Na Venezuela, Chavez quer seguir com experiência socializante. Henrique Capriles promete adotar capitalismo social aplicado no Brasil


Venezuela: compare os planos de governo de Chávez e Capriles

Hugo Chávez e Henrique Capriles se enfrentam nas urnas da Venezuela neste domingo, dia 7 de outubro, com planos de governo que evidenciam as diferenças políticas entre os candidatos. Enquanto Chávez promete seguir em busca do socialismo no país, Capriles se mostra a favor do capitalismo social aplicado no Brasil – e quer reverter muitas políticas aplicadas pelo atual presidente nos últimos 13 anos. Veja as principais diferenças nos projetos de Chávez e Capriles para o próximo mandato presidencial na Venezuela.

Ideologia política

Hugo Chávez propõe, em seu quarto mandato, tornar irreversível o modelo do “socialismo bolivariano do século XXI”. Ele diz que quer ampliar a venda de alimentos subsidiados pelo governo e expandir a propriedade social – nas mãos de comunicadas, do Estado ou dos dois. O atual presidente também quer que 68% dos venezuelanos vivam em comunas até 2019.

Chávez também promete criar novas “missões”, planos de assistência em saúde, educação, moradia e subsídios a setores vulneráveis. O candidato à reeleição quer aumentar a hegemonia comunicacional do governo por meio de várias emissoras de rádio e TV estatais, que seriam utilizadas como “instrumento de formação da transição ao socialismo”.

Henrique Capriles, por sua vez, busca uma volta à descentralização do poder, o desenvolvimento regional e a convivência de posições políticas distintas. Ele diz que irá manter os programas sociais criados por Chávez, transferindo recursos a famílias na extrema pobreza.

Capriles quer criar um milhão de empregos em seis anos, a partir de uma lei do primeiro emprego e de capital estrangeiro. Segundo assessores do candidato, ele interromperia as estatizações e revisaria as condições das empresas que já foram tomadas pelo Estado, devolvendo algumas para o setor privado. O opositor de Chávez diz que flexibilizará os trâmites burocráticos para facilitar a operação de empresas privadas.

Economia

Chávez reforça promessas feitas desde seu primeiro mandato, como o aumento da produção agrícola, o investimento em aparato produtivo e o controle da inflação. Até 2019, o presidente promete que 90% dos alimentos básicos serão produzidos na Venezuela.

Ele prevê aumentar o fundo conjunto do país com a China, que usa petróleo para pagar por um financiamento e que já levou US$ 32 milhões a projetos de infraestrutura. Chávez também quer manter sua política de “monitoramento contra a usura e a especulação”, baseada no congelamento de preços e fiscalização de cadeias comerciais.

Já Henrique Capriles diz que dará moradia a quase 3 milhões de venezuelanos e melhorará as condições de favelas. Ele quer retirar gradativamente os controles de preços e câmbio instalados no país desde 2003.

O candidato busca atrair capital local e estrangeiro ao criar confiança e segurança jurídica no país. Capriles também propõe incentivos fiscais e facilidades ao crédito produtivo em áreas industriais e agrícolas.

Petróleo

O presidente Chávez quer elevar a produção do país de 3 milhões de barris por dia (bpd) para 4 milhões bpd em 2014 e 6 milhões bpd em 2019. Ele também pretende concluir sei novos equipamentos para processar o óleo da Faixa do Orinoco e duplicar a produção do campo para 2 milhões bpd em 2019.

Hugo Chávez também promete acelerar os projetos de exploração de gás. O presidente quer manter os acordos de venda de petróleo bruto com países da América do Sul e do Caribe, que sustentam a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

Henrique Capriles propõe aumentar a produção petroleira em ao menos 200 mil bpd por ano. Ele também quer revisar as parcerias firmadas nos últimos anos com empresas estrangeiras, em uma grande auditoria da gestão pública.

O governo de Capriles continuaria a pagar os empréstimos contraídos. O candidato quer buscar que outros produtores de petróleo da região contribuam com o fornecimento ao Caribe e à América do Sul.

Poder militar

Hugo Chávez promete ampliar a participação de milícias formadas por civis na defesa do país. Um dos objetivos dele é incrementar o “poderio militar e de inteligência”. Após ter investido em compras de recursos militares nos últimos anos, o presidente quer criar fábricas de munições e fuzis com financiamento russo. Chávez também continuaria produzindo aviões não tripulados com ajuda do Irã.

Henrique Capriles propõe despolitizar as Forças Armadas. Ele também quer acabar com a compra de armas de outros países.

Pobreza

Chávez diz que quer erradicar a pobreza através da inclusão social. Segundo números oficiais, durante a gestão do atual presidente, o número de pessoas pobres no país diminuiu de 60% para 27% da população. A miséria diminuiu de 21% para 7% na Venezuela, Hugo Chávez quer aumentar a escolaridade dos venezuelanos para que 100% tenham ensino básico e 90% tenham ensino superior.

Capriles propõe criar um sistema de assistência social sustentável com a capacitação de chefes de famílias pobres, além de dar ajuda financeira a pessoas em condições de miséria. O candidato disse que a educação e a geração de empregos seriam os dois eixos principais de seu governo. Ele quer construir e reformar escolas e aumentar a cobertura da rede de saúde pública.

Segurança pública

Os venezuelanos identificam a segurança pública como o principal problema do país. Hugo Chávez diz que criará uma missão centrada em melhorar o policiamento, focando na prevenção e na punição dos crimes.

O presidente também diz que criará novas prisões, além de promover a “produção social” em penitenciárias. Ele propõe criar alternativas às condenações e limpar a ficha criminal após o cumprimento da pena, com o fim de promover a reinserção social dos ex-detentos.

Henrique Capriles propõe um sistema de “zero tolerância frente à violência, ao crime e à impunidade”. Ele quer despolitizar a polícia, aplicar uma “política forte de prevenção” e busca opções para reduzir a impunidade – segundo ONGs, a cada 10 crimes, nove não são penalizados, e 70% dos delitos não são denunciados.

Com informações da Reuters.

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