PREFEITURA SANEAMENTO

O projeto arquitetônico do Anexo do MACP – Museu de Arte e de Cultura Popular, da UFMT, é do premiadíssimo arquiteto José Afonso Botura Portocarrero. A construção do anexo é uma exigência do tempo, depois de 40 anos de atividade do museu e as cabeças mais expressivas do pensar cuiabano – entre as quais José Afonso – estão engajadas de corpo e alma nessa empreitada

José Afonso Portocarrero, arquiteto e urbanista

José Afonso Portocarrero, arquiteto e urbanista

PERSONALIDADE

Anexo do Macp é de Portocarrero

Campanha pela revitalização do Museu da UFMT recebe adesão de arquiteto super premiado

JOÃO BOSQUO
DIÁRIO DE CUIABÁ

O projeto arquitetônico do Anexo do MACP – Museu de Arte e de Cultura Popular, da UFMT, é do premiadíssimo arquiteto José Afonso Botura Portocarrero. A construção do anexo é uma exigência do tempo, depois de 40 anos de atividade do museu e as cabeças mais expressivas do pensar cuiabano – entre as quais José Afonso – estão engajadas de corpo e alma nessa empreitada.

José Afonso é um genuíno mato-grossense de antes da divisão territorial, nascido em Bela Vista, cidade que fica a margem esquerda do Rio Apa, que faz divisa com o Paraguai. Do outro lado da ponte, a cidade continua e se chama Bella Vista do Norte. O rio Apa já é o baixo Pantanal, onde ele termina. O pai de José Afonso era bancário, do antigo Banco da Lavoura, e volta e meia era transferido de cidade. E foi assim que veio para Cuiabá, quando tinha 10 anos e hoje está com 64.

“Quando chegamos em Cuiabá a cidade tinha 60 mil habitantes”, e o guri, que morava na Rua do Meio, hoje conhecida também como Ricardo Franco, ia à pé para o Colégio dos Padres, hoje Liceu São Gonçalo.

Depois do científico, vai estudar arquitetura em Santos. A escolha pela arquitetura não está ainda bem clara. Gostava de desenhar, sim, mas isso não explica muito bem o motivo da escolha. Talvez, bem talvez, se o olhar de menino que, aos 10 anos, se encantou com as forma de Brasília.

Antes de vir para Cuiabá, a família morava em Manaus, até o pai ser transferido para Cuiabá. Naqueles tempos, a logística era diferente. A aviação era de Manaus até Brasília. Lá tinha que se esperar dois dias antes de embarcar para Cuiabá. Imagina. Esses dois dias – talvez sempre talvez – vendo aquelas colunas, as curvas arquitetônicas de Oscar Niemeyer – a Igreja recém-concluída, lembra – foram dias decisivos na sua escolha pela arquitetura.

Formado, vem pra Cuiabá para trabalhar, primeiro no DVOP e depois no Projeto Cura, da prefeitura de Cuiabá, na Gestão de Rodrigues Palma. Na década de 80, com a divisão do Estado, o Governo Federal “sugeriu” que se criasse uma disciplina voltada para o planejamento dentro do Curso de Engenharia Civil da UFMT, por conta das novas cidades que começaram a pipocar em Mato Grosso. Por causa dessa experiência em planejamento, José Afonso é convidado para assumir a disciplina e agora está completando 35 anos como professor.

Na gestão Dante de Oliveira, a segunda, como prefeito de Cuiabá, é convidado para assumir um cargo e cria a Secretaria de Meio-Ambiente e Planejamento Urbano, que antes era feito pela Secretaria de Planejamento, que se preocupava mais – sem dúvida – com o econômico.

Como começa a preocupação com o meio ambiente? Começa quando se olhava o Mato Grosso e se via o grande potencial para se tornar uma espécie de Canadá, cujo país tem uma enorme floresta, grande patrimônio ambiental e Mato Grosso também poderia fazer essa transição para o agronegócio de forma equilibrada, com inteligência, sem agressividade. Agressividade essa que está recebendo as respostas agora por conta das perdas de córregos, nascentes. A natureza a apresentar a sua fatura.

A explosão por qual Mato Grosso passou ninguém imagina. Quando da divisão, o Estado tinha pouco mais de 30 municípios e hoje são 141, um PIB espetacular, com importante participação na balança comercial. Lógico existe a oportunidade de se recuperar o passivo ambiental, segundo José Afonso.

A sua vivência na Alemanha também ajudou na construção do pensamento preservacionista. Fruto disso são os parques de Cuiabá – Mãe Bonifácia, Massairo Okamura, Zé Bolofrô. Também, importante registrar, a participação nos debates para preservação da região central de Cuiabá com o Iphan. Hoje o debate é a questão do rebaixamento dos cabos de energia elétrica. José Afonso acredita que o projeto não deve ser tão caro e vai proporcionar grandes ganhos na área do turismo.

Museu Rondon, uma projeto de Portocarrero

Museu Rondon, uma projeto de Portocarrero

 

—-

Um artista da construção civil

Além do anexo do Museu, assinatura de José Afonso está em projetos marcantes em Mato Grosso

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem

O arquiteto José Afonso Botura Portocarrero ao falar de seus premiados projetos, lembra o primeiro de todos, que se deve a uma iniciativa de Dante de Oliveira. José Afonso e Dante foram colegas de sala no São Gonçalo. Este projeto é o Memorial Marechal Rondon, em Mimoso, que o governador Pedro Taques prometeu retomar, no último dia 5 de maio.

A ideia do memorial partiu de Dante. Ele governador chama José Afonso para conversar depois de ter passado o dia em Mimoso. Era 9 de maio 1997, e disse: “Zé, temos que fazer alguma coisa sobre Rondon, uma figura importante da nossa história e queria que você começasse a estudar essa ideia”.

O memorial encontrou resistência dentro da equipe de governo. Alguns advogavam que se deveria recuperar alguma estação telegráfica construída por Rondon. José Afonso não se opôs ao projeto de recuperação das estações mas insiste no memorial.

A partir daí, José Afonso, em parceria com Paulo Molina, desenvolveu o projeto, desenho, maquete, enfim. O projeto, porém só começou a sair no último ano da administração, deixando a estrutura principal pronta.

O projeto Memorial Rondon teve outro significado na vida do arquiteto. O que ele conhecia de Rondon era o tradicional, “pai das comunicações” e por conta do projeto foi saber mais da vida de Rondon e chegou ao livro de Esther Viveiros, “Rondon Conta sua Vida”. Após a leitura reconhece Rondon como um homem impar, homem público de envergadura para todos os brasileiros se espelharem.

“Queríamos fazer uma obra que representasse a obra de Rondon, tudo aquilo que ele construiu, principalmente a questão indígena”. Por conta disso, o memorial tem a concepção de uma aldeia. “É um projeto de que gosto muito”.

O projeto, numa sucessão de governos, para – retoma – para retoma e já se passaram 15 anos e mais uma vez será retomado, conforme promessa de Pedro Taques. Uma das causas são alterações no projeto original sem a anuência do autor, detentor do direito autoral.

Outra obra citada de Portocarrero é a sede do Sebrae Sustentabilidade no Centro Político Administrativo, que foi feito dentro dessa referência indígena, sendo o primeiro prédio em Mato Grosso a receber o selo Procel de Eficiência Energética. O arquiteto destaca que a inspiração está na concepção das habitações indígenas. O cruzamento do desenho ancestral dos indígenas com tecnologia é o resultado mais interessante e o anima a continuar nessa proposta de trabalho. O projeto foi reconhecido em publicações de caráter internacional.

A terceira obra citada, não é uma planta ou desenho mas o livro “Tecnologia indígena em Mato Grosso – Habitação”, premiado pelo Museu de Casa Brasil (MCB), um dos prêmios mais importantes na área de arquitetura.

O outro é a casa que era dos pais, na Rua Zulmira Canavarros, com teto verde. O mesmo que tinha no Palácio Paiaguás, mas sabe-se lá, qual o prefeito do CPA mandou tirar e colocar telhado de Eternit.

O novo projeto, o Anexo do MACP, para dar, no dizer de Aline Figueiredo, animação para o acervo do museu, está em processo de finalização. O ponto de destaque, segundo o autor, é a Praça. O chão será rebaixado e o anexo terá um vão de 30 metros por 9, que poderá ter uso diverso desde exposições como apresentação de corais. A parte estrutural do projeto está sendo calculado pelo engenheiro Lúcio Roberto de Almeida.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

quatro × três =