PREFEITURA SANEAMENTO

MULHER OBJETO DE CAMA E MESA: Filósofo Luiz Felipe Pondé apresenta as mulheres como coisas que os jovens de esquerda pegam e comem melhor que os jovens de direita, em artigo na Folha de S. Paulo. Para analista Fernando Brito, “é algo comum aos filhotes do CQC tentar alcançar a notoriedade pela grosseria e pela escrotidão mental”

Pondé, a indigência mental do “filósofo-pegador” da nova direita.

21 de abril de 2014 | Por Fernando Brito, em O TIJOLAÇO

pondepegador

Não costumo perder meu tempo lendo o que escreve o filósofo (ai, jesus!) Luiz Felipe Pondé, elevado pela Folha à condição de pensador existencial.

Mas hoje, enquanto cuidava aqui por minha mãe, de volta a uma longa temporada de hospital, tive o descuido de ler sua coluna na Folha, intitulada Por uma direita festiva.

E deparei-me com abjeções em série.

“Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher. Este é o desafio maior para jovens que não são de esquerda.”

Pegar mulher, sim, senhores.

Uma coisa que se pega, não é?

Aliás, neste sentido primário, não me parece que, a não ser por desinteresse, jovens e liberais, do rei dos camarotes ao funk-ostentação, não têm muita dificuldade em “pegar mulher”…

Mas segui adiante, achando que pudesse ser ironia ou a tentativa de ser um “Macaco Simão” da filosofia.

“Um dos maiores desafios dos jovens que não são de esquerda não é a falta de acesso a bibliografia que seus professores boicotam (o que é verdade), nem a falta de empregos quando formados porque as escolas os boicotam (o que também é verdade), mas sim a falta de mulheres jovens, estudantes, que simpatizem com a posição liberal (como se fala no Brasil) ou de direita (quase um xingamento).”

Ah, estamos vivendo sob uma ditadura marxista, onde os livros do pensamento conservador são censurados e as empresas – verdadeiras células da ditadura do proletariado – discriminam os “jovens que não são de esquerda”.  Então, os caríssimos mauricinhos estão, além de privados de livros e empregos, vivem à míngua de companhia feminina…

Para mal dos meus pecados, não era brincadeira ou ironia. Pondé esclarece:

“Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (no meio universitário e afins), sendo liberal.”

Vejam que primor de explicação ele nos oferece:

“Os cursos em que você encontra jovens liberais (economia, administração de empresas, engenharia e afins) têm muito poucas mulheres e as que têm não têm muito interesse em papo cabeça e política. O celeiro de meninas que curtem papo cabeça e política são cursos como psicologia, letras, ciências sociais, pedagogia e afins, todos de esquerda.”

tab1O cidadão está meio atrasado.

Isso vem mudando faz tempo e, embora ainda sejam minoria na área de Exatas, as mulheres, na maioria destes cursos, estão longe de serem “muito poucas”, como se pode ver no exemplo da USP, registrado na tabela aí ao lado.

“Papo-cabeça”, política, ao que parece, na visão de Pondé, seriam como aqueles “assuntos de mulher” da primeira metade do século 20. Frivolidades, desperdício de tempo. E, ao “pegador”, aconselha ele, “pelo amor de Deus, não fale de economia”. As meninas destetam economia…

Será que é por uma inferioridade cerebral, professor Pondé?

Ao contrário, diz ele, “se você é de esquerda, pegar mulher é a coisa mais fácil do mundo”.

Ele imagina até o cenário da “pegada”: Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Claro, porque, “sem álcool e conversa (…) a humanidade teria desaparecido porque mais da metade das meninas não iam querer transar –principalmente quando descobriram a dor do parto”.

Com toda a sinceridade, por mais que eu esteja acostumado com a mediocridade mental da nossa “nova direita”, não deixo de ficar chocado com estes episódios de selvageria mental explícita.

É algo comum aos Constantinos, Azevedos,  ”humoristas”- filhotes do CQC: alcançar a notoriedade pela grosseria e pela – perdoem, mas a palavra é inevitável – escrotidão mental.

 

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CONFIRA AGORA O QUE PONDÉ ESCREVEU E A FOLHA DE S.PAULO PUBLICOU

 

Por uma direita festiva – LUIZ FELIPE PONDÉ

 FOLHA DE SP – 21/04
O maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher no meio universitário e afins
Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher. Este é o desafio maior para jovens que não são de esquerda.Um dos maiores desafios dos jovens que não são de esquerda não é a falta de acesso a bibliografia que seus professores boicotam (o que é verdade), nem a falta de empregos quando formados porque as escolas os boicotam (o que também é verdade), mas sim a falta de mulheres jovens, estudantes, que simpatizem com a posição liberal (como se fala no Brasil) ou de direita (quase um xingamento).

Os cursos em que você encontra jovens liberais (economia, administração de empresas, engenharia e afins) têm muito poucas mulheres e as que têm não têm muito interesse em papo cabeça e política. O celeiro de meninas que curtem papo cabeça e política são cursos como psicologia, letras, ciências sociais, pedagogia e afins, todos de esquerda.

E aí se recoloca o problema: quando liberais se reúnem há uma forte escassez de mulheres, o que é sempre um drama. E quando junta muito homem falando papo cabeça sem mulher por perto, todos ficam com cara de Sheldon. Sem mulheres, tudo fica chato em algum momento. Como resolver um problema sério como esse?

Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (no meio universitário e afins), sendo liberal. Claro, charme pessoal, simpatia, inteligência, grana, repertório cultural, sempre são fatores importantes, mas a esquerda tem um ponto a favor dela que é indiscutível: se você é de esquerda, pegar mulher é a coisa mais fácil do mundo. Qual o segredo da esquerda? É ser festiva.

Outro dia, conversando com um amigo e colega que é bastante conhecido (por isso vou preservar sua privacidade), chegamos à conclusão de que a direita (liberal, claro, não estou falando de gente que gosta de tortura, tá?) precisa desesperadamente encontrar sua face festiva.

A esquerda festiva (que é quase toda ela) reproduziu porque teve muitas mulheres à mão. Imagine papos como: “Meu amor, se liberte da opressão sobre o corpo da mulher!”. Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe (dela) por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Ou imagine você dizendo para uma menina bonitinha algo assim: “O capital mata crianças de fome na África!”. Mesmo sendo ela uma jovem endurecida pela batalha contra a opressão da mulher (por isso tenta desesperadamente ser feia), seu coração jorrará ternura.

Imagine a energia de uma manifestação! Braços dados ou não, mas caminhando e cantando. Imagine a fuga, correndo juntos da polícia. Os corações batendo juntos!

E claro, imagine vocês no bar da faculdade (matando a aula, porque quem assiste aula não pega mulher): muita cerveja, muitas juras de revolta contra as injustiças sociais, muitas citações de Marx e Foucault.

Ou, mais sofisticado ainda: um festival de documentários em Cuba! Meu Deus, pode haver paraíso melhor para se conhecer meninas “donas do seu corpo”?

Desde as primeiras populações na pré-história sabe-se que sem álcool e conversa (por isso aprendemos a falar, do contrário só as meninas falariam) a humanidade teria desaparecido porque mais da metade das meninas não iam querer transar –principalmente quando descobriram a dor do parto.

O canal para uma direita festiva é: fale de liberdade, do sofrimento humano, de corpo, discuta documentários, diga que a vida não tem sentido, mas que a beleza existe, não se vista como o Sheldon, viaje para a Islândia, e (pelo amor de Deus!) não fale de economia. As meninas destetam economia, essa “ciência triste”, porque atrapalha a alegria da vida.

Ou rezem para o Brasil virar a Venezuela e aí os meninos liberais vão pegar todas.

Eu sei: vão dizer que estou afirmando que discutimos papo cabeça para pegar mulher, mas, lamento, é isso mesmo que estou dizendo, pelo menos em parte. Acordei hoje numa “vibe” darwinista. Sorry.

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RODRIGO CONSTANTINO REPERCUTIU O TEXTO NA REVISTA VEJA

Pondé e a defesa de uma direita festiva

John Lennon & Che Guevara em fotomontagem: "Imagine all the people living as one"...

John Lennon & Che Guevara em fotomontagem: “Imagine all the people living as one”…

Em sua coluna de hoje, Luiz Felipe Pondé, com deliciosos toques de ironia, mas falando muito sério, sustenta a tese de que a direita ou os liberais precisam de uma roupagem mais “festiva”, ou seja, mais descolada que acalente os corações femininos. Sua explicação não poderia ser mais prosaica: os jovens querem “pegar” as meninas, e essas não costumam se interessar pela chatice do discurso frio e técnico econômico.

Em meu livro Esquerda Caviar, cheguei a incluir, entre as 20 potenciais origens do fenômeno, essa causa mais banal:

Para muitos estudantes, o discurso sensacionalista e revolucionário de esquerda pode ser também uma estratégia para conquistar corações, para “pegar” as meninas mostrando seu lado mais “humano”, contra os “mauricinhos” egoístas que só pensam em trabalhar. Nada como uma camiseta do Che e um bagulho no bolso, com a fala meio arrastada, para derreter o coração de uma patricinha entediada. Arnaldo Jabor, que tem feito um mea culpa de sua juventude comunista em suas colunas, confessou:

Pouquíssimas moças “davam”, na época anterior à pílula; transar para elas era um ato de coragem política. Nossas cantadas tinham uma base ideológica; famintos de amor, usávamos Marx para convencer as meninas.

Woodstock, Fórum Social Mundial, palcos para “revolucionários” destilarem suas soluções mágicas contra os males do mundo, atacarem todo o “sistema”, posarem de altruístas voltados somente para as vítimas desse sistema perverso, e tudo isso entre um tapa e outro na “pantera”, após fazer sexo com alguma mulher fácil e “progressista” da turma.

A esquerda sempre levou muita vantagem nesse quesito: discurso fácil, sensacionalista, que fala ao coração e não à razão, derretendo as meninas, que ainda por cima querem provar que são rebeles e “livres”, em vez de vítimas oprimidas do sexo frágil.

Como provar isso? Ora, claro que praticando o “sexo livre”, sendo fácil, pois a moça recatada e difícil é apenas alienada e dominada pela cultura machista e opressora. A esquerda é genial quando se trata de estratégia juvenil masculina para se obter sexo. E não é sexo que todos querem, ainda mais nessa idade? Pondé escreve:

A esquerda festiva (que é quase toda ela) reproduziu porque teve muitas mulheres à mão. Imagine papos como: “Meu amor, se liberte da opressão sobre o corpo da mulher!”. Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe (dela) por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Ou imagine você dizendo para uma menina bonitinha algo assim: “O capital mata crianças de fome na África!”. Mesmo sendo ela uma jovem endurecida pela batalha contra a opressão da mulher (por isso tenta desesperadamente ser feia), seu coração jorrará ternura.

Imagine a energia de uma manifestação! Braços dados ou não, mas caminhando e cantando. Imagine a fuga, correndo juntos da polícia. Os corações batendo juntos!

Falar da fome africana e culpar o capital, citar Marx e Foucault, colocar-se sempre do lado dos “oprimidos”, das “minorias” contra os ricos, ainda que buscando a “mina” num carrão importado, chegar com uma camisa do Che, tudo isso costuma ser “tiro e queda”: é conquista certa. O que os liberais têm a oferecer em contrapartida? A tese de que o livre mercado, na prática, ajuda muito mais os pobres? Defender a importância do lucro? Explicar que a inflação é a política de governo para obter um imposto disfarçado que prejudica justamente os mais pobres?

Sinto muito: não chega nem perto do calor de um discurso esquerdista. Como costumo “brincar” em muitas palestras, nós liberais precisamos admitir que nosso departamento de marketing fracassou. Talvez por ter a razão, acreditamos que nada mais era preciso. Ledo engano. Em democracias, o resultado depende do voto dos eleitores, e esse depende muito mais das emoções do que da sustentação racional dos argumentos. Pondé deixa suas dicas:

O canal para uma direita festiva é: fale de liberdade, do sofrimento humano, de corpo, discuta documentários, diga que a vida não tem sentido, mas que a beleza existe, não se vista como o Sheldon, viaje para a Islândia, e (pelo amor de Deus!) não fale de economia. As meninas destetam economia, essa “ciência triste”, porque atrapalha a alegria da vida.

Ou rezem para o Brasil virar a Venezuela e aí os meninos liberais vão pegar todas.

Torcer para o Brasil virar a Venezuela seria um preço muito alto a se pagar para “pegar as meninas”. Melhor adaptar um pouco o discurso, dar um peso maior ao lado emotivo, e aprender a transformar a mensagem liberal em uma luta menos “insensível” e técnica. A esquerda deve perder seu “monopólio da virtude”, pois é isso que está em jogo, e é essa sua principal arma no “debate” político.

Que os liberais aprendam a ser mais “festivos” e a apelar um pouco mais às emoções também, pois no final do dia isso faz diferença. Pondé alega que acordou numa “vibe” darwinista. Mas seus conselhos não deixam de fazer sentido só porque parecem machistas e politicamente incorretos. A verdade pode ser um tanto machista às vezes, ainda mais quando pensamos na teoria da evolução e na importância que o sexo tem nela…

Rodrigo Constantino

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Alex Antunes

O filósofo e a arte de não pegar ninguém

Por  | Yahoo – ter, 22 de abr de 2014

Tempos estranhos esses em que um arcebispo espanhol sugere o sexo oral pensando em Jesus Cristo, e o filósofo-e-astrólogo Olavo de Carvalho chama o membro masculino, num desabafo no Facebook, de “execrável salsicha viva que cospe” (!).  Eu resisto ao impulso de colocar o papa dizendo cazzo na lista – o mais perfeito “ato fálico” –, mas temos agora um trio seminal de reflexões sobre a condição de direita e a, err,“pegação” de mulheres.

O mais central desses três textos é “Por Uma Direita Festiva”, de Luiz Felipe Pondé, onde o filósofo-e-marujo afirma: “Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (…) A esquerda festiva reproduziu porque teve muitas mulheres à mão (…) Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe dela por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede”. E por aí vai, nessa visão bastante elegante e cheia de sutileza da sedução.

O assunto “não pegar” é sensível à direita. Lembremos que o AI-5 foi precipitado por um breve discurso do deputado federal Márcio Moreira Alves, em 1968. Inspirado na Lisítrata de Aristófanes, que trata de uma greve de sexo contra a guerra entre Atenas e Esparta, Moreira Alves sugeria (até um tanto singelamente) que as moças não dançassem com os soldados do exército brasileiro. Foi a recusa da Câmara em permitir a abertura de um processo de cassação do deputado por “injúria e difamação das Forças Armadas” que o Ato foi editado.

O colunista Rodrigo Constantino, como de costume, acorreu em defesa de Pondé, acrescentando animadamente (a pragmática animação de corno): “A esquerda sempre levou muita vantagem nesse quesito: discurso fácil, sensacionalista, que fala ao coração e não à razão, derretendo as meninas, que ainda por cima querem provar que são rebeles e ‘livres’, em vez de vítimas oprimidas do sexo frágil. Como provar isso? Ora, claro que praticando o ‘sexo livre’, sendo fácil, pois a moça recatada e difícil é apenas alienada e dominada pela cultura machista e opressora. A esquerda é genial quando se trata de estratégia juvenil masculina para se obter sexo. E não é sexo que todos querem, ainda mais nessa idade?”. Ilustra o texto uma bizarra colagem de Lennon e Che fazendo um som juntos; puro recalque.

Esse é um colunismo que eu chamo de “yang do yang”, que acredita que um ciclo começa num polo e acaba nele mesmo. À moda do capitalismo especulativo, em que só “dinheiro faz dinheiro”, propagandeia a autoridade da autoridade, a força da força, a ordem da ordem. Ou seja, um processo parcial em que o predomínio ideológico de um polo constiui uma espécie de religião. Ou uma religião mesmo, já que as religiões monoteístas funcionam segundo o mesmo princípio de negação da equivalência das polaridades: a “verdade da verdade”.

O português João Pereira Coutinho, no fim do ano passado, havia sido menos mal humorado (ou menos yang do yang). Na tentativa de conquistar uma vizinha de esquerda, Coutinho contou: “Ela não conhecia (o filósofo esloveno Slavo) Zizek. Com luvas e máscara de proteção, comprei um livro do ogro no dia seguinte. Foi o meu presente de aniversário em outubro. Ela gostou de Zizek; mas, surpresa das surpresas, achou as páginas sobre a necessidade de violência revolucionária um pouco excessivas. ‘Por causa dos inocentes’, disse ela. Eu poderia ter ficado calado. Não fiquei. ‘Mas você acha que no capitalismo há mesmo inocentes?’ Silêncio. E epifania: a única forma de trazer esse anjo um pouco mais para o centro é eu próprio radicalizar-me à esquerda”. Verdade ou ficção, Coutinho lida com a idéia de que para “atrair um adversário”, é preciso se aproximar dele.

E é aí que começa a ficar esquisita a convergência de Pondé, Constantino e Coutinho: a mulher, ou a “provedora de sexo”, é uma tola manipulável, uma fútil manipulável ou, na melhor das hipóteses, uma adversária… manipulável. Mulher, ou sexo, assim como é a natureza para o capitalismo, é uma coisa que se “pega” e se preda (e possivelmente se estupra, se ela der muito trabalho). Além de não ser nada muito lisonjeiro para com a inteligência e a intuição femininas, emerge daí um estranho esboço da idéia de que mulheres seriam de esquerda e homens de direita – o que não é distante do dogma de que a mulher é veículo da tentação, é “sinistra” (esquerda, em italiano).

Talvez não passe pela cabeça desses (cof, cof) pensadores que o tal “encanto de esquerda” não tem a ver necessariamente com manipulação, com estupro ideológico, mas com o fato de que os moços mais atraentes são frequentemente os mais inquietos, mais completos, mais complexos. Nada a ver com a “verdade da verdade”, mas com seu contrário, a habilidade nos paradoxos de viver.

Ou, como escreveu meu amigo Vladimir Cunha: “A direita é, essencialmente, cristã. O que significa repressão, preconceito e medo. E a esquerda, se de disciplina bolchevique ou stalinista, pode até operar sob esses mesmos conceitos. Todavia, por ser multifacetada, opera também em favor do amor livre, da felicidade, da arte, da poesia, das drogas e da diversidade de gênero. É um embate contracultural histórico e permanente. Apolo versus Dionísio (…) Situacionismo, Dadá e punk rock”.

Além do fato de que, no jargão da esquerda oficial, “esquerda festiva” é exatamente a esquerda dita inconsequente, e minoritária. Os colunistas se põem em maus lençóis, porque não fecha a equação em que os “ogros pretalhas”, arrogantes e autoritários, sejam esses grandes sedutores. Na verdade, como diz Vladimir, essa esquerda e essa direita se equivalem: os reaças seguem inventando a esquerda oficial, e a esquerda oficial segue inventando os reaças. O famoso fla-flu em que a (não) política brasileira se converteu.

E as moças interessantes, prefiro imaginar, não querem se deixar manipular “à esquerda” ou “à direita”, pelo sexo livre ou pelo sexo preso, mas provavelmente deixar-se atrair por homens lançados na aventura de aprender com a vida, e não de destrui-la com a obsessão das “certezas”. Nesse caso, nada como uma boa confissão da impotência de direita (ou, como disse meu amigo Bruno Torturra, “um bem acabado e metalinguístico testemunho de que misoginia, tacanhice, desonestidade intelectual, clichês e péssimo texto são, antes e acima de tudo, brochantes pacas”) para começar a colocar as coisas no lugar.

 

Alex Antunes é jornalista, escritor e produtor cultural e, perguntado se era um músico frustrado, respondeu que música é a única coisa que nunca o frustrou. Foi editor das revistas Bizz e Set, e escreveu para publicações como Rolling Stone, Folha Ilustrada, Animal, General, e aquela cujo nome hoje não se ousa dizer. Tem uma visão experimental da política, uma visão política do xamanismo, e uma visão xamânica do cinema.

 

Luiz Felipe Ponde Por uma direita festiva

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Jovens direitistas: não ouçam as dicas do Pondé para “pegar mulher”

 

Postado em 21 abr 2014
por : , no DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO

Bem mais que um rostinho bonito

Bem mais que um rostinho bonito

 

Em sua última coluna na Folha, o “filósofo” Luiz Felipe Pondé escreveu um manual com dicas para o jovem liberal se dar bem com a mulherada. Com um título que parece um manifesto, “Por uma direita festiva” parte do pressuposto de que os estudantes esquerdistas são sempre bem sucedidos quando se metem em dialéticas com o sexo oposto.

Diz ele, meio irônico, meio fanfarrão, confessando sua vida dura:

Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (no meio universitário e afins), sendo liberal. Claro, charme pessoal, simpatia, inteligência, grana, repertório cultural, sempre são fatores importantes, mas a esquerda tem um ponto a favor dela que é indiscutível: se você é de esquerda, pegar mulher é a coisa mais fácil do mundo. Qual o segredo da esquerda? É ser festiva.

(…)

A esquerda festiva (que é quase toda ela) reproduziu porque teve muitas mulheres à mão. Imagine papos como: “Meu amor, se liberte da opressão sobre o corpo da mulher!”. Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe (dela) por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Não sei de onde ele tirou essa história. Durante a faculdade, na Federal do Espírito Santo, frequentei reuniões do diretório acadêmico, simpatizava com as Farc, com o Subcomandante Marcos, participava de grupo de estudo sobre o Manifesto Comunista e era goleiro de um time de futsal chamado Pravda.

Mesmo com um currículo desses, não era nenhum Don Juan.

E, até onde sei, a situação não era diferente da de outros garotos do movimento estudantil. Aliás, ninguém ali era de esquerda para se dar bem com as meninas. Nem alguém que acreditasse que a Albânia era o melhor lugar do mundo teria uma ilusão dessas.

Mas, apesar das conquistas modestas, posso elencar umas dicas bem mais úteis para os jovens de direita do que as sugeridas pelo Pondé.

Antes de tudo, relaxem. Deixem de lado essa paranoia de que o Brasil está sob a ameaça de uma ditadura comunista. É um pensamento antigo, que cheira a mofo. Pense bem, que mulher vai querer beijar um sujeito que curte um macartismo no escuro?

Acordar e dormir pensando na “ameaça bolivariana” produz cortisol, o hormônio do stress. Além de detonar sua saúde, deixa você com o cenho franzido. Isso não é nem um pouco sexy.

Uma boa dica é deixar de lado essa mania de dividir o mundo entre dois pólos opostos. Você repele as moças, que são seres complexos demais para quem tem uma visão maniqueísta das coisas. Sei, é pedir demais de vocês.

Não gastem tanto tempo diante do computador destilando bílis nas seções de comentários dos sites de notícia.

Parem de ler o Pondé.

Repito: não sei de onde o colunista tirou essa ideia de que os jovens esquerdistas são grandes conquistadores. Mas, se eu tinha alguma dúvida de que as coisas seriam bem mais difíceis para mim se eu fosse um direitista esquisitão nos tempos da faculdade, agora não tenho mais.

Marcos Sacramento
Sobre o Autor

Marcos Sacramento, capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.

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Pondé e a filosofia da misoginia

Por Renato Rovai

"Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher", diz Pondé (CPFL Cultura / Wagner Moraes)

“Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher”, diz Pondé (CPFL Cultura / Wagner Moraes)

Em sua coluna da Folha de S. Paulo desta segunda, Luiz Felipe Pondé sai em defesa de uma “direita festiva”. Para que? Conquistar corações femininos. Diz ele que o “maior desafio dos jovens que não são de esquerda” é a “falta de mulheres jovens, estudantes, que simpatizem com a posição liberal (como se fala no Brasil) ou de direita (quase um xingamento)”.

“As meninas detestam economia, essa ‘ciência triste’, porque atrapalha a alegria da vida”, decreta o colunista, sem atentar para o fato que o Brasil tem uma presidenta exatamente formada em economia.

Pois então a mulher só se interessa pela política se ela for “festiva”? Isso lhe parece misógino? É isso mesmo. Ele acha que mulher não está disposta a debater à sério. E chega a obtusidade de dizer que “quando liberais se reúnem há uma forte escassez de mulheres, o que é sempre um drama”.

Ele, infelizmente, não está sozinho. Uma pesquisa feita pela Universidade de Vanderbilt, dos EUA, no ano passado, apontou que, no Brasil, 28% da população ainda acredita que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres.

Os dados refletem o Congresso Nacional, onde elas ocupam menos de 9% das cadeiras, mesmo que o eleitorado feminino seja maioria. Além disso, o Brasil ocupa o 156º lugar em um ranking de 188 países relativo à representatividade da mulher no Poder Legislativo. Não à toa está em curso uma campanha do Tribunal Superior Eleitoral que procura diminuir essa defasagem nas eleições deste ano.

O mais lamentável de toda essa história é que um sujeito com essa qualidade de elaboração continue assinando uma coluna no jornal diário de maior circulação do país. E ainda encante uns e outros que babam ao falar de política. Para eles, vale qualquer coisa e de qualquer jeito. Pode ser um discurso racista, sexista ou misógino. Desde que seja contra aqueles que se dizem de esquerda. Ou que defendam valores humanos e sociais. Triste fim de um pensamento e de um tipo de colunismo que já teve a representá-lo gente como Paulo Francis e Roberto Campos. Agora, esse povo se contenta com a filosofia pondestiana.

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REAÇA ATESTA QUE JOVENS DIREITISTAS NÃO PEGAM MULHER

 DO BLOGUE ESCREVA LOLA ESCREVA
Reaça forever alone

Ai, ai, não acredito que vocês vão me fazer falar do filósofo-reaça Luiz Felipe Pondé. Ontem, em sua coluna na Folha, ele publicouum texto chamado “Por uma direita festiva”, que começa assim: “Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher. Este é o desafio maior para jovens que não são de esquerda”.

Eu até fico com a pulga atrás da orelha se Pondé está sendo irônico ou não (afinal, não pegar mulher deve ser o menor dos problemas de jovens direitistas no Brasil, aqueles que imploram pro Bolsonaro se candidatar a presidente e acabam tendo que votar no Aécio, ou no Eduardo Campos, ou em qualquer um que não seja a Dilma).

Mas, como o ultrajante músico Roger, com aquele radar perfeito pra detectar ironia, não se manifestou, vou crer que Pondé está falando mais ou menos a sério. Digamos: tanto quanto é possível levar um babacão como ele a sério.

Mas não é que, pela primeira vez na vida, terei que erguer uma faixa escrito “Pondé was right”? Claro que no seu texto ele coloca mulheres como seres fúteis e despolitizados (basta chegar com uma camiseta do Che e gritar “Abaixo a opressão sobre o corpo da mulher” que todas as alunas de Humanas se jogarão em cima de ti, garanhão da esquerda) que detestam sexo (e só “aceitam” ser levadas pra cama com muita conversa e álcool). Porém, sobre reaças pegarem menos mulher, me alegra dizer que é verdade.

Alguns meses atrás, a jornalista Cynara Menezesfalou sobre um documentário de 2006, ComunistasTransam Melhor?, que conclui que as alemãs e os alemães do lado comunista do muro de Berlim tinham mais liberdade sexual que os do lado capitalista. No lado comunista, havia educação sexual nas escolas, aborto legalizado, uma tolerância maior à nudez, e muito menos interferência da igreja. Além do mais, as mulheres eram mais independentes.

Se isso tudo se traduz em “melhor sexo”? Pode apostar. A maior parte das religiões nos ensina que sexo é pecado. O machismo fala pras meninas desde muito novas que elas devem “se valorizar” (e não, isso não é um incentivo pra que elas façam mestrado).

Um monte de rapaz brocha com a ideia de uma mulher tomar a iniciativa. Ignorância sobre sexo é meio caminho andado pra sexo de péssima qualidade. Imagina: como que um cara que não sabe que o clitóris existe, ou, pior, que sabe mas não acredita que mulheres gostem de transar, pode ser um bom amante?

Reaça que passa a vida chamando feminista de mal amada sendo honesto

Que mulheres e homens feministas têm uma vida sexual melhor, tambémnão restam dúvidas. Pessoas que conhecem melhor seus corpos e têm menos inibições vão ter mais prazer. Ou seja, aquela lorota de que feministas são mal amadas é apenas uma lorota (e das antigas: tem mais de 160 anos, já era usada contra as sufragistas). O estereótipo de “mal comida” não podia estar mais distante da verdade. Uma pesquisa da Universidade Rutgers, nos EUA, constatou que pessoas feministas são simplesmente mais felizes no amor, pois brigam menos e têm relacionamentos mais estáveis:

“Ao contrário do que dita o senso comum, feminismo e romance não são incompatíveis, e o feminismo pode inclusive melhorar a qualidade das relações heterossexuais, de acordo com estudiosas da Universidade Rutgers. O estudo também mostra que estereótipos negativos sobre feministas, que tendem a estigmatizar feministas como não atraentes e sem apelo sexual, são insustentáveis”. Chato, né, machistinhas? Onde está seu deus agora?

1o Congresso Mulheres em Luta

Não sei se preciso falar das ligações do feminismo com a esquerda. Preciso? Por mais que existam feministas de direita, são uma minoria. O feminismo é um movimento de esquerda. Eu pessoalmente desconheço coletivos feministas ligados à direita. Já coletivos antifeministas ligados à direita… São todos, né?

Não sei se dá pra chamar isso de coletivo, mas surgiu no final de janeiro uma página no Facebook chamada Musas Olavettes. São todas seguidoras do guru da direita Olavo de Carvalho, que ultimamente (desde que entrou no Facebook, digamos), tem feito declarações não muito ortodoxas sobre romance e relacionamentos, provando que, prum astrólogo, é tão fácil virar sexólogo quanto foi virar filósofo. É só querer.

Uma das musas olavettes é aquela do Leblon, que faz pouco tempo nos alertou sobre um plano comunista totalitarista prestes a tomar o Brasil (obrigada pelo alerta vermelho, Marta!).

É certo que todo mundo fica mais bonito com photoshop e posando em estúdio pra fotógrafo profissional, mas olhando essas musas, nada pode me convencer que, se elas fossem descritas como universitárias de Ciências Sociais ligadas ao DCE, ainda seriam vistas como musas.

Comentário no Musas Olavettes

Como não existem muitas mulheres de direita, e muito menos mulheres assumidamente fãs do astrólogo-filósofo, os homens olavettes ficam ouriçados. Isso que é direita festiva! Natural, já que, segundo Pondé, esses seres não devem ter muito contato com mulher. Então o nível de puxa-saquismo é tão, mas tão alto, que nem meus inimiguinhos mascus (reaças em primeiro lugar) aguentaram, e declararam Olavão uma persona non gratta no masculinismo.

Mais ainda: apelidaram os olavettes de consermanginas(mangina é um termo mascu pra homem que elogia mulheres e faz suas vontades), e as musas olavettes de conservadias (é o que eu sempre digo: sermulher reaça não fará com que demais reaças te respeitem).

E chegamos aos mascus, exemplos típicos de homens de direita revoltados justamente por não fazerem sucesso com as mulheres.
Eles odeiam o PT, não gostam do Brasil, detestam as pessoas de modo geral, mas, se não fosse pelo total fracasso com o sexo feminino, mascus não existiriam. Mascus sempre foram machistas e conservadores, mas o que os fez virar mascus e ir pro lado misógino da força é ou ter sido ignorado a vida toda ou ter tido o que eles chamam de “bruxa madrinha”, uma ex que os traiu ou os abandonou, providenciando aquele empurrão final pra que eles concluíssem que mulher é tudo vadia, nenhuma presta.
É público e notório que mascu não pega ninguém. E, sabe, não há nada de errado nisso — exceto se você mede o valor dos homens pelo número de parceiras sexuais que eles têm (como mascus e o senso comum fazem), e o valor das mulheres pelo número de parceiros sexuais que elas não têm (quanto menos, melhor. O ideal é que a moça seja virgem).

Todos os mascus são reaças, mas nem todos os reaças são mascus. Pondé provavelmente nem sabe da existência de mascus, mas sabe, por experiência própria, que em ambientes reaças há poucas mulheres (por exemplo, entre os americanos que se dizem libertários, 68% são homens, 94% são brancos; ah, você vai querer negar que libertários são de direita? Poupe-me).

E no Twitter tá cheio de reaça. Está sendo divertido vê-los agora fazer a egípcia, fingir que não é com eles. Eles, sempre tão barulhentos nas redes sociais, estão caladinhos. Não querem vestir a carapuça que Pondé lhes serviu.

No entanto, apesar do artigo do filósofo na Folha chamar os jovens direitistas de pega ninguém, ele é otimista. Porque Pondé pensa que é só a direita ser mais festiva, os caras falarem de liberdade e de documentários e vestirem uma boina e fumarem um charuto cubano, que o problema está resolvido — eles conseguirão enganar essas universitárias bobinhas, e pegá-las. Depende só deles, não delas.

E é aí que eu trago más notícias, Pondé e demais reaças. Convivo bastante com universitárias de Humanas (sou professora, dou palestras), e posso assegurar que elas estão cada vez mais politizadas, mais organizadas, mais inteligentes, mais livres. Elas sabem muito bem o que querem. E não querem coxinhas.
Infelizmente, vocês vão ter mesmo que se contentar com a meia dúzia de musas olavettes.

QUEM SOU EU

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Sou professora da UFC, doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e, na definição de um troll, ingrata com o patriarcado. Neste bloguinho não acadêmico falo de feminismo, cinema, literatura, política, mídia, bichinhos de estimação, maridão, combate a preconceitos, chocolate, e o que mais me der na telha. Apareça sempre e sinta-se em casa. Meu email: lolaescreva@gmail.com. MeuTwitter também é bem movimentado.
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O bem que nos faz Pondé

Enviado por  on 22/04/2014, no blogue O CAFEZINHO

Sobre um “filósofo”…

ScreenHunter_3641 Apr. 22 02.06

Este último artigo de Pondé é do tipo que nos lava a alma, mas num sentido inverso do usual.

Às vezes somos tão duros conosco, com nossos amigos, com nossos representes políticos.

Aí ler uma tolice tão gloriosamente monumental nos dá um certo alívio. Porque vemos que, se ainda temos um longo caminho a percorrer, para sermos mais ágeis, inteligentes, generosos, ao menos não somos completamente sacripantas como alguns de nossos adversários na direita.

Por outro lado, esse texto de Pondé é de uma estultice tão colossal, de um machismo tão grosseiro, que me vem a paranoia de que a mídia está se fingindo de burra apenas para que a gente baixe a guarda.

Há outro risco. O texto é tão bobo que, se não tomarmos cuidado, passaremos o resto do ano rindo, deixando em segundo plano as análises políticas mais sérias.

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1 Comentário

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  1. - IP 191.21.31.34 - Responder

    Esse filósofo reaça não passa de um zé bronha….

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