Posse de Pedro Taques como governador está nas manchetes para a grande massa mas o personagem da virada, no meio jornalístico, foi mesmo o ex-secretário da Secom de Mato Grosso, jornalista Marcos Lemos. Parece que o Marcão arrumou inimigo fidagal ao deixar de pagar faturas vencidas de A Gazeta, comandada por Dorileo Leal. Só que a imprensa, é claro, não fala disso e nem se preocupa em expor entranhas da crise que sacode a Comunicação de Mato Grosso

Marcos Lemos, jornalista e ex-titular da Secom, em Mato Grosso

Marcos Lemos, jornalista e ex-titular da Secom, em Mato Grosso

Nas manchetes de saites e jornais só se fala da posse de Pedro Taques, que quebrou o protocolo e, tão feliz estava, começou a dançar com sua jovem esposa e ex-aluna no palco montado no Centro de Eventos do Pantanal, especialmente para a sua posse como novo governador de Mato Grosso. Ele baixinho, ela vistosa nas suas vestes rodadas.

Só os jornais e saites de Mato Grosso falam e escrevem sobre uma coisa, pensando em outra. Eles não contam tudo que sabem para o grande público que os lê e os sustenta, justamente na expectativa de saber de tudo a toda hora.

Pedro Taques está nas manchetes mas, no meio jornalistico, o personagem da hora é mesmo o agigantado jornalista Marcos Lemos que, até a quarta-feira (31), respondia pelo comando da Secretaria de Comunicação do Governo de Silval Barbosa. Agora, não se sabe qual será seu novo rumo. O fato é que, nesta quinta-feira (1), nas rodas de jornalistas, no Centro de Eventos, não se falava em outra coisa, com a posse de Pedro Taques acontecendo como pano de fundo.

Muita informação desencontrada. Mas,pelo que consegui sistematizar, vejam que, no apagar das luzes do tão criticado e tão processado governo Silval, Marcos Lemos não conseguiu saldar todas as pendências existentes no caixa da Secom. Uma conta astronômica, que, segundo alguns, superava os R$ 10 milhões de reais mas para a cobertura da qual o governador Silval só liberou a metade, nesse apagar das luzes da administração do PMDB-PT-PR.

Com isso, a Secretaria de Comunicação, como na canção do Emílio Santiago, virou um pedaço de Saigon –  naquele tempo em que a capital vietnamita era submetida ao pesado bombardeio da artilharia norte-americana ordenada por Ronald Reagan.

Além de não pagar a todo mundo que tinha atrasados a receber, Marcos Lemos, para supremo azar seu, não conseguiu saldar as dívidas do Estado para com as empresas do Grupo Gazeta de Comunicação, comandado pelo radialista e empresário João Dorileo Leal.

Não bastasse o enorme grupo de pequenos jornais e emissoras de rádio e TV a azucrinar os ouvidos do Marcão, para azar dele,  ele entrou em choque com aquela empresa que, há anos e anos, pontifica como uma das donas do mercado de mídia de Mato Grosso, absorvendo, ao lado da TV Centro América, o grosso dos investimentos publicitários. Empresa da qual o Marcão, antes de virar secretário do Silval, foi repórter político por muitos e muitos anos. Imagino que o Dorileo imagine que, por seu histórico, o Marcão devia lhe bater continência mas o Marcão não se ateve a esse ritual.

Não preciso dizer que o Dorileo ficou uma fera. Os perdigotos que o poderoso chefão da Gazeta anda disparando contra o sempre elegante Marcos Lemos – que, no final das contas, só cumpria as ordens e as liberações feitas por Silval Barbosa – viraram o assunto quente nesta virada do ano entre os jornalistas de todo o Mato Grosso. Principalmente porque vazou que uma das poucas faturas pagas, neste apagar das luzes, foi uma fatura da Gráfica Defanti, aquela mesmo que teria dado importante contribuição para que a Secom estadual fosse arrastada para o noticiário policial, na Operação Edição Extra, disparada recentemente pelo Ministério Público e pela Delegacia Fazendária.

Mas a dor dos jornalistas (e as muitas tragicomédias por eles vividas) não saem no jornal, já cantou o poeta Francisco Buarque de Hollanda. Portanto, é aguardar por novos detalhes deste caso rumoroso. Quem sabe outros jornalistas e outros saites consigam levar adiante esta pauta. O mundo, e o jornalismo de Mato Grosso, dentro dele, é uma caixinha de surpresa.

Mais detalhes a qualquer momento.

O superintendente do Grupo Gazeta de Comunicação, João Dorileo Leal, em encontro com o blogueiro Enock Cavalcanti (foto Dinalte Miranda)

O superintendente do Grupo Gazeta de Comunicação, João Dorileo Leal (à direita), em encontro com o jornalista e blogueiro Enock Cavalcanti, titular desta PAGINA DO E (foto Dinalte Miranda)

Categorias:Imprensa em debate

4 Comentários

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  1. - IP 195.245.141.194 - Responder

    Parabéns Marcão, vamos ver se o Pedro Taques tem peito para peitar o Dorileo Leal, o Blairo Maggi bem que tentou isso, mas só conseguiu por alguns meses, depois abriu as pernas para o Grupo Gazeta, o Pedro já estamos de olho em você!!!!

  2. - IP 187.123.18.107 - Responder

    Nota-se que a primeira medida do Gov. Pedro Taques foi suspender todos os pagamentos, exceto os relacionados a áreas essenciais, notadamente saúde; segurança e educação. É lógico que esta medida visa, entre outras coisas, de suspender também, possíveis pressões de fornecedores por pagamentos não realizados pelo Ex- Gov. Silval Barbosa. A verdade é que Silval deixou o Governo com saldo em caixa, mas, insuficiente para pagar todos os compromissos. Esquemas de pagamento superfaturado e outros compromissos não republicanos devem ser a maioria. É necessário rever esses pagamentos e cancelá-los conforme se apure as irregularidades. O certo disso tudo é que o novo governador, se for a sua real intenção, demorará para colocar a casa em ordem, principalmente pelo fato que tanto o governador como seus assessores não conhecerem a engrenagem estatal e os esquemas que estão instalados no Palácio Paiaguás.

  3. - IP 191.202.90.138 - Responder

    Não Enock, Ronald Reagam não bombardeou Saigon, pois quando aquele canastrão assassino assumiu o governo americano, a guerra do Vietnã tinha acabado fazia tempo….

  4. - IP 189.59.54.116 - Responder

    Isso mesmo, Ademar, alguém tem que avisar ao Enock que quem bombardeou Saigon foram os presidentes Lincoln, Teodoro Roosevelt, Franklin Roosevelt, sem contar o velho George Washington e Thomas Jeferson.

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