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Pagot dispara contra Wellington, cotado para comandar a Secopa

Um ano depois de afastado do comando nacional do DNIT, Luiz Antonio Pagot fez revelações à revista Época sobre os bastidores das negociatas no Ministério dos Transportes. No momento em que Wellington Fagundes é cogitado para suceder Éder Moraes no comando da Secopa, o homem de Maggi dispara contra o deputado federal do PR, sugerindo que ele teria ligações com a empreiteira Delta e com o esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Confira a reportagem da Época:

“Fui afastado pela negociata de uma empreiteira e um contraventor ”

Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, diz a ÉPOCA que perdeu o cargo por contrariar os interesses da Delta e de Carlinhos Cachoeira

MURILO RAMOS
da revista ÉPOCA


http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/04/fui-afastado-pela-negociata-de-uma-empreiteira-e-um-contraventor.html

Principal braço do Ministério dos Transportes, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) conta com um orçamento anual de cerca de R$ 10 bilhões para construir e reformar as deficientes estradas e ferrovias brasileiras. Historicamente, esse dinheiro é disputado por grandes empreiteiras, num jogo que envolve empresários, técnicos, advogados, lobistas e políticos. Nesse campo são corriqueiras as brigas judiciais, golpes baixos e acusações de favorecimento. As investigações da Polícia Federal (PF) sobre a organização do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, já revelaram a proximidade da turma com a empreiteira Delta Construções. Associado ao diretor da Delta para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu, Cachoeira colocava seus companheiros para trabalhar pela empresa em busca de contratos em vários Estados. Diálogos captados pela polícia, com autorização judicial, mostram que o grupo de Cachoeira atuou no jogo bruto dos negócios dentro do Dnit. Eles arquitetaram uma maneira de afastar Luiz Antonio Pagot do cargo de diretor-geral do Departamento. No dia 10 de maio de 2011, segundo gravações da PF, Cachoeira disse a Abreu que “plantou” as informações contra Pagot na imprensa. “Enfiei tudo no r… do Pagot”, diz Cachoeira. Nesta semana, quase um ano depois do episódio, Pagot deu entrevista exclusiva a ÉPOCA sobre as circunstâncias de sua queda.

O afastamento de Pagot, bombardeado por acusações de cobrar propinas, foi comemorado pela turma de Cachoeira. Quase dois meses depois de ter ouvido de Cachoeira que a imprensa recebera material contra a diretoria do Dnit, Abreu telefonou para o bicheiro. Em tom de galhofa, diz durante a conversa que a presidente Dilma Rousseff ordenara ao então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, a afastar todos os citados em reportagem publicada pela revista Veja. Naquele momento, Abreu e Cachoeira dividiram elogios entre eles e enalteceram a força de sua associação.

Entenda as denúncias envolvendo Carlinhos Cachoeira e políticos

Consultor de empresas privadas na área de transportes, Luiz Antonio Pagot diz que não sabia da manobra de Cachoeira e Abreu. “Fui surpreendido por ter sido afastado através de uma negociata de uma empreiteira com um contraventor”, diz Pagot. “Isso serviu para que fosse ditado meu afastamento. É um verdadeiro descalabro.” Mas qual seria o interesse da empresa e de Cachoeira em prejudicar Pagot, se em sua gestão a Delta apresentara crescimento espetacular nos negócios com o Dnit? Ele afirma ter criado problemas para a Delta. Segundo Pagot, quatro episódios criaram animosidade entre ele e a empreiteira:

• A Delta subcontratou uma empresa para obras de recuperação de um trecho de 18 quilômetros da BR-116, em Fortaleza, Ceará, sem consentimento do Dnit. O Departamento abriu processo administrativo contra a Delta.

• Pagot diz que, em uma obra na BR-163, em Serra de São Vicente, em Mato Grosso, a espessura do concreto da rodovia, feita pela Delta, era menor que a prevista no contrato, fato que poderia provocar um desgaste precoce. A Delta teve de repavimentar a estrada.

• Segundo Pagot, a Delta não justificou os atrasos no início das obras do Trecho Manilha-Santa Guilhermina da BR-101, no Rio de Janeiro. “A Delta estava esperando terminar uma obra em outro lugar para iniciar esse trecho”, diz Pagot. “Mas essa história não é bem assim. A Delta conhecia as exigências do edital. Tinha de estar preparada para começar as obras. Não admiti tantas postergações.” Segundo o Dnit, a Delta espera liberações do Ministério de Minas e Energia e do Ministério do Meio Ambiente para iniciar as obras.

• A Delta estava entre as insatisfeitas com o resultado da licitação de obras de duplicação da BR-060, em Goiás. Segundo Pagot, as empreiteiras esperavam que os contratos fossem de R$ 1,6 bilhão, mas saíram por R$ 1,2 bilhão. Isso frustrou as expectativas de faturamento, inclusive da Delta. A Delta lidera um consórcio que venceu um dos lotes da licitação.

De acordo com Pagot, diretores da empresa ficaram contrariados com a postura do Dnit e fizeram pressão contra a diretoria do órgão. “Recebi visitas do presidente do Conselho de Administração, Fernando Cavendish, do diretor da empresa para a Região Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e do diretor da empresa para a Região Norte, Aluízio de Souza”, diz Pagot. “Escutei todas as reivindicações e agi como sempre fiz: pedi que formalizassem essas reivindicações. Fazia isso com todo mundo que ia lá.”

Além das reclamações públicas e do jogo de bastidores da turma de Cachoeira, revelado pela investigação da Polícia Federal, Pagot afirma que a Delta contava com o empenho de um grupo de parlamentares aliados. Réu no escândalo do mensalão, o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP) é o presidente de honra do Partido da República (PR). Apesar do cargo apenas honorífico, Valdemar é quem manda no PR. Do mesmo modo, apesar de o ministro dos Transportes ser na ocasião o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), Valdemar tinha grande poder nas decisões do ministério. Costa Neto procurou Pagot para falar sobre a licitação da Travessia Urbana de Ubatuba, São Paulo. “Valdemar disse para mim que quem tinha de vencer era a Delta”, afirma Pagot. O custo das obras era de R$ 150 milhões. Poderoso no ministério, Costa Neto contava também com o fato de Pagot ter chegado ao cargo graças ao senador Blairo Maggi (PR-MT). O lobby de Valdemar não vingou. O projeto foi alterado pelo Dnit e não saiu conforme suas pretensões. Valdemar contesta a versão de Pagot. “Não fiz pressão junto a diretores do Dnit para que a obra fosse vencida pela Delta”, afirmou Valdemar por intermédio de sua assessoria. Segundo Pagot, o deputado Wellington Fagundes (PR-MT) também pressionou o Departamento em favor da Delta. Ele queria que o Dnit fosse menos exigente com a Delta no episódio do asfalto da BR-163. Após o fechamento da edição desta semana de ÉPOCA, Fagundes procurou a reportagem e disse não ter feito lobby pela Delta. “Fiz pressão pela celeridade da obra. Fiz pressão pela população de Mato Grosso.”

A Delta foi procurada por ÉPOCA para responder aos questionamentos sobre a atuação da organização de Cachoeira e Abreu no Dnit e a atuação de parlamentares em prol da empresa, como afirma Pagot. A resposta veio em forma de nota da assessoria de imprensa da empreiteira. “Um inquérito do Ministério Público Federal averiguará todas essas questões derivadas da chamada Operação Monte Carlo. O Congresso Nacional deliberou nessa última semana pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para também investigar temas correlatos a essas perguntas de ÉPOCA”, afirma a empresa. “A Delta Construções falará sobre todos os assuntos nos foros judicial e parlamentar. A empresa repudia, desde já, conclusões parciais e precipitadas oriundas de análises superficiais de informações coletadas.” De acordo com a Delta, “jamais o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu falava ou agia em nome da empresa, quando, supostamente, teria dado curso a fofocas que se levantavam em relação ao Dnit ou a qualquer de seus diretores. Caso se revelem verdadeiras as suspeitas em relação à ação de Cláudio Abreu nesse sentido, ele agiu por motivação própria e desconhecida pela empresa à qual devia lealdade”.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional foi instalada na semana passada. PT e PMDB terão o controle da Comissão. Os governistas querem evitar que a CPMI investigue a Delta, devido a seus contratos com o governo federal e com o governo de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro. Também trabalharão para que não surja nada do baú de Cachoeira relativo às acusações de contribuições para o caixa dois de campanhas petistas. As duas missões são difíceis. Há material abundante sobre o caso. Conversas captadas pela polícia mostram Cachoeira entusiasmado com a oportunidade de negócios no ramo da Delta. Ele chega a sondar tipos de material de construção que deveriam ser usados em obras públicas. Cachoeira diz: “Eu sou a Delta”, ao tratar do patrocínio a um time de futebol em Goiás. Ainda é cedo para apostar no resultado final da partida.

FONTE REVISTA EPOCA

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Deputado ameniza crise interna provocada por denúncias de Pagot
Glaucia Colognesi

O secretário-geral do PR em Mato Grosso, deputado Emanuel Pinheiro, tenta evitar crise interna no PR que começou após a revelação feita pelo ex-diretor geral do DNIT, Luis Antonio Pagot, à revista Época, sobre suposto lobby praticado pelo deputado federal Wellington Fagundes em favor da empreiteira Delta. A empresa é a mesma da qual o contraventor do jogo do bicho Carlinhos Cachoeira se intitulava interlocutor em negócios ilícitos junto à agentes públicos.

Emanuel colocou panos quentes na denúncia, sob alegação de que só pode se tratar de um mal entendido. “Eu não acredito que o Wellington tenha feito isso e Pagot também não é de aceitar pressão”, afirmou.

Ele avalia que essa situação não é boa para o partido, pois o deputado Wellington é a maior liderança da sigla no Estado, ao lado do senador Blairo Maggi. “Não sei o que levou Pagot a falar isso. É um fato lamentável e Pagot tem que se explicar. Isso não pode respingar na legenda”, pontuou.

Na entrevista, Pagot afirmou que Wellington teria intercedido em favor da Delta, quando o DNIT descobriu que pavimentação na BR 163 na Serra de São Vicente estava com espessura de concreto menor do que a prevista em contrato. Wellington queria que o departamento fosse menos exigente com a Delta, mas o DNIT não atendeu os apelos políticos e fez com que a empreiteira refizesse a rodovia.

Como uma espécie de bombeiro, Emanuel tentará apagar o incêndio entre as lideranças republicanas. Ele avisou que vai chamar os 2 envolvidos no escândalo para conversar e tentar esclarecer os fatos.

fonte RD NEWS

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Justiça recebe denúncia e Pagot vai responder por fraude em licitação

Renê Dióz
OLHAR DIRETO

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) acatou na última terça-feira (17) recurso do Ministério Público Estadual (MPE) para reformar decisão de primeira instância que rejeitou denúncia contra o ex-secretário de Infraestrutura (Sinfra), Luiz Antônio Pagot (PR), acusado do crime de improbidade administrativa.

Além de Pagot, a denúncia do MPE foi oferecida contra os empresários Luciano de Oliveira Nunes e Alfredo Nunes Neto, sócios da ANN Construtora e Incorporação, contratada sem licitação pela Sinfra em 2004 para construir um posto da Polícia Militar Rodoviária na rodovia estadual Emanuel Pinheiro, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, por R$ 282,9 mil.

A obra de 248,64 m², apontou o MPE, foi iniciada antes mesmo da tomada de preços fictícia e foi finalizada em janeiro de 2005. De acordo com o MPE, Pagot, que ocupava o posto de secretário de Estado na época, simulou uma tomada de preços para dar ares de legalidade à contratação da ANN.

Prova disso, apontou o MPE, é o fato de que, no mesmo dia (20 de dezembro de 2004) foram realizadas etapas como a abertura, o julgamento do certame, a adjudicação, a homologação, a publicação do resultado da licitação e o pedido de empenho. Três dias depois o contrato foi assinado.

A denúncia do MPE havia sido rejeitada em primeira instância. Agora, o processo contra Pagot e os sócios da ANN volta a tramitar na Justiça estadual. A reportagem ainda não conseguiu contato com os denunciados.

Categorias:Jogo do Poder

1 Comentário

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  1. - Responder

    Pagot e Fagundes?
    Farinha do mesmo saco banana do mesmo cacho.
    Fica até hilária essa cara de compadecido injustiçado do tal homem de confiança de Blairo ante esse outro deputado aí que sempre mostrou a que veio…Um não vale o outro.
    Mas quá!

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