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Para ALFREDO DA MOTA MENEZES, é preocupante pensar em Maggi concentrar poder econômico e político em Mato Grosso

Murtinho, Maggi e os momentos
Alfredo da Mota Menezes

A compra dos 105 mil hectares de terras da família Olacyr de Moraes pelo grupo Amaggi foi bastante comentada. A Amaggi tem ainda presença nas áreas de navegação e porto, armazenagem, energia e agora tem também um braço financeiro.
Ela, junto com a Bunge, Cargill, Dreyfus e ADM, as grandes do comércio de grãos, devem construir uma ferrovia entre Sinop e Miritituba. A Amaggi é a maior empresa de Mato Grosso e uma das maiores do país. Blairo Maggi é um dos sócios dessa empresa.
Blairo deve concorrer à reeleição ao Senado e tem, mostram as pesquisas, uma das vagas asseguradas. É comum a fala de que para onde ele e seu grupo penderem ganham a eleição para governador. Não decidiu ainda se apoia a reeleição do Taques ou outro nome para enfrentar o atual governador.
O caso do Blairo parece com outro personagem histórico em MT, Joaquim Murtinho. Médico de Deodoro da Fonseca, se elegeu senador em 1890, foi reeleito até sua morte em 1911 aos 62 anos. Foi ministro de Obras Públicas do governo Prudente de Morais e da Fazenda de Campos Sales.
Murtinho era um dos donos do Banco Rio e Mato Grosso e sócio da maior empresa do estado no período, a Mate Larangeira, que explorava erva-mate no sul de MT. Ela chegou a ter concessão de cinco milhões de hectares de terras e tinha também ferrovia e portos (Porto Murtinho foi homenagem a ele). A empresa era tão forte que emprestava dinheiro para o Estado, foi considerada “um estado dentro do estado”.
Murtinho, com esse enorme poder econômico e político, mesmo sem vir a MT, mandava e desmandava no estado. Governador que não lia em sua cartilha, como era comum na época, podia ser ejetado do poder. Numa das refregas foi morto um, Totó Paes.
Quase dá para estabelecer um paralelo entre o poder econômico e político do Murtinho e do Blairo. E não foi bom o controle do Joaquim naquela época e não deve ser no atual momento também.
Não seria algo positivo para o estado se o Blairo tirasse algum nome do bolso do colete e tivesse o controle do futuro governador. Com poder econômico, mais o Senado, mais a proximidade com as coisas de Brasília e ainda o controle do Executivo estadual, com tantos liames políticos, a coisa não seria boa nem para a empresa da família dele. Como acabou não sendo para a Mate Larangeira.
Seria um poder tão grande que não haveria oposição. Se isso acontecer, quem sabe poderia ocorrer de novo o que ocorreu no governo Silval Barbosa, sem oposição nem mesmo na mídia. Deu no que deu.
É natural o Blairo ter um candidato ao governo, o que não poderia é ele ter o controle total sobre esse nome. Tem que ser alguém, mesmo apoiado por ele, que pelo menos corcoveie, não aceite a sela. Ter alguém com tamanho poder econômico e político no estado, mostra a história, é um fato preocupante.

Alfredo da Mota Menezes é historiador em Mato Grosso. E-mail: pox@terra.com.br

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