Numa mesma semana, tivemos os adesivos pornográficos, os insultos a Dilma nos EUA e o racismo despejado contra Maju Coutinho. São coisas que fazem parte de uma sociedade que se adoentou. Sabe por que fanáticos se atreveram a publicar insultos à luz do dia contra a jornalista Maju Coutinho? Porque eles viram o que aconteceu com Danilo Gentili – herói deles – quando, em discussão numa rede social, ele mandou um homem negro comer bananas. Nada. Aconteceu nada. Numa das sentenças mais infames da República, o juiz (Marcelo Matias Pereira) considerou que não havia ofensa na atitude de Gentili. LEIA A SENTENÇA

Juiz Marcelo Matias Pereira nega pedido de Thiago Luis Pinheiro e inocenta Danilo Gentili da acusação de ra… by Enock Cavalcanti

maju coutinho na pagina do enock

RETROCESSO

A influência de Danilo Gentili no caso de racismo contra Maju Coutinho

Em discussão numa rede social, apresentador mandou um homem negro comer bananas. Nada aconteceu. O insultado foi à Justiça e perdeu
por Paulo Nogueira, do DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
REPRODUÇÃO

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“Caso Gentili teve o desfecho favorável a ele, e acabou inspirando outros sociopatas”

Sabe por que fanáticos se atreveram a publicar insultos à luz do dia contra a jornalista Maju Coutinho? Porque eles viram o que aconteceu com Danilo Gentili – herói deles – quando, em discussão numa rede social, ele mandou um homem negro comer bananas. Nada. Aconteceu nada.

O insultado foi à Justiça e perdeu. Numa das sentenças mais infames da República, o juiz considerou que não havia ofensa na atitude de Gentili. Bons exemplos prosperam, e maus ainda mais. Tivesse Gentili recebido a devida punição, os racistas que atacaram Maju guardariam seu ódio e seu fascismo para si próprios.

Você tem que castigar exemplarmente manifestações de racismo. Não muito tempo atrás, no Twitter, um internauta postou comentários racistas sobre a agonia de um jogador de futebol que tivera uma parada cardíaca súbita em pleno jogo. A Inglaterra instantaneamente se comoveu com o caso, mas o internauta começou a fazer piadas com bananas e outras coisas.

Na manhã seguinte, a polícia estava na sua casa para prendê-lo. Rapidamente julgado, foi condenado a prestar serviços comunitários. A opinião pública se revoltou com o engraçadinho, e a mídia deu amplo espaço para a história. Ninguém mais fez nada parecido nas redes sociais na Inglaterra.

No Brasil, o caso Gentili teve o desfecho oposto, e acabou inspirando outros sociopatas. Sociedades avançadas utilizam a técnica, em situações como esta, do name and shame. Você publica o nome do agressor para envergonhá-lo.

A leniência brasileira está cobrando um preço alto. Como observou sabiamente o professor brasileiro da universidade em que Dilma foi atacada nos Estados Unidos, manifestações de caráter fascista não podem ser toleradas, ou a sociedade se esgarça.

O fascismo está no racismo, na homofobia e em coisas do gênero. O professor chamou a atenção para uma coisa interessante: não é um problema apenas do governo, mas também da oposição.

Oposição democrática e civilizada é uma coisa. Oposição fascista – em cuja agenda figura a cruzada pela volta da ditadura – é outra coisa. O fascismo tem que ser exemplarmente reprimido pelo governo, e uma oposição decente tem que condená-lo.

Mas cadê as ações enérgicas do governo? Onde palavras em favor da civilização da parte de homens como FHC?

A oposição, a começar por Aécio Neves, fica calada, criminosamente calada, porque acha que a ação dos sociopatas de alguma forma a ajuda na tentativa de eliminar por vias sujas 54 milhões de votos.

Mas é um erro absurdo. Não é um partido que está sendo insanamente atacado. É a decência. É a ideia de um país civilizado.

Numa mesma semana, tivemos os adesivos pornográficos, os insultos a Dilma nos EUA e o racismo despejado contra Maju Coutinho. São coisas que fazem parte de uma sociedade que se adoentou.

Os sinais já estavam claros quando um juiz – refletindo a mentalidade dominante na Justiça — inocentou Danilo Gentili de um crime racial. Gentili saiu impune, e hoje arrasta seu Ibope miserável na emissora de Silvio Santos.

Que o mesmo não aconteça com os celerados que brutalizaram Maju Coutinho – e nem com os responsáveis pelos adesivos e pelo ataque a Dilma nos Estados Unidos.

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ENTENDA O CASO

Gentili é inocentado após oferecer bananas a negro

DO CONSULTOR JURÍDICO

Ao mesmo tempo em que manifestações de racismo no futebol mobilizam anônimos e famosos contra o preconceito, uma decisão da 10ª Vara Criminal de São Paulo oferece mais combustível para a polêmica. O apresentador Danilo Gentili foi absolvido do crime de injúria racial em ação movida por um empresário, que considerou “extremamente racistas” as atitudes do humorista. Isso porque para o juiz Marcelo Matias Pereira oferecer bananas a um negro não configura crime quando não há intenção de ofensa.

O caso aconteceu em outubro de 2012. De acordo com o processo, o empresário Thiago Luís Ribeiro publicou em sua conta no Twitter diversas mensagens se queixando das manifestações do humorista em programas de televisão. Pela mesma rede social, Gentili respondeu: “quantas bananas você quer para deixar esta história para lá?”. O empresário disse que “macaco ou king kong”, iria levar Gentili à Justiça para responder pelas condutas que considerava criminosas.

As testemunhas de Gentili (foto) afirmaram que o humorista usava o Twitter para tirar sarro das pessoas que interagiam com ele e que as respostas ao empresário seriam brincadeiras a quem faz piada de si mesmo. Já o Ministério Público, que ofereceu a denúncia, disse que o empresário foi irônico. Para o promotor André Luiz Buchala, “macaco é expressão muitas vezes utilizadas por pessoas preconceituosas em relação à pessoa negra, desde a tenra idade desta.”

O juiz Marcelo Matias Pereira concordou com a defesa do apresentador e julgou a ação penal improcedente. “É certo que a pessoa que não tem condições de participar de brincadeiras e piadas, não está preparada para isso, não deve, evidentemente, interagir com um twitter com essa finalidade. Por esta razão, o acusado costuma responder seus ´seguidores´fazendo diversas piadas, que abrangem os mais diversos assuntos”, disse na decisão.

Em relação à injúria, o juiz explicou que o crime pressupõe dolo e a intenção de ofender a vítima. Sendo assim, como o humorista usava o twitter como meio de divulgação de suas piadas, na maioria dos casos ainda que agressivos, a intenção de Gentili era fazer rir. “A piada (oferecer bananas), ao que tudo indica, se deu pelo fato da vítima ter se intitulado como King Kong e não pela cor da sua pele”, escreveu. Cabe recurso da decisão.


Processo 0104664-15.2012.8.26.0050

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‘MAJU’, DO JN, É ALVO DE RACISMO NAS REDES SOCIAIS

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Jornalista Maria Júlia Coutinho, que apresenta a previsão do tempo no Jornal Nacional, é vítima de comentários preconceituosos no Facebook, em uma postagem do noticiário da TV Globo na noite desta quinta; “Vai fazer essas previsões na senzala” e “sua macaca” foram algumas das ofensas; a equipe do JN, com mensagem de William Bonner, respondeu com um vídeo e a hashtag #SomosTodosMajuCoutinho, que lidera o Twitter mundial

247 – A jornalista Maria Júlia Coutinho, a “Maju”, que apresenta a previsão do tempo no Jornal Nacional, foi vítima de racismo nas redes sociais. Comentários preconceituosos foram publicados em um post do JN no Facebook na noite desta quinta-feira 2.

“Vai fazer essas previsões na senzala”; “sua macaca”; “Só conseguiu emprego no ‘Jornal Nacional’ por causa das cotas. Preta imunda”; “preta catinguenta” e “parece uma tampa de toddy” foram algumas das ofensas postadas.

O internauta Bruno Puccinelli protestou: “acabou de fazer um print de todos os comentários dessa postagem e irei levá-lo às autoridades cabíveis. Racismo é crime”. Desde abril como ‘garota do tempo’ no JN, Maju já havia sido vítima de racismo em maio, em um post do portal R7 no Facebook.

Rapidamente a equipe do Jornal Nacional respondeu às ofensas em vídeo, com uma mensagem de William Bonner, e a hashtag #SomosTodosMajuCoutinho, que lidera o Twitter mundial nesta sexta-feira 3. Assista

LIBERDADE PARA O RACISMO
por Vladimir Safatle | para a Folha de S. Paulo

Há alguns dias, uma revista francesa publicou na sua capa uma foto da ministra da Justiça da França, a negra Christiane Taubira, comparando-a a uma macaca à procura de banana.

Ela já havia sido comparada ao nosso parente distante por uma criança em uma manifestação anticasamento homossexual, sem que ninguém esboçasse uma reação indignada. A maior indignação partiu, vejam só vocês, da revista em questão, que inverteu o jogo alegando que tudo era apenas uma piada e que não suportava a “ditadura do politicamente correto”.

É interessante perceber como, atualmente, todos os que são pegos em franco delito de racismo e preconceito (contra imigrantes, ciganos, árabes, negros, índios, homossexuais, ecologistas, feministas) alegam, na verdade, serem perseguidos pela implacável polícia do politicamente correto. Estamos diante de uma legião de humoristas incompreendidos a lutar contra burocratas da língua que procuram impor à sociedade um discurso asséptico e uma maneira de ser.

Afinal, que época é esta em que não se pode mais chamar uma negra de macaca, ou dizer, com uma ironia calculada, que mulher gosta é de apanhar? Será que todos perderam seu senso de humor?

Há anos, isso era tão engraçado, mas, agora, as pessoas parecem que se deixam policiar por todos os lados, abrindo mão de sua liberdade de livre-pensar e brincar de adolescentes à procura da opinião mais bombástica capaz de chocar seus pais intelectualizados. Sim, meus amigos, a mais nova moda é chamar racismo e preconceito de afirmação rebelde da liberdade.

Esses estilistas do ressentimento social apareceram travestindo inicialmente seu discurso político de indignação moral. Foram imbuídos do dever de denunciar todos os que usavam o palavreado da igualdade e da tolerância e que, segundo eles, procuravam ganhar dinheiro em ONGs ou aumentar sua vontade de poder.

Mas, em vez de criticar a pretensa hipocrisia em questão e defender a igualdade e a tolerância de seus usurpadores, eles preferiram aproveitar o que entendiam como fraqueza moral de seus oponentes e colocar na avenida todo o ressentimento escondido durante décadas.

Assim, aquele sentimento de desconforto diante da diferença e da transformação social, de recusa a auto- crítica de seus próprios valores, de mediocridade medrosa e de colonialismo xenófobo mal disfarçado podiam, enfim, voltar. Pior, voltar com o selo da liberdade. Poucos, entretanto, se enganam com o tipo de mundo medieval e pequeno que tal “liberdade” produz.

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MP VAI INVESTIGAR RACISMO CONTRA MAJU

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O Ministério Público do Rio de Janeiro e de São Paulo pediram a investigação das ofensas publicadas à jornalista Maria Júlia Coutinho na página do “Jornal Nacional” no Facebook; no Rio, por meio da Coordenadoria de Direitos Humanos, o Ministério Público solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática; também haverá uma investigação sobre o caso em São Paulo. O promotor Christiano Jorge dos Santos, da Promotoria Criminal do Fórum da Barra Funda, abriu um procedimento investigativo para apurar dois possíveis crimes: injúria ou racismo

247 – O Ministério Público do Rio de Janeiro e de São Paulo pediram a investigação das ofensas publicadas à jornalista Maria Júlia Coutinho na página do “Jornal Nacional” no Facebook. No Rio, por meio da Coordenadoria de Direitos Humanos, o Ministério Público solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

Também haverá uma investigação sobre o caso em São Paulo. O promotor Christiano Jorge dos Santos, da Promotoria Criminal do Fórum da Barra Funda, abriu um procedimento investigativo para apurar dois possíveis crimes: injúria ou racismo. A base da investigação serão prints dos comentários ofensivos de alguns internautas.

O crime de injúria está previsto artigo 140 do Código Penal e consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém “na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. A pena pode chegar a três anos de reclusão. Se o promotor entender que houve racismo, os acusados podem ser presos ou pagar multa.

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QUAL A DIFERENÇA ENTRE ATAQUES A MAJU E A DILMA?

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Para Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, a resposta é: “uma é apoiada pela Globo, apesar de tudo que a emissora faz para manter vivo o racismo – sem falar que seu diretor de jornalismo renega a existência de racismo no país e, assim, ajuda a reforçá-lo. A outra é inimiga da poderosa Globo e, portanto, não mereceu nenhuma atitude tanto da grande mídia quanto das autoridades”; ele comenta que “episódios recentíssimos”, como a venda de um adesivo “asqueroso” contra Dilma, a agressão “fascista” de um “infeliz” contra a presidente em Nova York e os comentários racistas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo, “dão a medida de a quantas anda o retrocesso político-cultural-institucional a que a parcela pensante do país assiste boquiaberta”; “Na ditadura midiática que se abateu sobre o Brasil, ataques sexistas, misóginos, fascistas, racistas, homofóbicos, entre outros, só são punidos quando a mídia cai em cima”, conclui; leia a íntegra

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Racismo, homofobia, misoginia e até uma outrora impensável xenofobia (o caso do frentista haitiano, agredido no Rio Grande do Sul, ainda está fresco em nossa memória) – e algo mais que possa ter sido esquecido – são fenômenos que não param de crescer no Brasil no âmbito da onda ultraconservadora que se instalou por aqui de junho de 2013 para cá.

Além dos prejuízos econômicos que a instabilidade política tem promovido – afastou investimentos (investidor gosta de previsibilidade) e sabotou um evento (a Copa do Mundo) que poderia ter nos rendido lucros estratosféricos via turismo, e não rendeu porque protestos intimidaram turistas –, uma cultura do ódio começa a promover duro retrocesso em conquistas sociais – a partir da Câmara dos Deputados.

Nesse aspecto, episódios recentíssimos dão a medida de a quantas anda o retrocesso político-cultural-institucional a que a parcela pensante do país assiste boquiaberta.

A pedido de muitas pessoas – em grande maioria, mulheres –, não se deve reproduzir os adesivos asquerosos para automóveis vendidos por picaretas da internet nos quais a presidente da República, Dilma Rousseff, aparece em situação vexatória.

O abuso foi tão grande que a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu “nota de repúdio” à agressão praticada contra a presidente do Brasil, agressão que qualificou como “violência política sem precedentes”.

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DILMA DIZ QUE CRÍTICAS A ELA TÊM “PRECONCEITO SEXUAL”

Roberto Stuckert Filho/PR: <p>Brasília - DF, 05/06/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista à TV France 24. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.</p>Em resposta à afirmação de que seria controladora, presidente questionou, em entrevista ao jornal americano The Washington Post, se “alguma vez já se ouviu alguém dizer que um presidente do sexo masculino coloca o dedo em tudo”; “Eu acredito que há um pouco de preconceito sexual. Sou descrita como uma mulher dura e forte que coloca o nariz em tudo, e eu estou (me dizem) cercada por homens muito bonitos”, acrescentou; Dilma Rousseff disse ainda que o baixo índice de aprovação ao seu governo – 10%, de acordo com o último Datafolha – preocupa, mas que não irá “arrancar os cabelos” por isso

A presidente Dilma Rousseff acredita haver “um pouco de preconceito sexual” em críticas contra ela. A frase foi dita quando, ementrevista ao jornal americano The Washington Post, foi questionada especificamente sobre a afirmação de que seria uma gestora controladora.

“Eu acredito que há um pouco de preconceito sexual. Sou descrita como uma mulher dura e forte que coloca o nariz em tudo, e eu estou [me dizem] cercada por homens muito bonitos”, respondeu a presidente.

Ela rebateu a pergunta questionando se “alguma vez já se ouviu alguém dizer que um presidente do sexo masculino coloca o dedo em tudo”.

Dilma afirmou ainda que o baixo índice de aprovação ao seu governo preocupa, mas que não vai “arrancar os cabelos” por isso. “Você tem que viver com as críticas e com o preconceito”, comentou. A entrevista foi publicada no site do jornal nesta quinta-feira 25.

Dilma desembarca nos Estados Unidos neste sábado, quase dois anos depois de ter cancelado uma reunião com o presidente Barack Obama em decorrência do escândalo de espionagem que atingiu inclusive autoridades brasileiras, entre elas a própria Dilma.

Na entrevista, a presidente disse estar pronta para firmar um acordo comercial com os Estados Unidos, mas destacou que é importante ter relações comerciais com diversos países. Ela citou a China, os EUA e destacou que o Mercosul é “uma grande conquista”. Ela também defendeu uma agenda conjunta sobre as mudanças climáticas.

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a íntegra da entrevista será publicada pelo jornal americano no domingo, quando Dilma terá, em Nova York, um encontro com empresários brasileiros com negócios no país. Ela fica nos Estados Unidos até quarta-feira. A jornalista do Washington Post entrevistou Dilma na última quarta no Palácio do Planalto.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a entrevista:

Dilma diz estar preocupada com desemprego e reclama de preconceito de gênero

Luana Lourenço – Às vésperas de viajar aos Estados Unidos a presidenta Dilma Rousseff deu uma entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post em que diz estar preocupada com o aumento do desemprego. Ela acredita na recuperação da economia a partir de 2016 e destacou que sofre preconceito de gênero na avaliação de sua administração.

A entrevista foi concedida na quarta-feira (24), no Palácio da Alvorada, e publicada na noite de ontem (25) no site do Washington Post.

Dilma defendeu o ajuste fiscal e disse que a mudança no rumo da política econômica do país não é uma decisão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas de governo. “Estamos absolutamente certos de que é essencial colocar em prática todas as medidas necessárias, não importa quão duras elas sejam, para retomar as condições de crescimento no Brasil. Algumas medidas são fiscais, outras são estruturais”, disse a presidenta à jornalista Lally Weymouth.

Ela destacou que está preocupada com o aumento do desemprego, mas que uma taxa de desocupação entre 6% e 7% não é alta. “É claro que eu me preocupo com isso, me preocupei desde o primeiro dia. Houve um aumento do desemprego nos últimos dois meses. Mas antes disso, já tínhamos criado 5,5 milhões de empregos. Queremos realizar um ajuste rápido porque queremos reduzir o efeito do desemprego”.

Perguntada sobre a queda na aprovação de seu governo, cuja avaliação positiva caiu para 10%, segundo pesquisa Datafolha divulgada esta semana, Dilma afirmou que o tema a preocupa, mas não a faz “perder os cabelos”.

“Você tem que conviver com as críticas e com o preconceito. Eu não tenho qualquer problema em assumir: quando se comete um erro, deve-se mudar. Em qualquer atividade, incluindo o governo, você deve incessantemente fazer ajustes e mudanças. Se você não fizer, a realidade não vai esperar por você. O que muda é a realidade”, frisou Dilma.

A presidenta também reclamou do que considera preconceito de gênero em algumas avaliações de sua gestão ao ser perguntada pela jornalista sobre sua fama de “micromanager”, termo para definir um chefe centralizador ou controlador.

“Alguma vez você já ouviu alguém dizer que um presidente do sexo masculino coloca o dedo em tudo? Eu nunca ouvi falar disso”, comparou. “Eu acredito que há um pouco de preconceito sexual ou um viés de gênero. Sou descrita como uma mulher dura e forte que coloca o nariz em tudo e estou cercada de homens meigos”, contestou.

Dilma também respondeu a perguntas sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Ela disse que não tinha conhecimento das denúncias quando era ministra de Minas e Energia e presidia o Conselho de Administração da estatal. A presidenta voltou a dizer que a investigação só foi feita em seu governo. “Você não costuma ver a corrupção acontecendo. Isso é típico de corrupção, ela se esconde”.

Em relação a visita aos Estados Unidos, que inclui um encontro de trabalho com o presidente Barack Obama, Dilma disse que espera estreitar relações com o país nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, além de destacar que os Estados Unidos são os principais responsáveis pelo investimento privado no Brasil. “Esperamos também cooperação no campo da educação, principalmente no ensino primário”.

Dilma também defendeu a ampliação de cooperação com países emergentes, com o Mercosul como “uma grande conquista”, e disse que o Brasil tem uma “dívida social e cultural” com o continente africano.

“A África será sempre um continente onde teremos que desempenhar um papel ativo, porque temos uma dívida humana, social e cultural em relação a África. Cinquenta e dois por cento da população brasileira se declaram de origem negra. Somos o maior país negro fora da África. As nossas relações com a África são, em última instância, uma reabilitação da nossa história passada, considerando as práticas de escravidão que prevaleceu no nosso país desde o século 16. Este país viveu sob a escravidão até 1888, e deve superar a ferida histórica deixada pela escravidão”, avaliou.

A presidenta embarca amanhã (27) para os Estados Unidos. A agenda inclui compromissos em Nova York com empresários; a reunião de trabalho com Obama, em Washington; e visitas a sede do Google, ao Centro de Pesquisas da Nasa e à Universidade Stanford, todos na Califórnia. Dilma deve retornar ao Brasil na manhã de quinta-feira, 2 de julho.

 

1 Comentário

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  1. - IP 191.250.35.22 - Responder

    O pior caso mesmo é o de Paulo Henrique Amorim que mesmo condenado não se deu por vencido e continuou o seu comportamento arrogante.

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