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Há dois caminhos: Temer com Dilma e Temer sem Dilma

Milton Temer, vice-presidente, e Dilma Roussef, presidenta da Republica

Milton Temer, vice-presidente, e Dilma Roussef, presidenta da Republica

O raio X da política e o fator Temer

 

Luis Nassif,  no seu blogue

 

O jogo político caminha para um desfecho, no qual a peça chave é o vice-presidente Michel Temer.

Nesse momento, o governo Dilma Rousseff está completamente paralisado, sem interlocução com os setores chave da governabilidade:

  • Congresso.
  • Grupos econômicos
  • Setor financeiro
  • Movimentos sociais
  • Mídia
  • Ministério Público Federal e Supremo

O que segura o governo são as dúvidas sobre o dia seguinte a uma eventual saída de Dilma, as consequências políticas, econômicas e sociais, os efeitos sobre a economia e sobre as manifestações de rua.

Uma estratégia de governabilidade exigiria um pacto cuja montagem é muito complexa para o núcleo estratégico da presidência. Mas a falta de ação de Dilma parallisa tudo.

Hoje em dia há os seguintes fatores de turbulência:

  1. A base montada por Eduardo Cunha na Câmara e suas jogadas sem limites.
  2. A novela interminável da Lava Jato, com a demora em completar os trabalhos, impedindo qualquer acordo político.
  3. A falta de um discurso político eficiente para melhorar as expectativas em relação à economia e reverter a falta de credibilidade da presidente..
  4. O bombardeio incessante da mídia, sem que o Planalto consiga esboçar uma estratégia sequer de contraposição.
  5. A perda de controle sobre o Banco Central, permitindo essa combinação mortal de recessão, ajuste fiscal e política monetária restritiva.

Nesse caos institucional, Temer tem se destacado pelo trabalho discreto, responsável e eficiente. Dispõe da senhoridade necessária para apagar a fogueira do PMDB – aliado ao senador Renan Calheiros, que parece ter recuperado o bom senso depois de informado de que poderá ser poupado pela Lava Jato. Tem bom trânsito no meio jurídico e respeito do Ministério Público Federal e dos tribunais. Será poupado por parte da mídia.

Dentro do PSDB, uma gestão Temer seria muito mais adequada para as pretensões de José Serra e Geraldo Alckmin do que um eventual impeachment – que jogaria o país nas mãos irresponsáveis de Aécio Neves.

Dilma não tem muito tempo pela frente.

Há dois caminhos em curso: Temer com Dilma e Temer sem Dilma.

O caminho menos traumático seria institucionalizar o poder de Temer, conferindo-lhe o protagonismo político e jurídico, conduzindo uma mudança ministerial pactuada, preservando o papel institucional de Dilma, que passaria a se dedicar às políticas públicas.

Seria a maneira de segurar esse golpe paraguaio interminável, o terceiro turno que parece não ter fim.

***

Os únicos interessados em impeachment são os que ambicionam o controle do cofre.

Não interessa à economia, à população, pelo potencial de desestabilização existente. Além disso, qualquer tentativa de impeachment significaria um desrespeito à ordem jurídica, colocando em risco um custoso processo de amadurecimento político que se seguiu à redemocratização e à Constituição de 1988.

***

O aval de Temer poderia ser o ponto final no golpismo, permitindo algum espaço para que Dilma comece, finalmente, seu segundo governo.

Repito o que tenho dito: há inúmeros elementos de modernidade no ar, um país pronto para se soltar. Se Dilma decifrar o enigma do projeto nacional, levará  barco até o fim. Se não decifrar, será devorado pela esfinge.

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