NOTICIAS DO GOLPE: O golpismo floresceu à sombra da magna incompetência política do governo, essa é a verdade. A presidenta insiste numa estratégia fracassada. Não se nota nenhuma mudança na forma como se articula politicamente ou se comunica. Tudo na mesma. A presidenta se comunica apenas em eventos de lançamento de casa popular, uma imagem válida para prefeitos, não para presidentes da república. Ou que já está gasta. Nessa terça-feira, a conjuntura não mudou muito. Na verdade, piorou um pouco, com a decisão unânime do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de manter Cassio Conserino como promotor natural na investigação contra Lula e sua esposa. O CNMP votou com medo, isso ficou bem caro pela própria unanimidade do voto. A votação do CNMP não é um bom sinal, porque a covardia, assim como a coragem, é altamente contaminante. E se os ministros do TSE forem contaminados por essa mesma covardia institucional? LEIA ANÁLISE DE MIGUEL DO ROSÁRIO

ESTRATEGIA DE DILMA PARA ENFRENTAR O GOLPE ESTÁ FURADAA vitória do medo

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Análise Diária de Conjuntura – Edição da Tarde – 23/02/2016A conjuntura começou muito ruim para o governo e para o país, por causa da Lava Jato. Nessa terça-feira, não mudou muito.

Na verdade, piorou um pouco, com a decisão unânime do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de manter Cassio Conserino como promotor natural na investigação contra Lula e sua esposa.

O CNMP votou com medo, isso ficou bem claro pela própria unanimidade do voto.

O medo é uma força poderosa. Talvez a força mais poderosa de todas. E o Brasil hoje é um país dominado pelo medo. Maquiavel já explicava, em O Príncipe, que o método mais seguro para um governante manter o poder é o medo. O governante pode ser amado por seus súditos, mas nada se compara ao medo quando o objetivo é subjugar um povo.

No Brasil, o governo, já se viu, não exerce o poder. Não tem mídia, não tem dinheiro, não tem o apoio de setores estratégicos do Estado.

O clima político segue muito negativo. É como se o Sistema, com S ultramaiúsculo, estivesse se voltando cada vez mais contra o PT.

Qualquer decisão do Estado precisa ser contra o PT. Não importa mais o direito, a jurisprudência, nem o bom senso.

Cria-se, de fato, um Estado de Exceção, que vale, verdade seja dita, apenas para um lado da disputa política e apenas enquanto não houver uma vitória definitiva contra esse lado.

É uma atmosfera sinistra, com muita violência simbólica. Não espanta que comecem a aparecer assassinatos políticos, de prefeitos comunistas.

As eleições de 2014 já testemunharam muita violência.

A votação do CNMP não é um bom sinal, porque a covardia, assim como a coragem, é altamente contaminante. E se os ministros do TSE forem contaminados por essa mesma covardia institucional?

Gilmar Mendes deve assumir a presidência do TSE em breve. Ele anda quieto nos últimos dias, provavelmente por estar conspirando freneticamente pelo golpe.

Sergio Moro, agora não é mais segredo para ninguém, trabalha abertamente para derrubar o governo, e a prisão de Sergio Santana foi um espetáculo midiático deflagrado unicamente com este sentido.

O governo, por sua vez, permanece apático. Não entra no embate político e, com isso, ajuda a disseminar o clima de medo entre aquelas esferas da elite política, especialmente no setor público (ministros do STF, do TSE, do STJ, do CNMP, etc), hoje cada vez mais tímidas, que ainda ousa defendê-lo em nome da democracia e do Estado de Direito. Se o governo não se defende, como nós o defenderemos, devem pensar esses setores.

Na verdade, o governo cavou o buraco onde hoje se deita, assustado, esperando o golpe final do inimigo. Dilma Rousseff desmantelou todas as pontes de diálogo entre governo/PT e a sociedade.

Os conselhos, que serviam como espaço de diálogo entre sindicalistas e empresários, e, sobretudo, como um campo fundamental para o debate ideológico, foram esvaziados.

A consequência disso é terrível hoje, pois produziu um clima de desgovernança e suspeita.

O governo também destruiu os canais de comunicação direta com a sociedade, como o Café com a Presidenta, onde era possível conversar com a população. Já era um programa atrasado, por ser apenas em áudio, e deveria ter se tornado, há tempos, um programa em vídeo. Não houve aprimoramento. Apenas retrocesso.

Dilma e seu entorno parece ter confiado exclusivamente numa relação direta com os barões da mídia.

A realidade eleitoral, quando a presidenta ampliou seu diálogo com todos os setores sociais, inclusive com a blogosfera, para quem deu entrevista, parece não ter ensinado nada à presidenta.

Vencida as eleições, o governo voltou à sua arrogância de praxe.

O golpismo floresceu à sombra da magna incompetência política do governo, essa é a verdade.

A presidenta insiste numa estratégia fracassada. Não se nota nenhuma mudança na forma como se articula politicamente ou se comunica. Tudo na mesma.

A presidenta se comunica apenas em eventos de lançamento de casa popular, uma imagem válida para prefeitos, não para presidentes da república. Ou que já está gasta.

É evidente que a presidenta precisa se associar a projetos de ciência e tecnologia, de educação. O lema do governo não era Patria Educadora?

O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, permanece mergulhado em seu egoísmo. Não produz eventos para fora. A informação de Jorge Bastos Moreno, de que haveria filiação em massa de jovens, aparentemente não procede. A Globo não é mais fonte confiável para nada. Até mesmo quando algum figurão fala bem do PT, a informação é lixo.

Os congressos da juventude do PT tem sido um fiasco.

O governo Dilma tem se mantido à custa também do medo, não do governo, mas da aversão ao risco, que caracteriza a nossa sociedade, tanto elite como a massa.

O medo não deve ser subestimado. Ele é uma forma de inteligência. A aversão ao risco que caracteriza a nossa sociedade nasce das condições traumáticas da nossa história. Séculos e séculos de instabilidade política, de economia destruída, de crises e recessões monstruosas.

Mas o medo deve ser disciplinado, para que não seja paralisante.

Queremos acreditar que as trevas que se adensam hoje sobre o nosso país, esse Estado de Exceção cada vez mais sinistro que se instala, sejam o momento preparatório, necessário, doloroso, que precede um novo ciclo de evolução política.

A sociedade talvez precise experimentar novamente o autoritarismo para voltar a amar a liberdade.

Precisa voltar a experimentar o medo, para que voltem a desejar um Estado Democrático cujas firmes garantias individuais nos tranquilizem novamente.

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Moro e a exploração da ingenuidade imperial

 

Luis Nassif  em seu blogue

É irreal o grau de ingenuidade de setores do PT e do governo, aliviados com as informações que constam nos documentos que embasaram a Operação Acarajé, de que não há nenhuma evidência de que o marqueteiro João Santana tenha recebido dinheiro ilegal para as campanhas de Lula e Dilma.

Então, o juiz Sérgio Moro teria autorizado a prisão de Santana por suspeita de financiamento oculto para as campanhas presidenciais na República Dominicana?

É evidente que o objetivo de Sérgio Moro é derrubar o governo. É evidente que Moro está alinhado à oposição e à estratégia de Gilmar Mendes no TSE (Tribunal Superior eleitoral).

Pessoas minimamente antenadas teriam percebido desde o início a estratégia de Moro – porque é óbvia, pouco sutil. É impressionante, no entanto, a facilidade com que iludiu seus principais alvos, a presidente Dilma Rousseff e seu conselheiro-mor, o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Há duas lógicas na Lava Jato: uma, a lógica político-midiática, de criar o clima para o golpe final; e a lógica jurídica.

Juízes só julgam sobre o que está nos autos. Pode-se fazer a campanha política mais radical, mais evidente, desde que não conste dos autos. Constando dos autos, assim que os processos saírem do Paraná os tribunais superiores poderão reconhecer a parcialidade do juiz e a intenção política da Lava Jato.

A estratégia da Lava Jato foi simples. De posse das informações levantadas, com o poder de editar como bem entendesse, já que aliada à mídia, a Lava Jato direcionou todas as investigações para o lado de Lula e alimentou a mais pertinaz campanha de desconstrução da imagem de uma pessoa pública, desde a campanha contra Getulio Vargas em 1954.

A prisão da nata da malandragem teve como único objetivo recolher informações de ordem política. Depois, todos foram liberados, assim como Alberto Yousseff na Operação Banestado.

A campanha midiática teve por objetivo estimular o clamor popular e demolir as resistências do Judiciário contra os abusos da operação, até que o consenso popular faça o Judiciário assimilar qualquer Fiat Elba. Enquanto os delegados vazavam toda sorte de factoides, e os procuradores todo tipo de discurso político, os autos permaneceram impolutos: não há nada contra Lula, Lula não está sendo investigado, Lula não é suspeito.

No reino colorido de Brasília, o conselheiro José Eduardo Cardozo acalmava a Rainha Dilma e lhe dizia:

– Viu? Não há o que temer. A operação é republicana.

Ontem, na véspera de se consumar o estupro, começou a cair a ficha das virgens do Planalto de que havia algo de estranho no comportamento de Sérgio Moro.

Provavelmente, é o mais ingênuo governo da história do país. Nem Wenceslau Braz conseguiu superá-lo.

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