gonçalves cordeiro

O MENSALÃO DE ABRAHAM LINCOLN: E agora ficamos sabendo, através do filme de Spielberg, que Abraham Lincoln autorizou um grupo de lobistas a usarem “todos os meios” para convencer deputados da oposição a votarem em favor da lei da abolição da escravatura. Há um trecho do filme em que o seu secretário pergunta-lhe se o presidente pretendia “comprar” deputados. Lincoln responde que não se tratava de comprar, mas de oferecer oportunidades.

Depois de ler o novo artigo de Miguel do Rosário, a dica é ir ao cinema e curtir o nome filme de Steven Spielberg. Pelo jeito, Lincoln continua tendo muito a nos ensinar em matéria de tática política, de ética e de democracia. Confira a análise de Miguel do Rosário. (EC)

O mensalão de Abraham Lincoln

por MIGUEL DO ROSÁRIO
O CAFEZINHO

http://www.ocafezinho.com/2013/01/03/o-mensalao-de-abraham-lincoln/

No livro de Gore Vidal sobre Abraham Lincoln, o presidente pede a seu secretário de estado que invente pretextos para prender os editores de jornais de Nova York e Washington que lhe faziam oposição. O país estava em guerra civil, e se entendia a batalha na opinião pública como estratégica para a vitória do norte industrial sobre o sul escravista.

E agora ficamos sabendo, através do filme de Spielberg sobre a mesma figura, que Lincoln autorizou um grupo de lobistas a usarem “todos os meios” para convencer deputados da oposição a votarem em favor da lei da abolição.  Há um trecho do filme em que o seu secretário pergunta-lhe, com espanto algo fingido, se o presidente pretendia “comprar” deputados. O presidente responde, também meio que cinicamente, que não se tratava de comprar, mas de oferecer oportunidades. Empregos, cargos, verbas, Lincoln usou todo seu imenso poder para mudar a opinião de alguns deputados do então escravagista Partido Democrata e ganhar a votação mais importante e mais simbólica da história dos Estados Unidos.

Lincoln tinha pressa em aprovar a lei porque entendia que somente ela poderia pôr fim à guerra civil, pois automaticamente produziria um enorme movimento de fuga e deserção de negros tanto dos exércitos confederados como de suas fazendas, desestruturando o inimigo, militar e economicamente.

Os lobistas de Lincoln procuravam representantes democratas e ofereciam-lhe mundos e fundos para votarem em favor da lei. O próprio Lincoln entra na jogada, conversando pessoalmente com alguns deles.

Que lições devemos tirar desses exemplos, ambos comprovados em documentos históricos? Certamente não que devemos mandar prender editores, embora no Brasil há casos em que isso não apenas seria moral e constitucionalmente aceitável como até louvável. Da mesma forma, seria ridículo justificar a corrupção de deputados com o exemplo de um filme de Spielberg.

As lições são as seguintes:

A guerra da comunicação não deve jamais ser subestimada por um governante. Se é errado, sob as perspectivas morais e legais, ferir as regras democráticas, é igualmente equivocado, do ponto-de-vista político, abandonar a luta ideológica no campo do simbólico.
A luta democrática envolve dilemas éticos extremamente complexos, que só mesmo o velho Maquiavel poderia entender.

O que Lincoln deveria fazer?

Os abolicionistas de seu partido tratavam-no, desde algum tempo, como um traidor de sua causa, por causa das constantes hesitações quanto ao momento certo de enviar a décima terceira emenda constitucional ao Congresso. Segundo historiadores, Lincoln não queria fazê-lo antes de ter a certeza de que poderia ganhar, e para isso esperava uma boa conjuntura militar na guerra civil.

Por fim, o momento chegou, e Lincoln autorizou o envio da emenda à Casa dos Representantes, para ser votada pelos deputados, e não antes de negociar controversos acordos com dissidentes da oposição, afim de garantir a maioria e ganhar.

De fato, Lincoln não “comprou” nenhum deputado. Ele simplesmente agiu como qualquer governo democrático desde que estes começaram a existir: usou o poder que o povo lhe concedeu para aprovar uma lei que interessava ao povo.

Estas são situações que nos fazem pensar quão triste tem sido a criminalização da política no Brasil, o que não significa que não seja necessário combater o crime político. Em diversos legislativos estaduais e municipais, há casos de mensalão explícito, e não seria difícil descolar provas concretas: bastaria acompanhar a variação patrimonial de deputados e vereadores em todo país, quebrar alguns sigilos (com autorização da Justiça) e praticar a saudável luta judicial, como cumpre às polícias, corregedorias e Ministério Público.

Tão difícil, porém, como combater o crime político, será combater a manipulação da ignorância em relação à política. Na verdade, mesmo sem a mídia, já viveríamos situações difíceis. A democracia tem defeitos. Os sistemas democráticos são falhos, cheios de brechas, lentos, às vezes tão ou mais burocráticos que as piores autocracias; e, na América ao sul do Rio Grande, sofrem com uma crônica e antiga falta de recursos, além de todas as mazelas do subdesenvolvimento. Com as mídias assumindo o papel de principal força conservadora na região, todos esses defeitos parecem hiper-ampliados e as brechas são mais exploradas que nunca. Uma dessas brechas, por exemplo, são leis falhas quando o tema é a concentração da mídia. No caso do Brasil, assistimos inertes a meia dúzia de corporações dragarem quase todos os recursos de publicidade no país, privados e púbicos. Apesar dos bons presidentes, a nossa guerra civil ainda está sendo vencida pelos escravagistas.

Assim como Lincoln só venceu a guerra civil após decretar a abolição, pois isso lhe granjeou o apoio dos 4 milhões de negros que sustentavam a economia do sul, a esquerda apenas poderá conquistar uma vitória estável quando libertar os milhares de jornalistas que são obrigados, por razões estritamente financeiras, a venderem suas consciências e talento a empregadores reacionários.

4 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 179.225.204.246 - Responder

    SÓ SE FOI VOCÊ ENOCK, QUE FICOU SABENDO AGORA COM O FILME, POIS MUITOS JÁ SABIAM. VIU SÓ?DEIXE DE SER HOLLYWOODIANO, QUE ESPERA O BOLO PRONTO, E TRATE DE FAZER UMA BAGAGEM CULTURAL. MAS, NA VERDADE, QUERIA MESMO VER O ADAMS, O DESOCUPADO COMENTARISTA DE BREJO, A DAR UNS PITACOS POR AQUI, E FALAR DE POLITICA AMERICANA PRÉ-SECESSÃO. ELE MAL SABE DA FARROUPILHA, OU, ASSIM COMO VOCÊ ENOCK, SABE ALGO QUE APRENDEU NO SERIADO GLOBAL “O TEMPO E O VENTO”……KKKKKKKK EU ASSIM “””””M ‘ STO PICCIANDO SOTTO”””””…….

  2. - IP 189.11.218.194 - Responder

    Nossa . Para tentar justificar o mensalão petralha , agora vale até exemplos americanos . Que coisa hein!
    E caso seja verdade , a causa de Lincoln ao menos era nobre, não objetivava fins indignos e putridos como o mensalão do lulla ( o collorido).

  3. - IP 200.140.107.246 - Responder

    Os Petistas podiam imitar as autoridades do primeiro mundo também em se resignar quando são descobertos e se retirarem da vida pública, deputados tinham que ter renunciado a época dos fatos ou então agora depois de condenados. Lula deeria ter renunciado pela incompetência, já que não foi acusado. Particularmente acho ele o chefe da quadrilha. Deveriam os petistas ter a dignidade dos ladrões do primeiro mundo que quando condenados se curvam e vão cumprir suas penas. Esses petistas nem pra isso prestam, são a escória, são o lixo. Pra mim, uns deveriam fazer como os japoneses, que se suicidam. Mas como eles são mais adeptos dos chineses e cubanos, deveriam ir pro paredão, pois é isso que eles apóiam aos dissidentes desses regimes totalitários. E olha que os dissidentes nem roubam, seus “crimes” são querer viver em democracia e liberdade. Petistas asquerosos, nojentos, ladrões.

  4. - IP 187.90.139.126 - Responder

    O LULLÃo, PETRALHÃO E COLLORIDO, não ofereceu aos deputados cargos para participação no governo. Ele ofereceu e entregou dinheiro vivo. Negociar participação no governo é da essência do jogo político.

    O que os petralhas fizeram foi roubar o dinheiro do povo para comprar parlamentares.

    O LULÃO respodenrá aos inquéritos e processos em liberdade.

    Se aos petralhas já estão vendo como útil o plano histórico para a própria defesa, então eles já o PETRALHÃO como um condenado pela história.

    A história não o absolverá.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

cinco × dois =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.