POR UM BRASIL JUSTO E DEMOCRÁTICO: propostas contra crise

Por Um Brasil Justo e Democrático – Volume 1 – Integra by Enock Cavalcanti

Por um Brasil Justo e Democrático – Volume 2 – Íntegra by Enock Cavalcanti

Por um Brasil Justo e Democrático

Por César Locatelli, especial para os Jornalistas Livres

Estamos sob a ditadura do pensamento econômico único e precisamos dizer ao povo brasileiro que há alternativas de política econômica que não passam pela recessão e pelo desemprego. Essa é, possivelmente, a mensagem central do lançamento, realizado há pouco, de dois textos que se propõem a promover o debate na sociedade brasileira: “Alternativas para o Brasil Voltar a Crescer” e “Subsídios para um Projeto de Desenvolvimento Nacional”

Sete entidades assinam o documento: Brasil Debate, Centro Internacional Celso Furtado, Fórum 21, Fundação Perseu Abramo, Le Monde Diplomatique Brasil, Plataforma Política e Social e Rede Desenvolvimentista. Entre os apoiadores ilustres estavam João Pedro Stédile, o mais aplaudido entre os presentes, e Tarso Genro.

Logo na abertura, Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, afirmou que o documento não é contra, mas a favor do Brasil. Ele lembrou Celso Furtado que denunciava a persistência da distância entre os sonhos dos brasileiros e as realizações que os sucessivos governos entregavam.

A ênfase de Pedro Rossi, professor da Unicamp, foi que vivemos recentemente um momento virtuoso na economia, no qual nos foi possível crescer com distribuição de renda. Período em que se evidenciou que não há oposição entre salários e empregos, dado que os dois subiram consistentemente. Rossi não acredita que tenhamos vivido essa expansão por conta dos preços das commodities. Ele acredita, sim, que o consumo proporcionado pelo aumento de renda dos trabalhadores e pelo aumento do crédito é que foram responsáveis pelo crescimento que tivemos. Sua mensagem central é que o desenvolvimento social está em risco, pois o ajuste fiscal, no contexto atual de fraqueza na economia mundial, fragiliza ainda mais a economia. “Precisamos mudar a política econômica”, finalizou Rossi.

Ao contrário do que se repete à exaustão nos meios de comunicação tradicionais, a manutenção do emprego e da renda ajuda as contas públicas, melhoram o resultado fiscal. A economia em crescimento gera mais tributos. Essa foi a afirmação de Guilherme Mello, também professor da Unicamp, reforçando que é preciso abrir a discussão para, entre outras medidas, criarmos uma banda fiscal, a exemplo da banda na meta de inflação, um intervalo que dê alguma flexibilidade ao governo nas épocas de maior volatilidade. Mello é enfático ao condenar a taxa atual de juros que causa uma despesa para o governo da ordem de 8% do PIB e não resolve o problema da inflação. Esta não é uma inflação provocada por um super aquecimento da demanda, afirma ele, mas uma inflação de custos que responde melhor a outras medidas e não ao aumento da taxa de juros

Eduardo Fagnani, também economista da Unicamp, denunciou a tentativa de corte de direitos “para fazê-los voltar ao século XIX”. Ele reforça a necessidade de defendermos a Constituição de 1988 pois “os liberais querem derrubar os ganhos sociais lá conquistados”. Silvio Caccia Bava, diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil, acredita existir uma crise nas instituições políticas brasileiras e “cidadãos perplexos e imobilizados”. Espera ele que esses documentos provoquem o início de uma discussão pública e que as entidades que os assinam sejam convidadas a debater com diversos movimentos sociais.

“Sedentas de poder elas se lançaram ao controle do governo. Criaram um novo despotismo envolvido nas roupagens da legalidade. Mercenários a seu serviço trataram de submeter o povo, seu trabalho e sua propriedade.”

Assim Luiz Gonzaga Belluzzo, lembrou como Franklin Delano Roosevelt atacou as novas dinastias econômicas norte-americanas, em 1936. Belluzzo advertiu que nada vai acontecer se não formos capazes de levar esse debate para a sociedade: “Os economistas são consultores” apenas.

Sérgio Mamberti, o mestre de cerimônias, encerrou a apresentação, lembrando o importante papel que a cultura tem no desenvolvimento. “Por um Brasil justo e democrático”, bradou Mamberti, aplaudido por cerca de cem presentes.

Os dois documentos estão disponibilizados nos destaques, nesta página.

DESEMPREGO DE ELIFAS ANDREATO NA PAGINA DO E

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