TCE - DEZEMBRO

O FIM DA ERA RIVA: Waldir Teis levou “carão” do Gilmar Fabris por articular pró-Janete. Coube a Pedro Nadaf representar o Paiaguás na tentativa de emplacar o nome da esposa do deputado mais processado por corrupção de Mato Grosso. Já no Tribunal de Justiça, Orlando Perri volta a decidir contrariamente ao esquema montado pelo cacique da Assembleia, em fim de reinado. LEIA A DECISÃO

Orlando Perri volta a negar pedido para anular decisão contra Janete Riva by Enock Cavalcanti

RIVA E AGORA Assembleia de Riva não conseguiu motivar Perri a rever seu posicionamento. Pode ser a pá de cal na Era Riva. Velho cacique segue ladeira abaixo.

 

Esta tem sido uma semana de desditas para o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), cacique político da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Riva é uma espécie de doente político terminal e está vendo o fim de seu reinado em nosso Estado. Foram dez anos de reinações. Mas, este ano, a tempestade desabou. Não conseguiu ser candidato a governador, carimbado como ficha suja. A sua esposa, lançada para substitui-lo na campanha contra Pedro Taques e Lúdio Cabral, teve desempenho pífio. E, agora, as articulações para fazer de Janete Riva conselheira do TCE no lugar de Humberto Bosaipo, seu velho parceiro de traquinagens políticas e administrativa, conforme documentam os inúmeros processos judiciais, não estão resultando.

Na ampuleta do tempo, a Era Riva está virando pó. Por mais que o governador Silval Barbosa (PMDB) e o presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Waldir Teis, tenham procurado ajudá-lo nesta cartada final, Riva não conseguiu uma boa mão, e está perdendo todas as rodadas para os promotores do Nucleo de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Publico Estadual.

A cena tragicômica da semana, certamente, foi o encontro do deputado estadual e “Riva boy” Gilmar Fabris, relatada pelo próprio a alguns confidentes, sobre o seu encontro com Waldir Teis, nos corredores do Legislativo. Fabris ficou possesso quando descobriu que Teis – que já foi “homem de ouro” de Maggi e agora presidente episodicamente o TCE – articulava intensamente a favor da nomeação de Janete Riva, e, segundo ele, não movera uma palha a seu favor. O esculacho, o carão que Gilmar Fabris passou em Teis foi qualquer coisa de constrangedor, um barraco total, segundo o próprio. Com será que Waldir Teis conta esta história?

No Tribunal de Contas, servidores daquela corte engajados em mobilização contra a nomeação de conselheiros fichas sujas, em parceria com o MCCE, Ong Moral e Fórum Sindical, contam para quem quiser ouvir, sobre as visitas do chefe da Casa Civil de Silval Barbosa aos gabinetes dos conselheiros, desde que Janete Riva fora lançada candidata à sucessão de Bosaipo, também para tentar viabilizar esta última cartada do deputado Riva.

Aparentemente, foi o Poder Judiciário o único a se manter distante destes momentos que Jane Austen talvez titulasse como “Desejo e Desespero”. Vejam que, como o apóstolo Pedro, o desembargador Orlando Perri já negou duas vezes atendimento aos reclamos da Assembleia, insatisfeito com a decisão do juiz Luis Bertolucci que suspendeu a sabatina programa pela Assembleia que, caso fosse realizada, levaria ao orgasmo Riva e seus acólitos. Só que a negação de Perri não tem nada a ver com as angústias do apóstolo-pescador. Aqui é o bem que se desenha pelas mãos de Perri, avalio eu.

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando Perri, negou o pedido de reconsideração, formulado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, da decisão que manteve suspensa a sabatina da ex-secretária de Cultura, Janete Riva, que pleiteia a vaga de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Perri já havia negado o pedido de liminar de sobrestamento dos efeitos da decisão provisória proferida pelo juiz da Primeira Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular da Capital, Luiz Aparecido Bertolucci. Bertolucci foi quem suspendeu, originalmente, a sabatina a que seria submetida à candidata escolhida pela maioria dos deputados para ser indicada ao cargo de conselheira.

“Muito ao reverso do se afirma na petição de reconsideração, desimporta ao Poder Judiciário o mérito da escolha ou sobre quem ela recairá. O que se deve precatar a respeito, a obediência, a subserviência aos comandos constitucionais e regimentais que regem a questão. (….). Por consequência, conheço do pedido de reconsideração, mas nego-lhe provimento, devendo o feito retomar seu curso nos termos já determinados antecedentemente”, destaca Perri em sua decisão.

Para os militantes das entidades de combate a corrupção, as duas negações assinadas por Orlando Perri ficarão como que sacralizadas. Essas negativas podem passar à História como as estacas que, perpassando o coração da Era Riva, projetam Mato Grosso para um novo tempo. Um tempo pós-Riva. Depois de Riva já se percebe que há um outro cacique para ser entronizado. Como será o reinado do nosso Dom Pedro Terceiro?

3 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - Responder

    E agora José? Agora vem a cadeia. Mas pior que a cadeia, meu bom José, vai ser o desprezo de todos seus amigos, muitos dos quais se enriqueceram com suas migalhas. Nenhum caititu vai levar cigarros pra vc. Todos seguem o antigo princípio, rei posto, rei morto. Mas José é duro, é forte, vai sozinho pro sacrifício, não vai dedar nenhum caititu, pobres diabos que gravitam em seu redor se vendendo por algumas migalhas.

  2. - Responder

    Quanto ao José, apesar dos seus erros e acertos o considero como homem. Mas quem aguenta “um carão” de um Gilmar Fabris sem reagir como foi afirmado na reportagem, está muito longe de ser considerado como homem. É digno de pena, não é homem, é espectro de homem.

  3. - Responder

    Levar “carão” de gilmar fabris ? Isso é possivel?

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

três + 15 =