PAULO BOMFIM: O que fizeram com Marielle me faz sentir vergonha. Mas a vida da guerreira Marielle me faz sentir orgulho!

Paulo Bomfim


VERGONHA

PAULO BOMFIM
Especial para a PAGINA DO E

Qual é a diferença entre culpa e vergonha?
Sexta-feira Santa se aproxima. É o dia que alguns, não muitos, mas significantes parcelas dos cristãos, que hoje justificam a morte da Vereadora Socióloga Marielle, relembram e choram, com suas lágrimas de crocodilo, a morte de Jesus Cristo. Aquele cara que lutava contra o sistema daquele tempo, andava com as minorias e denunciava os poderosos.
Em 1872 o Naturalista Britânico Charles Darwin, considerado o pioneiro no estudo científico da vergonha no comportamento humano, em seu livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, dedica todo um capítulo à característica exclusiva da espécie humana de ruborizar, de corar as faces, provocada pelo sentimento de vergonha. Darwin acreditava ser este sentimento o mais peculiar e o mais humano de todas as expressões, e que seu surgimento depende de dois elementos: a reflexão sobre si mesmo de alguma característica de aparência pessoal; e o pensamento sobre o que os outros pensam de nós.
As pessoas, ditas normais, anseiam por Justiça e honestidade, mas não querem sinceridade. As pessoas demandam pelo singular, mas preferem o senso comum. As pessoas buscam a verdade mas preferem ouvir aquilo que lhes agrada tão somente. Portanto temos um conflito beirando a esquizofrenia. Tudo tem que ser dito, mas de modo pueril, tênue e muito palatável, como se fosse destinado a uma criança ingênua e mimada, caso contrário será ignorado e o problema não será da Sociedade e sim do inconveniente que arvora-se a informar os acontecimentos.
Negar a verdade é tolo. Para ver a verdade, só é preciso abrir os olhos.
Os indiferentes foram referenciados por Cristo como mornos. No Livro de João-Apocalipse 3:16 diz-se: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.
Acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por esta razão, também, não sou simpático aos indiferentes.
As massas não tem sede de verdades. Diante dos fatos que possam desagradar-lhes desviam o olhar. Preferem dissimular e admirar o erro, caso sintam-se seduzidas. Quem as sabe iludir tornam-se seus mestres, Quem tenta desiludi-las podem tornar-se suas vítimas.
Étienne de La Boétie foi um humanista e filósofo francês, sendo a sua obra mais famosa o seu Discurso da Servidão Voluntária, escrita no século XVI. A obra se mostra como uma espécie de hino à liberdade, com questionamentos sobre as causas da dominação de muitos por poucos, da indignação da opressão e das formas como vencê-las. Já no título aparece a contradição do termo servidão voluntária, pois como se pode servir de forma voluntária, isto é, sacrificando a própria liberdade de espontânea vontade? Ele afirma então que são os próprios homens que se fazem dominar, pois, caso quisessem sua liberdade de volta, precisariam apenas de se rebelar para consegui-la. Étienne afirma que é possível resistir à opressão, e ainda por cima sem recorrer à violência – segundo ele a tirania se destrói sozinha quando os indivíduos se recusam a consentir com sua própria escravidão. Como a autoridade constrói seu poder principalmente com a obediência consentida dos oprimidos, uma estratégia de resistência sem violência é possível, organizando coletivamente a recusa de obedecer ou colaborar. Disse ainda; “Não cabe amizade onde há crueldade, onde há deslealdade, onde há injustiça. Quando os maus se reúnem, fazem-no para conspirar, não para travarem amizade. Apoiam-se uns aos outros, mas temem-se reciprocamente. Não são amigos, são cúmplices”, escreve Étienne de La Boétie no discurso.
Para Étienne de La Boétie, essa amizade verdadeira só existe entre os éticos e bons. Os maus possuem temores, têm cúmplices, e se desesperam ao pensar o que pode ser feito contra eles. Quem está do lado pode ser sempre uma ameaça. Fato é que viver sob suspeita, desconfiando de tudo e todos, não é a vida mais tranquila e prazerosa que podemos ter. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_de_La_Bo%C3%A9tie
Em nossos tempos, mais de 500 anos depois, esse pensamento, continua atualíssimo. Termos cúmplices ou amigos é uma escolha de cada um. É fruto de um cultivo diário entre relacionamentos e atitudes que temos.
No Livro de João 12,24-26 diz-se; “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”.
O que fizeram com Marielle me faz sentir vergonha.
Mas a Vida da Guerreira Marielle me faz sentir orgulho!
Marielle hoje é Fruto Vivo em milhões de Corações Amigos em todo o Brasil. No Brasil e nos 6 Continentes do Planeta ecoam vozes de milhões de Marielles e dos Amigos e Amigas das Guerreiras Marielles.
O que você prefere: Amigos ou cúmplices?

PAULO BOMFIM é cidadão e morador de Chapada dos Guimarães

Categorias:Cidadania

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