PREFEITURA SANEAMENTO

PAULO LEITE – Tratativas de Mauro Mendes são atabalhoadas e deixam transparecer suas ambições, sintoma de seu estilo soberbo, personalista. Mesmo em matéria tão subjetiva como política, Mauro busca o lucro a qualquer custo.

Paulo Leite, jornalista e marqueteiro, foi secretário de Estado de Comunicação no governo de Jayme Campos

A Liga

por PAULO LEITE

Cada vez que se movimenta no pantanoso cenário eleitoral, o empresário Mauro Mendes, pré-candidato do PSB à sucessão municipal cuiabana, atola-se um pouquinho mais no lamaçal dos interesses inconciliáveis dos partidos políticos envolvidos na disputa. Sua fama de desagregador também não contribui para um tráfego mais fluente entre seus interlocutores.

As tratativas de Mauro são atabalhoadas e, no fundo, deixam transparecer apenas as suas ambições, sintoma de seu estilo soberbo, personalista e de pouco apreço pelos aliados de primeira hora. Mesmo em matéria tão subjetiva como política, ele busca o lucro a qualquer custo.

Portanto, suas articulações mostram-se erráticas e, até agora, conseguiram a proeza de juntar velhos adversários, em torno de um único propósito. Ou seja, impedir sua ascensão ao Palácio Alencastro, visto por muitos, como um mero trampolim para o governo estadual.

Como toda ação suscita uma reação em igual intensidade, líderes partidários de todos os matizes começam a desenhar um movimento de contraposição. Apelidada nos bastidores de a “Liga Anti Mauro”, esse bloco começa a enxergar os riscos de permitir que prospere um projeto político ancorado somente nos interesses pessoais de seu protagonista.

Afinal, Mauro age como um pêndulo, ora acenando para um lado, e, no instante seguinte, acenando para o quadrante oposto. Flerta com a situação e faz juras de amor à oposição. E, num ambiente onde as informações se cruzam em alta velocidade, o caráter ambíguo é um pecado capital.

Neste momento, Mauro ostenta uma robusta intenção de votos nas pesquisas eleitorais. Possuiu uma média de 45 pontos percentuais, o que lhe conferiria uma vitória em primeiro turno, se descartados a abstenção e os sufrágios anulados. Isto dá um número superior a 55% dos votos válidos. Convenhamos, uma posição extremamente confortável.

Mas, tudo leva a crer que Mauro tem “bicho carpinteiro eleitoral”, não consegue se conter dentro de seu enorme ego e sai por aí desfilando seu favoritismo a torto e a direito. Talvez se ficasse imóvel, quietinho, angariasse mais dividendos políticos. É o Fator Mauro. Ele quer vencer por WO e, para tanto, conspira, promete, negocia e desqualifica o debate. Mendes transpira autoconfiança e deixa aflorar atrás de si um rastro de dúvidas e incertezas.

Seus aliados o temem. Seus adversários se alimentam de sua falta de limites. As eleições da capital mato-grossense estão transcendendo as curvas do rio Cuiabá e começam a ganhar os contornos dramáticos de uma cruzada contra uma ameaça futura. Mauro quer a prefeitura, mas mira, na verdade, a sucessão estadual em 2014. Enfim, quer tudo…

Seus dois principais aliados, no entanto, discordam de seus planos. O senador Pedro Taques anseia vê-lo prefeito, mas esconjura suas pretensões de aportar no Palácio Paiaguás, substituindo Silval Barbosa. Blairo Maggi, por sua vez, admite apoiá-lo ao governo, desde que não dispute a gestão cuiabana.

Agora aparece outro complicador, o PMDB (seu sonho de consumo para a composição da chapa majoritária) resolveu lançar o ex-vereador Totó Parente como candidato a prefeito. Com isso, Mauro fica sem a estrutura palaciana e sem as obras da Copa de 2014. Portanto, quanto mais cisca, mais se isola.

O que Mauro deve ter em mente agora é que a liderança nas pesquisas neste momento é uma miragem, quase uma ilusão. Ele precisa construir pontes e não dinamitá-las com sua soberba. A contenda não começou ainda e o entendimento e o diálogo franco são as únicas garantias de sucesso político.

Mauro perdeu duas eleições, mas saiu mais forte e mais robusto delas. Deveria aprender que mais vale uma derrota com honra, com a solidariedade dos aliados; que uma vitória sem brio e afastada de propósitos políticos relevantes. Por isso mesmo, enquanto Mauro Mendes claudica, a Liga se articula e se fortalece!

 

* PAULO LEITE é jornalista, publicitário e escritor. Foi secretário de Comunicação do Estado no governo de Jayme Campos.

artigo publicado originalmente no DIÁRIO DE CUIABÁ

Categorias:Jogo do Poder

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