Os delegados da Polícia Federal Guilherme Torres e Dennis Calli podem esclarecer muita coisa sobre a atuação do digno procurador Paulo Paulo e do digno promotor Marcos Regenold nas investigações do baita esquema de lavagem de dinheiro que teria sido montado por Éder Moraes à sombra dos governos de Blairo Maggi(PR) e de Silval Barbosa (PMDB). Esses dois delegados Torres e Calli precisam esclarecer se ainda sustentam hoje que documentos entregues por Éder, através da intervenção do promotor Regenold, no encontro que tiveram com ele em Brasília, em dezembro de 2013, não tem nada a ver com a Operação Ararath? E a procuradora Vanessa Scarmagnani também continua batendo na tecla da possível “blindagem” de Blairo Maggi e se recusando a se reunir com Prado e Regenold?

Paulo Prado e Marcos Regenold, do Ministério Público Estadual de Mato Grosso

Paulo Prado e Marcos Regenold, do Ministério Público Estadual de Mato Grosso

A confusão com relação à Operação Ararath continua, não é fácil de resolver. Desde que o caso veio à tona – e lá se vão muitos e muitos dias – uma verdadeira hecatombe se abateu sobre o cenário político de Cuiabá. Nunca antes as vísceras de nossa política e dos nossos políticos estiveram tão à mostra, como neste processo. Mas para o grosso da população, os fatos ainda não foram devidamente alinhados e esclarecidos, com todas as responsabilidades devidamente atribuídas. Imagino que não será um processo que vá se resolver na base do vapt-vupt.

A nossa mídia, coitada, só contribui para essa confusão, com essa mania de, ao mesmo tempo, ora exaltar, ora procurar arrebentar com a figura do ex-homem de ouro de Blairo Maggi e Silval Barbosa, o senhor Éder Moraes. Éder, na verdade, é um peão em um jogo complicado que, expressa, em Mato Grosso, os mesmos vícios das relações políticas pelo mundo afora.

Na minha modesta avaliação, coube ao procurador Paulo Prado e ao promotor Marcos Regenold o esforço mais elogiável, neste caso, de dar uma formatação minimamente lógica à participação do notório Éder em todo este imbróglio. Foi deles o esforço para atrair Éder Moraes para a delação premiada, com um cuidado, um critério, uma habilidade que a procuradora da República Vanessa Scarmagnani, do MPF, em Mato Grosso, por exemplo, também na minha modesta avaliação crítica, não teve a sensibilidade suficiente para entender, para validar.

Sim, um possível choque de egos entre profissionais que deveriam atuar conjuntamente, talvez acabe por invalidar todo essa descoberta, que a Operação Ararath nos proporcionou, dos bastidores putrefatos da política de Mato Grosso, notadamente durante a administração desses senhores Blairo Maggi e Silval Barbosa. Graças à Ararath, muito daquilo que costuma ficar somente como especulação em conversas de botequim, da  nossa esquerda e também da nossa direita festiva, ganhou concretude, ganhou prova documental, a partir da Ararath. Então, apesar de toda confusão, viva a Operação Ararath.

Sim, a Ararath veio expor, escancarar a crítica a Blairo Maggi, aquele homem que continua sendo adorado e idolatrado por grande parte de nosso eleitorado e que chegou ao poder com aquela imagem de um homem que não precisava roubar porque já tinha dinheiro demais, era, afinal de contas, o rei da soja, uma das maiores fortunas do Brasil e do mundo. Nada se provou suficientemente ainda contra Blairo Maggi, de forma a garantir sua condenação pela Justiça, mas o que se delineia das evidencias levantadas durante a Operação Ararath e outros inquéritos que discutem ações influenciadas pela sua passagem pelo poder em Mato Grosso, já nos sugerem que a Era Maggi realmente não teria sido um governo, teria sido um cataclisma. (Pedro Taques, pelo que vejo, não concordaria comigo pois já vi referencias dele a Maggi como se fosse uma espécie de guru na terra, um profeta capaz de caminhar sobre as águas do Lago de Manso.)

Eu fico daqui aguardando as prováveis e irretocáveis ações judiciais que, tudo leva a crer, virão, com a assinatura da procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, contra Blairo Maggi, identificando seus possíveis crimes, o seu possível exercício corrupto do poder.É uma possibilidade que está colocada e os advogados do Blairo não podem achar que eu esteja exorbitando em minha análise. Ela escreve o original e o PGR Janot encaminha ao STF porque, como se sabe, Maggi tem a blindagem legal da prerrogativa de foro.

Afinal de contas, a procuradora que ousou acusar o procurador Paulo Prado, chefe do MP estadual, e seu fiel discípulo, o promotor Marcos Regenold, de pretensamente armarem trampa para blindar Maggi e esconder seus possíveis crimes, deve estar preparando verdadeiras bombas atômicas, bombas de hidrogênio, bombas de neutrons, sob a forma de denuncias criminais e cíveis contra o rei da soja – o queridinho de Dilma Roussef e de tantos adesistas do meu partido, que é o Partido dos Trabalhadores, e também queridinho do nosso atual governador Pedro Taques.

Já estamos no segundo mês de 2015, a Operação Ararath já rola há um bom tempo e até agora não tivemos um processo que fosse da procuradora Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani com Maggi figurando como réu. Ao contrário do que se viu de parte do Ministério Público Estadual, mais uma vez comandado por Paulo Prado, e que já disparou uma tantas ações contra Maggi  (veja no destaque) de forma que imagino que o tal rei da soja, que hoje é senador da República, vai viver ainda muitos anos de sua vida com os processos do nosso MP sempre a pesar sobre a sua cabeça. Posso estar enganado, mas é o que penso, hoje.

Exposto à execração pública a partir do momento que se soube das iniciativas da procuradora Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani contra ele, e também pela denúncia de organizações populares como a Ong Moral, o procurador Paulo Prado, ao que me parece, não falhou diante de suas responsabilidades na apuração de possíveis crimes do rei da soja Blairo Maggi.  As ações do MPE-MT estão aí. Quem é que está blindando quem, cara pálida?  Talvez, por isso, a decisão da visita do procurador geral da República, Rodrigo Janot, a Prado e a posterior nomeação de uma força-tarefa para atuar na Operação Ararath, visando atenuar as divergências entre as duas instâncias, federal e estadual, do Ministério Público. O trato público algo submisso de Paulo Prado para com o ex-governador Maggi não impediu o chefe do nosso Ministério Público Estadual, de colocar Marcos Regenold na pista desses muitos possíveis larápios do dinheiro público que a Operação Ararath vai, lentamente, identificando.

Só que não basta identificar. Tem que punir. Ou por outra, tem que ser competente para saber punir. As ações do Ministério Público Estadual, comandado por Paulo Prado, estão aí – e Maggi não foi blindado, como, aliás, aconteceu com os discursos do atual senador Pedro Taques que, antes de ser eleito senador falava uma coisa do Blairo, hoje fala outras completamente diferente. Mas isso está aí, nas páginas de jornais e sites para a reflexão de toda a sociedade.

Quando se trata de crime do colarinho branco, todo mundo sabe como é difícil punir devidamente, segundo a legislação, os responsáveis pela bandalheira. Todo mundo viu (à exceção dos zumbis da direita, é claro), no caso do chamado Mensalão do PT, que, na falta de provas, e no afã de incriminar um partido de forte componente socialista e tentar afastar esse partido do poder central do País, até uma teoria especial, a chamada Teoria do Domínio do Fato, teve que ser habilmente manipulada para que se conseguisse a condenação de José Dirceu e seus companheiros do PT. Estão aí os sábios juristas Yves Gandra Martins, pai, e Celso Antonio Bandeira de Melo que não me deixam argumentar sem o embasamento de grandes mestres.

Então, na Operação Ararath, quando o promotor Marcos Regenold consegue que as provas dos malfeitos comecem a aparecer aos borbotões, através da cooperação do sr. Éder Moraes com ele, o promotor Regenold, e com os dois delegados da Polícia Federal – Guilherme Torres e Dennis Calli – que participaram de reuniões com o Éder em Brasília, no final de 2013, isso não poderia ser tratado com tanta inabilidade, avalio eu, exercendo a liberdade de expressão que a democracia brasileira me garante, como foi tratado pelo delegado Torres e pela procuradora Scarmagnani!

Ora, não sei por que cargas d`agua, talvez por um problema de ego, por ver o promotor Regenold conduzindo com tanta habilidade a conquista de provas fundamentais sobre a possível corrupção nas altas esferas do poder em Mato Grosso, esses documentos foram menosprezados pelo delegado e pela procuradora. Veja como a procuradora transcreve o relato do delegado,  em uma de suas denúncias da Ararath, protocolada na Justiça Federal:

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Ora, por que nos canais de vazamento de informação, tão ativos na imprensa de Mato Grosso, e notadamente em alguns blogues, não se viu a reprodução desses documentos ofertados por Éder e que a procuradora Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani e o delegado menosprezaram? Por que o MPF não chama a Ong Moral e demais entidades da sociedade civil para uma conferencia em que se exiba tais documentos e se demonstre, se isso for possível, que toda esta documentaiada não passa, efetivamente, de papelada inútil, destinada apenas a blindar Blairo Maggi e a desviar o rumo das investigações. Eu gostaria de ver! Mas será que essas autoridades públicas tem humildade e senso de dever suficiente para promover uma conferência deste tipo? É fácil perceber, no texto da ação, que a procuradora já considerava Regenold marcado por algum tipo de comprometimento, tanto que deixa claro que nem considerou a possibilidade de encontrá-lo para conferir os encaminhamentos que ambos estavam adotando. O que foi feito da velha parceria entre o MPF e o MPE, consagrado no tempo em que Pedro Taques ainda era procurador da República e não fora mordido pela mosca azul da política partidária.

Em meio a toda a confusão e ao choque de dados desencontrados que aparece na cobertura dessa Operação Ararath, o que me ficou como impressão é que até o mês de dezembro de 2013, a competente investigação comandada pelo MPF e pela Polícia Federal, não apontava para o esquema de lavagem de dinheiro que Éder Moraes, talvez a mando de Maggi e Silval (é uma questão que reclama pela devida investigação e prova), aparentemente, teria montado à sombra do BIC Banco.

Ora, o que o Junior Mendonça movimentou em suas factorins me parece que é fichinha diante do que se movimentou via BIC Banco, pelo que se depreende das investigações até aqui. Gostaria de ver uma tabela produzida pelo MPF ou pela PF, no Excel, esclarecendo estas dúvida. No entanto, nos vem a procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, com toda a sua sabedoria, com toda sua longa experiência, com todo seu faro para as grandes investigações, e corrobora, na  denúncia que encaminhou contra Éder à Justiça Federal que durante o encontro que o promotor Marcos Regenold arquitetou em Brasília, entre ele, Éder e os delegados da Policia Federal Guilherme Torres e Dennis Calli, que o Éder só teria repassado “documentos antigos, superficiais e desconexos entre si” e que “Éder repassou dados que implicavam apenas atuais adversários políticos seus, na tentativa clara de pautar a investigação da Polícia Judiciária” e – quem sabe – desviar o foco da Operação Ararath.

Ora, tenha a santa paciência. Tanto a procuradora Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani quanto esses delegados precisam se explicar melhor, para que possamos ampliar nosso respeito com relação a eles.

Voltarei ao assunto, de acordo com minhas forças e minhas possibilidades. Nos anexos, cópias de denúncias formuladas pelo MPE quanto ao possível envolvimento de Maggi nos malfeitos apurados pela Operação Ararath. Eu fico no aguardo das ações do MPF, daqui ou de Brasília, contra o sojicultor e senador, Maggi, se é que o MPF vai conseguir formatá-las. (Fico imaginando que talvez fosse simples se o Ricardo Janot, humildemente, procurasse o ex-PGR Antonio Fernando, o ex-PGR Roberto Gurgel e pedisse para eles uma orientação de como adaptar a Teoria do Domínio do Fato para um oportuno emprego neste caso.)

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