OSCAR D`AMBROSIO: Em “Por Amor”, com Kevin Costner, a lógica está em dar sempre o melhor de si mesmo

Costner no filme Por Amor

O melhor de nós

Por Oscar D`Ambrosio

Há filmes que têm tudo para não funcionarem, mas que trazem encantamento nos detalhes. É o caso de ‘For Love of the Game’ (‘Por amor’, no Brasil). Baseado em romance homônimo de Michael Shaara, conta a trajetória fictícia de Billy Chapel, um veterano arremessador de beisebol de 40 anos prestes a se aposentar.

Durante aquele que pode ser seu último jogo, ele relembra sua biografia, como o amor do pai pelo esporte, o acidente com uma serra elétrica que quase o afasta dos campos e o relacionamento mal resolvido com uma jornalista. O ator Kevin Costner dá ao personagem, nesse contexto, todo o carisma necessário em uma história batida e machista em muitos pontos.

Mas há uma magia que funciona. Três fatores contribuem para isso. Um é que, em meio a esse turbilhão de emoções, o protagonista se aproxima do chamado ‘jogo perfeito’, em que elimina todos os rebatedores adversário. Para isso, além do seu talento, precisa da colaboração da equipe, principalmente perante seu desgaste emocional e físico.

O segundo está nas estratégias mentais de Chapel para sobreviver à pressão, principalmente quando dá um ‘clique’ mental para se concentrar e se desligar do ruído externo. E, quando isso não funciona, é preciso continuar mesmo assim. A necessidade de seguir em gente em busca da vitória é mais forte.

Um terceiro e decisivo fator está no conflito entre o velho e o novo. Uma das maiores dificuldades do experiente lançador é lidar com dois tipos de rebatedores: os da sua geração, que, embora conheçam a sua técnica o respeitam; e os mais novos e ousados, que o consideram ultrapassado e não o temem.

Para vencer ambos, Chapel e sua equipe fazem literalmente das suas tripas um só coração e, das dores das lesões de músculos e mente cansados, a força motriz para a vitória. Nessa jornada, a lógica não está em ser melhor do que os outros, mas em dar sempre o melhor de si mesmo, seja nas relações individuais, nas afetivas, em equipe ou perante um estádio.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

4 × 2 =