros do Ministério Público, criticando seus salários. Por isso, lembrei do professor Ambrósio (nome fictício, de personagem real).

O professor Ambrósio era o diretor do Ginásio na pequena cidade que eu fui criado. Era respeitado e vivia com dignidade, com o salário que recebia. Morava em uma bela casa e, a cada 2 anos, trocava o automóvel por um novo. Certa feita, na companhia de papai e de mamãe, fui à casa do professor. Fomos recebidos pelo elegante casal (a esposa era professora). Aos homens foi servido uísque escocês e às mulheres licor italiano. A conversa girou em torno da viagem que o casal fizera à Itália… O ensino público era muito bom e, geralmente, os professores eram excelentes e dedicados. Ganhavam salários dignos.

Saí triste da casa dos mestres, pensando que o ensino brasileiro foi sucateado, pois devido aos baixos salários os bons professores foram para a iniciativa privada (salvo alguns sonhadores e abnegados). Depois pensei em outros serviços públicos que pioraram muito (polícias militar e civil, saúde pública e por aí vai), tudo por conta dos péssimos salários, que, geralmente, não atraem os bons profissionais (há exceções).

Dentro de alguns anos, o Poder Judiciário e o Ministério Público estarão esfacelados, com o campo ainda mais aberto para a gatunagem, especialmente do dinheiro público.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dezoito − 12 =

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.