POESIA NA UFMT – Padre Pimentel foi a grande referenciado no lançamento dos livros “Desovas em Trovas” e “Abrangências dos voos poéticos de Avoante do Cariri”

Colegas da Faculdade de Letras e da UFMT se reuniram, no foyer do Teatro Universitário, para reverenciar a memória  pessoal e artística do Padre Pimentel, o poeta Avoante do Cariri

Colegas da Faculdade de Letras e da UFMT se reuniram, no foyer do Teatro Universitário, para reverenciar a memória pessoal e artística do Padre Pimentel, o poeta Avoante do Cariri

 

POÉTICA
Emoção e memória afetiva no lançamento de livros

Padre Pimentel foi a grande referenciado no lançamento dos livros “Desovas em Trovas” e “Abrangências dos voos poéticos de Avoante do Cariri”

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem – DIÁRIO DE CUIABÁ

Velhos professores cabeças brancas – algumas disfarçadas pela indústria cosmética – se reuniram na ultima quarta-feira, 3, no foyer do Teatro Universitário para referenciar a poesia e a memória do Padre Pimentel, o nosso Avoante do Cariri, por conta dos lançamentos dos livros “Desovas em Trovas”, uma antologia dos melhores poemas realizada pelo professor acadêmico Roberto Boaventura da Silva e Sá que autografou também o seu estudo “Abrangências dos voos poéticos de Avoante do Cariri”, sobre a poética desovadas em pouco mais de duas décadas entre 1981 e 2002.

Nesse ambiente, de quase confraternização, ex-reitores, ex-professores e alguns novos, jovens atuantes professores da nova safra, colegas do professor Roberto Boaventura, registraram a presença.

O ex-reitor Benedito Pedro Dorileo foi a falar – quase que numa hierarquia – e lembrou que conhecera Antônio Rodrigues Pimentel, no seminário e ambos tiveram aulas juntos. Modestamente reconheceu que Pe. Pimentel fora uma inteligência superior, pois aprendera latim, grego, francês e escrevia versos nessas línguas. Alguns exemplos estão no livro lançado.

Na outra parte o ex-reitor, Benedito Pedro Dorileo, disse que “reverenciar a memória de Padre Pimentel é muito válida” e lembrou os trabalhos de projetos de extensão que Pimentel realizava nas comunidades periféricas.

“Com ele, aprendemos a importância de utilizar o conhecimento para estender as mãos para a comunidade” exaltando que a universidade precisa tirar os doutores dos para às ruas.

O também ex-reitor, Fernando Nogueira, numa comovente modéstia, se disse que quando assumiu a reitoria não sabia escrever e precisou aprender com outros mestres e entre eles Pimentel e o professor Benedito Figueiredo, outra figura imortal da UFMT. “Com eles, aprendi o que é escrever bem e cativar pelas letras”, disse Nogueira.

A reitora Maria Lúcia Cavalli Neder com, com certo ar saudoso, contou um pouco de sua convivência com o professor e poeta e também de sua relação com o professor Benedito Figueiredo, e certa feita flagrou os dois bebendo um copo de cerveja. “Além de lembrar o Pimentel, este evento me proporcionou rever colegas e narrar a amizade dos companheiros”. Por fim confessou que tem um poema dedicado do Avoante que foi dedicado a ela, que leva o título de sua cidade natal: ‘Botocó’.

Aqui uma observação, o professor Roberto Boaventura abstraiu da seleção poemas “apresentações, epígrafes, dedicatórias, agradecimentos”, conforme orientação do crítico literário Raúl Héctor Castagnino.

A professora Marilia Beatriz de Figueiredo Leite, também ex-professora da UFMT, e agora presidente da Academia de Letras, ‘zicada’ não pode comparecer, mas mandou um texto lido pelo professor Elias Alves de Andrade. Lá tá escrito “A escrita de ambos os professores, Roberto e Avoante, são entrelaçadas por um mesmo fio condutor, como se estivessem conversando pelos corredores da Universidade. Com certeza, é uma leitura preciosa e precisa”. Professor Elias Alves lembrou ainda de uma das expertises da dupla Pimentel e Professor Benedito: contar piadas. Piadas novas.

O professor Germano Aleixo Filho, também contaminado pela emoção, contou que Padre Pimentel, aqui em Cuiabá, foi uma espécie de pai para ele. “Comparecer aqui foi revigorante. Estas obras são um sonho e privilégio, pela trajetória que percorri e pela acolhida dos colegas em minha vivência universitária”, prosseguiu.

Vamos imaginar assim: Padre Pimentel, quando não tinha nada para fazer, provas para corrigir, inspiração para escrever, fazia tradução de letras do nosso cancioneiro para o latim. Transladou letras como “Iracema” de Adoniram Barbosa, “O pequeno burguês”, de Martinho da Vila. Professsor Germano lia a tradução e na sequência Roberto Boaventura mostrou outra faceta (do diabo a quatro) a de cantor. Só faltou sapatear.

Antes, porém, vamos registrar, ao comentar esse trabalho, o professor, cantor, compositor, historiador e violeiro de cocho Habel Dy Anjos, soltou a voz num canto “gregoriano”.

Registro ainda as presenças do outro Benedito, o professor Diélcio Moreira, o poeta e professor Aclyse de Matos, o médico, poeta, escritor e acadêmico Ivens Cuiabano Scaff, o historiador, professor e acadêmico Fernando Tadeu, crítico literário, revisor e articulista Marinaldo Custório; e Terezinha Arruda, que – vamos combinar – esta é presença firme em todos os eventos culturais desta Cuiabá quase trezentona.

Ah, sim, o foyer, segundo Roberto Boaventura, tinha uma razão especial: ali, antes da reforma, era decorado por tachos, e o sábio Pimentel registrou em poema “Velhos Tachos”, que foi lido pela também sempre presente professora de língua portuguesa e atriz Claudete Jaudy.

PS. Por conta de nossas observações – minha e do editor deste DC Ilustrado – um grupo de professores saiu à cata de um registro fotográfico do professor Pimentel, que divulgamos hoje.

 

Coube ao ex-reitor Benedito Pedro Dorileo fazer emocionada vocação da personalidade do Padre  Pimentel

Coube ao ex-reitor Benedito Pedro Dorileo fazer emocionada vocação da personalidade do Padre Pimentel

 

O economista, escritor e acadêmico Fernando Tadeu participou das homenagens ao Avoante

O economista, escritor e acadêmico Fernando Tadeu participou das homenagens ao Avoante

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