gonçalves cordeiro

PRENDER BAGRINHO É SEMPRE FÁCIL: Pedro Ribeiro, editor de jornais de ocasião, acusado de tentar chantagear Antonio Joaquim, acaba exposto por toda mídia, depois de tentar conseguir uma propina de R$ 5 mil por mês. Mas vejam só que contraste: no gabinete do governador de Mato Grosso, metido a moralista, chefão de rede de TV pediu R$ 2 milhões por mês e está até hoje por aí, flanando, livre, leve e solto como se fosse o dono do caráter mais impoluto do Estado. É que Zé Pedro Taques não seguiu a cartilha de Zé Antônio Rosa.

Pedro Ribeiro, jornalista preso

Pedro Ribeiro, jornalista preso

A prisão do jornalista Pedro Ribeiro, ao tentar garantir uma propina de R$ 5 mil reais por mês a serem sacados dos cofres do Tribunal de Contas, nos revela uma coisa: malandro pé de chinelo será sempre tratado como malandro pé de chinelo.

Pedro Ribeiro e seu golpe com tarifa modesta (quando se pensa no que se pratica nas altas esferas de nossa mídia) ganhou destaque em todos os saites e jornais imagináveis, com direito até a receber uma bronca do Edivaldo Ribeiro, no “Cadeia Neles”, que tratou o Pedro Ribeiro como o Pedro Ribeiro de fato é: um jornalista que nunca gozou de credibilidade no meio jornalistico, vivendo, ao que se sabe, de morder pelas beiradas.

Sorte melhor, vejam os senhores e as senhoras, teve o diretor de uma poderosa rede de televisão de Mato Grosso que, recebido no gabinete do governador Zé Pedro Taques, com os rapapés sempre reservados para os grandes homens do nosso setor de Comunicação, teve a ousadia de propor que o Governo do Estado lhe pagasse, mensalmente, a quantia de R$ 2 milhões de reais pela propaganda governamental que a emissora divulgaria, com a certeza, é claro, de uma cobertura amena de todas as atividades governamentais.

Zé Pedro se sentiu desafiado, exposto assim, sem qualquer preparação, à chantagem dos grandes grupos de mídia que atuam em Mato Grosso. Ora, ele que vinha pagando R$ 700 mil por mês, achou o pedido exagerado e até mandou suspender, por um tempo, o repasse à poderosa rede de televisão.

Só que a reação de Zé Pedro esteve longe de atingir padrão da reação articulada pelo advogado José Antônio Rosa, em nome do conselheiro do Tribunal de Contas, Antonio Joaquim.

O pé de chinelo que tentou chantagear Joaquim, cobrando-lhe R$ 5 mil de propina mensal, foi merecidamente pra prisão, depois de um esquema de vigilância articulado pelo próprio José Antonio Rosa com delegados da Policia Civil. Daqui pra frente, pelo que se imagina, o preço cobrado pelo pé de chinelo em questão só tende a ser cada vez mais depreciado. Se é que ele não vai sumir, para sempre, das redações e do noticiário.

Já o governador Zé Pedro Taques, que se gaba de ser o chefe supremo da Policia Civil e de todos os delegados e agentes policiais deste Estado de Mato Grosso, além do piti que deu no ambiente de seu gabinete, restou inerme diante do chefão da poderosa emissora de televisão.

Nada foi filmado, nada foi gravado, e não houve flagrante para desmascarar os usos e costumes desses executivos das altas esferas de nossa grande mídia, merecedores, como se sabe, de todo o respeito, de todo acatamento, e todo o Top of Mind que queira receber.

O governo não soltou nenhuma nota a respeito da cobrança escandalosa feita pelo dono da poderosa rede de televisão e o fato só vazou para o amplo conhecimento da população porque algum aspone governamental acabou conversando com um amigo, que conversou com outro amigo – e o fato chegou assim até à imprensa, ganhando destaque no saite do Alexandre Aprá e nesta PÁGINA DO E, sem qualquer desmentido governamental. A grande midia corporativa de Mato Grosso, é claro, fez de contas que não era com ela.

O tal diretor segue por aí, livre, leve e solto, e continua, imagino, a ser recebido nos ambientes mais chiques e mais considerados da sociedade, e a circular nas rodas dos mais bem sucedidos empresários deste Estado, como se ele não fosse, em tudo e por tudo, uma cópía fiel, embora mais custosa e certamente mais bem cheirosa, desse pé rapado chamado Pedro Ribeiro que, nesse final de semana, virou motivo para as gozações mais variadas no meio jornalístico e em outros meios sociais deste Mato Grosso de tanta hipocrisia.

Zé Pedro Taques na hora de tacar o malho no grande homem da Comunicação, afinou. É ou não é um tigre de papel?

Zé Pedro Taques na hora de tacar o malho no grande homem da Comunicação, afinou. É ou não é um tigre de papel?

8 Comentários

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  1. - Responder

    Meu caro Enock, vc so esqueceu e acrescentar uma coisa em sua brilhante matéria. Que na inauguração desta mesma emissora o “petit peu” pouco pequeno governador estava la bajulando a família, e o diretor mencionado…. Faço de suas palavras as minhas.

  2. - Responder

    JORNALISMO CANALHA
    Por Johnny Marcus
    Peço emprestada e um pouco descolada de seu contexto a expressão cunhada por José Arbex Jr. em seu excelente livro sobre o papel da mídia internacional na cobertura da invasão do Iraque em 2003 pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha – evento equivocada e cinicamente qualificado como “guerra”
    Em “Jornalismo Canalha”, Arbex analisa o preconceito, parcialidade e mistificação com que os grandes veículos de comunicação tratam os eventos da conjuntura mundial e nacional.
    O que me motiva a escrever este texto, contudo, é a notícia da prisão em flagrante de dois jornalistas acusados de tentativa de extorsão e estelionato contra o conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso Antonio Joaquim. O episódio foi filmado no escritório do advogado José Antonio Rosa e amplamente divulgado pela imprensa local.
    Um dos jornalistas foi meu veterano na faculdade de jornalismo e já demos muitas risadas juntos. Deprimente vê-lo, junto com seu companheiro, implorando por um “mensalinho” para não publicar matéria nos jornais Página 12 e O Mato Grosso – em uma campanha de difamação pública supostamente contratada por um médico com o qual o conselheiro trava uma batalha na Justiça.
    Jamais defenderei um chantagista, mas o que os dois jornalistas presos tentaram fazer é, em maior ou menor escala, uma triste face da promiscuidade entre imprensa e poder público.
    Ano retrasado, almoçando com um colega da imprensa, ele me contou de outro jornalista amigo nosso que confessou na maior tranquilidade que, ao ser recebido pelo então secretário estadual de Comunicação, sacou uma caneta do bolso e disse algo parecido com: “O senhor sabe o que é isso?” Diante da impassividade do secretário, completou: “Isso é uma arma. Uma arma que pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal”. Essa foi a senha que o jornalista usou para tentar achincalhar o secretário. Ainda sob risos, meu amigo revelou que nosso colega jornalista tinha feito isso porque estava com graves problemas financeiros. Sempre lembro disso quando vejo esse profissional pagando de moralista nas redes sociais.
    Mas a coisa não se limita ao nível de pessoa física. Veículos de comunicação utilizam desse nefasto expediente a torto e a direito. Vide o imbróglio entre governo do Estado, prefeitura de Cuiabá e a TVCA.
    Paulo Nogueira, um dos mais experientes jornalistas em atividade no país, revela como nasceu o ódio da revista Veja contra o ex-presidente Lula. Aspas para Nogueira:
    “O jornalista Ricardo Kotscho, que fez parte da equipe de Lula em seus primeiros tempos, conta uma história reveladora. Roberto Civita queria uma audiência com Lula, algum tempo depois de sua posse. E pediu a Kotscho que a arranjasse. O objetivo não era discutir os rumos do Brasil e do mundo. Era pedir dinheiro para o governo, na forma de anúncios. Ou mais dinheiro. As coisas não correram como Roberto esperava. As consequências editoriais estão aí. Nem a morte de Roberto deteve a fúria assassina da Veja”.
    Com a Rede Globo não foi diferente. Quem conta a história é Eduardo Guimarães, em seu “Blog da Cidadania”:
    “Dirceu afirmara [em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, em 2002 – JM] que, apesar de a situação da imprensa nacional ser “preocupante” e merecer “ser analisada com cautela pelo novo governo” – o qual, pouco depois, passaria a integrar como chefe da Casa Civil -, não se pretendia utilizar recursos do BNDES para prestar socorro nem à Globo nem a outros veículos da mídia eletrônica ou impressa que se endividaram em dólar durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que, com a maxidesvalorização do Real, haviam ficado em situação econômica “preocupante”. Eis, assim, a razão pela qual o governo Lula se tornaria “inaceitável” para esses grandes grupos de mídia: por se recusar a ajudar Globo, Folha, Veja, Estadão e companhia limitada a saírem do buraco em que FHC os meteu ao promover, no primeiro mês de seu segundo governo, a desvalorização do real que garantira, durante a campanha eleitoral de 1998, que não faria.”
    Como se vê, extorquir o poder público não é exclusividade dos dois jornalistas mato-grossenses presos. Esse é apenas um lado obscuro da canalhice travestida de jornalismo. Enquanto os dois bagrinhos foram capturados, os tubarões continuam soltos com um apetite cada vez mais voraz. Quem vai armar flagrante contra eles?

    • - Responder

      Oh sr. Ze Pedrinho…onde está esse vídeo amplamente divulgado? Tem o link da matéria para compartilhar?

  3. - Responder

    Dois idiotas e um advogado espertalhão ,mas só não entendo uma coisa Enock ,vai malhar só esse bocó ? e o outro ???

  4. - Responder

    Esperando aqui o jornalismo sério ouvir o fazendeiro acusado de ser mandante…
    Pessoalmente desconfio de tudo que vem das bandas desse tce…
    Pode até não ser…mas tá cheirando armação…
    Muito útil, muito ingênuo, muito conveniente…
    Muito sujo! Cuiabá tá sem freio, que vergonha!

  5. - Responder

    O jornalista chantageia,Taques não aceita a chantagem da Gazeta e da Globo,e Enock,ao invés de enaltecer,critica,e ao invés de condenar os dois alisa.Dizer mais o que ,nada! Os fatos falam por si.E Enock ainda se diz isento.Bobalhão

    • - Responder

      Enock é partidário irracional, ou seja, emocional. Então não dá pra levar em consideração suas opiniões. O legal daqui são as notícias de corrupção e causos políticos que acontecem na Hell City. De resto, e principalmente as opiniões do Enock, são para aqueles que querem ler o que querem e pronto. Petistas irracionais, por exemplo.

  6. - Responder

    Alguém já viu essas páginas jornalisticas O MATO GROSSO e PÁGINA 12..?

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