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Neste domingo (4), acontece em São Paulo a 18ª edição da Parada do Orgulho Gay, comunidade que continua enfrentando muita discriminação e violência no Brasil. Relatório do Grupo Gay da Bahia aponta que 312 gays, travestis e lésbicas foram assassinados em 2013, o que em média equivale a um assassinato a cada 28 horas

O beijo gay ganhou espaço nobre na televisão brasileira. A violência contra os gays, todavia, continua muito presente no dia-a-dia de nosso País

O beijo gay ganhou espaço nobre na televisão brasileira. A violência contra os gays, todavia, continua muito presente no dia-a-dia de nosso País

 

SEGUNDO ESTUDO DA USP

Três em quatro homens que revelam orientação sexual sofrem algum tipo de violência

Além de igrejas, escolas e faculdades, discriminação e violência são grandes também nos círculos sociais mais próximos e até mesmo no contexto familiar
 
SAN DIEGO SHOOTER/CC
gaylove_121017__san_diego_shooter_cc.jpgPesquisa revela que rapazes com mais de 30 anos têm mais dificuldade em revelar a orientação sexual

São Paulo – Será realizada neste domingo (4) a 18ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. O evento enseja reflexões sobre conquistas do movimento em todo o mundo, como a visibilidade dessa população e o reconhecimento da união homoafetiva. E também sobre desafios que permanecem, como vencer a discriminação e a violência.

Um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado em fevereiro, aponta que 312 gays, travestis e lésbicas foram assassinados em 2013, o que em média equivale a um assassinato a cada 28 horas. Para a coordenação do GGB, a União e os governos estaduais falham na garantia de segurança a essa comunidade. Há ainda a impunidade: de cada dez assassinatos, somente três tiveram os autores identificados.

Segundo o documento, o Brasil segue na liderança do ranking dos chamados crimes homo-transfóbicos, concentrando, em 2013, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis. Pernambuco e São Paulo são os estados onde mais LGBT foram assassinados. Roraima e Mato Grosso são os mais perigosos para essa população. Manaus e Cuiabá, as capitais onde registraram-se mais crimes homofóbicos, sendo o Nordeste a região mais violenta, com 43% de “homocídios”.

A discriminação, que dá início à violência, não está somente nas praças e nas ruas. Tampouco é praticada somente por desconhecidos. Está nos ambientes religiosos, nas escolas, faculdades, nos círculos sociais próximos, entre amigos e vizinhos e, principalmente, no contexto familiar.

De acordo com o psicólogo Luiz Fabio Alves de Deus, que entrevistou homens que fazem sexo com homem para sua pesquisa de mestrado pela Faculdade de Saúde Pública da USP, os dados são preocupantes: ao revelarem sua orientação sexual, quase três quartos dos entrevistados foram agredidos verbalmente – justamente pela sexualidade;  21% sofreram violência física; e 42% receberam ameaças de agressão por não serem heterossexuais. Assim como a violência, a discriminação era maior entre aqueles que assumiam sem reservas e para mais pessoas a sua sexualidade.

“Há um discurso de aparente tolerância. Em muitas famílias, é comum aceitarem desde que a pessoa não torne pública a sua orientação sexual, numa vida clandestina”, diz Luiz Fabio. Segundo ele, revelar a orientação sexual é ainda mais difícil para aqueles que já sofrem algum outro tipo de preconceito na sociedade, como os negros, daí o fato de eles, proporcionalmente, se assumirem menos.

Dados do estudo mostram que os jovens, com até 30 anos, têm mais tendência a revelar a orientação sexual. Isso provavelmente porque os mais velhos amadureceram em uma época em que comportamentos sexuais diferentes da heterossexualidade eram menos aceitos.

Os dados fazem parte de uma pesquisa mais abrangente, feita em 2012, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em parceria com o Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS, e com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Luiz Fábio, que participou da pesquisa inicial, conta que o objetivo era estudar o comportamento e práticas sexuais de gays, bem como a prevalência de infecção por HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis entre homens que fazem sexo com homens.

“A discriminação e a violência são vistas com naturalidade, vivenciadas pela população não heterossexual em todos os contextos sociais em que circulam. Esperamos que esses resultados possam influir em políticas públicas. A exclusão e as violências sistemáticas a que está submetidas essa parcela da população afetam também a saúde, a educação e comprometem o exercício da cidadania destas pessoas, com implicações na igualdade de direitos em outros segmentos também, como entre homens e mulheres”, diz o pesquisador.

 

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Baiano aparece em lista dos 500 gays mais influentes do mundo

Publicação holandesa elege o gênio das artes Leonardo da Vinci para ocupar topo de ranking

 

O antropólogo e professor Luiz Mott está entre os LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) mais influentes do mundo. O ativista ocupa a 379ª posição na seleta lista dos 500  gays que tiveram maior impacto na sociedade divulgada pela revista holandesa ‘Wink’ e por sua versão internacional, ‘Mate’.

O gênio das artes Leonardo da Vinci, o filósofo Sócrates e o rei da Macedônia Alexandre, o Grande foram eleitos os homossexuais ocuparam o topo da lista. A publicação afirmou em seu texto que a lista serve como arma contra o preconceito e a discriminação ao mostrar que, apesar de poucos, os gays já fizeram muito pela humanidade.

Mott tornou-se célebre pelo ativismo em defesa da causa LGBT e por ter fundado o Grupo Gay da Bahia (GGB), nos anos 80. A seleção também conta com outros três brasileiros: o escritor João Silvério Trevisan (422ª posição), o diretor de teatro e dramaturgo José Celso Martinez (358ª) e o jornalista André Fischer (261ª).

Perfil
Poucos sabem, mas Luiz Mott nasceu em São Paulo, no ano de 1946. Filho da escritora Odete de Barros Mott e do italiano Leone Mott falecidos. Estudou em colégio interno religioso em Minas Gerais. Formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), curso de Mestrado em Etnologia, Faculté de Lettres e curso de Doutorado pela Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales, Université de Paris, Sorbone. Pós-doutorado pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. Foi professor substituto de Rute Cardoso na Unicamp, aposentou-se como professor titular de antropologia da Universidade Federal da Bahia.

Entre as honrarias recebidas o título de Cidadão Honorário de Salvador. Já em 2006, recebeu o título de cidadão baiano pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e do Piauí pela Assembléia Legislativa do Piauí em 2006. Também é cidadão Piauiense. Em 2007 recebeu a comenda de Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Em 2011 Luiz Mott foi agraciado com o titulo de Cidadão do Estado de Sergipe pela Assembléia Legislativa daquele Estado.

A dedicação a pesquisa histórica fez de Luiz Mott um dos principais pesquisadores sobre escravidão, inquisição, religiosidade e sexualidade no Brasil. É autor do livro Rosa Egipcíaca: Uma Santa Africana no Brasil, publicado pela editora Bertrand do Brasil em 1993. Uma etnografia a partir de documentos originais que resgata a vida da escrava que de prostituta virou uma das maiores santas no Rio de Janeiro de 1725. Livro que, segundo o próprio Mott espera ser uma grande mine série da Rede Globo, por ser original e resgatar uma personagem tão significante para á historia da cidade naquele tempo, uma mulher negra.

Luiz Mott foi um das celebridades acadêmicas do Brasil a contribuir com o primeiro volume do livro A História da Vida Privada no Brasil publicado pela editora Companhia das Letras. Iniciativa dos professores Fernando Novais e Lauro de Mello e Souza vencedor do Prêmio Jabuti 1998 de Melhor Livro de Ciências Humanas. Na coletânea Mott contribui com o artigo Cotidiano e vivência religiosa: entre a capela e o calundu. Mott também é autor do livro Crônicas de um Gay Assumido, publicado pela editora Record em 1991.

Mott,vive em Salvador desde 1980 quando iniciou sua carreira na UFBA e fundou o Grupo Gay da Bahia (GGB). Como ativista e decano do movimento homossexual brasileiro vêem fazendo duras críticas aos governos pela falta de políticas públicas no combate a homofobia no Brasil. Um estudo dele sobre crimes nos estados brasileiros em 2011 identificou 266 assassinatos de LGBT motivados pela homofobia, ainda segundo Mott a cada dia um LGBT é assassinado no Brasil e responsabiliza a falta de política pública de proteção aos LGBT no Brasil. Do Ibahia com informações de Marcelo Cerqueira.

 
Veja a lista com os 10 primeiros colocados no ranking da publicação:

1 – Leonardo da Vinci (mestre da arte Renascentista)
2 – Sócrates (filósofo)
3 –  Alexandre, o Grande (rei da Macedônia)
4 – Stephen Fry (ator e roteirista)
5 –  Oscar Wilde (escritor e poeta)
6 – Harvey Milk (ativista da causa gay)
7 – Peter Tchaikovsky (compositor)
8 – Júlio César (líder da Roma Antiga)
9 – William Shakespeare (escritor)
10 – Andy Warhol (artista

 

Casamento Gay - Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso

 

Casamento Gay - Marcelo Serrado e Cleo Pires

1 Comentário

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  1. - Responder

    Esse tal relatório só “esquece” de dizer que muitos gays, especialmente travestis, em sua grande maioria envolvidos com prostituição, tráfico e uso indiscriminado de crack e pasta base de cocaína, são mortos não pela orientação sexual, mas sim em razão das mazelas e violência que acometem referidos meios perniciosos, degradantes e sub-humanos…

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