Pesquisa mostra que chefes de família, em Cuiabá, são conservadores. Entrevistados dizem que a fé em Deus é essencial se ter uma vida correta e ainda afirmam que a infidelidade e o aborto são imorais

Chefes de família são conservadores

Entrevistados dizem que a fé em Deus é essencial se ter uma vida correta e ainda afirmam que a infidelidade e o aborto são imorais

Geraldo Tavares/DC
Geraldo Vitorino tem todas as características de um líder familiar em Cuiabá. É católico fervoroso, não-favorável a união entre homossexuais e admira o Exército

HELSON FRANÇA
DIARIO DE CUIABÁ

Os chefes de família de Cuiabá são tementes a Deus, divididos quanto à união de casais homossexuais, acham que infidelidade conjugal seja algo mais imoral que aborto – que também são contra -, se preocupam mais em manter as contas em dia do que qualquer outra coisa e consideram o Exército a instituição mais confiável da cidade.

“Classificaria os chefes de família de Cuiabá como conservadores. Pelo menos é o que os dados revelam”, afirmou a socióloga Miriam Braga, diretora de Pesquisas da Vetor, empresa responsável por realizar um estudo, divulgado nesta quinta-feira (25), sobre o que pensam os líderes familiares da Capital.

Conforme o estudo, onde foram ouvidas 500 pessoas de todas as regiões da cidade, 78,8% dos entrevistados consideram necessário acreditar em Deus para se ter uma vida correta.

Já para a maioria esmagadora (91%) dos chefes de família, o Exército fica na frente dos Bombeiros e da própria Família como a instituição de maior confiabilidade.

Miriam cita, nesse caso, o apelo televisivo exercido por uma novela para justificar essa constatação.

“O resultado pode estar ligado à influência da atual novela da Globo, Salve Jorge, que possui um personagem que fortalece a imagem do Exército de forma positiva”, avaliou.

Em último lugar no ranking da confiabilidade figuram os políticos e os partidos.

A união entre casais do mesmo sexo é um tema que divide opiniões entre os chefes de família de Cuiabá. Quando se questiona a igualdade de direitos civis entre heterossexuais e homossexuais, 33% dos entrevistados afirmam não aceitar a possibilidade, mas 39,4% são a favor da ideia.

Morador de Cuiabá há mais de 35 anos, o carioca Geraldo Vitorino, que no próximo mês completa 80 anos, se encaixa no perfil conservador apontado na pesquisa. Frequentador regular da mesma igreja – do Rosário, uma das mais tradicionais da Capital – há 20 anos, ele é contra a união de homossexuais e diz que só não entrou no Exército por que a mãe não permitiu, devido à morte do pai.

“Se eu entrasse provavelmente não teria mais saído. Gosto demais da farda, da noção de disciplina. Toda vida fui disciplinado”, diz.

O estudo também evidenciou que para a maioria dos chefes de família de Cuiabá a falta de diálogo e respeito é a principal causa de divórcios. Há 10 anos, problemas financeiros eram apontados na pesquisa como os principais motivos de separações.

“Isso está relacionado ao fato de, nesse período, a mulher ter conquistado mais espaço no mercado de trabalho”, argumenta Miriam.

Denominada de “Nossa Casa”, o levantamento é realizado a cada dois anos desde 1999.

O objetivo, conforme a Vetor, é traçar um diagnóstico da cidade durante o período de comemoração do aniversário de fundação de Cuiabá e também qualificar profissionais para atuarem nas atividades de pesquisa de opinião.

A cada edição, um tema especial é definido para a investigação.

Nesta edição, a maior parte dos entrevistados é mulher e tem entre 20 e 39 anos.

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