O governo de Mauro Mendes, em Cuiabá, é uma nulidade? Rafael Costa, repórter político, opina que sim. Acho que não podemos ir tão longe. Fazendo a crítica com o pé no chão, devemos reconhecer que há méritos na atual administração. A chegada do Hospital São Benedito, o ajardinamento da cidade, o asfaltamento que se espalhou pelos bairros e até a inexistência de oposição mais dura, na Câmara e nas ruas, mostram que o Mauro faz um governo razoável, na conta do chá. Claro, a gente queria mais. Precisava de mais.

Rafael Costa, jornalista e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá

Rafael Costa, jornalista e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá

Começa a avaliação do prefeito Mauro Mendes
Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: Rafael Costa, repórter político voltou a pegar no pé do prefeito Mauro Mendes em artigo (veja abaixo). Cobra do prefeito-empresário uma colheita que ele estaria alardeando sem ter realizado de fato o que havia prometido. A verdade é que falta discussão política mais abrangente sobre a administração pública em Cuiabá. E falta dialética ao artigo do Rafael. Ele se agarra numa tese, sem procurar evidenciar e discutir os furos que esta tese tem. Há verdades no que Rafael Costa diz? Claro, mas não toda a verdade. Ninguém, aliás, é dono da verdade.

Sempre achei esse negócio da propaganda governamental um negócio mal conduzido e, quando coordenava parte da campanha da Serys a governadora, cheguei a alardear que a propaganda governamental, do jeito que se pratica, é coisa inteiramente ineficiente. Entendo que havendo realizações, a imagem do governo se constrói por si só.

No mais, reparos aos governantes de plantão, sempre haverá. Mas acho que o Mauro Mendes conseguiu manter seu governo razoavelmente equilibrado, favorecido pelo fato de não contar com uma oposição ativa. É um dado da realidade a ser considerado.

Ao contrário do Wilson Santos, Mauro comanda um governo quase sem oposição. Sim, o Lúdio Cabral, sozinho, no Legislativo, com todos seus vacilos, se mostrou bem mais ativo do que Alan Kardec e Arilson, na vigilância sobre a Prefeitrura. A bancada do PT tem sido nula nas críticas ao governante – e isto soma pontos em favor do prefeito. Sim, que desespero me causa essa nulidade da bancada de vereadores do PT. Isso ajudou Mauro a se equilibrar, queiramos ou não. Quando não há cobrança, contraditório, tanto na tribuna da Câmara como nas ruas da capital, fica mais fácil para o governante conduzir o discurso político.

Claro, a gente queria mais. Precisava de mais. A gente sempre precisa de mais. Mas o governo do Mauro, na comparação com o segundo governo do Wilson Santos, por exemplo, está melhor. Wilson, teimoso, manteve aquele permanente ponto de conflito que era a presença do Cabeção Luis Soares no comando da secretaria de Saúde. Qual o secretário do Mauro que ficou por aí, criando problema para o prefeito?

Mauro é menos falastrão que o Wilson. Atua de forma mais discreta. Transferiu algumas das maldades que teria que fazer para o Kleber Lima que, como aquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, vai fazendo o seu comercial.

A chegada do Hospital São Benedito, o ajardinamento da cidade, o asfaltamento que se espalhou pelos bairros, na minha avaliação, mostram que o Mauro faz um governo bem razoável.

Qual o grande escândalo da administração de Mauro Mendes? Rafael Costa escreve, escreve, mas não aponta escândalo nenhum. Ou, por outra, se restringe ao escândalo das promessas não cumpridas que é, sim, um problema a se considerar.

O grande escândalo do Mauro, digamos assim, foi ter exagerado nas promessas de campanha que ele não tem a decência de reconhecer que não cumpriu. Com aquelas suas caretas e seu jeito brusco, Mauro comunica-se mal e deveria, de alguma forma, ter feito a autocrítica dessas promessas não cumpridas.

Essa questão da saúde, por exemplo, é um escândalo que vem de longe e o Mauro, ao invés da autocrítica, fica fazendo propaganda do Hospital São Benedito como se isso apagasse o furo deixado com relação ao Pronto Socorro municipal que continua funcionando como uma espécie de campo de concentração em miniatura para a nossa gente pobre. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Mas quando se compara o desempenho do MM com o governo estadual e com o governo federal, a Saúde é sempre um quadro de desespero.

A Dilma tem sustentado e ampliado com competência o programa Mais Médicos, mas quem é nega que também se esperava mais lá de Brasília, que precisávamos de mais, muito mais, vindo lá de cima?

Vejam a crítica do Rafael com relação ao Programa Novos Caminhos. Ele diz que tudo não passa de uma simples mudança de nome. Bem, a mudança de nome é uma dessas babaquices às quais os políticos burocratas se curvam – e o Mauro é um burocrata chapado. Mas chamado de Poeira Zero ou de Novos Caminhos, o importante é que o asfaltamento – com muita verba federal, repassada por Dilma, ao que se sabe – não parou, continua chegando aos bairros e beneficiando centenas e centenas de família, pelas periferias de Cuiabá a fora.

O dinheiro está sendo investido, as obras se espalham pela cidade. O que o Rafael Costa, como repórter investigativo, deveria fazer era apurar, para conhecimento e esclarecimento de seus leitores/cidadãos, o quanto desse dinheiro das obras municipais possa estar sendo desviado para os bolsos de alguns espertalhões. Será que isso acontece? Se ninguém fala nada, se até o repórter Rafael se cala sobre este aspecto, tão evidenciado desde as Operações Lava Jato e Ararath, ponto para o Mauro Mendes, que o Rafael deveria colocar em realce.

Com a campanha de 2016 já motivando as movimentações político-partidárias, o artigo do Rafael Costa tem este mérito: abre o processo de avaliação do governo de Mauro Mendes que precisa ser ampliado. Me limito aqui a dar apenas algumas pistas. A discussão e a avaliação do governo municipal precisa ser ampliada. Essa avaliação deve se estender, também, aos mandatos dos vereadores, à atuação dos secretários, e tal e tal. O eleitorado cuiabano deve chegar às urnas, em 2016, com mais informação e mais maturidade – e isso depende de profissionais como Rafael Costa.

Não podemos ser simplistas, Rafael Costa. Não podemos ser sectários. Se ao Prefeito Mauro Mendes cumpre a responsabilidade de realizar obras, a nós, pretensos analistas políticos, cumpre a responsabilidade de contribuir para que o debate se faça com o melhor embasamento possível. Vamos adiante. Leia, abaixo, o que Rafael Costa disse de Mauro Mendes.

 

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Cadê a colheita?

por Rafael Costa

Em julho deste ano, a prefeitura de Cuiabá lançou uma propaganda intitulada “Colheita” na qual deixava implícito que após ajustes administrativos, o ano de 2015 seria o momento de colher tudo aquilo que foi planejado nos primeiros dois anos da gestão do prefeito Mauro Mendes (PSB).
Timidamente, fez um “mea-culpa” em relação ao desempenho abaixo do esperado pela administração pública que, na campanha eleitoral, pregava que ganharia “ritmo empresarial”, o que na prática significaria celeridade e eficiência rompendo a tradicional burocracia do poder público.
O conteúdo comunicacional exige uma reflexão mais crítica a respeito do que poderia ser plantado e, de fato, colhido neste momento. Daí, é necessário avaliar o que foi prometido na campanha eleitoral de 2012 pelo empresário e candidato Mauro Mendes que veio a ser eleito prefeito de Cuiabá.
E a partir disso se percebe que o resultado é nada animador. Uma rápida pesquisa via Google faz o cidadão cuiabano lembrar que o principal trunfo de Mauro Mendes seria  a melhoria do sistema de saúde pública. Quem não se lembra dos fervorosos discursos de que faltaria gestão, pois o dinheiro estava disponibilizado em caixa? Pois bem,
o agora político Mauro Mendes repete o velho bordão de chefes do Palácio Alencastro de que falta recursos e transfere a responsabilidade aos governos estadual e federal.
Na saúde básica, o Ministério Público Estadual (MPE) já ingressou com diversas ações civis públicas para obrigar a prefeitura de Cuiabá, pasmem, reformar unidades de posto de saúde, sucateadas pelo total abandono.
O transporte coletivo que ganharia novas frotas por meio de licitação, também fracassou. Empresário, Mauro Mendes se deixou levar pelo corporativismo e atendeu aos interesses da classe. Maquiou uma falsa renovação ao autorizar ônibus de 2010 circular em Cuiabá e não cumpriu com a promessa de retorno dos cobradores de ônibus.
Na infraestrutura, apenas mudou um programa da gestão anterior denominado Poeira Zero para intitulá-lo de Novos Caminhos e concluir obras com qualidade duvidosa como se de sua autoria fosse. E o empresário que chegou ao poder com o discurso de romper com velhas práticas políticas, agiu com a experiência de uma raposa. Confundiu o
público com o privado. Basta lembrar que a Operação Ararath revelou que Mendes contraiu empréstimo de R$ 3,7 milhões com o empresário delator Junior Mendonça e contratou, posteriormente, sem licitação, a rede de combustíveis de Mendonça no valor de R$ 3,8 milhões. Ou seja, o indício é de que houve uso de dinheiro público para pagar uma dívida particular.
Com a arrecadação em queda, não há perspectiva de grandes investimentos. Assim, me faz acreditar que a única colheita da semente plantada foram radares eletrônicos que implantam a verdadeira indústria da multa que impõe uma arrecadação milionária paralela e sem qualquer transparência.

RAFAEL COSTA é repórter político do jornal Diário de Cuiabá e do site Folha Max

2 Comentários

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  1. - IP 200.175.151.41 - Responder

    Os radares e amarelinhos acabarão com a gestão Mauro Mendes!

  2. - IP 191.174.138.191 - Responder

    Colheita só se for de lixo,pq foi um lixo de gestão!

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