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O CAFEZINHO CONTRA O GLOBO: Merval Pereira trabalha num jornal – O Globo – que foi o chapa branca mais babaca da história da república, que sempre esteve do lado dos Estados Unidos e da ditadura, sempre mamou nas tetas dos governos, do Brasil e dos EUA, e agora ele vem tentar criminalizar os blogs, 99,9% dos quais não recebem um centavo de verba pública? Quem participou de “esquema” foi a Globo, bancada pela Time Life, primeiro, e pelo regime militar, mais tarde!

Merval Pereira, jornalista, colunista de O Globo e membro da Academia Brasileira de Letras e Miguel do Rosário, jornalista, "blogueiro sujo" e, titular do blogue O Cafezinho

Merval Pereira, jornalista, colunista de O Globo e membro da Academia Brasileira de Letras e Miguel do Rosário, jornalista, “blogueiro sujo” e, titular do blogue O Cafezinho

MERVAL VOLTA A ATACAR OS BLOGS

MIGUEL DO ROSÁRIO
BLOG O CAFEZINHO
A Globo é inimiga do pluralismo, da diferença, da divergência. Para ela, todo mundo deveria pensar igual. Quem não pensa igual a ela faz parte de um “esquema”
Se por acaso o tédio se aproxima, sempre haverá Merval Pereira para afastá-lo. O mordomo oficial da Globo voltou a atacar os blogs.

Em sua coluna de sábado, Merval especula que há “um bem montado esquema de blogs pagos por verba oficial para elogiar o governo petista e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas independentes ou cidadãos que não se vêem representados pelo governo que está aí.”

Merval na verdade descreveu com apavorante precisão como se portava o jornal O Globo durante a ditadura. Basta trocar “governo petista” por ditadura. Blogs por jornais. Merval por Mariguella.

Em sua coluna de hoje, Mariguella especula que há “um bem montado esquema de jornais pagos por verba oficial para elogiar a ditadura e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas independentes ou cidadãos que não se vêem representados pelo governo que está aí.”

Com uma diferença, a ditadura existiu. Os jornalistas e políticos desqualificados pela imprensa chapa-branca eram presos e torturados.

Já a “conspiração blogueira” de Merval é o delírio de um louco.

A Globo está apostando na tática do shoot the messenger, para fugir ao debate?

Merval não pode conceber que exista militância real e virtual junto aos partidos, trabalhando por prazer e convicção.

Ele não consegue pensar fora de seus próprios parâmetros.

Sobre a reação às viúvas da Globo, Merval atribui a uma sofisticada e clandestina organização blogueira patrocinada pelo governo? Ou seja, alguém do Planalto pagou dois milhões de pessoas para elaborarem memes, curtirem e inventarem piadas sobre o tema?

É muita falta de noção.

Entretanto, sem querer, o colunista apresenta bons argumentos para se defender uma reforma da mídia.

É necessário uma lei de mídia para que os meios alternativos tenham financiamento republicano e transparente, e com isso sejam protegidos contra esse tipo de infâmias e ofensas dos grandes veículos de comunicação, que representam interesses obscuros e antinacionais.

A Globo é inimiga do pluralismo, da diferença, da divergência. Para ela, todo mundo deveria pensar igual. Quem não pensa igual a ela faz parte de um “esquema”.

É incrível o cinismo. O sujeito trabalha num jornal que foi o chapa branca mais babaca da história da república, que sempre esteve do lado dos Estados Unidos e da ditadura, sempre mamou nas tetas dos governos, do Brasil e dos EUA, e agora ele vem tentar criminalizar os blogs, 99,9% dos quais não recebem um centavo de verba pública?

Quem participou de “esquema” foi a Globo, bancada pela Time Life, primeiro, e pelo regime militar, mais tarde!

A análise de Merval é a de um surtado. Eu não deveria dar bola se não tivesse que admitir para mim mesmo, com eterna perplexidade, que esse cafumango tem poder, por causa da empresa para qual trabalha, e que os juízes do supremo ligam para ele para “explicar” porque votaram assim ou assado.

Mas os loucos às vezes tem ideias boas. Em seu delírio sobre “bem montado esquema de blogs pagos com verba oficial”, Merval deu uma excelente sugestão.

O governo, ou melhor, os governos (federal, estadual, municipal), assim como os poderes legislativos e judiciários, deveriam patrocinar blogs que produzissem uma visão diferenciada da política, da economia, das decisões judiciais e da mídia. Seria uma maneira de seguir um dos princípios da nossa Constituição, que é buscar o “pluralismo político”.

O farisaísmo cínico de Merval, contudo, apenas revela que a Globo está com medo de perder a mamata.

Está com medo de que alguém resolva mudar as regras na distribuição das verbas oficiais.

Então antes que haja qualquer ação pública para reduzir as verbas destinadas à Globo e aumentar aquelas destinadas à internet, os platinados, de antemão, já tentam constranger e criminalizar os futuros beneficiados.

Só a Globo tem direitos, só ela pode receber bilhões do Estado… O fato de sonegar impostos, editar debates para beneficiar candidatos, dar 8 minutos para ex-presidiários caluniarem o BNDES no Jornal Nacional, tratarem uma bolinha de papel como um bólide de chumbo radioativo, além do famigerado apoio ao golpe, isso faz parte do jogo.

Fazer meme de humor contra a hipocrisia, aí não pode, aí é coisa de bandido, de “esquema”.

Tudo bem, Merval, vá em frente. O choro é livre.

 

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LEIA AGORA O QUE MERVAL PEREIRA PUBLICOU EM SUA COLUNA DE SÁBADO, 28, EM O GLOBO

 

MERVAL PEREIRA – UMA ANÁLISE MULTIMÍDIA DOS FATOS MAIS IMPORTANTES DO DIA

Dilma digital

MERVAL PEREIRA

Que o PT está atento às novas mídias sociais é sabido desde que, nas últimas eleições, ficou claro que o partido tinha uma verdadeira organização digital dedicada a espalhar pela rede críticas e acusações aos adversários políticos. Há também um bem montado esquema de blogs pagos por verba oficial para elogiar o governo petista e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas independentes ou cidadãos que não se vêem representados pelo governo que está aí.

Basta ver a malhação digital orquestrada recentemente contra as atrizes globais que se vestiram de preto para protestar contra o resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal que, aprovando os embargos infringentes, adiou para as calendas gregas o cumprimento das penas a que os mensaleiros já estão condenados.

O surgimento de José Dirceu por trás do “fenômeno” Midia Ninja, depois das manifestações de junho, e os financiamentos oficiais às atividades do grupo, mostram como o partido está atento às experiências nesse setor.

A atividade de Ricardo Augusto Poppi Martins, o assim chamado coordenador de Novas Mídias e outras Linguagens de Participação, ligado ao gabinete do ministro Gilberto Carvalho, foi revelada depois de sua participação em uma reunião na embaixada de Cuba para organizar uma campanha de difamação da blogueira Yoani Sánchez em sua recente visita ao país.

Ele viajou em seguida para Cuba onde participou de um “seminário” sobre o uso da Internet em ações políticas. Pode-se imaginar o que aprendeu por lá, num país que controla a internet para impedir a população de entrar em contato com o mundo.

Há nesse campo, portanto, ações oficiais e outras, ilegais ou clandestinas, que só demonstram como o PT está à frente dos outros partidos no uso dessas novas ferramentas virtuais. Ontem, a presidente Dilma deu novos passos para aprofundar a atuação do governo nesse campo.

“Depois das manifestações de junho, o governo está obcecado com esse negócio de midias sociais”, me disse um ministro. A presidente Dilma, no terreno pessoal, abriu uma página no Facebook, anunciou que vai usar aplicativos como o Instagram e retornou ao Twitter, que havia abandonado após a vitória na eleição de 2010.

Aproveitou um diálogo com a personagem Dilma Bolada para responder à revista inglesa The Economist, que faz sérias críticas ao governo brasileiro na sua mais recente edição. No mesmo dia, lançou o @portalbrasil, o novo site do governo federal.

O mais revelador é que, no discurso de lançamento, a presidente associou-o a outras medidas já tomadas, como Lei de Acesso à Informação ou o Portal da Transparência para dizer que o seu governo reduzir “o grau de assimetria que existe entre o cidadão e o governo, no que se refere a informações”.

Ela se disse disposta a “construir uma prática sistemática de ouvir as ruas, de ouvir o que querem as universidades, de ouvir o que querem as pessoas, a população da cidade e do campo do Brasil, dos diferentes segmentos sociais, e ouvir as redes sociais, ter com as redes sociais também uma interação”.

Continuando com a política de usar internamente a disputa com os Estados Unidos sobre a espionagem cibernética – este assunto e o “Mais Médicos” foram os temas mais lembrados pelos cidadãos ouvidos pela mais recente pesquisa Ibope que mostrou uma subida da popularidade da presidente – a presidente Dilma voltou a repisar a necessidade de “proteger” a rede social para impedir que ela se transforme “em um campo de batalha cibernético entre países”.

É evidente que o governo, qualquer governo, tem mais e melhores condições que os partidos que estão fora dele para “fazer o diabo” numa eleição, como a própria Dilma admitiu recentemente. A ideia de um governo mais aberto ao cidadão-contribuinte, e a participação pessoal da presidente nas redes sociais, é uma boa maneira não apenas de aproximar-se do eleitor, mas também de desmentir a imagem de uma gerentona inflexível e raivosa. Mesmo que não passe de puro marketing.

 

MERVAL PEREIRA é colunista do GLOBO e comentarista da CBN e da Globo News. É membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia. Em 2009 recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional. Também é membro do Board of Visitors da John S. Knight Fellowships da Universidade Stanford

FONTE O GLOBO

 

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