No Brasil onde a política foi judicializada, o Judiciário vai sendo cada vez mais politizado. Além do juiz Julier, provável candidato pelo PT a governador, em Mato Grosso, também despontam como candidatos a ministra Eliana Calmon (PSB), na Bahia, a ministra Ellen Gracie (PSDB) e o ministro Joaquim Barbosa (?), esses dois provavelmente no Rio. Força destas personalidades questiona força dos partidos

julier joaquim barbosa e eliana calmonO lançamento da candidatura do juiz federal Julier Sebastião da Silva, como pretenso candidato do Partido dos Trabalhadores a governador de Mato Grosso, na sucessão do atual governador Silval Barbosa (PMDB), se constitui na grande novidade, em nosso Estado, para o pleito que se avizinha. Em uma conjuntura em que partidos políticos, parlamentos e estruturas de governo perdem força diante do fortalecimento do protagonismo político do Poder Judiciário e de seus agentes, não é de estranhar que, além de Julier Sebastião, outros nomes do Judiciário estejam se impondo como opções eleitorais para 2014. Esse é o fenômeno da hora, a reclamar pela necessária reflexão dos cidadãos. Será que este é um bom caminho para a construção de novas lideranças politicas e sociais? Até que ponto os partidos políticos serão esgarçados dentro deste processo? Quando é que o programa de governo passará a valer mais, efetivamente, do que o nome do candidato?  Leia o noticiário. (EC)

 

MAIS UMA JUÍZA-POLÍTICA: AGORA, É ELLEN GRACIE

BETO BARATA: DF - BATTISTI/STF  - POL�TICA - A ministra Ellen Gracie durante sess�o do Supremo Tribunal Federal (STF) que julga o destino do ex-ativista italiano Cesare Battisti, em Bras�lia,   nesta quarta-feira.    08/06/2011 - Foto: BETO BARATA/AG�NCIA ESTADO/AE

Ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie já está filiada ao PSDB, mas ainda não se sabe que cargo disputará; antes dela, Eliana Calmon trocou o Superior Tribunal de Justiça pelo PSB; judicialização da política tem transformado juízes em candidatos; agora, só falta o mais notório de todos, que é Joaquim Barbosa

 

 

247 – No Brasil, a toga virou trampolim para a política.Primeiro, foi Eliana Calmon, que deixou o Superior Tribunal de Justiça e se filiou ao PSDB, após fazer campanha contra os “bandidos de toga”.Agora, é a vez de Ellen Gracie, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal e ex-conselheira do grupo EBX, de Eike Batista, que decidiu se filiar ao PSDB. Ele ingressou nos quadros do partido em 5 de outubro, a tempo de ser candidata nas eleições de 2014.Agora, só falta Joaquim Barbosa trocar o Judiciário também pela política. Ele tem até março para tomar sua decisão.Num país onde a política foi judicializada, o Judiciário começa a ser politizado.—————–

ELIANA: “NÃO AGUENTEI OS APELOS QUE RECEBI”

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Caçadora dos “bandidos de toga” fez discurso romântico na cerimônia de ‘filiação simbólica’ à Rede e admitiu que tenta usar a fama que ganhou no CNJ para lograr êxito na vida político-partidária; “Comecei a ganhar espaço que não esperava com minha atividade de disciplinadora, de inconformada com o estado das coisas. Comecei a receber e-mails, visitas e verifiquei que não tinha o direito de sepultar a esperança que depositavam em mim”; ela diz porque será candidata ao Senado; “Descobri neste caminhar que o Poder mais forte da República é o Legislativo, capaz de mudar o destino da nação através da reforma”

 

Romulo faro, do Bahia 247 – A juíza-política Eliana Calmon admite que tenta usar a fama que ganhou por conta da notoriedade que ganhou enquanto corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para lograr êxito na vida político-partidária, para qual entrou ontem com ‘filiação simbólica’ à Rede Sustentabilidade, o partido ‘clandestino’ da ex-ministra Marina Silva.”Não aguentei os apelos que recebi quando era corregedora. Comecei a ganhar espaço que não esperava com minha atividade de disciplinadora, de inconformada com o estado das coisas. Comecei a receber e-mails, visitas e verifiquei que não tinha o direito de sepultar a esperança que depositavam em mim”.A caçadora dos “bandidos de toga” do Judiciário brasileiro se filia hoje ao PSB em festa que terá como maestro o governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente da República, Eduardo Campos. Ele chegou a Salvador ontem e também participou da ‘filiação simbólica’ de Eliana à Rede de Marina.Ainda no discurso romântico, a juíza-política justificou sua escolha pelo Legislativo. “No espaço do Poder Judiciário não podia fazer mais nada, porque se esgotou minha tarefa como corregedora, e descobri neste caminhar que o Poder mais forte da República é o Legislativo, capaz de mudar o destino da nação através da reforma e foi neste momento que vislumbrei a possibilidade de continuar a servir meu país”.Contudo, apesar de toda a euforia dos ‘fãs’ que alega ter, Eliana tenta mostrar humildade. “Quero ganhar, mas se não conheci minha terra, a Bahia, eu tenho essa grande dívida com meu povo. Conheço pouco a Bahia, de livro e biblioteca. Mas, se não conheço o chão da Bahia, vou conhecer”.O PSB terá na Bahia e ‘chapa dos sonhos’, com candidatura de Eliana Calmon ao Senado e encabeçada pela candidatura da senadora Lídice da Mata ao governo do estado.—————–

CAMPOS SAÚDA ELIANA CALMON E AFAGA LULA

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Um dia após a ex-ministra do STJ Eliana Calmon ter se filiado do PSB, o governador de Pernambuco e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos, disse que Eliana representa para o partido “a possibilidade de a gente oxigenar e melhorar a política pelo respeito que a gente tem pela política”; mostrando não ser anti-PT, Campos mencionou novamente o ex-presidente Lula, que, segundo o gestor, representou a chegada do “primeiro filho do povo brasileiro à presidência da República”

 

 

Pernambuco 247 – Um dia após a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon ter se filiado ao PSB, o governador de Pernambuco e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos, presidente nacional da legenda socialista, voltou a empregar o discurso da nova política e citou ex-ministra como exemplo. De acordo com o gestor, Eliana representa para o PSB “a possibilidade de a gente oxigenar e melhorar a política pelo respeito que a gente tem pela política”. Mostrando não ser anti-PT, Campos mencionou novamente o ex-presidente Lula e afirmou que a política precisa de inovação como foi a chegada do “primeiro filho do povo brasileiro à presidência da República”.”Todo mundo sabe que, para melhorar o Brasil, vamos precisar melhorar a política, porque é ela que vai tomar as decisões sobre o futuro do Brasil. Como vai melhorar a política econômica? como vai melhorar a política educacional? como vai melhorar o SUS? Como faz isso? Isso vai passar por decisões políticas”, declarou o governador em entrevista ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. “Como melhora a política? É trazendo jovens, trazendo artistas, intelectuais, servidores públicos, pessoas que acumularam experiências, como Eliana Calmon”.

Campos tem insistido em bater o martelo sobre a nova política, que será um dos principais motes do seu discurso na campanha eleitoral de 2014. O que também chama a atenção são as constantes menções ao ex-presidente Lula feitas pelo governador. Dessa maneira, o chefe do Executivo pernambucano tenta mostrar que não é contra outras forças políticas – neste caso, o PT -, mas sim, contra a forma de governar da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Você acha que o velho arranjo do presidencialismo de coalizão, dos 39 ministérios, de todo aquele conjunto que cerca ali e muitas vezes eu acho que até constrange a presidente vai apresentar algo de inovador, como foi inovador a luta pelas diretas, pelo impeachment, como foi inovador a chegada do primeiro filho do povo brasileiro à presidência da república?”, questionou Campos.

Após lançar candidatos em cidades importantes, como Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE), na eleição de 2012, onde o PT também tinha candidato, Campos passou a ser taxado de traidor. Para o governador, “este discurso de mágoa, de raiva, de ressentimento” nunca foi a sua praia e “já foi testado e derrotado na eleição de 2012”.

“Quem derrotou este discurso foi a nossa capital Recife, que, de forma clara, colocou esta questão”, disse Campos, referindo-se à vitória do ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio para prefeito do Recife. “Cada um faz o discurso que entende que deve fazer”, complementou.

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DORA: BARBOSA PODE TENTAR O SENADO EM 2014, NO RIO

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Colunista afirma que Joaquim Barbosa tem, sim, pretensões políticas e afirma que ele vem se aconselhando com gente do ramo; jornalista afirma que presidente do Supremo Tribunal Federal teme entrar na briga pelo Planalto, porque, neste caso, seria acusado de ter usado a Ação Penal 470 como trampolim; ser vice na chapa de um dos adversários do PT também seria uma opção mais arriscada; por isso, ela aposta numa vaga ao Senado

 

247 – A jornalista Dora Kramer, colunista do Estado de S. Paulo, afirma que Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, foi o “personagem do ano”, e revela que ele tem, sim, pretensões políticas (leia aqui sua coluna).Segundo Dora, Barbosa vem se aconselhando com gente do ramo, mas receia mergulhar de cabeça na disputa presidencial de 2014. “Aos interlocutores disse que não rejeita concorrer à Presidência. Acredita que, se o fizesse, estaria dando razão às acusações de que conduziu o julgamento do mensalão com a finalidade de angariar apoio político e eleitoral”, diz ela.

Dora também aborda outra possibilidade: a de que ele seja vice de algum dos adversários da presidente Dilma Rousseff. “Obviamente ele não concorreria por partido governista – até porque um dos conselheiros mais frequentes é marcadamente de oposição -, o que também daria margem a críticas do PT em relação à conduta dele no Supremo”.

Por isso, a jornalista afirma que a saída mais segura é uma candidatura ao Senado Federal, no Rio de Janeiro, onde o nome que seria favorito, do governador Sergio Cabral, vive seu momento mais baixo de popularidade. “A melhor porta de entrada na política, na avaliação resultante das consultas feitas pelo ministro, seria uma candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro”, diz ela.

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O SENTA E LEVANTA DE JOAQUIM BARBOSA

Cadu  Amaral
CADU AMARAL BRASIL 247

Então por que Joaquim Barbosa se deixou fotografar sentado ao lado de Skaf? Ele considera o presidente da FIESP um igual? Ou será que deseja que o empresário paulista lhe consiga patrocinadores de campanha?

 

Joaquim Barbosa negou a suspensão da liminar que impede a implantação do IPTU progressivo na cidade de São Paulo feita a pedido da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) e do PSDB. Ela foi concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Como a decisão de manter a liminar foi monocrática, ainda poderá ser revertida em plenário.

Segundo Fernando Haddad (PT), prefeito da capital paulista, essa é a primeira vez, desde Jânio Quadros, que um prefeito é impedido de atualizar o valor do imposto municipal. Talvez por ser a primeira vez que isso é feito para beneficiar os mais pobres.

A decisão por si não é de causa surpresa visto as últimas ações de Barbosa no comando do Supremo Tribunal Federal (STF). O que chama a atenção são as fotos das reuniões com Paulo Skaf, presidente da FIESP e com o prefeito de São Paulo. Com o empresário ele se deixou fotografar sentado e com o petista em pé.

Há tempos que se sabe que Joaquim Barbosa sofre de dores na coluna e que por isso fica constantemente em pé nas sessões do STF e em reunião do seu dia a dia. Mas daí a sentir dores que o impossibilitem de sentar, mesmo por alguns minutos, já é caso de aposentadoria por invalidez.

Barbosa, com todas as personalidades com quem se reuniu em seu gabinete, sempre foi fotografado em pé enquanto seus convidados estavam sentados. Simbolicamente isso representa superioridade. No ponto mais alto fica quem é superior.

Por exemplo, nenhuma bandeira, de qualquer que seja o país, pode estar em um ponto mais alto do que a bandeira do Brasil em nosso território. Aqui a bandeira mais importante é a nossa, por isso fica no ponto mais alto.

Então por que Joaquim Barbosa se deixou fotografar sentado ao lado de Skaf? Ele considera o presidente da FIESP um igual? Ou será que deseja que o empresário paulista lhe consiga patrocinadores de campanha, caso a financiamento eleitoral ainda continue valendo para 2014? A ver.

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Barbosa diz que poderá pensar sobre candidatura à Presidência no futuro

Presidente do STF participou de evento sobre jornalismo investigativo.
Magistrado também admitiu se aposentar antes de completar 70 anos.

Thiago ReisDo G1, no Rio

Barbosa participa de evento da Abraji no Rio.  (Foto: Isabela Marinho)O presidente do STF, Joaquim Barbosa, participa de evento da Abraji no Rio. (Foto: Isabela Marinho)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, afirmou nesta segunda-feira (14) que poderá avaliar a possibilidade de ingressar na política após deixar a magistratura e, inclusive, de se lançar candidato à Presidência da República. Segundo o ministro, somente depois de se aposentar ele irá pensar sobre seu futuro profissional pós-Judiciário.

“Quando sair do Supremo, posso refletir sobre isso [eventual carreira política]”, destacou Barbosa durante conferência da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), no Rio. A declaração do ministro foi dada após ele ter sido questionado diversas vezes, durante o evento, sobre se considerava a hipótese de disputar um cargo eletivo. Ao final, questionado se cogitava disputar a Presidência da República após se desligar do STF, afirmou: “Não tenho no momento nenhuma intenção de me lançar candidato à Presidência. Pode ser que no futuro mude”.

Barbosa foi o palestrante do painel “Brasil – Avanços e Retrocessos Institucionais”, realizado na 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo, organizada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), no Rio de Janeiro. O debate foi mediado pelo professor da Universidade do Texas Rosental Alves e pelo jornalista Fernando Rodrigues.

Em meio ao painel, o chefe do Judiciário também foi indagado sobre se cogitava a possibilidade de se aposentar da Suprema Corte antes de completar 70 anos, idade-limite para permanência no serviço público. Atualmente com 59 anos, o ministro admitiu que há a possibilidade de ele deixar o tribunal antes da aposentadoria compulsória.

Eleições 2014
Mesmo sempre tendo descartado ingressar na política, Joaquim Barbosa apareceu bem posicionado em recentes pesquisas eleitorais que sondaram as intenções de voto para a eleição presidencial do ano que vem. Nesta segunda, indagado por um dos mediadores do painel sobre se tinha “simpatia” por algum dos potenciais candidatos à Presidência da República, o presidente do STF criticou o atual cenário político. “O atual quadro político partidário não me agrada nem um pouco”, enfatizou.

Reforma política
Barbosa disse ainda que um dos mais prementes problemas do país é a necessidade de se promover alterações no sistema político e partidário brasileiro. Segundo ele, a reforma política “tem sido sistematicamente ignorada”. Para o presidente do STF, a política nacional é movida por um “combustível nada limpo, que é o dinheiro de origem duvidosa”.

Entre os pontos da legislação que deveriam ser modificados, na opinião de Barbosa, estão o voto obrigatório, a impossibilidade de candidaturas avulsas, a falta de limites de partidos políticos, e a suposta mercantilização e coronelismo da política.

Sobre o sistema judiciário, o ministro ponderou que ainda há “lentidão e falta de compromisso” e que o bacharelado está “decadente”. “Está alheio à realidade da vida (…), impregnado de uma cultura jurídica complacente com a impunidade”, opinou.

Barbosa também falou no congresso organizado pela Abraji sobre a atividade jornalística e disse que, na visão dele, “o desafio mais crucial hoje é a ausência de pluralismo”.

Ele criticou a suposta falta de oportunidades para negros na imprensa. “Negros e mulatos perfazem 51% da população. No entanto, eles são muito raros nas redações, salas de imprensa e no noticiário televisivo, para não falar da quase completa ausência em postos de liderança”, disse. “A consequência disso é que esse segmento se vê excluído das discussões”, ressaltou Barbosa.

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