Novo triste momento no Judiciário de MT: desembargadora Claudino Claudino suspende sábia decisão do juiz Yale Sabo Mendes, que autorizara rolezinho no Pantanal Shopping. Decisão de Clarice afronta a Constituição e revoga o direito de ir e vir dos garotos pobres da periferia, reforçando apartheid social. Aonde está o Ministério Público, estadual e federal, que não se manifesta pelo fiel cumprimento da Constituição e em repúdio à segregação social?

Desembargadora Clarice Claudino revoga decisão do Yale Sabo sobre rolezinho by Enock Cavalcanti

Juiz Yale Sabo Mendes libera rolezinho em shopping de Cuiabá, Mato Grosso by Enock Cavalcanti

 A desembargadora Clarice Claudino derrubou a decisão do juiz Yale Sabo Mendes e proibiu a realização do rolezinho no Shopping Pantanal, argumentando que “o Estado Democrático de Direito deve ser garantido a todos os cidadãos, todavia, o seu exercício deve ser analisado em um contexto geral, não se admitindo que a livre manifestação e o livre trânsito de uns atinjam o direito de propriedade e o direito de locomoção de outros, bem como o direito ao trabalho, também assegurado pela Carta Magna".Na decisão cassada por Clarice, o juiz Yale defendia que os rolezinhos "(...)que vêm ocorrendo nos shoppings centers, na verdade, não possuem o escopo de expropriação ou moléstia de posse, mas sim, a princípio, cingem-se tão-somente a uma reunião de determinado grupo de jovens que usualmente se relacionam pelas inúmeras redes sociais virtuais”


A desembargadora Clarice Claudino derrubou a decisão do juiz Yale Sabo Mendes e proibiu a realização do rolezinho no Shopping Pantanal, argumentando que “o Estado Democrático de Direito deve ser garantido a todos os cidadãos, todavia, o seu exercício deve ser analisado em um contexto geral, não se admitindo que a livre manifestação e o livre trânsito de uns atinjam o direito de propriedade e o direito de locomoção de outros, bem como o direito ao trabalho, também assegurado pela Carta Magna”.Na decisão cassada por Clarice, o juiz Yale defendia que os rolezinhos “(…)que vêm ocorrendo nos shoppings centers, na verdade, não possuem o escopo de expropriação ou moléstia de posse, mas sim, a princípio, cingem-se tão-somente a uma reunião de determinado grupo de jovens que usualmente se relacionam pelas inúmeras redes sociais virtuais”

A democracia, como se sabe, é um aprendizado. Todo dia, uma nova lição. É ora com passos adiante e ora com passos para traz que, por incrível que pareça, vamos avançando.

A ditadura militar, apoiada cegamente por muitos e muitos brasileiros, por exemplo, foi um enorme e violento passo atrás. Mas a violência dos militares, não paralisou os lutadores pela Democracia – nosso povo foi às ruas, lutou para a restauração democrática com muita coragem e, no início da década de 80, veio a anistia política, os exilados voltaram, acabou voltando também o processo de eleição direta e, passo a passo, continuamos sempre avançando.

Agora já se fala até em Diretas Já para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Já se fala em revogação do voto dados a políticos que atraiçoarem seus eleitores.

Claro, existem sempre aqueles que tentam forçar um, dois passos atrás. Faz parte. A gente não pode impedir que a direita se manifeste, ainda mais em um Brasil em que a direita controla, com mão de ferro, os grandes meios de comunicação e se corporifica detendo o verdadeiro poder sobre as pessoas, que é o poder econômico.

Uma das grandes conquistas democráticas de nosso povo foi a promulgação da Constituição Cidadã de 88. Aquela Constituição que Ulisses Guimarães consagrou como a Constituição “que é Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram”.

No ano passado, a democracia brasileira foi sacudida pelas Manifestações de Junho – e nosso País e nosso democracia saíram maiores das ruas. Em Cuiabá, tivemos 50 mil pessoas se manifestando em nossos ruas centrais – e sinto que nosso povo tem hoje um maior esclarecimento sobre suas responsabilidades e sobre suas possibilidades, uma nova vitalidade, uma nova consciência cívica.

Neste ano de 2014, a democracia brasileira volta a ser sacudida pelo fenomeno dos rolezinhos que, mais uma vez, faz aflorar a luta de classes em que se debate a nossa sociedade. Na maior parte do tempo, essa é uma luta surda, abafada, mas de vez em quando ela aflora, vem à tona, desvelando as definições ideológicas das pessoas. Sim, os embates sociais são sempre momentos de aprendizado, de formação para o nosso povo.  Me permito relembrar que, no Manifesto Comunista, Karl Marx e Engels já apontavam que “a história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classe”.

Os chamados rolezinhos, aquele passeio, aquela voltinha pelos shoppings que passaram a ser marcados pelas redes sociais, de repente têm provocado um grande debate nacional.Garotos pobres da periferia de São Paulo combinaram dar um rolezinho no Shopping Itaquera e tiveram que enfrentar uma forte repressão policial. As cenas, disponíveis no You Tube, como bem destaca artigo no Blog do Luis Nassif, fazem lembrar aquelas cenas da polícia racista da Africa do Sul espancando os manifestantes negros, antes de Nelson Mandela ser eleito presidente.

Ao que se saiba, shoppings são locais privados abertos ao público, geralmente instalados em áreas públicas gentilmente cedidas para esse tipo de condomínio comercial pelo poder público, além de se beneficiarem com todo tipo de incentivo fiscal. O fato é que shopping não pode discriminar quem deve entrar ou não entrar em suas dependências.

Mesmo porque a Constituição Cidadã de 88 garante a todos os cidadãos, sem qualquer distinção de raça, credo, cor ou situação econômica, o direito de ir e vir. Foi isso o que inspirou o sábio juiz Yale Sabo Mendes quando ele negou, na primeira instância, a liminar pretendida pelo Shopping Pantanal para impedir a realização em suas dependências de um rolezinho – o primeiro rolezinho cuiabano – que está sendo marcado para este início de fevereiro.

Quer dizer, quando a gente vê, no noticiário, lá em S. Paulo, policiais jogados contra a multidão e levados a espancar garotos da periferia, temos que ficar assustados. Ao que me lembre, a função da Polícia é garantir o exercício dos direitos constitucionais dos cidadãos – e não, ao contrário, impedir esse direito, como se vivêssemos na Africa do Sul, antes de Mandela.

Tá certo que o direito dos comerciantes também deve ser garantido. As suas lojas, as suas propriedades, também devem ser protegidas, e nesse sentido é que deve atuar a Polícia Militar, estando presente aos rolezinhos para prevenir os excessos – da mesma maneira que previne nos campos de futebol, nos shows de rock, nas festanças da Expoagro, nos shows dos sertanejos.

Não há porque reprimir, previamente, em Cuiabá, um rolezinho que nem aconteceu. Fica a impressão de que, ao menor sinal de conflito, a Policia Militar abandona os princípios de igualdade racial e da concessão de garantias políticas e individuais a todos os cidadãos, que deve orientar as suas atividades, para ficar ao lado de alguns lojistas contra o “resto da população”.

O rolezinho é uma excelente oportunidade para reconhecermos a existência do apartheid racial, sócio-econômico ou cultural. Neste momento, a tarefa dos defensores da civilização deve ser superar este apartheid não justificá-lo e ao racismo através da omissão.

A decisão do juiz Sabo foi sábia: garanta-se o direito de ir e vir dos garotos pobres da periferia de Cuiabá e que a PM proteja a propriedade dos lojistas do Shopping, se assim se fizer necessário. Anote-se que esses garotos pobres da periferia de Cuiabá estão entre aqueles consumidores que mais frequentam o Shopping Pantanal e os demais shoppings dessa capital, consumindo intensamente nas lojas desses comerciantes que, agora, estranhamente, se dizem ameaçados por eles. Por que é que jovens que não ameaçam como consomem, bovinamente, passam a ameaçar no momento em que convocam um passeio festivo?

Existe, é claro, um alarmismo, um terrorismo anti-periferia que é alimentado largamente pela cobertura que a grande mídia tem dado aos rolezinhos, pelo Brasil afora.

Fica parecendo que existe em Cuiabá o mesmo caldeirão social que existe em São Paulo – e não é bem assim. Nem em São Paulo, talvez, seja bem assim. Os conflitos não se radicalizaram como imaginam alguns radicais em seus devaneios.

Com muita tranquilidade, o juiz Yale Sabo Mendes, por isso mesmo, não se deixou envolver pelo clima anti-periferia, pelo clima de apartheid social, traçado por alguns direitistas mais radicais – e recusou a manobra repressora do Shopping Pantanal. Os dirigentes do Shopping Pantanal parece que não conhecem bem sua clientela e estão exagerando na sua leitura da revista Veja. (Sim, a leitura da Veja tem esse estranho poder, de derreter alguns cérebros e provocar surtos paranóicos.)

Mas vejam que fatalidade: no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, um recurso contra a decisão do sábio juiz Sabo foi parar nas mãos da desembargadora Clarice Claudino, uma magistrada da mais alta respeitabilidade mas que, apesar de sempre alardear sua ideologia favorável à conciliação, adotou, neste caso, a mesma posição reacionária e majoritária que se espalha atualmente pelo Brasil, e sentenciou como se fosse uma dessas madames eternamente assustadas com uma possível revolta dos menos favorecidos.

Sim, a desembargadora Clarice Claudino sapateou em cima de sua própria história como pregoeira da conciliação – e derrubou a decisão do sábio juiz Yale Sabo Mendes e canetou uma decisão, no meu modesto entender, truculenta na qual ela, além de proibir os garotos pobres da periferia de pretenderem fazer uma ocupação festiva de determinados espaços do Pantanal Shopping, ainda alertou a Policia Militar a ficar de plantão contra os possíveis baderneiros que pretensamente estariam por trás desses rolezinhos.

Com todo respeito que tenho pela ilustre e ilustrada desembargadora, considero que a decisão da desembargadora Clarice Claudino representa um retrocesso. A decisão da desembargadora Clarice, opino eu, usando um dos meus direitos constitucionais, é uma vergonha para o Poder Judiciário de Mato Grosso.

Notadamente quando colocamos a decisão da sempre festejada desembargadora Clarice ao lado da decisão anterior do juiz Yale e percebemos o espírito humanitário que orientou a decisão do magistrado de primeira instância e vemos, agora, o reacionarismo pequeno-burguês que marca a manifestação da douta magistrada, que deveria ter colocado a mão na cabeça antes de, no meu entendimento,  pisotear de forma tão lastimável em sua própria biografia como conciliadora.

Vejam que eu imaginava, na minha santa ingenuidade, que a desembargadora Clarice, que se auto-propagandeia como conciliadora, tivesse o cuidado e a grandeza de, antes de decidir qualquer coisa, convocar em seu gabinete as partes interessadas: os garotos pobres da periferia, os comerciantes sempre montados em altos lucros mas sempre tão assustados do Shopping Pantanal, representantes da Policia Militar, da Prefeitura, da Secretária Estadual de Cultura, do movimento comunitário, do Ministério Público, etc, etc, para traçarem cuidados prévios com relação a esta manifestação.

A desembargadora já procedeu assim, em outros casos. Por que não procedeu dessa forma, também agora?

Jamais imaginaria que Clarice Claudino vestisse, com tanta sofreguidão, as vestes da repressão repressão social, do apartheid.

Cuiabá não é São Paulo, desembargadora! Aqui não existe, ainda, aquele caldeirão social que existe por lá.

Um rolezinho como este que está sendo convocado para o shopping Pantanal pode muito bem ser convocado com alarde e, depois, redundar em um fracasso monumental por falta de adesão. A gente viu aqui como as manifestações de rua, depois dos 50 mil de junho, se esvaziaram rapidamente. Viu muita manifestação convocada via Facebook que deu chabu, reunindo apenas gatos pingados.

Então, pra quê esse assombro todo? Me parece que existe gente que tá com medo do povo, que treme ante a simples ideia de que o povo se junte – porque isso, quem sabe, pode levar ao questionamento de determinados privilégios.

Como o privilégio de juízes e desembargadores, por exemplo, que ganham salários tão expressivos e ainda se dão ao luxo de rechear estes salários com penduricalhos mis, ao ponto de um sindicalista registrar, recentemente, “que só falta que os magistrados recebam o vale-amante”. Ora!

Por isso é que me perfilo entre aqueles que entendem que a decisão judicial prolatada pela desembargadora Clarice Claudino – que, implicitamente, revoga o direito de ir e vir dos garotos pobres da periferia de Cuiabá, interessados em curtir um dia em que seriam o centro do baile nas dependências do Shopping Cuiabá, e parece priorizar atender veleidades classistas da parte de lojistas amedrontados não se sabe bem por que – é altamente questionável.

Fico, por isso mesmo, preocupado porque, até o presente momento, não vi nenhuma autoridade, seja do Ministério Público Federal, seja do Ministério Público Estadual, demonstrar qualquer preocupação mais séria com toda esta questão e com a preservação do direito de ir e vir das pessoas.

Tanto o MPF quanto o MPE são guardiões da Constituição Cidadã de 1998 e é importante que não se acovardem, não se omitam, diante deste assaque de uns poucos contra setores majoritários de nossa população.

O MPF e o MPE deveriam estar adotando medidas para permitir que todos os jovens, independentemente de cor, raça, credo ou condição sócio-econômica, possam exercer seu direito de ir e vir em locais públicos e abertos ao público de Cuiabá.

Imagino que cada cidadão deve fazer um esforço para, neste momento, se afirmar como um defensor da civilidade, da civilização. Nâo podemos deixar que prospere o apartheid racial, sócio-econômico ou cultural.

Programando direitinho, tudo pode acontecer sem maiores conflitos.

Os garotos da periferia devem ser incentivados a promoverem manifestações sem violência, sem quebra-quebra, centrados na alegria e no prazer. Mas eles precisam contar com a proteção da sociedade para, efetivamente, poderem dizer que não tem medo de serem felizes. Confira o noticiário. (EC)

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Liminar proíbe ‘rolezinho’ no Shopping Pantanal

A desembargadora Clarice Claudino da Silva concedeu liminar ao Shopping Pantanal a fim de evitar a ocorrência do chamado “rolezinho” nas dependências do estabelecimento comercial. O encontro estaria sendo marcado pelas redes sociais para ocorrer no próximo dia 2 de fevereiro. Em caso de descumprimento da ordem judicial foi fixada multa de R$ 10 mil.

A magistrada determinou ainda que o Comando Geral da Polícia Militar seja comunicado para impedir a ocorrência de distúrbio ou desordem no shopping na data do encontro e também que fossem comunicados o juiz da Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar, em virtude da informação do envolvimento de adolescentes no movimento.

Para conceder a liminar no Agravo de Instrumento interposto pelo Shopping Pantanal contra decisão de Primeira Instância, a magistrada considerou que ficaram comprovados no pedido o risco concreto que corriam o estabelecimento comercial, os lojistas, e o público que freqüenta o local.

Na decisão, a desembargadora ressaltou que, diferentemente de logradouros públicos, os shoppings são empreendimentos privados, e que devem ser coibidas possíveis ações de manifestantes que pretendam causar desordem pública, incitar a prática de atos de depredação, assim como a ocorrência de furtos e de violência às pessoas, como ocorreu no episódio anterior.

Em 28 de dezembro de 2013, o Shopping Pantanal foi palco de um “rolezinho” e, segundo consta no agravo, o tumulto e a aglomeração terminaram em briga generalizada, quebra de mesas, pratos, copos e furtos. Algumas pessoas, principalmente idosos, gestantes e crianças, precisaram ser socorridas. Na ocasião, os participantes alegaram estar exercendo o seu direito de expressão e de ir e vir.

“O Estado Democrático de Direito deve ser garantido a todos os cidadãos, todavia, o seu exercício deve ser analisado em um contexto geral, não se admitindo que a livre manifestação e o livre trânsito de uns atinjam o direito de propriedade e o direito de locomoção de outros, bem como o direito ao trabalho, também assegurado pela Carta Magna”, diz trecho da decisão.

FONTE Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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CONFIRA OUTRAS DECISÕES, PELO BRASIL AFORA, COM RELAÇÃO AOS ROLEZINHOS

Juiz Alexandre Scisinio autoriza rolezinho em shoppings de Niteroi by Enock Cavalcanti

Juiza Maria Gutierrez Slaibe autoriza rolezinho em shopping da Tijuca, Rio de Janeiro by Enock Cavalcanti

juiz Alberto Villela impede rolezinho do shopping JK Iguatemi by Enock Cavalcanti

Juiz Antonio Santoro filho proíbe rolezinho no Shopping Campo Limpo, SP by Enock Cavalcanti

Juiz Herivelto Godoy autoriza rolezinho em shopping de Campinas by Enock Cavalcanti

 

MAIS INFORMAÇÃO

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POLÊMICA

A legalidade do rolezinho

Reunião de multidões de adolescentes da periferia em shoppings desperta discussão sobre direitos fundamentais

JOANA NEITSCH, DA GAZETA DO POVO (Londrina, Paraná)

 

 

A reunião de jovens para “zoar” em alguns shoppings do Brasil é polêmica. A legalidade dos rolezinhos e as providências jurídicas que têm sido tomadas para evitar que tais encontros aconteçam vêm suscitando discussões. As medidas que podem ser tomadas com base na lei envolvem direitos fundamentais, como os de livre manifestação, de propriedade e de livre exercício do trabalho. O direito penal e o direito civil também são evocados para se analisar a complexidade do tema.

Isso porque alguns centros comerciais ajuizaram ações para evitar que os rolezinhos fossem realizados. Em uma liminar para impedir que o encontro dos jovens fosse realizado no shop­ping Metrô Itaquera, o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) Celso Maziteli Neto argumentou que “manifestação em Shopping Center, espaço privado e destinado à comercialização de produtos e serviços impede o exercício de profissão daqueles que ali estão sediados, bem como inibe o empreendedorismo e a livre iniciativa”. O magistrado definiu multa de R$ 10 mil por dia para cada manifestante que desobedecesse à determinação.

Entenda o caso

Veja como tudo começou:

• No dia 7 de dezembro, o primeiro encontro desse tipo ocorreu no Shopping Metrô Ittaquera, em São Paulo, reuniu cerca de 6 mil jovens e levou os comerciantes a fecharem as lojas com medo de que fosse um arrastão.

• Desde então eventos semelhantes foram realizados ou pelo menos marcados para ocorrer em outros shoppings de São Paulo e também em outras cidades como Rio de Janeiro e Brasília. No Paraná, Cascavel e Ponta Grossa tiveram tentativas de rolezinhos no início do mês, mas em uma houve pouco comparecimento e na outra os jovens foram barrados.

• No início, o perfil dos participantes era basicamente o de adeptos do funk ostentação – vertente paulista da música carioca, que exalta riqueza e objetos de luxo. Os jovens, vindos da periferia, usam roupas e tênis de marcas caras. Agora, já há quem participe ou queira promover rolezinhos como movimentos sociais, com viés político. Há interpretações de que o movimento é uma reação daqueles que são excluídos dos espaços de lazer da classe média. Outros condenam a atitude e a consideram vandalismo.

• No dia 14 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião com os ministros para discutir o assunto. Também na semana passada, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, defendeu que não se deve tomar atitude repressiva aos rolezinhos. A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) enviou um ofício ao gabinete da presidente solicitando uma audiência para conversar sobre o tema.

• No próximo domingo, dia 26, está sendo programado pelo Facebook um rolezinho no shopping Pátio Batel, de Curitiba.

A advogada, mestre em direito Constitucional e professora da UniBrasil Melina Breckenfeld Reck não considera possível proibir a entrada de pessoas específicas no shopping. “Não é possível discriminação, tem que ser uma regra para todos os clientes”, explica. Caso apenas alguns sejam submetidos às medidas preventivas, a professora diz que é possível requerer medidas indenizatórias, alegando vexame e discriminação. Por outro lado, ela lembra que alguém que “se excede permite que o outro haja”. Como nenhum direito é absoluto, não se pode utilizar o direito constitucional de manifestação para desrespeitar outros direitos fundamentais.

Criminalização

Se por um lado quem pratica atos como furtos e agressões deve ser punido de acordo com o Código Penal ou, no caso de adolescentes, sofrer medidas socioeducativas, por outro, o simples fato de realizar reuniões não pode ser criminalizado. “O direito penal/Código Penal pouco (ou nada) pode oferecer para tratar de questões sociais e, menos ainda, em casos como esses envolvendo gente muito jovem, normalmente em torno dos 14 aos 17 anos de idade”, enfatiza a professora de direito Penal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Priscilla Placha Sá. Ela destaca o fato de que não ocorre a mesma reação de se acionar policiamento ostensivo para outros eventos, como “réveillons fora de época” planejados por jovens de classe média em Curitiba.

O advogado doutor em Direito Penal pela Universidade de Sevilha Cezar Roberto Bitencourt também considera que nenhum tipo penal do ordenamento jurídico brasileiro é adequado para resolver a questão dos rolezinhos e que não há nenhuma conotação criminosa em se organizar esses atos pelo Facebook.

Além disso, segundo os juristas entrevistados, caso os rolezinhos se tornem uma prática frequente, não há necessidade de criar um novo tipo penal para lidar com essa situação. “Se essa juventude praticar algum crime, já temos leis suficientes para puni-la”, diz Bitencourt. E a professora Priscilla ressalta: “Não é possível ter um tipo penal para cada fato da vida. Menos ainda um tipo penal específico para adolescentes”.

Esfera cível

Com relação à proibição de entrada nos shoppings centers, o professor de direito civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eroulths Cortiano Junior explica que há previsão expressa no Código de Defesa do Consumidor (CDC) que impede que o estabelecimento comercial escolha os clientes. De acordo com o artigo 39 do CDC, é vedado “recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento”.

Cortiano Júnior lembra, no entanto, que, quando o proprietário prevê alguma ameaça à sua posse, é possível recorrer a uma medida judicial para protegê-la, como o interdito proibitório, previsto no artigo 932 do Código de Processo Civil (CPC): “o possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito”.

Shoppings de Curitiba se preparam para onda de rolês

Depois do início em São Paulo, os rolezinhos estão se espalhando pelo Brasil. No Rio de Janeiro, um rolezinho foi planejado para o último domingo, dia 19, no Shopping Leblon, um dos mais sofisticados da cidade. Mais de 9 mil pessoas confirmaram presença pelo Facebook e, mesmo tendo conseguido liminar para evitar a realização do evento, a administração do shopping preferiu não abrir neste dia. Em Curitiba, o Shopping Pátio Batel, inaugurado no ano passado e conhecido por lojas de grifes famosas e caras, foi escolhido para um rolezinho agendado para o dia 26 de janeiro.

O publicitário Paulo Henrique de Jesus é um dos organizadores de um evento no Facebook relacionado ao rolezinho curitibano. Ele diz que, por ser pardo e ter crescido na periferia, sabe a discriminação que esses jovens passam e por isso decidiu criar o evento. Paulo diz que no próprio grupo há diversas manifestações preconceituosas que afirmam que aquele ambiente não é para esses jovens. Há também quem defenda que o ato envolva manifestações sobre altos impostos. Mas o publicitário explica que não há nada específico planejado, a ideia é reunir as pessoas com “o propósito de que quem é da periferia possa se sentir à vontade para fazer o rolezinho em Curitiba”. Ele pretende filmar o ato para registrar e mostrar que será feito de forma pacífica.

O advogado Silvio Felipe Guidi, especialista em Direito Administrativo, que atende um dos shoppings de Curitiba, diz que já preparou um miniparecer para seus clientes saberem como agir caso um rolezinho seja realizado nas suas dependências. “Todas as pessoas têm direito de frequentar o shop­ping, mas é um local que tem destinação específica para lazer e conforto. A partir do momento que começam a desvirtuar, vão para realizar balbúrdia e se valem desse direito para cometer um ato que a legislação não protege, o direito perde força.”

O advogado explica que, se necessário, vai ajuizar uma ação de interdito proibitório e acionar o Judiciário para que a polícia acompanhe de perto e entre em ação se houver situações suspeitas. Guidi diz que há uma linha muito tênue para se definir o que representa risco, mas cita como exemplo “aglomeração, ruído incompatível com o ambiente, ingressar nas lojas e revirar os produtos, assustar os clientes com ameaças e palavras de baixo calão”. Na opinião dele, a polícia também deve registrar suas ações com filmagens a fim de comprovar que não haverá abusos contra os participantes.

 

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ANÁLISE

Periferia sustenta maior parte do consumo na cidade de São Paulo

FERNANDO CANZIAN

EDITOR DO “TV FOLHA”, DA FOLHA DE S PAULOÉ a periferia quem hoje sustenta a maior parte do consumo na cidade de São Paulo.Os bairros mais afastados gastaram quase R$ 190 bilhões no ano passado em lojas, supermercados e outros serviços. A região central, cerca de R$ 88 bilhões.Os números, do instituto Data Popular, refletem, a partir da maior cidade do país, a atual preponderância e influência das classes remediadas sobre a dinâmica da economia brasileira.Os jovens, centenas deles adeptos desses “rolezinhos”, estão no centro disso.

O Brasil tem hoje cerca de 31 milhões de jovens entre 16 e 24 anos. A massa de renda dos considerados “classe média” (ganham entre R$ 320 e R$ 1.120 ao mês) é superior à dos jovens das classes alta e baixa somadas.

Mais da metade (54%) dos jovens brasileiros costumam ir a shoppings pelo menos uma vez por mês, informa a pesquisa, feita em 53 municípios a partir de 1.500 entrevistas (margem de erro de 2,1 pontos percentuais).

O levantamento também procurou aferir como o topo da pirâmide da renda nacional enxerga essa classe média emergente.

Metade dessa “elite” diz preferir frequentar apenas ambientes com pessoas do seu nível social. Outros 26% acham que estações de metrô aumentam a circulação de pessoas indesejáveis nas proximidades de suas casas.

É um novo velho Brasil.

 

 

19 Comentários

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  1. - IP 189.73.211.58 - Responder

    A decisão dessa desembargadora coloca gasolina no debate e potencializa o conflito social. Completa insensibilidade e falta de visão sociológica de uma reacionária que, de dentro das trincheiras do Judiciário, agride os jovens das classes populares. Nessa trilha, a decisão judicial estabelece que a juventude filha do proletariado está proibida de frequentar espaços destinados a todos os membros da sociedade. Momento menor, em que os valores medievais ofuscam a luminosidade da Democracia que estamos construindo no Pais. É urgente a necessidade de democratização do Judiciário sob pena de perdermos todas as conquistas obtidas pelo povo nas urnas e chanceladas pelos Poderes Executivo e Legislativo. O descompasso do Judiciário compromete os avanços sociais e decisões imbecis como essa não contribuem para o aperfeiçoamento e pacificação da sociedade. Numa síntese, uma aberração que agride todos os princípios constitucionais, regurgita sobre a cidadania e empesteia o ambiente democrático.

  2. - IP 200.96.144.172 - Responder

    Depois que esta desembargadora, pelo que sei, votou a favor do banco do brasil, mesmo este tendo apresentado extrato bancario falsificado como novo e tendo sido avisada previamente (fonte: http://www.maracutaianotjmt.com.br e no facemaracutaianotjmt ), ainda ser favorável a tirar velhinhos de dentro de seus terrenos de usucapiao há mais de meio seculo) em favor de documento falsicado pelo sr altamiro galindo), como este site publicou meses atrás e agora ir contra todo o judiciário brasileiro na maoria, nada mais a se surpreendido por decisões advindo desta desembargadora. Está na hora de se aposentar e fugir de fininho igual ao sr desembargador juracy persiani, por estar demasiadamente retrógada aos conhecimentos constitucionais. MAIS AO MENOS O DR YALE SABO MENDES PODE DORMIR TRANQUILO, que a sua decisão é a maioria sábia.

  3. - IP 201.23.177.163 - Responder

    Enock te conheço a mais de cinco anos das greves do judiciário, sempre acesso seu site e muita das vezes tolerarei e respeitei o seu ponto de vista e opinião, me diga em qual shopping e quando alguém foi barrado aqui em Cuiabá por conta de classe social, tô vendo que vc não tem jeito, pra vc quanto pior melhor, vc gosta de ver o circo pegar fogo, seu site vive de polêmicas e muitas das vezes joga do dois lados atiçando e jogando mais lenha na fogueira e gasolina no incêndio. Lá no fundo eu sempre soube que vc era do mal, mas não dá mais, vou parar de acessar seu site pra não começar o dia passando raiva, é isso que mais mata hoje em dia, raiva, nervoso e stresse = infarto, agradeço pela sua coerência em sempre publicar todos os comentários aqui postados, sucesso na sua caminhada.

  4. - IP 177.65.148.212 - Responder

    Dr. Tale sobe logo Mato GRosso precisa de vc.

  5. - IP 177.64.241.46 - Responder

    Fico vendo esses pseudos defensores da moralidade, que sempre numa visão miupe, só olham para o que os interessa. O jornalista fala do direito de ir e vir, e os outros direitos constitucionais? Patrimonio, segurança das pessoas? O rolezinho deve ser proibido sim. Quer marcar ponto de encontro, marca na rua, lá sim, é um ambiente público. Daqui pouco, as pessoas alegando exclusão social, vão se achar no direito de adentrarem a casa das pessoas, com melhor condições de vida, alegando que estão fazendo isso, pq na tiveram oportunidade.
    Esse tal rolezinho, vai forçar os proprietários de shopping ou logística, a cobrarem entrada nos shopping, daqui a pouco eles vão instituir, que quem fez compras ou consumiu nos bares e lanchonete, na saída apresentam o cupom e tão liberados, quem não gastou nada, tem que pagar a entrada, aí mais uma vez, nós vamos ficar com o ônus, dos tais movimentos sociais.
    Quer dar um rolezinho, paquerar, conversar, vai pra rua ou pra praça.

  6. - IP 200.96.182.146 - Responder

    Em recente postagem do site, vi um juiz singular condenar o sistema bancário em danos morais coletivos, eu disse nos comentário que em colegiado sempre revogam (em prol do sistema capitalista), aí está outro exemplo, que eu saiba enquanto não houver crime o judiciário não dá palpite, mas estou vendo o contrário nesse colegiado, desde é claro que privilegiam os ricos.

  7. - IP 177.142.99.71 - Responder

    Baderneiros ,mal- educados.Imaginem suas maes e criancas ao depararem com essa horda de selvagens correndo pelos corredores dos shopings so para aterrorizar e se der, roubar alguma coisa.Fim-da picada!Falta completa de autoridade.O Brasil esta se tornando insuportavel para quem e civilizado e gosta das coisas ordenadas.Por isso, estamos gastando cada vez mais dolares para passarmos as nossas ferias no exterior,longe desta mixordia e principalmente do Enock.Porque nao vao esses babacas fazerem um rolezinho em um mutirao para limpar seus bairros ou para ajudar nos hospitais ?Vagabundos e desocupados!

  8. - IP 177.201.97.123 - Responder

    Matéria bem ‘ralezinha “essa . Se esses delinquentes querem se reunir no shopping , que entrem um por um e se comportem como gente civilizada.
    Ora Enock ; dizer que a decisào da desembargadora é excludente , chega a ser patético. Ela ( a desembargadora) está PROTEGENDO quem frequenta o shopping ; esta protegendo quem lá trabalha , está protegendo o patrimonio dos que lá estào instalados , e é para isso que a justiça existe . Se esses vadios do tal rolezinho querem protestar , podem protestar no TCE , na ALMT, na camara dos horrores , e em outros lugares publicos , e nào no Shopping que é UM EMPREENDIMENTO PRIVADO aberto ao publico.

  9. - IP 187.58.28.105 - Responder

    Fraquinha essa decisão da Desa., aonde demonstra que ela não conhece absolutamente nada de Direito Constitucional, o que aliás não e’ novidade alguma nos meios jurídicos…

  10. - IP 177.193.138.42 - Responder

    Parabens pela decisao des.clarisse! Esses vagabundos nao tem o direito de invadir local privado para fazer arruaça! Bando de arruaceiros! E vc Enock francamente dar cartaz a esses vagabundos!!

  11. - IP 200.101.29.18 - Responder

    Adolf Hitler teve uma ideia semelhante a essa decisão que foi tomada pela desembargadora: pegou as pessoas indesejáveis da Alemanha e as confinou em guetos.
    É por ai?

    • - IP 177.142.99.71 - Responder

      Leia a historia,a questao nazista nao se compara a programinha de mau- gosto de baderneiros!

      • - IP 200.96.182.122 - Responder

        Acho que se compara, sim!
        Essas ideiazinhas idiotas, mesquinhas, visando o “bem”, transformaram nesse mau todo.

  12. - IP 187.113.45.160 - Responder

    Auto lá, caro missivista! Sábia decisão é a proferida pela DESEMBARGADORA. O missivista é jornalista, fica sentado de frente para um computador, no ar condicionado, escrevendo verdades e mentiras na necessidade de ganhar seu pão de cada dia. O missivista não é proprietário de um comércio que precisa vender, pagar impostos (o maior o mundo), pagar funciário, luz, agua, telefone, etc. etc. etc. O tais “rolezinhos” defendidos por meia dúzia de metidos a intelectuais, não passa de desocupados (fruto da política de direitos humanos do PT, que entre outras, está a criminosa ESCOLA CICLADA). Para sua informação, sr. missivista, os shopping centers sempre foram frequentados em sua maioria absoluta, pela classe mais pobre desse País. Os “rolezinhos” são marginais espalhando a desordem que está virando esse País.

  13. - IP 187.113.45.160 - Responder

    Sr. “jornalista”, já que defende e concorda com os “rolezinhos”, diga a eles que o local adquado para protestarem é na AL-MT (empresa do sr. Riva), Palácio do Governo, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiças, OAB-MT, Ministério Público e por aí vai. O sr. não pode incentivar esses criminosos a pertubarem os comerciantes, ou seja, a classe que gera empregos e pagar a maior carga tributária do mundo.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Tá certo Marcos, essa juventude bem que poderia faz um rolé nesses locais, também ….

  14. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Para quem veio de baixo, filha de um garimpeiro, essa decisão mostra o quanto a boa vida de um contra-cheque na casa dos 50 mil reais, ajuda uma pessoa a mudar de pensamento, assim como muda de classe social. Lamentável …
    Os comentário aqui postados também ajudam agente a identificar a ideologia de muitos ….

  15. - IP 37.228.106.79 - Responder

    talvez a desembargadora seja proprietaria d alguma loginha dentro do shoping e o roleh vai atrapalhar as vendas.
    Quanto as manifestações de um modo geral estão banalizadas sem objetivo, por isso não são levados à sério, só chamam atenção pelo vandalismo. O que é ironico é que muitas vezes se tem as mentes pensantes para uma revolução porem não tem apoio das classes, no monento tem-se a massa e nenhuma mente pensante para liderá-la. E por ai se vai caminhando contra o vento sem lenço sem ‘pensamento e planejamento’ eu voooouuuu….

  16. - IP 187.53.181.189 - Responder

    Com a decisão da desembargadora, não muda absolutamente nada. O relezinho continua.

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    Violência e medo nos centros de compras (“shoppings”)

    Violência e medo nos centros de compras (“shoppings”)

    Com a entrada em ação dos rolezinhos nos centros de compras, muita gente – pobre, mediana e rica – ficou com muito medo.

    E não é para menos. A cada dia os centros de compras estão mais inseguros e perigosos.

    Aqueles que vão aos centros de compras, seja para um cinema (monopólio, pois só existe nos centros de compras), ou tomar um café, ou jantar ou passar numa livraria estão percebendo que de uns tempos para cá os centros de compras estão dando medo. Muito medo.

    Os assaltos à joalherias dentro dos centros de compras são realizados com metralhadora e fuzil. Assassinato dentro do Éden do consumo pelos próprios seguranças. Sequestros realizados por bandidos nos estacionamentos. Tudo isto já seria motivo de preocupação em deixar seus filhos ou até você mesmo passear nos centros de compras no Brasil.

    Mas existem outros inconvenientes. Primeiro que toda vez que vamos aos centros de compras somos assaltados por um máquina que diz: ? Seja bem-vindo ao ?xopin? tal. Boas compras?. E lá se vão no mínimo R$ 5,00 ou R$ 10,00 de estacionamento obrigatório e monopolizado. É de arrepiar.

    Os preços nos centros de compras são abusivos. Em alguns centros para se evacuar e urinar tem que pagar mais uma taxa.

    Em relação aos trabalhadores que fazem os centros de compras funcionar, vira e mexe, é acionado o sindicato, o Ministério Público do Trabalho e o Judiciário Trabalhista devido à exploração que são submetidos, principalmente, quando são obrigados a trabalhar em feriados municipais.

    Já teve centro de compras que desabou. Isto. Desabou.

    O impacto no meio ambiente é brutal. Quantas toneladas de lixo são produzidas? Quantos metros cúbicos de água são necessários para se manter tudo funcionando? Qual é a contribuição ao aquecimento global para se manter uma área enorme esfriada? Ah! mas isto é porque existem os consumidores e são estes que provocam todo o impacto. Sim, é verdade, mas quem é o responsável final é a empresa e não o consumidor. O que interessa é que existe um impacto brutal no meio ambiente e que não é cobrado dos centros esta fatura pelo Estado.

    Mas o medo não acaba aqui.

    Passear pelos centros de compra tem mais um fator inconveniente. Junto com pessoas de boa índole, pessoas bacanas, também encontramos nos corredores passeando alguns que roubam pra valer, alguns corruptos andam impunemente, alguns mega traficantes de drogas, alguns mega políticos ladrões, alguns mega empresários corruptos e todo tipo de corrupto, ladrões do dinheiro público e por aí vai.

    Alguns corruptos com processos às dezenas ou centenas. Alguns condenados pelo judiciário com trânsito em julgado. Alguns cumprindo pena no regime semiaberto. Mas não são todos, hein! Há exceções. Mas fazer o que, não dá para escolher quem vai ficar nos corredores, pois seria uma discriminação. Impedir este povo todo de entrar não dá. Chamar a polícia não dá, pois eles mandam na polícia. Liminar para impedir a entrada também não dá.

    Mas que dá medo dá. Os centros de compras são lugares perigosos.

    E pensar que muitos tem medo dos rolezinhos…

    Diante de toda esta violência, os rolezinhos mais parecem brincadeira de ciranda cirandinha.

    Pedro Aparecido de Souza

    21 de janeiro de 2013

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