Procuradora Ana Bardusco, do Gaeco-MT, comanda organização criminosa? É o que Tiago Abreu, juiz da Amam, sugere

Abreu e Bardusco

Meus amigos, meus inimigos: o juiz Tiago Abreu, atual presidente da Associação dos Magistrados Mato-grossenses (Amam) de acordo com o que revela a edição desta quinta-feira, do jornal Correio Braziliense, que domina as bancas de jornais em Brasília-DF, aparentemente cometeu um indiscrição – e sua indiscrição virou pauta nacional. É que ele mandou um áudio, via zap-zap, para um colega magistrado de Brasília, não identificado pelo jornal, para refutar ataques da senadora cassada e juiza aposentada Selma Arruda contra os magistrados de Mato Grosso, mas acabou indo além da nota da Amam que divulgava. Tiago Abreu confidenciou para o colega que, em sua avaliação, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), comandado pelo Ministério Público de Mato Grosso se transformou em uma quadrilha. A confidencia do juiz foi vazada pelo colega para jornalistas do Correio e aí as possíveis podridões do Judiciário de Mato Grosso ficaram expostas. Com os diversos inquéritos abertos pelo próprio procurador geral de Justiça de Mato Grosso, o promotor José Antônio Borges, para esclarecer as práticas do Gaeco, antes já questionadas pelos PMs envolvidos na Grampolândia Pantaneira, a expectativa agora é quanto ao que tem a dizer a procuradora Ana Cristina Bardusco, nomeada no inicio do ano por Borges, para coordenar as ações do Gaeco. Desde que as denúncias contra o Gaeco vieram à tona, Bardusco tem se mantido quieta, silente, deixando para Borges e para o promotor Roberto Turin, presidente da Associação do MP-MT, o encargo de defenderem o bom nome do Ministério Público. A gravidade das acusações levantadas pelo juiz Tiago Abreu, todavia, apontam a necessidade de que ninguém mais do Gaeco fique calado. Afinal de contas, ser chamado de integrante de uma organização criminosa que está corrompendo o Ministério Público não é nada agradável.  Leia abaixo o que o Correio publicou (EC)

Magistrado prevê ”prisão em massa” de promotores em Mato Grosso

Em mensagem enviada a magistrado de Brasília, o presidente da Amam, Tiago Abreu, diz que as prisões podem ocorrer em decorrência de investigações sobre grampos ilegais no estado


postado em 08/08/2019 12:39 / atualizado em 08/08/2019 17:03

Tiago Abreu, presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (foto: Junior Silgueiro/Amam)

O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), Tiago Abreu, disse que investigações sobre supostas irregularidades cometidas por membros do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no estado pode levar à “primeira prisão em massa de promotores de justiça” do país. A afirmação foi feita em mensagem de aúdio enviada por Abreu a um magistrado de Brasília, à qual o Correio teve acesso.

Na mensagem, enviada por celular, Abreu comenta críticas que a senadora Juíza Selma (PSL-MT) fez às investigações sobre o Gaeco estadual. Após chamar a fala da parlamentar de “antiética”, Abreu diz que uma “organização criminosa” se instalou no órgão do Ministério Público estadual.
Abreu se refere a uma investigação que apontou suspeitas de que promotores do Gaeco de Mato Grosso realizaram escutas ilegais para investigar diversas autoridades. O episódio se tornou conhecido como Grampolândia Pantaneira.
“Acredito que, aqui no Mato Grosso, com todo o aparato e a investigação que está ocorrendo, nós vamos desbaratar essa, entre aspas, organização criminosa que se instalou no Gaeco estadual. Porque foi utilizado, e está mais do que comprovado com os depoimentos que já foram colhidos, que foi utilizado o aparato institucional para fazer perseguição política”, relata o presidente da Amam no áudio. “Isso aqui está bem próximo de ser descortinado e a gente ter a primeira prisão em massa de promotores de justiça. Até uma forma de a gente dar uma lição para o nosso país”, completa.
Na última segunda-feira (5/8), a senadora Juíza Selma fez um discurso em defesa da Operação Lava-Jato; do ministro da Justiça, Sergio Moro; e do Ministério Público Federal, no qual mencionou a situação em seu estado. Para a senadora, há uma perseguição aos promotores de Mato Grosso semelhante à que estaria ocorrendo, no seu entender, com os participantes da Lava-Jato.
“No caso da Lava-Jato, vivemos um novo ciclo, no qual os bandidos viraram mocinhos e os mocinhos viraram bandidos”, disse (assista abaixo). A parlamentar também criticou a seccional mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), que, segundo ela, “tem acompanhado e fomentado essa inversão de valores”.

A fala de Juíza Selma acabou gerando uma resposta da Amam, que emitiu nota repudiando “todo e qualquer ataque feito ao Poder Judiciário de maneira gratuita e desnecessária” (leia abaixo). Foi ao enviar a nota por celular para um magistrado de Brasília que o presidente da entidade fez a previsão de que promotores podem ser presos em breve.

Leia a nota da Amam em defesa do judiciário mato-grossense

“O Poder Judiciário tem a função de garantir Justiça à sociedade por meio do cumprimento das normas e das leis. A principal função é defender os direitos de cada cidadão. Assim sendo, a Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) repudia todo e qualquer ataque feito ao Poder Judiciário de maneira gratuita e desnecessária.
 
Não se pode permitir que seja colocada em xeque a integridade da Justiça estadual apenas por contrariar grupos ou pessoas. Caso haja questionamentos em relação a qualquer decisão judicial, o meio legal para isso são os recursos processuais cabíveis e não a mídia, que embora tenha papel fundamental no estado democrático de direito, não é o foro adequado para embates desta natureza.
 
Não se pode admitir que o Poder Judiciário de Mato Grosso seja acusado de omissão, visto que é o contrário que ocorre. Justamente no processo citado pela senadora Selma Arruda, conhecido como a Grampolândia Pantaneira, a Justiça Estadual vem trabalhando para que toda e qualquer demanda tenha a resposta adequada e necessária.
 
O que se quer é a apuração completa de toda e qualquer situação relacionada a este escândalo, que pode ser chamado de um atentado direto ao estado democrático de direito ao se utilizar o aparelhamento estatal para invadir a privacidade de inimigos pessoais. Todos que sejam citados devem ser investigados e julgados, sem exceção.
 
Há ainda que trazer informações sobre o trabalho da Justiça Estadual que vem ao longo dos anos se aperfeiçoando e melhorando seus índices de julgamentos. Conquistando inclusive o selo de ouro fornecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que avalia os tribunais que mais investem na excelência da produção, gestão, organização e disseminação de suas informações administrativas e processuais. Há ainda o relatório que aponta que Mato Grosso tem uma das menores taxas de congestionamento de processo com 66%, índice que coloca o Estado em segundo lugar dentre os 10 Tribunais de Justiça de médio porte.
 
Diante de todo o exposto, as decisões que vêm sendo tomadas na esfera da Justiça Estadual têm ocorrido de maneira regular, ética, lastreadas nas provas encartadas aos autos e respeitando os ritos processuais. Se para a senadora há brechas na legislação que favorecem “organizações criminosas”, é bom destacar que cabe ao Poder Legislativo mudar esse quadro. Uma das principais funções de um senador é justamente criar, revisar e aprovar leis e emendas à Constituição Federal.
 
Nesse norte, esta claro que não é papel do Poder Judiciário elaborar e aprovar leis, mas tão somente aplicá-las, portanto, não se pode inflamar a população a desacreditar no Poder Judiciário por atribuições que não lhe pertencem. A AMAM reforça que está vigilante na defesa e manutenção do respeito ao Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso.”
 
Tiago Abreu
Presidente da AMAM 

3 Comentários

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  1. - IP 187.123.0.123 - Responder

    noticia tendenciosa, o senhor sabe muito bem que as investigações da grampolandia são da antiga gestão do gaeco, ou seja a critica do thiago de abreu foi em relação a antiga equipe do gaeco, bardusco assumiu o gaeco apenas nesse ano.
    e o senhor sabe de tudo isso e ainda faz uma machete criminosa dessa, fico curioso para saber qual a sua motivação para querer difamar a nome da procuradora ana bardusco, procuradora responsavel por inúmeras forças tarefas, responsavel por prisões de vários políticos corruptos, tendo recuperado para o estado de MT mais de 2 Bilhões de reais.

  2. - IP 179.217.99.57 - Responder

    Fico muito triste com esse tipo de leviandade. É um desrespeito. Uma falta de solidariedade, educação e ética. A colega Ana Cristina Bardusco, pessoa por quem eu tenho muita admiração e respeito, é uma profissional competente, dedicada, muito séria e honrada. Tem décadas de relevantes serviços prestados ao Ministério Público e ao Estado de Mato Grosso. Não merece esse tipo de insinuações. Da mesma forma o GAECO tem inúmeras ações , investigações e operações de grande complexidade e eficiência, seus membros sempre atuaram de forma corajosa e eficaz no combate à corrupção e às organizações criminosas. Até prova em contrário , seus integrantes, merecem o benefício da dúvida e o respeito ao contraditório e a Defesa. Eventuais erros de algum de seus membros, deve ser investigado, julgado e , se for o caso, punido. Mas enquanto caminham as investigações, um mínimo de respeito.

  3. - IP 187.183.141.135 - Responder

    Via e0mail, o promotor Roberto Aparecido Turin repassou comentário que distribui aos demais membros do MP-MT, com cópia para esta PAGINA DO E:

    “Colegas, bom dia , sobre essa publicação no site do Enock , falei com a colega Ana Cristina e a mesma com a honradez e a dignidade de sempre, afirmou que era melhor não responder publicamente e que ela não queria dar mais espaço ou mídia para o Enock. Acatei a ponderação dela.
    Mas, indignado com esse tipo de publicação, não resisti e mandei uma mensagem pessoal ao site.

    Fico muito triste com esse tipo de leviandade. É um desrespeito. Uma falta de solidariedade, educação e ética. A colega Ana Cristina Bardusco, pessoa por quem eu tenho muita admiração e respeito, é uma profissional competente, dedicada, muito séria e honrada. Tem décadas de relevantes serviços prestados ao Ministério Público e ao Estado de Mato Grosso. Não merece esse tipo de insinuações. Da mesma forma o GAECO tem inúmeras ações , investigações e operações de grande complexidade e eficiência, seus membros sempre atuaram de forma corajosa e eficaz no combate à corrupção e às organizações criminosas. Até prova em contrário , seus integrantes, merecem o benefício da dúvida e o respeito ao contraditório e a Defesa. Eventuais erros de algum de seus membros, deve ser investigado, julgado e punido. Mas enquanto caminham as investigações, um mínimo de respeito.

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