Para o analista Miranda Muniz, foi babaquice do presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, comparar Cuiabá com uma praça de guerra, por conta do atraso das obras de mobilidade urbana. “Diferentemente dos conflitos sangrentos que acontecem no mundo,a “praça de guerra” vivida por Cuiabá e Várzea Grande, mesmos com todas as inconveniências inerentes aos processos de construção nos enche de orgulho e certeza de que nossa região metropolitana sairá “da guerra” infinitamente melhor do que entrou” – escreve Miranda.

Augusto Nardes, do TCU: falando babaquices sobre Cuiabá, segundo o analista Miranda Muniz

Augusto Nardes, do TCU: falando babaquices sobre Cuiabá, segundo o analista Miranda Muniz

Cuiabá: a desejada “Praça de Guerra”

POR MIRANDA MUNIZ

 

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, em discurso proferido durante o lançamento do portal de transparência dos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, afirmou que Cuiabá parecia uma “praça de guerra”, em função do atraso das obras de mobilidade urbana que estariam sendo executadas.

Parafraseando o ex-presidente Lula que, em entrevista a blogueiros, taxou como babaquice quando alguns ficam cobrando metrô dentro dos estádios e esquecem de observar os benefícios do conjunto das obras da Copa, considero que a afirmação do presidente do TCU também constitui uma grande “babaquice”.

Eu, quando penso numa “praça de guerra”, vem em minha cabeça, e creio que também na cabeça da maioria das pessoas, a imagem de uma situação hostil, deprimente, com centenas de mortos e feridos, escassez e alimentos e água potável, o patrimônio histórico e cultural sendo destruídos, as pessoas fugindo da cidade ou tentando buscar algum refúgio seguro, etc. E, no final, sacrifícios por dezenas de anos para reconstruir o que foi destruído. Logicamente a parte física, pois os traumas e seqüelas humanas são impossíveis de reconstrução.

Foi isso que tivemos na Sérvia (1999), durante bombardeio estadunidense de 11 meses; no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003), quando os EUA começou a por em prática a doutrina agressiva da chamada “guerra preventiva contra o terrorismo”; os massacres contra a Líbia e contra a Síria, ou em outros conflitos sangrentos que assistimos pela mídia.

Será que a atual situação de nossa Capital estaria enquadrada nos moldes dessas tragédias que mencionei?

Definitivamente não vejo por aí!

Por isso, estou plenamente de acordo com as observações do secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, que rebatendo as declarações do presidente do TCU assim pronunciou: “Me parece que a função do TCE é acompanhar tecnicamente a condução das obras relativas à Copa do Mundo. O que saiu na mídia foi uma espécie de apreciação política que não compete ao TCU fazer”.

E mais, o que ocorre em Cuiabá é um processo de implantação de mais de 50 obras, entre mobilidade urbana (viadutos, trincheiras, pontes, duplicação de vias, etc), reforma e ampliação do aeroporto, 2 centros de treinamento, 1 Fan Fest, bem como a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Há de se destacar que o VLT é o mais moderno sistema público de transportes, o qual contemplará dois eixos: Aeroporto-CPA, com 15 km de extensão e 22 estações de embarque e desembarque, e o Centro-Coxipó, com 7,2 km e 11 estações. Todas integradas aos ônibus urbanos. Sistema que contará com um conjunto de 40 vagões, cada um com capacidade para transportar, com segurança e comodidade, 400 pessoas a uma velocidade média de 60 km/hora, com um tempo de embarque de, no máximo, 4 minutos, de acordo com o projeto.

Tais obras, assim que estiverem todas em funcionamento, significarão uma significativa modernização para Cuiabá e Várzea Grande, com melhorias reais em termos de mobilidade urbana e ganhos reais (de tempo e comodidade), em especial, para os trabalhadores e estudantes que utilizam o transporte público diariamente.

Diferentemente da “praça de guerra” dos conflitos sangrentos que acontecem no mundo, a maioria sob a batuta agressiva dos EUA, que nos deixa tristes, indignados e envergonhados, a “praça de guerra” vivida por Cuiabá e Várzea Grande, mesmos com todas as inconveniências inerentes aos processos de construção (muitos agravados pelo descaso das construtoras e pela ineficiência do Poder Público em fiscalizar), nos enche de orgulho e de certeza de que nossa região metropolitana sairá “da guerra” infinitamente melhor do que entrou.

Sou daqueles que considero oportunas e justas as críticas em relação ao atraso da entrega das obras, a princípio, planejadas para ocorrer antes da Copa. Mais, por outro lado, serei crítico ardoroso daqueles que, embebidos pelo “complexo de vira-lata”, muito bem retratado pelo cronista Nelson Rodrigues, semeia babaquices tal qual a propalada “#nãovaitercopa” ou a tal “praça de guerra”, do pronunciamento do presidente do TCU, afinal, qual população não desejaria ter em sua cidade a “praça de guerra” que está em curso nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande?

miranda-muniz

 

Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, diretor de comunicação da CTB/MT – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e secretário sindical do PCdoB-MT

 

 

 

2 Comentários

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  1. - IP 189.59.43.50 - Responder

    Parabéns Miranda Muniz! Seu artigo vem a revelar quão triste é sabermos que a nossa Excelsa Corte de Contas é presidida por pessoa totalmente desqualificada, inconsequente e desequilibrada para o exercício de tão nobre mister. Ganhou o cargo de presente e, mesmo assim, mostra-se descompromissado com aquilo que dever de ofício da alta corte de contas.

  2. - IP 189.61.75.140 - Responder

    Senhor Miranda Muniz, vc precisa viajar mais e conhecer as cidades que estão em pleno vapor desenvolvimentista no mundo, e saber que não precisa de guerra nenhuma para fazer pequenas obras, conheço várias cidades do mundo principalmente na Europa que implantaram seu sistema de transporte e outras obras que foram feitas pacificamente com os cidadãos. O Presidente do TCU está certo, e nós do Mato Grosso não precisamos passar por tantos desgastes e sequelas para ter obras que não são tão difíceis. Está ideia de vender dificuldade tem que parar e não devemos mais aceitar este tipo de pensamento. Não devemos aceitar obras superfaturadas, com defeitos, atrasos e mal planejadas.

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