Pedro Taques comanda operação-abafa em favor de Roberto Gurgel. Mas evita falar da licitação do MPF que Collor denuncia como possível fraude


O senador Pedro Taques despontou neste período pós-carnavalesco comandando, na tribuna do Senado Federal, uma ofensiva contra todos aqueles que questionam o ainda procurador geral da República Roberto Gurgel.”Como ex-procurador da República e cidadão, estarei no Senado velando contra aqueles que querem transformar o acusador em acusado”, disse Taques, em ação claramente corporativista.

O que Pedro Taques não teve interesse ou clareza de enfrentar, em seu pronunciamento, foi a série de denúncias veiculas, daquela mesma tribuna, pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) que atribui a Roberto Gurgel, entre outras possiveis trapaças, a realização de uma licitação, como dirigente do Ministério Público Federal, que teria sido direcionada para favorecer a multinacional Apple na aquisição de tablets e que envolve recursos públicos superiores a R$ 3 milhões de reais.

As cobranças de Collor em relação a Roberto Gurgel são claras e objetivas e já foram protocoladas no próprio MPT e também no Tribunal de Contas da União. Para desviar o foco das denúncias, Pedro Taques (cada vez mais pequeno diante daquele senador que se anunciava em 2010) nos aparece com generalidades, como se os acusadores do procurador geral estivessem atirando denúncias ao vento.

O mínimo que se deve cobrar do senhor Pedro Taques, nesta hora, é objetividade: Roberto Gurgel favoreceu ou não favoreceu a poderosa multinacional Apple nesta concorrência?  É isto que o senador Fernando Collor, e muitos, como eles, querem saber. Por isso, o pedido de investigação. Pedido de investigação que o sr. Pedro Taques manipula quando levanta oportunas suspeitas com relação aos atrasos das obras para a Copa em Cuiabá. Ou levantou, no passado, com relação às atividades do sr. Éder Moraes, à frente da Secopa.

Por que será que Pedro Taques quer abafar as investigações em relação à licitação que teria beneficiado a Apple? Esta é a pergunta que não quer calar. Abaixo, voce confere os discursos atinentes e o noticiário a respeito de mais esta disputa política que se trava na Senado Federal. (EC)

Taques discursa em defesa de Gurgel contra Renan

: A um plenário do Senado vazio, o senador Pedro Taques (PDT-MT) fez questão de discursar na tarde desta Quarta-feira de Cinzas para criticar suposta manobra de alguns senadores, como o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL), para tentar incriminar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel: “Como ex-procurador da República e cidadão, estarei no Senado velando contra aqueles que querem transformar o acusador em acusado”

 

14 de Fevereiro de 2013 às 05:22

 

247 – Foi um dos únicos discursos do dia no Senado, e o plenário vazio só serviu para reforçar a mensagem do senador Pedro Taques (PDT-MT): “Como ex-procurador da República e cidadão, estarei no Senado velando contra aqueles que querem transformar o acusador em acusado”. Taques, que perdeu a eleição para a presidência da Casa para Renan Calheiros (PMDB-AL) no início do mês, falou brevemente sobre o possível ‘troco’ de Renan ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel (leia mais).

“Isso não é digno de uma República. A perseguição e a utilização de cargos para prejudicar servidor exercendo sua função não são instrumentos republicanos”, disse Taques, antes de o presidente da Mesa, Flexa Ribeiro (PSDB), encerrar os trabalhos no plenário por esta Quarta-feira de Cinzas. A defesa que o senador faz de Gurgel soa natural, devido à origem jurídica de Taques, mas mais ainda porque a denúncia que Gurgel apresentou contra Renan a uma semana da eleição à presidência do Senado foi interpretada por alguns (como o jornalista Leandro Fortes) como uma ‘forcinha’ à candidatura alternativa de Taques.

Taques também comentou a suspeita levantada pelo jornalista. “Alguns tentaram dizer que ele [Gurgel] estava a serviço deste senador da República, porque fui procurador da República durante 15 anos”, disse, desmerecendo a informação.

Com a defesa de Gurgel, o senador se une ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), até então a única voz a se manifestar em favor da conduta de Gurgel após a polêmica aberta com Renan Calheiros (relembre). Assista, no video acima, ao discurso em que Taques expôs também o que considera serem as prioridades do Senado para o ano.

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VEJA, ABAIXO, O QUE O BLOGUE SUJO ‘CONVERSA AFIADA”, DE PAULO HENRIQUE AMORIM, DIVULGOU SOBRE A POSSIVEL FRAUDE NA LICITAÇÃO COMANDADA POR ROBERTO GURGEL

 

Publicado em 29/01/2013

E aí, Gurgel ?
É o mensalão da Apple ?

Comprar na tarde de 31 de dezembro, com o nome de quem “deve ganhar “? Êpa ! Êpa !

 PAULO HENRIQUE AMORIM – CONVERSA AFIADA

 

O Conversa Afiada reproduz intrigante reportagem do Rovai sobre uma “licitação” no âmbito do brindeiro Gurgel, aquele que pegou o Renan aos 44′ do segundo tempo e se prepara para pegar o Lula com a ajuda do Herói do Supremo, o Marcos Valeriodantas.

Procuradoria Geral da República dirige licitação para compra de tablets da Apple

A Procuradoria Geral da República (PGR) realizou licitação no final de 2012 para a compra de 1226 tablets — 1200 para a PGR e 25 para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Não se discute a importância dos aparelhos para o exercício da função dos procuradores, o interessante foi como o edital para compra pelo órgão comandado pelo senhor Roberto Gurgel foi produzido para que a vitoriosa no processo fosse a Apple.

A Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas, mas o edital da licitação da PGR (141/2012) cita a Apple ao menos duas vezes e exige tecnologias que só a empresa detém, o que inviabiliza a participação de qualquer outra fabricante. Ou seja, como se diz no universo das concorrências, a licitação foi dirigida.

Nas especificações técnicas para os tablets licitados, o edital determina que o aparelho precisa possuir a tecnologia  “Tela Retina”, que é exclusiva da Apple e que venha equipado com o chip Apple A5X dual core, fabricado apenas para produtos da marca. Veja nas imagens.

E mais, as dimensões exigidas no edital são exatamente as mesmas do Ipad. Veja o comparativo entre o site da Apple e o texto da licitação.

Exige-se ainda uma capa para tablet, fabricada pela Apple e desenvolvida especificamente para o Ipad. Veja nas imagens abaixo onde a marca foi citada no edital.

O repórter Felipe Rousselet entrevistou Cláudio Weber Abramo, executivo da ONG Transparência Brasil, indagando-o sobre a legalidade de uma licitação feita nestes moldes. A resposta foi curta e direta: “Essa licitação é ilegal”. “As dimensões já direcionam. É difícil, mesmo pela Apple, conseguir este tipo de precisão. Não nas dimensões, mas no peso é aceitável que exista uma diferença de uma ou duas gramas”, comentou.

Evidente que a vencedora da concorrência em pregão eletrônico foi a Apple, conforme resultado publicado abaixo.

O repórter Felipe Rousselet entrou em contato com a assessoria de imprensa da PGR, do CNMP e da Apple., mas  até a publicação deste post, apenas o CNMP  se posicionou sobre o caso. Através da sua assessoria, o órgão afirmou que não participou da elaboração do edital para a compra dos tablets e do processo de fiscalização, apesar de ser beneficiado com algumas unidades do equipamento. O CNMP disse ainda que o dinheiro ainda não foi empenhado. Ou seja, a empresa vencedora já foi escolhida, mas o pagamento e a entrega dos tablets ainda não foram feitos.

Roberto Gurgel que abusou dos holofotes da mídia para discursar sobre o “mensalão”, agora prefere se calar sob a suspeita  de licitação dirigida envovendo R$ 2.940.990,10  no órgão que preside. Só para constar, o que em tese não é algo ilicito, mas pode explicar muita coisa. Esse pregão eletrônico ocorreu no dia 31 de dezembro à tarde, quando o órgão já estava em recesso. Dia 31 de dezembro à tarde, você não leu errado. E mesmo assim o órgão comandado por Gurgel acredita que não tem nenhuma explicação a dar à sociedade brasileira. Alvíssaras.

Será que o Bill Gates também produz esse chip Apple A5X dual core ? Ou só a Apple ? Dúvida cruel !
fonte – BLOG CONVERSA AFIADA
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Alvaro Dias se une aos defensores de Gurgel

: Depois de o senador Pedro Taques (PDT-MT) discursar dizendo que velará no Senado “contra aqueles que querem transformar o acusador em acusado”, Alvaro Dias (PSDB-PR) diz que “falar em impeachment do Procurador Geral da República é um acinte à inteligência nacional”. Renan Calheiros (PMDB-AL) estaria preparando ‘troco’ depois de Gurgel apresentar denúncia contra o peemedebista logo uma semana antes da eleição para a presidência do Senado

14 de Fevereiro de 2013 às 05:23

 

Paraná247 – “Falar em impeachment do Procurador Geral da Republica é um acinte à inteligência nacional”, escreveu o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em seu blog, unindo-se ao grupo de defensores de Roberto Gurgel no Senado, inaugurado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT) (leia mais). “Iniciativa descabida, injustificável e afrontosa à ética”, continua Dias no texto intitulado A inacreditável tentativa de impeachment do procurador.

O senador paranaense comenta a possibilidade de o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), encaminhar representação feita pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) contra Gurgel. Segundo o tucano, a iniciativa se trata “de inversão de valores”. “O Dr. Roberto Gurgel é um dos artífices essenciais no enfrentamento da corrupçao. Tentam fragilizá-lo os que desejam sustentar a prevalência da impunidade sobre a justiça”, analisa Dias.

“É nosso dever combate-los no Congresso Nacional. Essa exdrúxula iniciativa dos acólitos da indecência, será inevitavelmente derrotada”, completa o senador na curta nota. A suposta movimentação contra Gurgel foi deflagrada por denúncia apresentada pelo procurador-geral da República contra Renan a uma semana da eleição para a presidência do Senado — a denúncia, sobre o pagamento de despesas do peemedebista por lobista, estava nas mãos de Gurgel há dois anos.

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Denúncia contra Gurgel chega ao TCU

: O senador Fernando Collor (PTB-AL) prometeu e cumpriu a promessa de denunciar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pela licitação para comprar tablets para a Procuradoria Geral da República; para o parlamentar, houve “direcionamento” na concorrência pública de R$ 3 milhões para comprar 1.200 equipamentos; PGR nega e diz que compra da iPads está amparada na lei

6 de Fevereiro de 2013 às

Juliane Sacerdote _Brasília 247 – Depois de subir à tribuna algumas vezes para proferir críticas duras ao procurador-geral da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL) cumpriu a promessa e protocolou nesta quarta-feira 6, uma representação junto ao Tribunal de Contas da União.

No documento, o senador alagoano destaca que possui legitimidade para fazer a denúncia, segundo dispositivos da Constituição Federal, e que o fato tem “indícios suficientes” para ter prosseguimento dentro do TCU. Para o parlamentar, houve “direcionamento” da licitação pública realizada pela Procuradoria Geral da República para comprar tablets, e por isso, deve haver uma investigação e punição dos responsáveis.

Collor destaca que a PGR determinou que os 1.200 equipamentos fossem exclusivamente da marca Apple, impedindo assim que outras empresas participassem da concorrência pública, orçada em R$ 3 milhões. “Imaginem o que faria o Ministério Público da União, se essa licitação tivesse ocorrido em outra esfera de poder; nesta casa ou numa prefeitura?, questionou no plenário do Senado Federal.

Além da representação junto ao TCU, o senador pelo PTB também encaminhou a representação à Mesa Diretora do Senado Federal.

Embates

Não é de hoje que o senador Fernando Collor expõe publicamente sua antipatia pelo procurador geral da República. No primeiro discurso do ano, o parlamentar atacou diretamente Roberto Gurgel, chamando-o de “prevaricador” e “chantagista”, além de acusar o PGR de “querer interferir indevidamente em outros poderes”.

O ataque foi a forma encontrada por Collor para defender o aliado, Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Supremo Tribunal Federal por três crimes uma semana antes da eleição para a presidência do Senado Federal, vencida pelo peemedebista.

Em nota, a Procuradoria Geral da República explicou que a “opção” pela marca Apple é amparada pelo artigo 7º da lei de licitações, que diz que a preferência por determinadas marcas devem ser “tecnicamente justificáveis”.  Ainda de acordo com o órgão, a escolha pelo ipad foi feita com base em estudos da área de Tecnologia de Informação, que apontaram a “segurança“,  a “compatibilidade de serviços”  e os “custos” dos tablets da Apple.

 

Confira a íntegra da representação protocolada ao TCU:

 

 

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Publicado em 18/12/2012

Collor acusa Gurgel
de chantagista e prevaricador

Collor descreve desrespeito de Gurgel ao Legislativo: um prepotente ! Qual a novidade ?

O Conversa Afiada reproduz o vídeo – http://youtu.be/yhLIRIQNVXg – e a representação de Collor contra o Procurador Geral da República, que não deve satisfação a ninguém, como se fosse uma casta superior e intocável.

Collor denuncia Gurgel como um “violador de sigilo”.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL SENADOR JOSÉ SARNEY

FERNANDO AFFONSO COLLOR DE MELLO, brasileiro, casado, Senador da República, RG 2192664 – IFP-RJ, residente no SMLN ML 10 Conjunto 01 Casa 01, Lago Norte, em Brasília, DF, com fundamento no art. 5º, inciso XXXIV, alínea a, da Constituição Federal, combinado com o art. 41 da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento, e dos arts. 153, 319 e 325 do Código Penal, vem
REPRESENTAR
em desfavor do Doutor ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS, Procurador-Geral da República, pelas razões de fato e de direito que passa a expor, para que Vossa Excelência adote providências no sentido da aplicação das sanções e reprimendas legais cabíveis.
I – DOS FATOS
Na sessão de 17 de dezembro último, Sua Excelência o Senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello estabeleceu novo marco na percepção jurisprudencial sobre condutas de agentes públicos e exercício de mandato. Mesmo diante da possibilidade de dúvida quanto à aplicação do inciso III do art. 15, e dos incisos IV e VI e §§ 2º e 3º do art. 55 da Constituição Federal, pacificou-se na Corte o entendimento de que cabe ao Poder Judiciário a última palavra em relação à cassação de mandato parlamentar em caso de condenação penal. Assim, mesmo a representação legítima atribuída pelo voto não pode persistir diante de condutas criminosas por parte dos representantes do povo.
A manifestação da Suprema Corte pode ser claramente associada à conduta de outros agentes públicos de alto escalão. Nesse sentido, se mesmo com dúvida sobre a competência judicial para decretar a perda de mandato parlamentar, o Supremo Tribunal Federal entendeu que deputados condenados criminalmente deveriam perder seu mandato, essa dúvida não pode persistir frente a condutas como as do Procurador-Geral da República.
Assim, é fato que o senhor ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS prevaricou ao sobrestar a Operação Vegas, o que por si já poderia implicar em crime de responsabilidade. Fica evidente, ainda, o vazamento de informações sigilosas por parte do Chefe do Ministério Público da União, como constatado nos depoimentos de procuradores e delegados federais perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), cuja Parte VII do Relatório Preliminar (referente ao Procurador-Geral da República e à Operação Vegas da Polícia Federal) encontra-se anexa a esta Representação.
Não resta dúvida, portanto, que o Senhor Procurador-Geral da República utilizou-se de seu cargo para atender a interesses pessoais e beneficiar amigos, colaborar com os meios na divulgação de informações sob segredo de justiça e, pior, usar das informações em seu poder para fazer pressão e chantagem até contra autoridades com prerrogativa de foro.
II – DO DIREITO
Já se tratou das razões de Direito na Representação apresentada em 12 de junho último perante esta Casa. Convém, não obstante, destacar as condutas delituosas do Senhor Procurador-Geral da República.
Primeiramente, há o sobrestamento da Operação Vegas. Reitera-se que o argumento de que o “sobrestamento” dos autos foi uma medida tática inerente à ação controlada, não resiste à mais singela análise. De acordo com art. 2º, inciso II, da Lei nº 9.034, de 3 de maio de 1995, a ação controlada consiste em retardar a interdição policial do que se supõe atuação de organizações criminosas, desde que mantida sob observação e acompanhamento, para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações.
Ora, não foi mantida nenhuma observação, nenhum acompanhamento. O Representado simplesmente reteve o inquérito, com o que permitiu a livre atuação da organização criminosa, sem qualquer observação ou acompanhamento por parte da polícia.
Dizer que esse acompanhamento estava a cargo da Operação Monte Carlo implica ofender a inteligência dos membros da CPMI, pois restou claro que essa investigação era completamente dissociada da Operação Vegas.
Mais grave ainda é afirmar que a Operação Monte Carlo somente foi exitosa por conta do sobrestamento da Operação Vegas. O argumento, falacioso, cai por terra diante da ausência de elo entre essas investigações policiais.
Os crimes investigados são de ação penal pública incondicionada. Diante dos indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro no STF, o Representado deveria adotar as medidas que a lei processual estabelece.
Com efeito, o Código de Processo Penal prescreve:
“Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.”
“Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.”
De sua parte, os arts. 12 e 15 da Resolução nº 13, de 02 de outubro de 2006, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) estabelecem:
“Art. 12. O procedimento investigatório criminal deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa) dias, permitidas, por igual período, prorrogações sucessivas, por decisão fundamentada no membro do Ministério Público responsável pela sua condução.”
“Art. 15. Se o membro do Ministério Público responsável pelo procedimento investigatório criminal se convencer da inexistência de fundamento para a propositura de ação penal pública, promoverá o arquivamento dos autos, ou das peças de informação, fazendo-o fundamentadamente.
Parágrafo único. A promoção de arquivamento será apresentada ao juiz competente, nos moldes do art. 28 do CPP, ou ao órgão superior interno responsável por sua apreciação, nos termos da legislação vigente.”
Como visto, o representado não adotou nenhuma dessas medidas previstas em lei. Aliás, até mesmo o pretenso “sobrestamento” do inquérito deveria ter sido formalizado, mediante despacho fundamentado, nos termos do art. 12 da Resolução nº 13, de 2006, do CNMP, acima transcrito.
Sendo assim, a conduta do Representado subsume-se na disposição do art. 40, incisos 2 a 4, da Lei nº 1.079, de 1950:
“Art. 40. São crimes de responsabilidade do Procurador Geral da República:
…………………………………………………………………………..
2 – recusar-se a prática de ato que lhe incumba;
3 – ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições;
4 – proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.”
Ademais, o art. 3º da Lei nº 1.079, de 1950, prescreve que a imposição da pena por crime de responsabilidade não exclui o processo e julgamento do acusado por crime comum, sendo que, no presente caso, evidencia-se o delito de prevaricação, descrito no art. 319 do Código Penal:
“Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.”
Além do delito de prevaricação, fica evidente a violação do segredo de Justiça e a divulgação de informações sigilosas. O crime de divulgação de segredo está previsto no art. 153 do Código Penal:
Art. 153. …………………………………………………………………
……………………………………………………………………………..
§ 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2º Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será incondicionada.

A conduta mostra-se mais grave ainda pela condição de autoridade pública, de alto funcionário da Administração, podendo ser relacionada ao crime de violação do sigilo funcional previsto no art. 325 do Código Penal:
Art. 325. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
§ 1º Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2º Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

Não há como desconsiderar que, com suas condutas, o Senhor Procurador-Geral da República promove a mais evidente quebra de um dever de lealdade processual e de ética funcional, o que, por si, já é inaceitável, sobretudo vindo da mais alta autoridade da instituição cuja função precípua é fiscalizar o bom cumprimento da Lei. A conduta do senhor ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS macula, dessa maneira, a nobre imagem do Ministério Público. Inaceitável que o chefe do Parquet haja dessa maneira!
Diante de tudo o que se expôs, fica claro que o Representado, por sua conduta no mínimo desidiosa, cometeu crime de responsabilidade e delito de prevaricação, associados à violação de segredo. Ofendeu, ainda, de forma taxativa, à imagem da instituição a que pertence e pretende dirigir.
Esta Representação é, portanto, no sentido de esse órgão adotar providências para a aplicação das sanções e reprimendas legais cabíveis no caso concreto.
Nesses termos, pede deferimento.
Brasília, 18 de dezembro de 2012.
Fernando Collor
Senador da República

5 Comentários

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  1. - IP 200.175.243.2 - Responder

    É prá acabar…………….. Então agora Renan e Collor são os paladinos da moralidade neste país………… chega a ser rídiculo afirmar que uma licitaçãozinha de cerca de três milhões foi direcionada para favorecer a APLE…………….. até parece…. Pode até ter havido uma escolha ou preferência do MPF pelo produto da APLE,,,, por qualidade, segurança e tecnologia de ponta…. em benefício do MPF e não da APLE…. Agora isto quer dizer que PGR desceu ao nível de um COLLOR ou um RENAN.. Dá nojo ver estes petistas, antigos defensores da moral, dando voz e espaço para políticos como COLLOR e RENAN……. é o fim dos tempos……….

  2. - IP 189.10.40.20 - Responder

    Taques está criando uma nova categoria de cidadãos: os ” ininvestigáveis”. Se o Gurgel nada teme, porque não ser chamado a dar explicações? Não se cobra aqui o impeachment do procurador, mas simplesmente que ele seja investigado como qualquer um outro sob o qual pairem as suspeitas que pesam sobre ele.

    Imagino se alguém pedisse investigações de Demóstenes Torres uns 6 meses antes da PF estourar o esquema do ex-senador: Taques, aparentemente, ocuparia a tribuna para se posicionar contrário, afinal, Demóstenes era o tal paladino da ética de então.

    Senador Taques, não nos decepcione, e dê a chance do PGR em se explicar.

    Em uma verdadeira república, em uma sólida democracia, não existem cidadãos acima do estado. Nem mesmo o PGR ou Ministros do STF.

  3. - IP 200.103.89.198 - Responder

    Francamente, se essa é a única fraqueza do Gurgel, não vai surtir efeito algum. A não ser é claro para aqueles que esperneiam por causa de sua atuação. O que devia ser atacado é a sua parcialidade nas acusações, no trancamento de certas denúncias, e não na compra de materiais que reconhecidamente são pioneiros no mercado da informática.

  4. - IP 177.5.234.223 - Responder

    Então tá ; Roberto Gurgel e Pedro Taques não prestam e collor e renan são pessoas impolutas , ilibadas , decentes e estão sendo atacadas injustamente. Ora que materiazinha cretina.

  5. - IP 189.11.231.212 - Responder

    Renan e Collor não valem um piqui ruído,mas Gurgel precisa ser investigado numa licitação de mais de 3 milhões de reais com suspeitas evidentes de manipulação.Ninguém está a cima da Lei,Demóstenes Torres também era o cara,foram investigar o paladino da moralidade e descobriram que era uma farsa,foi até padrinho de casamento famoso aqui em MT,trazido por Pedro Taques.

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