Por estranhos caminhos e com personagens vacilantes também se constrói a democracia. Djalma Mendes, que não assinou compromisso de que só aceitaria nomeação para o cargo de defensor daquele que fosse o 1º na lista tríplice, acabou sendo o 1º na lista tríplice – e vai comandar Defensoria Pública de Mato Grosso.

Djalma Sabo Mendes vacilou, não confiou no próprio taco, duvidou do respaldo ao próprio nome - e deixou de assinar compromisso proposto pelo Sindicato dos Defensores Públicos que fortaleceria a democracia interna dentro da Defensoria Pública de Mato Grosso. Vai assumir o cargo com a mácula de não ter a radicalidade necessária para trabalhar pela completa autonomia da Defensoria Pública.Se Djalma Sabo Mendes tivesse assinado o termo de compromisso que lhe foi proposto pelo Sindicato dos Defensores Públicos de Mato Grosso hoje estaria bem com a categoria, estabeleceria uma boa sintonia com a sociedade organizada e assumiria o comando da Defensoria Pública de Mato Grosso em clima alto astral.

Mas parece que Djalma Sabo Mendes não é daqueles que goste de reforçar as organizações autonomas e independentes dos trabalhadores, como no caso do sindicato de sua categoria. Parece que ele não valoriza muito os compromissos com a sociedade organizada nem descortina um horizonte de maior autonomia para instituições como a Defensoria Pública de Mato Grosso. Não tem aquilo que o saudoso professor Florestan Fernandes, mestre da sociologia brasileira, definia como “radicalidade burguesa”.

Então, Djalma Sabo Mendes recusou-se a assinar o compromisso que previa que os três candidatos a Defensor Geral somente aceitariam a nomeação para o cargo daquele que figurasse em primeiro lugar na lista tríplice que será encaminhada ao governador Silval Barbosa.

Os candidatos André Renato Rossignolo, Clodoaldo Aparecido Queiróz e José Carlos Evangelista firmaram o termo de compromisso e agora, certamente, não criarão qualquer tipo de embaraço à nomeação de Djalma Mendes, que ficou em primeiro lugar, na lista, depois da votação dos defensores.  A votação apontou o seguinte resultado: Djalma Mendes, 84 votos; Clodoaldo Queiroz, 66; e André Rossignolo, 59 votos e José Carlos Evangelista, 47.

Triste é ver que o vencedor, o preferido da categoria é um defensor que não se empenha da defesa dos instrumentos de democratização deste tipo de escolha, como deveria se empenhar. Sim, porque o certo é que não deveria ser feita lista tríplice coissa nenhuma – e a categoria dos defensores que escolhesse, através do voto livre o seu preferido que seria, então, empossado, consagrando a autonomia da Defensoria Pública de Mato Grosso.

Para avançar nessa construção democrática é preciso contar com lideranças que sejam capazes de assumir um compromisso radical com a democracia e com a sua categoria. Pelo que se viu, Djalma Mendes não tem essa radicalidade – que mestre Florestan chamava de burguesa e eu, data maxima venia, prefiro chamar de democrática.

Na vida do Djalma, já há um episódio de nomeação anterior em que ele acabou sendo o nomeado apesar da defensora Karol Rotini ter recebido a maior votação. Ou seja: naquela ocasião, prevaleceram os contatos e os conchavos que Djalma Sabo Mendes soube construir com o eventual nucleo duro do poder em Mato Grosso. Mas esse tipo de nomeação conchava é prática muito antiga. Será que, hoje, neste século 21, não somos capazes de traçar algo que nos dignifique um pouco mais?

4 Comentários

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  1. - IP 177.3.54.246 - Responder

    Prezado Senhor Enock,

    Peço permissão para destacar alguns tópicos só a título esclarecimento:

    1) Caso você não saiba foi na Administração do Dr. Djalma que foi implantado a PRIMEIRA Ouvidoria Externa, UMA DAS 3 PRIMEIRAS NO BRASIL, nomeando inclusive um membro do seu partido e amigo de Vossa Senhoria Dr. Paulo Lemos;
    2) A administração na época do Dr. Djalma foi transparente e pautada na legalidade;
    3) Houve concurso e nomeação de novos Defensores, alocando os mesmo em cidades que nunca ouviram falar em Defensor Público;
    4) Abriu várias subsedes da Defensoria no Estado;
    5) E outras coisas que não vou elencar, pois este texto é simplesmente orientativo e gastaria maior tempo.

    Antes de comentar procure saber o porque da não assinatura. Saiba que existem alguns (digo poucos) Defensores e Grupos de pessoas que não querem o bem da Sociedade, e atendem sim a interesses particulares, com esse objetivo tramam armações para manipular a disputa eleitoral.

    Sei que você é um homem do bem, procure saber com fontes internas como está a atual Administração, ou seja, o antes e o depois da Administração do Dr. Djalma.

    Grato pela atenção dedicada,

    Ex-Servidor

  2. - IP 177.172.99.8 - Responder

    Uai, não assinou o documento? Por que querer tanto o poder? Vai pressionar o governador por autonomia da DP ou vai ficar de Pires na mão? A DP precisa, urgentemente, de pessoas mais experientes, de envergadura pessoal maior, independente, de postura, que faça o governador respeitar para ser respeitado. No outro mandado do Dr. Djalma, os defensores ficaram, TODOS, sem equiparação salarial, sem verba, e a ladainha de mais recursos era a tônica.

  3. - IP 201.86.130.178 - Responder

    Gilmar Mendes, eh mesmo poderoso…!!!!

  4. - IP 187.84.228.245 - Responder

    Naquela época, Gilmar Mendes era o Presidente do Supremo. Ele entrou apadrinhado, e considerando os votos, deve ter feito um bom trabalho como administrador!

    Mas pelo visto, a confiança dele ainda está alicerçada nos padrinhos e não em sua capacidade de liderança.

    Djalma, você pode mais. Já está na hora de andar com as próprias pernas. Agora que ganhou com limpeza total, tire essa mancha anti-democrática do seu currículo.

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