Para Perri, falta de servidores é desafio no TJ

A realização de concurso público para contratação de novos servidores é uma das prioridades da nova gestão de Orlando Perri, que assume em 2013

Presidente eleito do TJMT traça metas para gestão

Eleito novo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o desembargador Orlando de Almeida Perri afirma que a partir de segunda-feira (15 de outubro) já começa a ser delineado o Planejamento Estratégico que norteará a sua gestão durante o biênio 2013/2015. Em entrevista concedida à imprensa após ser eleito pelo Tribunal Pleno do TJMT, o desembargador afirmou que o perfil de sua gestão será voltado para o Primeiro Grau de jurisdição, em especial para a prestação jurisdicional nas grandes comarcas como Cuiabá e Várzea Grande. Ressalta, entretanto, que também voltará atenções para as comarcas menores e mais longínquas, que têm dificuldade de atender à demanda por conta da falta de servidores.

Uma de suas maiores preocupações externadas foi com os juizados especiais, que atualmente têm uma demanda muito grande e por isso encontram-se abarrotados. “A procura pelos juizados especiais é tanta que hoje se demora meses para conseguir marcar uma audiência. No Fórum da Capital, há demora até para fazer juntada de documentos. Nós temos consciência que esses problemas são estruturais e ocorrem pela falta de servidores. Para isso, vamos trabalhar com os governantes para melhorar essa condição. Nós sabemos de comarca no interior do Estado que tem um servidor concursado. Sabemos de comarcas que têm apenas dois. A Justiça não pode continuar trabalhando dessa forma”, declarou o desembargador Orlando Perri. Ele afirmou ainda que, nesse sentido, os juízos leigos são figuras importantes e vão ajudar bastante.

O magistrado ainda afirmou que sabe que o atual presidente, desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, tem feito tudo que pode para melhorar a situação e pretende dar continuidade a muitas ações iniciadas na gestão 2011/2013. Como exemplos, citou o avanço tecnológico que permitiu a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJE) e também o peticionamento eletrônico. “Nós estamos em uma fase de transição no Judiciário mato-grossense e passando do processo físico para o digital. Hoje estamos todos, servidores e magistrados, mais preparados para implantar tecnologias como o PJE e o peticionamento eletrônico em todas as comarcas. Não acredito que possamos fazer isso em apenas dois anos. Serão necessárias várias gestões para alcançarmos essa meta, mas vamos continuar esse trabalho iniciado pelo presidente Rubens de Oliveira”, apontou o eleito.

Em relação aos servidores e magistrados, o desembargador afirmou que vai dedicar especial atenção. “Servidores e magistrados também são prioridade. Vamos trabalhar o Sistema de Desenvolvimento de Carreiras e Remuneração (SDCR). Urgentemente temos que rever essa previdência deficitária, a progressão de carreiras também deve ser tabelada. Mas antes tenho que conhecer como está o orçamento para gastos com servidores, pois sei que é acanhado, mas também sei que está faltando servidores e magistrados, e para prover cargos precisamos de concursos”, pontuou Orlando Perri. Outro ponto que o presidente eleito considera importante é o apoio ao desenvolvimento no estudo de servidores e magistrados. Para tanto, afirma que vai dar total apoio à Escola Superior da Magistratura e à Escola dos Servidores.

Quanto à Corte, o desembargador assinalou que pretende manter o ambiente de harmonia que hoje existe no Sodalício, e vai buscar dar continuidade à gestão tranqüila que vem sendo desenvolvida pelo atual presidente. Dessa forma, agradeceu aos pares pelos votos de confiança depositados nele para que conduza a Instituição pelos próximos dois anos.

Histórico – Nascido em Cuiabá e atualmente com 56 anos, o desembargador Orlando de Almeida Perri ingressou em 1975 na faculdade de direito Eurípedes Soares da Rocha, em Marília/SP, transferindo posteriormente a sua matrícula para a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Concluiu seus estudos jurídicos em 1979 e em 1983 foi aprovado em primeiro lugar no concurso público para Juiz Substituto do Estado de Mato Grosso, com média final de 8,8.

Sua primeira investidura para exercer a função de magistrado foi em dezembro de 1983 na comarca de Tangará da Serra. Em seguida jurisdicionou as comarcas de Barra do Bugres, Barra do Garças e Cáceres. Em 1986 foi promovido por merecimento para Rondonópolis e em 1987 foi promovido, também, por merecimento, para a Comarca de Cuiabá, oficiando como Juiz Auxiliar junto à Oitava e Nonas Varas Cíveis da Capital.

Em Cuiabá serviu como Juiz Auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, atuou na Terceira Vara Especializada dos Feitos da Fazenda Pública e Ações Correlatas e na 14ª Vara Cível. Em 1994 foi eleito presidente da Associação Mato-grossense dos Magistrados – AMAM, tendo ainda participado de diversos cursos e seminários, além de ter escrito alguns artigos, tais como: “Prazos e Nulidades Processuais”, “Exceção Dominial e a Reconvenção nas Ações Possessórias”, “A Inspeção Judicial e os Embargos de Retenção por Benfeitorias nas Ações Possessórias” e a “Ética Profissional e a Litigância de Má-Fé do Advogado”.

Por merecimento, aos 22 de agosto de 1994 foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tendo atuado por mais de três anos junto à Primeira Câmara Cível do Tribunal. Em 1998 foi conduzido ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, onde exerceu o cargo de vice-presidente e corregedor. Entre 24/03/99 e 21/04/2000 exerceu a presidência daquele Sodalício. Em 8 de junho de 2000 foi eleito vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Em 2006, concluiu Curso de Especialização em Direito Público pela Faculdade Cândido Mendes – ATAME.

No biênio 2007/2009, exerceu o cargo de corregedor-geral da Justiça, desenvolvendo, durante sua gestão diversos projetos, destacando-se os relacionados à melhoria dos serviços prestados pelo Judiciário em prol da população mato-grossense, à adoção e à execução penal. Atualmente, está cursando doutorado pela Universidade Católica de Santa Fé, na Argentina, e preside a Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

fonte COORDENADORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO TJMT

4 Comentários

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  1. - IP 189.72.223.163 - Responder

    Que bom que o Sr. vai dedicar atenção especial aos Servidores, pois o Judiciario tem perdido muito servidores experientes para outros orgãos, principalmente por questões salariais, o atual presidente teve a sensibilidade e percebeu esta situação, que o Sr. possa dar continuidade ao trabalho do Dr. Rubens.

  2. - IP 200.241.46.2 - Responder

    Parabéns, Dr. Orlando de Almeida Perri!
    Complementando o comentário acima, além do Judiciário estar perdendo Servidores experiêntes para outros órgãos, dos últimos Servidores que tomaram posse muitos já pediram exoneração por conta da remuneração.
    Com o Dr. Rubens algumas coisas melhoraram, porém, tem muito ainda a melhorar. “O VALE ALIMENTAÇÃO”, por exemplo.

  3. - IP 201.15.105.242 - Responder

    Primeiramente, parabéns ao Des.Perri pela eleição. Conforme dito nos comentários acima, espero que a gestão do nobre Desembargador seja pautada pela valorização salarial do servidor de carreira do Judiciário, pois nesse quesito estamos longe de vários Tribunais Estaduais, e do MP aqui de Mato Grosso, em que um Analista Judiciário, em início de carreira, recebe R$ 6.000,00 bruto, mais R$ 900,00 a título de auxílio alimentação, enquanto no TJ-MT esse mesmo Analista recebe R$ 3.200,00 líquido, já incluído os R$ 300,00 (trezentos reais) de auxílio alimentação. Portanto Des. Orlando Perri, a política de valorização salarial deve ser a prioridade da sua gestão, pois assim evitará que bons servidores saiam do Judiciário, além de proporcionar maior estímulo aos servidores. Servidor bem remunerado trabalha mais motivado. Sucesso em sua gestão.

  4. - IP 189.59.48.133 - Responder

    Parabéns Des. Perri! Um Judiciário forte se faz com servidores e magistrados motivados e comprometidos com a prestação jurisdicional. O PJ MT em recente ranking nacional é o 20º colocado (fonte: IDP), entre os 27 estados da federação. Tem muito a ser feito e o desafio é grande. Boa sorte!

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