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PAULO BOMFIM: Dificuldade de acesso das comunidades da Mata Grande e Ponte Alta ao Distrito do Rio da Casca causa forte estrangulamento do Desenvolvimento Sócio-Econômico de toda Chapada dos Guimarães

Ponte sobre o Rio da Casca. Destruída e abandonada.


O PLANALTO DO RIO DA CASCA – DUAS PONTES, QUINZE PASSOS E AS ANDORINHAS AZUIS NOS CÉUS DA GEOPOLÍTICA MATOGROSSENSE


PAULO BOMFIM

Especial para a PAGINA DO E

O Rio da Casca tem História. Convidado pelo amigo e Historiador DJALMA DE ALC NTARA MASCARENHAS, retorno à Rodovia 403 – MT.
Não sem antes ampliar as pesquisas e ser informado pela Sra. JOLENIL, uma das Guias de Turismo mais antigas e atuantes nas Atividades Comunitária e Social, em Chapada dos Guimarães, que a antiga Estrada do Rio da Casca, atual Rodovia 403 – MT, leva o nome de seu avó Américo de Campos Martins.
Registro e reparo aqui a possível indelicadeza. Com a Publicação em Diário Oficial da Lei Estadual nº 9.083 em 30 de Dezembro de 2008 a Rodovia 403 – MT passa da denominação de “Rodovia Municipal Américo de Campos Martins” para “Rodovia Estadual Américo de Campos Martins”.

Embreenhei-me pelas entranhas do Histórico e Centenário Distrito do Rio da Casca em nossa Chapada dos Guimarães, onde foi erguida a 1º Usina Hidroelétrica do Mato Grosso.
Muito cativante seus relatos e haja ouvidos para as tantas estórias.

A Lei Estadual nº 6.437 de 27 de Maio de 1994, criou a Estação Ecológica do Rio da Casca ­ Reserva Permanente e Área de Proteção Ambiental do Rio da Casca, no Município de Chapada dos Guimarães.
Celebridades à parte, o Distrito Rio da Casca tem uma Família muito Ilustre, famosa e que carrega a simbologia de toda a Região. A Família Lytraceae com o seu componente igualmente Ilustre Árvore símbolo, de nome popular Mirindiba ou Tarumaranã.
Pertencente ao Reino Plantae, Divisão Magnoliphyta (Angiospermae) e Família Lytraceae apresenta o nome científico de Lafoensia gliptocarpa. A Mirindiba é uma árvore tropical bastante rústica, capaz de se desenvolver em solos pobres. Apresenta um porte médio, alcançando de 8 a 15 metros de altura. O tronco é formado de uma casca sulcada de cor pardacenta a acinzentada, e sua madeira é pesada, densa e de boa qualidade. A “Mirindiba” é uma árvore ornamental de copa arredondada tipicamente brasileira. A floração ocorre no inverno. Possui uma floração muito graciosa tornando-a muito decorativa. Em função de ser uma árvore de médio porte, pode ser indicada para a arborização de ruas e avenidas desprovidas de fiação elétrica. Pode também ser utilizada em praças e parques bem como na recuperação de áreas degradadas, pois atrai e alimenta a vida silvestre, responsável pela polinização e dispersão de outras espécies vegetais importante para o equilíbrio ecológico(Fontes: Carvalho, D. A. Sistemática Vegetal, Textos acadêmicos, Ufla, 2000. Lorenzi, H, Árvores Brasileiras, vol.I, 2000).

Terras de muitas tradições Históricas e Culturais, tendo origem nas Sesmaria (Brasil Colônia), com a vinda da Família Valetim Martins da Cruz, grande Senhor de Engenho, e todo o seu poderio econômico trazido de Portugal. Posteriormente com a formação de outros Engenhos, como o da Família Corrêa da Costa e seu DNA fortíssímo na geração de Governadores.
Por fim, na Região do Rio da Casca foram implantados os Assentamentos, realizados nos primórdios do Brasil República com a vinda de Imigrantes do Norte / Nordeste, até chegarmos na grande Revolução Agrícola dos anos 70, com a chegada do povo do sul e seu desfecho no surgimento do Agronegócio.
Pertencente ao Distrito do Rio da Casca a Comunidade da Ponte Alta foi formado o primeiro assentamento do Estado do Mato Grosso, com a chegada das Famílias Bezerra, Jardim, Campos e outras, tendo recebido Famílias de sobrenomes conhecidos: Pacheco, Campos, Moreira, Sampaio, Jardim, Mascarenhas, Borges, e Bouret de Mello (com a dona Carlinda, mais conhecida como Nhãzinha e seus bolinhos de arroz, fubá, francisquito e polvilho).

Aos 62 anos de idade, nascido e criado na Região do Rio da Casca, casado desde os 18 anos com a Sra. Amerinalda Vieira Mascarenhas, imigrante de Goiás, relata DJALMA MASCARENHAS com os olhos marejados, o seu tempo de menino, estudante da Escola Estadual Rural Mista do Rio da Casca, hoje em ruínas, quando já despontava com grande potencial Cinéfilo. O seu pai, Romeu Mscarenhas, funcionário da Empresa de Força, Luz e Água – Efla – como operador da Usina Rio da Casca l e zelador do Chalé do Governador ele, Djalma, sempre o acompanhava no trabalho adorando aos finais de semana quando aparecia o então Governador Fernando Corrêa da Costa para passar o final de semana e trazia os jornais e revistas da Capital Cuiabá, para que selecionasse as notícias sobre cinema e fizesse os recortes com toda a programação dos filmes em exibição nos cinemas.
Relata, também, que a lindíssima Cachoeira do Rio da Casca também já foi ponto de Escala para vôos Internacionais.
Sim, Escala para Vôos Internacionais (Rota Migratória) das Andorinhas Azuis que, fugindo do rigoroso inverno do Hemisfério Norte, no Canadá e Estados Unidos, migravam para o Hemisfério Sul. No Mato Grosso, na Cachoeira do Rio da Casca, utilizavam os espaços nas fendas e buracos na encosta rochosa da Cachoeira para, tendo grande necessidade de renovar as energias devido ao longo percurso do vôo de quase 5.000 quilômetros, alimentarem-se dos insetos, frutos e plantas, passando parte da Primavera e Verão. Em retribuição encantavam a todos com seu Balé no Céu, para então, em sua dinâmica natural, retornarem aos seus locais de origem. Hoje elas não voltam mais com tanta expressão. Quando aparecem veem em número extremamente reduzido. Talvez seja o reflexo dos tempos atuais com o aparecimento dos Chemtrails.
Época boa aquela em que se podia voar em segurança pelo mundo.

A Teoria da Conspiração, sobre a Chemtrail (do inglês, chemical trail: ‘trilha química’), sustenta que os rastros deixados por alguns aviões são na verdade agentes químicos ou biológicos, deliberadamente pulverizados a grandes altitudes, com propósitos desconhecidos do público, causando danos à saúde da população. O termo chemtrail não se refere a formas comuns de pulverização aérea, tais como a de uso agrícola, a semeadura de nuvens ou o combate aéreo de incêndios. O termo refere-se especificamente a trilhas aéreas decorrentes do lançamento sistemático, em grande altitude, de substâncias químicas não encontradas nas trilhas de condensação(em inglês, contrails), resultando no aparecimento de faixas não usuais no céu. Os adeptos dessa teoria especulam que as finalidades da liberação de produtos químicos poderiam ser: escurecimento global, controle populacional, controle do tempo ou guerra biológica, e essas trilhas estariam causando doenças respiratórias e outros problemas de saúde (Fonte: wikipedia.org).
Vamos colocar os pés e a “cabeça” no solo novamente que a vida é uma grande Poesia mas, invariavelmente, com espaços para as mais diversas manifestações tragicômicas.

Hoje a USINA CASCA I, inaugurada em 1928 está desativada e em ruínas;
Hoje a Escola Estadual Rural Mista do Rio da Casca, está em ruínas.
O Chalé do Governador, hoje, em ruínas.

Na Região existem ainda a USINA CASCA II e III, inauguradas em 1954 e 1970, respectivamente, hoje são denominadas Pequena Centrais Hidroelétricas PCH’s Rio da Casca II e III e ainda estão com suas operações regulares, mas com problemas graves da ordem de Degradação Ambiental, à serem mitigados e/ou solucionados.
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso – 1 º Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Chapada dos Guimarães, abriu o Procedimento de Inquérito Civil Público – SIMP nº 000353-028/2012 em 10 de Abril de 2012, para apurar as responsabilidades. Está em fase de discussões para elaboração e redação final de Termo de Ajustamento de Conduta.
Em 15 de Abril de 2009, foi publicada em Diário Oficial de Estado do Mato Grosso, a Portaria SEC nº 008/2009, do Secretário de Estado de Cultura, Sr. Paulo Pitaluga, cujo escopo determina e dispõe sobre o Tombamento para o Patrimônio Histórico e Artístico Estadual dos Bens Materiais e Naturais, Monumentos Históricos Naturais e Paisagísticos “Chalé dos Governadores” e “Usina da Casca l”- no Município de Chapada dos Guimarães, na Comunidade do Rio da Casca.
Apesar das nobres manifestações e inequívocas aspirações de respeito ao Meio Ambiente e sentido preservacionista do Sr. Paulo Pitaluga…..“Ceteris Paribus”!!!

Estive pessoalmente no local e posso seguramente afirmar.
Há a Inércia do Poder Público Municipal. Inércia do Poder legislativo Municipal. Inércia do poder Executivo Estadual. Inércia do Poder legislativo Estadual.
Resultado, tudo está sendo depredado!!!
A completa omissão e descaso pela Legislação que dispõe sobre a proteção do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado do Mato Grosso – Lei Estadual nº 9.107 de 31 de Março de 2009, por parte da Empresa Multinacional Italiana ENEL GREEN POWER, que explora, atualmente, a geração de Energia do Sistema.
Isto sem falar nos pontos obscuros e nas agendas ocultas, como o recolhimento dos impostos ISS, ICMS e também os Royalties.
Foi comunicada em Boletim de Ocorrência nº 2018.54781, datado de 16 de Fevereiro de 2018, a Secretaria de Segurança Pública – Polícia Judiciária Civil – Delegacia de Polícia de Chapada dos Guimarães a ocorrência de depredação do Patrimônio Histórico e Artistico Estadual dos Bens Materiais, Monumentos Históricos Naturais e Paisagísticos(Chalé dos Governadores e Usina da Casca l) no Município de Chapada dos Guimarães, na Comunidade do Rio da Casca.

Não nos prende nenhum conceito de caráter predatório sobre quaisquer Organismos Públicos, mas precisamos apoiar a luta do amigo e Historiador DJALMA MASCARENHAS.
Estivemos lá e pude constatar a enorme dificuldade de condições para a Trafegabilidade.
As Estradas Estaduais, Municipais e Vicinais estão em péssimas condições.
Na região existem pontes que caíram há dois anos e que não foram restauradas, há pontes com mais de 15 anos caídas e igualmente tratadas.
Estas pontes, caídas, são estratégicas para a circulação entre o Distrito do Rio da Casca e outras importantes e Históricas Comunidades da Região, bem como, também, para o rápido acesso ao Centro da Cidade de Chapada dos Guimarães. Mas vou ficando por aqui porque acho que debaixo deste angú tem caroço.
A primeira é chamada de Ponte da Mata Grande e tem 15 passos de cumprimento. Fica a 7 quilômetros do centro da Comunidade e caiu há exatamente 15 anos. Portanto, hoje, se a Administração Pública Municipal tivesse manifestado o efetivo interesse em resolver a questão, daria para tê-la reconstruída no tempo de 1 passo por ano. Feito isto, teriam tornando muito mais curto o trajeto percorrido pelos membros das Comunidades da Mata Grande, Ponte Alta e do Distrito do Rio da Casca, pois tem duas opções: com mais 4 quilômetros pelas terras da Fazenda São Romão chega-se até a Rodovia 404 – MT e, em seguida, com mais 20 quilômetros chega-se até a Rodovia 251 – MT. Outra opção e alternativa de acesso é seguir em frente, direto à Rodovia 251 – MT, posssibilitando a chegada em Chapada dos Guimarães com grande facilidade.

A segunda é chamada de Ponte da Fazenda do Hildo Pacheco ou Casca I na Rodovia 403 – MT, no Rio da Casca. Fica a 20 quilômetros do centro da Comunidade da Ponte Alta e 16 quilômetros da Comunidade da Mata Grande. Passou a ser muito utilizada pelas duas Comunidades para acessar o Distrito do Rio da Casca e também ao Centro de Chapada dos Guimarães, devido as necessidades naturais, com a ausência da Ponte da Mata Grande.
Tem, também, 15 passos de cumprimento. Caiu há 2 anos.
Caso, também, tivesse ocorrido o efetivo interesse da Administração Pública Municipal em resolver a questão, com a restauração da Ponte da Fazenda do Hildo Pacheco ou Casca I, as pessoas das Comunidades da Mata Grande e Ponte Alta fariam o deslocamento até a Rodovia 403 – MT, descendo no sentido sul, chegando ao Distrito do Rio da Casca e acessando a Rodovia 404 – MT, e em seguida desceriam até a Rodovia 251 – MT. É um percurso substancialmente maior, mas chega-se ao Distrito do Rio da Casca e a Chapada dos Guimarães com ainda maior economia e mediana facilidade.

Esta dificuldade de acesso destas Comunidades da Mata Grande e Ponte Alta ao Distrito do Rio da Casca está causando um forte estrangulamento do Desenvolvimento Sócio-Econômico de toda a Região.
As Comunidades, da Mata Grande e Ponte Alta, estão sendo “isoladas e empurradas para a dependência Sócio-Econômico da Cidade de Campo Verde”.
Suas necessidades de Saúde, Educação, Serviços, Comércio, escoamento das Produções de Grãos e Agropecuária, estão sendo obrigadas a serem supridas acessando a Rodovia 251- MT a 20 quilômetros da Cidade de Campo Verde.
Bem pertinho é verdade. O que os amigos leitores acham?
Não precisa-se ser Mestre em Estrategemas e Geopolítica para perceber que a questão é um tanto quanto elementar.
“Rompe-se o tráfego… rompem-se os laços”!!!
Fica a pergunta: Quem vai querer rodar 60 / 70 quilômetros a mais para chegar até Chapada dos Guimarães em situação normal? Em emergência nem pensar!
Será que há elementos ou grupos que compõem as Forças Políticas de Chapada dos Guimarães “torcendo e trabalhando” para que as Comunidades da Mata Grande e Ponte Alta sejam anexadas a Campo Verde?

Todos sabem das questões Políticas, Econômicas, Sociais e agora Judicializadas, envolvendo a revisão dos Limites Territoriais entre Chapada dos Guimarães e Campo Verde.
A quem isto interessa? Ou melhor: A quem não interessa as pontes da Região do Rio da Casca ficarem de pé???
Recentemente a Prefeitura de Chapada dos Guimarães licitou uma ponte de concreto, de R$ 300.000,00, para facilitar o tráfego de acesso para a Região da Lagoinha de Baixo.
Vamos tratar profundamente desta matéria em uma próxima oportunidade.
Em nossa política, o objetivo, infelizmente, não é o de administrar a “Coisa Pública” na intenção de bem servir à população mas, sim, o de obter o maior grau possível de poder, usado para obter vantagens próprias e servir-se do que é da Natureza Pública.
Quanto a candidatos bem intencionados e com propostas, eis que existem, sim, e vários, mas normalmente nenhum deles consegue obter visibilidade suficiente o bastante para poder penetrar o sistema, algo que em grande parte pode ser creditado às seculares preguiça e ignorância que grassam entre nossa população.
Não se pode contar apenas com a mera delegação de poder, cabe a cada um de nós, os menos “desesclarecidos”, buscar e apontar alternativas, engajando-nos politicamente ao máximo em prol da Integridade na Política.

Na Construção Coletiva Social temos uma das poucas chances de termos algum progresso para a atuação Comunitária.
Por isso tento procurar apontar alternativas de participação popular, uma vez que o futuro da Administração Pública, certamente, está voltado para um estreitamento cada vez maior da distância entre representantes e representados.
Agora, resta ao filho da Terra, amigo e Historiador DJALMA MASCARENHAS o caminho já conhecido. Bater, mais uma vez, as portas do Ministério Público do Estado de Mato Grosso – 1 º Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Chapada dos Guimarães e angariar apoiamentos para esta causa coletiva no Fórum de Controle Social.
Relata, por fim, o Historiador DJALMA MASCARENHAS em indisfarçável tom emocionado, carregado de saudosismo e os olhos cheios d’água, as lembranças dos movimentos e andanças pelas terras onde existe um local chamado de Alto Fogoso.
Point à época. Lugar famoso, muito famoso, aprazível por desopilar o fígado.

Tento aprofundar o assunto para saber maiores detalhes, mas DJALMA apressa-se e diz que somente ouviu falar do lugar. Jura, de pés juntos, nunca ter estado ou frequentado o Alto Fogoso. Acreditamos, não duvidaremos.
Hoje na localidade adotaram a postura de “quem beitjô, beitjô, quem não beitjô, não beitja mais, podem fetchá o catxão do defunto”!… “Tirrrriiiim, fetchô o balaio”.
Os Olhos sempre expressam a verdade, DJALMA MASCARENHAS.

 

 

Paulo Bomfim

PAULO BOMFIM é Cidadão e Eleitor de Chapada dos Guimarães.

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