Taques terá, agora, que tentar repaginar a direita em MT

 Transição é negócio complicado, tão complicado que o Pedro Taques preferiu passar a supervisão inicial deste processo para o Otaviano Pivetta e se mandou, não se sabe bem pra onde, para curtir com a mulher uns 15 dias de sol e mar, camarão e cerveja. Transição que começa com férias pode ser uma transição mais complicada ainda


Pedro viajou para uns dias de descanso. Cabe ao prefeito Otaviano Pivetta comandar a transição, conversando com o governo que sai e com seus aliados que ninguém sabe ainda como é que vão entrar no comando da administração pública em Mato Grosso

Rei morto, rei posto. Pedro Taques é o poderoso da hora. Como se viu na entrevista coletiva do dia 7, Pedro Taques gosta de falar grosso, como se na sua cabeça e no seu discurso estivessem a solução de todos os problemas do mundo. Para os encaminhamentos práticos, todavia, é sempre bom contar com um Pivetta à mão, já que Pedro Taques não entende nadica de nada de administração.

A missão que Pedro Taques tem diante de si é hercúlea: tentar repaginar a direita mato-grossense, agora tendo Júlio e Jaime Campos e todo o PSDB como seus bagrinhos. E usando o velho PDT do socialismo moreno brizolista para apoiar o tucanato, coisa que deve fazer o velho Brizola se virar em sua tumba, como se costuma dizer tolamente, já que ninguém se vira em seu túmulo depois de morto, como se sabe. Morreu, acabou.

Brizola morreu, sua força se diluiu dentro da esquerda brasileira. Tanto que Carlos Lupi de um lado e Pedro Taques, de outro, vão adequando a legenda que já foi esquerdista e temida como radical ao modelito que guardam em suas cabeças. Diante do que diz e faz Pedro Taques e também o Carlos Lupi, lá por cima, quem é que pode dizer que o PDT é um partido de esquerda?

Eu não me arrisco. Para mim, o PDT virou um travesti político, mas essa é uma questão para os cientistas políticos enfrentarem com maior fôlego do que eu.

Eu só quero tentar entender Pedro Taques e seu governo, onde é que isso vai parar. Ele fala grosso mas quem comanda a transição é o Otaviano Pivetta, prefeito ainda licenciado de Lucas do Rio Verde. Conversei com o Muvuca no programa matinal da Rádio CPA FM e o pequeno provocador dizia que, ao dar tanto poder ao Pivetta, Taques só confirma a tese dele de que o governador eleito seria um laranja dos barões do agronegócio.

Não acho que Pivetta seja barão de agronegócio nenhum. Pivetta é uma liderança difícil de explicar – e eu não vou tentar agora, já quem nem o Alfredo Menezes se arriscou, ainda, nesta tarefa, dentro daquelas suas análises tão ralas mas sempre tão esperadas.

Eu só quero tentar entender Pedro Taques e seu governo. E esse negócio de que ele vai escolher pessoalmente cada um dos seus secretários, sem lotear as secretarias entre os partidos políticos e os deputados estaduais e federais eleitos. Taí uma tarefa difícil de realizar. Mas o Pedro Taques garante que vai fazer.

Onde é que Pedro Taques vai arranjar 16 técnicos absolutamente confiáveis e afinados com seus propósitos – que a gente só sabe quais são em tese – para fazer, em Mato Grosso, um governo efetivamente inovador? É desafio pra encrenca.

Tão complicado que o Pedro preferiu passar a supervisão inicial deste processo para o Pivetta e se mandou, não se sabe bem pra onde, para curtir uns 15 dias de sol e mar, camarão e cerveja.

Transição que começa com férias é uma transição complicada. Já dá para ver, pela mídia, que os apetites políticos estão pipocando, por mais que o Pedro Taques tenha pretendido enquadrá-los, domá-los.

O Jorge Maciel (atual editor de O Documento) perguntou pro Pedro, na coletiva, se ele iria cumprir o que dissera, de não nomear secretário nenhum dos deputados estaduais e federais eleitos, e o Pedro partiu para cima dele com aquele seu jeito inquisidor: “Onde foi que eu disse isso? O senhor pode me apresentar uma cópia da matéria?”

Logo, se ele nega ter dito o que o Jorge Maciel sugeria que ele disse, então deputados estaduais e federais poderão, amanhã ou depois, serem indicados para o secretariado. Quer dizer, e aquela conversa de que os secretários serão técnicos, como é que fica?

Vejam o que a gente lê, numa leitura rápida: Guilherme Maluf estaria querendo indicar Alan Maluf (não é dono de uma factoring?) para a secretaria da Fazenda. Fábio Garcia pode ser secretário. Dono da City Lar sugere que Pedro Nadaf seja mantido no secretariado. Peres pode deixar Prefeitura de Cuiabá e ser secretário de Saúde do Estado. Sindicatos e associações da Segurança Pública defendem Taborelli na secretaria. Carlos Fávaro diz que não quer se secretário mas o próprio Pedro Taques diz que pode não ser bem assim.

Quer dizer, os dados estão rolando. Esses técnicos maravilhosos com que o PDT Taques sonha podem não aparecer. E deus queira que não sejam técnicos como o Geraldo Del Vitto, o Luis Antonio Pagot, o César Zilio.

Será que Pedro Taques ganha alguma coisa desmoralizando desta forma os partidos, como se os partidos fossem antros de bandidos, de gente que só pensa em levar vantagem em tudo? Será que o PDT, o PPS, o PTB, o PSB e demais partidos da coligação Coragem e Atitude para Mudar aceitam numa boa essa ideia que tanto o Pedro Taques quanto o Pivetta propagam de que os partidos não são confiáveis para cuidar das secretarias do Estado?

Há muitas perguntas paradas no ar. O próprio Pedro Taques desacredita os partidos quando resolve puxar o PDT para a direita, de qualquer jeito, aqui em Mato Grosso, impondo a opção por Aécio, sem nenhuma reunião formal do partido, sem participar de nenhuma reunião formal lá em Brasília, sem nada. Não teria que fazer uma reunião, com ata e tudo mais, para conferir mais adiante e para garantir o registro histórico devidamente documentado?

Não, parece que não. Vale o velho modelo caciquista. Mas…

Bem, é assim que se constrói um cacique político. Mas isso não é novidade. Só que a gente ouviu dizer que o Pedro Taques viria para renovar a política, não é mesmo? Será esse seu jeito algo truculento o melhor jeito?

Vamos ver. Vamos acompanhar. Na democracia é assim. A não pode se cansar de acompanhar e palpitar.

Para lembrar Antônio Gramsci, o teórico italiano, temos um novo bloco histórico na praça. A serviço de quem se construirá essa hegemonia política?

Os novos poderosos de Mato Grosso garantem que tem coragem e atitude para mudar. A conferir, no dia-a-dia do poder.

Categorias:Jogo do Poder

6 Comentários

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  1. - IP 177.132.244.23 - Responder

    revelou-se enfim a baixaria definitiva do Enockzinho,tratando o Governador eleito de MT pior que um chefe de torcida organizada.Inveja e inconformismo são a pauta do seu comentário padrão PT!

  2. - IP 201.24.175.249 - Responder

    O governador eleito vai organizar a Direita no Estado a partir de seu pensamento fascista. Não há outra alternativa em função dos nomes que compõem o grupo e dos valores políticos que representam. Será um Estado policialesco, sem grandes preocupações com Educação, Saúde e políticas sociais. Veremos perseguições e retaliações porque Pedro Taques não aprendeu a fazer outra coisa. Conheceremos o desvalor jurídico e a manipulação e aparelhamento do MP como instrumento da política rasteira. Joguem suas fichas…

  3. - IP 201.22.173.57 - Responder

    Para dar essa opinião ,vce deve ter fumado o cigarrinho do capeta ou tomado água que passarinho não bebe.Sem noção e desvairado!

    • - IP 201.24.175.249 - Responder

      Sim, tomei um pileque com sua “nona”.

  4. - IP 177.132.244.165 - Responder

    Ela não bebia com petista otário!

    • - IP 189.11.216.29 - Responder

      Mande o Aécio dar uns tapas nela que ela conta…

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