TCE - NOVEMBRO 2

MIGUEL DO ROSÁRIO: Qual o perigo que Vaccari e sua família representam à sociedade ou qual o obstáculo que representam para as investigações? Nenhum. Mas a prisão cumpre a função de manter a coxinha quente no forno. O espetáculo tem de continuar. Com a Lava Jato perdendo o protagonismo para a Zelotes, a reviravolta provocada pelo depoimento de Paulo Roberto Costa, a alta nas ações da Petrobrás, o esvaziamento das marchas golpistas, Moro tinha de produzir um factoide pesado para que a Lava Jato voltasse a centralizar a agenda política nacional. É uma questão de timing. Tem de aproveitar o que ainda existe de energia golpista nas ruas. Então Moro usou a sua cartada mais importante no momento: a prisão de Vaccari, que permite à mídia voltar a usar o nome PT nas manchetes e telejornais. LEIA DECISÃO DE MORO

Juiz federal Sérgio Moro manda prender João Vaccari, tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores by Enock Cavalcanti

VACCARI DO PT NA PAGINA DO ENOCK

Moro também não leu Montesquieu

JORNAL O GLOBO HÁ  50 ANOS ATRÁS - 21 JANEIRO (1)


 

Além de não ter lido o Alienista de Machado de Assis, o juiz Sergio Moro parece também não conhecer o Espírito das Leis, de Montesquieu.

Os noticiários informam hoje que Moro ordenou a prisão de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Moro age como um procurador, um juiz de instrução, não como um juiz de verdade, que olha imparcialmente os dois lados da balança: a acusação e a defesa.

Os sigilos de todos os familiares de Vaccari foram quebrados: dele, mulher, filha, cunhada.

Nunca se viu nada parecido na Justiça brasileira.

Descobriram que, de 2008 a 2013, o patrimônio da filha de Vaccari cresceu de R$ 240 mil a R$ 1 milhão. Tudo devidamente declarado à Receita Federal.

Se a pessoa comprou ou ganhou um apartamento de dois quartos, pronto, já virou um criminoso na cabeça de Moro.

A mulher de Vaccari é criminalizada porque, de 2008 a 2014, recebeu um pouco mais de R$ 300 mil em “depósitos picados”.

Ora, esses valores permitem à pessoa inclusive requerer atestado de pobreza diante da Justiça, para não pagar custas judiciais!

A mulher do Vaccari é tratada como bandida por causa de R$ 3,5 mil / mês? Ou seja, por causa de um décimo do que ganham mensalmente o próprio juiz Moro e os procuradores?

Olha o título da notícia no Estadão:

ScreenHunter_5669 Apr. 15 12.40

 


 

Depósitos picados… Isso é “novilíngua” para designar movimentação bancária normal?

Um dos delatores da Lava Jato, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Setal, deu inforamções à Moro que o fizeram decidir prender Vaccari.

É uma coisa ridícula.

Mendonça Neto pagou uma gráfica, do bolso dele. E disse ao juiz que pagou porque Vaccari teria pedido.

Esse é um dos motivos da prisão de Vaccari.

Lembrando que Mendonça Neto é um tucanão de quatro costados, envolvido até o pescoço no trensalão, além de primo de Marcos Mendonça, presidente da Fundação Anchieta, que controla a TV Cultura, a tv pública do governo de São Paulo.

Qual o perigo que Vaccari representa à sociedade ou qual o obstáculo que representa para as investigações?

Nenhum.

Mas a prisão cumpre a função de manter, como disse o Fernando Brito, do Tijolaço, a coxinha quente no forno.

O espetáculo tem de continuar.

Com a Lava Jato perdendo o protagonismo para a Zelotes, a reviravolta provocada pelo depoimento de Paulo Roberto Costa, a alta nas ações da Petrobrás, o esvaziamento das marchas golpistas, Moro tinha de produzir um factoide pesado para que a Lava Jato voltasse a centralizar a agenda política nacional.

É uma questão de timing. Tem de aproveitar o que ainda existe de energia golpista nas ruas.

Então Moro usou a sua cartada mais importante no momento: a prisão de Vaccari, que permite à mídia voltar a usar o nome PT nas manchetes e telejornais.

Ao fazê-lo, porém, Moro aplicou um golpe à liberdade no Brasil.

Nas marchas golpistas do último dia 12, um dos carros de som que pediam intervenção militar deu espaço para um fascista declarado fazer um discurso, no qual condenou o sufrágio universal, a separação dos poderes, pediu uma ditadura e mandou “Montesquieu tomar no c…”.

Pois bem. Depois dessa, eu peguei meu velho Montesquieu da estante, para homenageá-lo e consolá-lo do covarde ataque que sofreu de um punhado de analfabetos políticos.

O autor do clássico Espírito das Leis diferencia dois conceitos de liberdade: a liberdade política em relação à constituição; e a liberdade política em relação ao cidadão.

A primeira dessas liberdades consiste na existência do direito, ou seja, é uma liberdade conceitual.

A segunda tem a ver com a segurança física do cidadão: é a liberdade concreta, carnal, aquela que nos protege dos arbítrios do Estado.

Ou seja, no Brasil só temos a primeira das liberdades. Ainda não temos liberdade concreta, porque juízes fazem o que querem e prendem quem eles querem, já que transformaram a prisão provisória, que vem antes do direito à defesa, numa condenação de fato.

Quando fala sobre a liberdade do cidadão, Montesquieu enfatiza que ela só existe diante de processos criminais justos, que garantam a segurança do cidadão contra o arbítrio do Estado.

E daí resume como esta liberdade nasceu no Ocidente: “Clotário criou uma lei para que um acusado não pudesse ser condenado sem ser ouvido; o que demonstra [que existia] uma prática contrária em algum caso particular ou em algum povo bárbaro. Foi Carondas que introduziu os julgamentos contra os falsos testemunhos. Quando a inocência dos cidadãos não está garantida, a liberdade também não o está.”

Em seguida, o francês observa que “as leis que condenam um homem à morte com base no depoimento de uma só testemunha são fatais para a liberdade“.

Montesquieu associa a liberdade política do cidadão a tudo que o protege contra “falsos testemunhos” ou do arbítrio de juízes.

Em termos mais contemporâneos, a liberdade, para Montesquieu, seria tudo que nos protege de linchamentos midiáticos e prisões arbitrárias, baseadas em falsos testemunhos, o que é justamente o que está acontecendo no mundinho fantástico de Sergio Moro.

Montesquieu sintetiza assim a sua preocupação dramática em relação à liberdade: “Os conhecimentos que foram adquiridos em alguns países e que serão adquiridos em outros sobre as regras mais seguras que se possam seguir nos julgamentos criminais interessam mais o gênero humano do que qualquer outra coisa que exista no mundo“.

Infelizmente, a preocupação de Montesquieu parece não interessar nem coxinhas neofascistas, nem o juiz Sergio Moro, nem a grande mídia.

Daí a liberdade, esse destino, essa utopia, esse sonho democrático, é violentada pelos autoritários e apoiadores da ditadura de sempre.

 

13 Comentários

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  1. - Responder

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, piada !!!!!!

  2. - Responder

    ha ha ha ha ha ha ,incrível não consigo parar de rir!

  3. - Responder

    Que perigo representa o Vaccari? Muito,é de continuar ROUBANDO,e debochando da nossa cara!

  4. - Responder

    Até parece que antes da prisão do tesoureiro petista, não havia outro assunto relacionando o PT com a mais alta corrupção já vista no Brasil.

  5. - Responder

    PAGINA DO ENOCK
    uma local onde o PT é sempre vítima
    e a sociedade esta sempre errada

  6. - Responder

    A cunhada de Vaccari,está foragida.Por que?Quem não deve não teme!Ou será que o juiz Moro também a está perseguindo?FALA ENOCK DO PT,FALA CACETE!

  7. - Responder

    Não consegui ler toda a matéria. Me deu náuseas. Pelo pouco que li entendo que se o Riva fosse do PT seria considerado pelo articulista e demais petralhas como um grande herói nacional.

  8. - Responder

    O cara é um mártir mesmo. Roubou tanto tempo é só foi preso agora. Para o pt tudo é armação. Uma piada! Rsrsrsrsr!

  9. - Responder

    esta ai a justificativa me parece muito boa

    A prisão preventiva de Vaccari foi determinada pelo juiz Sergio Moro, para quem manter o investigado em liberdade “ainda oferece um risco especial, pois as informações disponíveis na data desta decisão são no sentido de que João Vaccari Neto, mesmo após o oferecimento contra ele de ação penal pelo Ministério Público Federal (…), remanesce no cargo de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Em tal posição de poder e de influência política, poderá persistir na prática de crimes ou mesmo perturbar as investigações e a instrução da ação penal”.

    Na semana passada, chamado a depor na CPI da Petrobrás, na Câmara dos Deputados, Vaccari negou-se a responder a quase todas as perguntas, escudando-se em liminar da Justiça que o desobrigava de fornecer informações que pudessem comprometê-lo nas investigações do escândalo. Vaccari só ousou se manifestar para repetir que todas as “doações” recebidas pelo PT das empreiteiras envolvidas na Lava Jato foram “legais” e “devidamente registradas no TSE”. O que provavelmente é verdade, mas não elide o fato de que a origem do dinheiro pode ser criminosa, produto de propina, como a Lava Jato tem comprovado sem sombra de dúvidas.

  10. - Responder

    Defender um ideal , ainda que não uma unanimidade é uma virtude de um homem , mas defender gente como esse vaccari é indigno de alguém que queira ser chamado ou respeitado como jornalista . Esse sujeito era o ” moch” do petrolão , mas já esteve também naquele rolo da Bancoop , e sabe-se lá em quais traquitanas mais . Mas uma coisa ao menos já esta acontecendo , aqui nesta paginadoe tinham uns com nome de ribeira sem agua e uma outra pé de chulé de sindicato que viviam defendendo o pt nos comentários . Tão meio sumidinhos esses ; porque será ?

  11. - Responder

    Parece que os Petralhas locais abandonaram o Enock. Será que os ratos já estão abandonando o navio?

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