PAULO NOGUEIRA: Marina não faz “nova política”, como demonstram suas alianças, mas quem entre seus principais rivais pode bater nela por isso? Há um cansaço, na sociedade, com a política tal como é feita no Brasil. Quando o PT subiu ao poder, a expectativa era que o modo de fazer política mudaria. Não mudou, ou mudou pouco. Os votos que faltam hoje ao PT estão na esquerda, na garotada inconformada que tomou as ruas em junho de 2013, e não na direita. Basta ver o desempenho de Aécio. Para reverter a Marinamania, Dilma terá que mostrar que é ela, e não Marina, quem poderá fazer, na verdade, a modernização política pela qual anseia a sociedade.

Numa eleição que não provocava grande entusiasmo, Marina surgiu como um fato novo. Colocou fogo numa disputa morna. Trouxe imprevisibilidade a uma competição tediosamente previsível.Para reverter a Marinamania, Dilma terá que mostrar que é ela, e não Marina, quem poderá fazer, na verdade, a modernização política pela qual anseia a sociedade.

Numa eleição que não provocava grande entusiasmo, Marina surgiu como um fato novo. Colocou fogo numa disputa morna. Trouxe imprevisibilidade a uma competição tediosamente previsível.Para reverter a Marinamania, Dilma terá que mostrar que é ela, e não Marina, quem poderá fazer, na verdade, a modernização política pela qual anseia a sociedade.

Novo Datafolha: até quando vai durar a Marinamania?

por : , no DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO

Marina

O dia começou ruim para Dilma e terminou pior.

O primeiro golpe veio com a publicação, na Folha, de um texto de acordo com o qual Dirceu já estaria considerando “iminente” a derrota de Dilma para Marina, a “Lula de saias”.

O artigo, de Fernando Rodrigues, viralizou. Poucas horas depois de publicado, Dirceu desmentiu tudo, pelo blog de Paulo Moreira Leite.

Dirceu está mesmo tão pessimista assim? O jornalista da Folha forçou a mão?

Bem, questões como estas acabaram obscurecidas pelo segundo golpe: os números do último Datafolha.

Por eles, Marina já alcançou Dilma no primeiro turno. Estão empatadas em 34%, com Aécio semimorto com 15%.

Ruim no primeiro, pior no segundo. Pelo Datafolha, confirmando o Ibope de poucos dias atrás, Marina bate Dilma por 50% a 40%.

É indiscutível que o Brasil vive, nestes dias, uma Marinamania.

Numa eleição que não provocava grande entusiasmo, ela surgiu como um fato novo. Colocou fogo numa disputa morna. Trouxe imprevisibilidade a uma competição tediosamente previsível.

Virou uma sensação, por tudo isso.

Curioso notar que toda esta espuma provavelmente não teria ocorrido caso Marina estivesse concorrendo desde o princípio com sua Rede.

Ela seria um nome a mais. Forte, é verdade, mas sem o impacto trazido pela chegada espetacular, no rastro da tragédia de Campos.

Para quem gosta de parábolas, ou metáforas, da morte brotou a vida, e com a vida a esperança de renovação.

Marina não faz “nova política”, como demonstram suas alianças, mas quem entre seus principais rivais pode bater nela por isso?

A “novidade” de Aécio é um receituário que, na moda nos anos 1980 com Thatcher, o tempo mostrou ser uma calamidade, sobretudo para os mais pobres.

Armínio Fraga, o homem da economia de Aécio, tem a cabeça na década de 80.

Quanto a Dilma, o máximo que ela pode dizer a Marina, no quesito das alianças estranhas, é: “Eu sou você amanhã”.

Há um cansaço, na sociedade, com a política tal como é feita no Brasil.

Quando o PT subiu ao poder, a expectativa era que o modo de fazer política mudaria.

Não mudou, ou mudou pouco.

A decepção de muitos com o PT decorre – ao contrário do que dizem os conservadores – não com a corrupção, que na verdade foi combatida como nunca antes nestes últimos anos.

A decepção veio pelo que não foi feito no terreno dos avanços sociais. O PT fez mais neste campo que os governos anteriores, desde Getúlio Vargas, mas menos do que gostariam os que sonham com uma sociedade mais justa.

É uma insatisfação de esquerda, por assim dizer, e não de direita.

Os votos que faltam hoje ao PT estão na esquerda, na garotada inconformada que tomou as ruas em junho de 2013, e não na direita. Basta ver o desempenho de Aécio.

Marina representa, para essa gente, não uma certeza de transformações – mas ao menos uma esperança.

Para reverter a Marinamania, Dilma terá que mostrar que é ela, e não Marina, quem poderá fazer, na verdade, a modernização política pela qual anseia a sociedade.

Para obter sucesso nisso, ela terá que encontrar uma resposta para a seguinte questão: por que vocês não fizeram isso nestes doze anos?

Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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