A MESMA VELHA CHANTAGEM: Notícia publicada pela revista Veja na sexta-feira e reproduzida pela Folha de S.Paulo no domingo informa que uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras consultou o jurista Ives Gandra Martins sobre a possibilidade de vir a ser acolhido um pedido de impeachment da presidente da República. O parecer do tributarista, evidentemente, é favorável a uma iniciativa desse tipo. Trata-se, claramente, de uma chantagem, estimulada pela manifestação da presidente Dilma Rousseff, que na semana anterior expressou preocupação com a possibilidade de o processo por corrupção vir a imobilizar as maiores empreiteiras do país. Se as empreiteiras que dominam o cenário das grandes obras puderem ser substituídas por consórcios de empresas de porte médio ou pequeno com multinacionais, estará rompido um domínio de décadas no setor

Empreiteiras se aliam a Veja para chantagear governo

do Observatório da Imprensa

Uma chantagem em andamento

Por Luciano Martins Costa

Notícia publicada pela revista Veja na sexta-feira (30/1) e reproduzida pela Folha de S.Paulo no domingo (1/2) informa que uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras consultou o jurista Ives Gandra Martins sobre a possibilidade de vir a ser acolhido um pedido de impeachment da presidente da República. O parecer do tributarista, evidentemente, é favorável a uma iniciativa desse tipo.

O assunto não prosperou no resto da mídia, mas plantou uma semente que começa a ser irrigada nas redes sociais por ativistas ligados a partidos da oposição. Nem a revista identifica a empresa que tomou a iniciativa, nem a Folha fez questão de esclarecer, mas especula-se que a manobra tem mais de um autor. Trata-se, claramente, de uma chantagem, estimulada pela manifestação da presidente Dilma Rousseff, que na semana anterior expressou preocupação com a possibilidade de o processo por corrupção vir a imobilizar as maiores empreiteiras do país.

O caso é que, paralelamente à declaração da chefe do Executivo, setores do governo vêm estudando a criação de uma rede alternativa de prestadores de serviços para substituir as grandes corporações que tocam importantes obras de infraestrutura. Dirigentes dessas grandes empresas temem que o governo federal, a Petrobras e outros clientes essenciais consigam montar, nos próximos meses, um esquema que impeça a paralisação de projetos importantes, deixando-as ainda mais vulneráveis diante do processo que deriva da Operação Lava Jato.

Se as empreiteiras que dominam o cenário das grandes obras puderem ser substituídas por consórcios de empresas de porte médio ou pequeno com multinacionais, estará rompido um domínio de décadas no setor.

Convém lembrar que foram os governos do Partido dos Trabalhadores que, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula da Silva, criaram o sistema que permitiu a algumas dessas empreiteiras se tornarem grandes competidoras no mercado global. Algumas delas chegaram a clientes antes inalcançáveis graças ao apoio oficial, não apenas no financiamento, mas principalmente na superação de obstáculos diplomáticos.

Ação “de fora”

Trata-se de uma manobra política movida por interesses estratégicos de negócios, que joga com a governabilidade do país e tem potencial para gerar uma crise ainda mais grave do que aquela que foi construída em 1963 para tornar possível o golpe de 1964. Mero acaso ou parte desse movimento, em artigo publicado domingo (1/2) no Estado de S.Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso alinha o que considera a falência do sistema político vigente e defende sua derrubada por uma ação “de fora”.

O sociólogo observa que, “no passado, seriam golpes militares” a saída para fazer uma reforma política. No entanto, ele considera que “não é o caso, não é desejável nem se veem sinais”. A solução, portanto, na opinião do ex-presidente, seria apelar para o Judiciário.

Observe-se, de passagem, que o autor do artigo não condena liminarmente a opção de um golpe militar: apenas o considera “não desejável” e anota que “não se veem sinais” de mobilização nas casernas. Formalmente, FHC está se referindo a uma reforma do sistema partidário eleitoral. No entanto, todo o texto gira em torno de uma “crise que se avizinha”.

Não, não se espere que o ex-presidente tenha citado as denúncias de que ele mesmo teria se valido do sistema partidário degenerado para obter o direito à reeleição em 1998. Sua noção de honestidade intelectual não inclui a autocrítica. O texto cifrado remete indiretamente à curta reportagem publicada pela Folha no mesmo dia.

Como a imprensa brasileira funciona à base do consórcio, com associações cruzadas entre os grupos que editam o Estado de S.Paulo, a Folha, o Globo, as revistas Veja e Época, além da maior rede de televisão e de rádio, não é preciso muito raciocínio para entender como nascem as pautas sobre temas importantes da política e da economia.

O editor de um jornal não precisa receber uma cópia da pauta do suposto concorrente para dar seguimento a determinada tendência do noticiário: seja qual for o assunto, o viés define o que será publicado e com que destaque. Ninguém se surpreenda, portanto, daqui para a frente, se os executivos das empreiteiras que foram presos na Operação Lava Jato começarem a parecer um pouco menos suspeitos.

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LEIA O QUE A FOLHA DE S. PAULO PUBLICOU

Empresa fez consulta sobre impeachment, diz revista

Segundo a ‘Veja’, parecer pedido por firma da Lava Jato é favorável a processo contra Dilma

DE SÃO PAULO

Uma das construtoras acusadas na Operação Lava Jato encomendou um parecer jurídico sobre a viabilidade de um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff com base nas descobertas sobre crimes e irregularidades na Petrobras e está divulgando o material, segundo a revista “Veja”.

A edição da revista que chegou às bancas neste sábado (31) não aponta qual empresa pediu o estudo, mas diz que o trabalho foi feito pelo jurista Ives Gandra Martins.

Procurado pela Folha, o jurista confirmou a elaboração do parecer sobre o tema, mas afirmou que foi pedido por um advogado amigo dele, José de Oliveira Costa, que não revelou quem seria o destinatário do estudo.

O parecer de Martins é favorável à abertura do processo de impeachment contra a presidente da República.

“Considerando que o assalto aos recursos da Petrobras, perpetrado durante oito anos, de bilhões de reais, sem que a Presidente do Conselho e depois Presidente da República o detectasse, constitui omissão, negligência e imperícia, conformando a figura da improbidade administrativa”, concluiu.

 

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O que o governo Dilma (não) fez desde o início da Lava Jato

, no jornal GGN

O Raio-X da crise política

Vamos a mais um Raio-X da crise, em cima do desenho que venho apresentando desde a crise do mensalão. Esta é a última versão, publicada quando do estouro da Lava Jato.

Um balanço de como o quadro evoluiu de lá para cá.

O ponto central de disputa é o mandato de Dilma Rousseff, influenciado por quatro subgrupos de opinião:

•   Opinião pública

•   Empresariado

•   Judiciário

•   Congresso.

Por outro lado, esses grupos são influenciados por fatores como escandalização, situação da economia, restrições orçamentárias etc.

Vamos ver como cada tópico está sendo administrado:

Escandalização

O ponto central é a Lava Jato e a ofensiva em cima da Petrobras.

Esses pontos exigiriam a seguinte estratégia por parte do governo Dilma e do PT:

Monitoramento das delações – deveria ser papel do Ministro da Justiça e dos advogados do PT. Nada foi feito. Do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ouvi que os vazamentos estavam sendo absolutamente seletivos e que as denúncias atingiam indistintamente a todos – inclusive algumas bombas de hidrogênio na oposição. Nada foi feito para reverter a parceria Grupo de Trabalho-mídia, sequer chegaram ao fim os inquéritos sobre o vazamento para a Veja ou sobre o ativismo político de delegados da Lava Jato.

Há o protagonismo total da oposição acumpliciada com grupos de mídia.

Fortalecimento da Petrobras – a única defesa razoável da Petrobras está sendo feita pelo ex-presidente José Gabrielli, que foi colocado na fogueira pela própria Dilma. Para mostrar que não cede a pressões de espécie alguma, Dilma manteve a diretoria da empresa e a presidente Graça Foster, emocional e politicamente desgastada com o episódio. Agora, a opinião pública acha que os R$ 88 bilhões de ajuste do balanço são fruto da corrupção, colocando mais lenha na fogueira.

Na presidência do Conselho – que exigiria um executivo com experiência internacional e status de Ministro, para negociar com o MPF, com os bancos credores da cadeia produtiva, para montar estratégia de compliance e de divulgação de informações – nomeou o ex-Ministro Guido Mantega.

Agora, cada estampido da Lava Jato reverbera no Congresso e na opinião pública.

Economia

Nomeou Joaquim Levy e Nelson Barbosa, aplacando por algum tempo os temores do empresariado. Mas a estratégia montada tem forte componente recessivo, leva tempo para surtir efeito e exige que seja contrabalançada por alguns respiros anticíclicos.

A demora em acenar com o pacote de bondades pode acirrar os sindicatos e movimentos sociais. Some-se as tentativas de “golpes paraguaios”, para se ter um caldeirão fervente de manifestações populares.

Operação política

Antes mesmo da eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara, sabia-se que as relações com o Congresso – problemáticas, devido ao próprio estilo Dilma – piorariam com as restrições orçamentárias.

Dilma abriu mão de um Ministério forte para poder enfrentar Eduardo Cunha na Câmara. Perdeu feio. Pior, quando a derrota já se desenhava, poderia ter composto com Cunha – que, admitamos, é um horror de político.

Mas Dilma preferiu, mais uma vez, uma aposta de alto risco a uma composição. E a direção do PT mostrou que não tem musculatura para delinear estratégias parlamentares adequadas.

Um antigo frequentador do Planalto dizia que Dilma não vê adversários, mas apenas inimigos pela frente. Ora, no caso Eduardo Cunha, posto que a tragédia era inevitável, o caminho a seguir seria tapar o nariz e propor um pacto.

Judiciário

Por ocasião da análise das contas de Dilma pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fui alertado para a tentativa de “golpe paraguaio” por autoridade do setor, conhecedora dos meandros do TSE. Ela alertou um jornalista ou por não ter canais no Palácio ou por não acreditar na capacidade de reação dos Ministros de Dilma.

Entre outros motivos para o fato de José Antônio Dias Toffoli ter se bandeado para o lado de Gilmar Mendes está o episódio de que, em plena campanha e, na condição de presidente do TSE, Toffoli convidou os dois candidatos favoritos – Dilma e Aécio – para uma reunião onde seria acertado uma espécie de armistício. Aécio acolheu prontamente a ideia; Dilma recusou-se até a atender telefonema de Toffoli.

Não justifica a pequenez de Toffoli, mas explica.

Saídas

Tem-se a seguinte situação:

1.     Sozinha, Dilma não dará conta do recado de articular uma estratégia política, colocar o governo para rodar e sair das cordas.

2.     A recomposição política exigiria, como primeiro passo de Dilma, o reconhecimento de suas fragilidades e a mudança na forma de governar e decidir, com a nomeação de conselhos – indicados por ela – para assessorá-la nos principais desafios e para definir uma estratégia de resistência.

3.     Até agora, não há nenhum sinal no ar de que a presidente mudará o estilo.

Na verdade, Dilma só se fortalece quando Fernando Henrique Cardoso explicita seus propósitos golpistas e estimula a reação dos setores legalistas – que precisam fazer das tripas coração para defender a legalidade política contra a fragilidade do principal avalista, a presidente da República.

2 Comentários

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  1. - Responder

    Se vergonha na cara tivesse,essa incompetente,renunciaria.Pois como presidente do conselho da Petrobrás,ela assistiu e foi conivente com a maior maracutaia descoberta na maior empresa publica do Brasil.Chamava Carlos Roberto de “Carlinhos”.Ou participava da roubalheira, ou foi incompetente,o sistema de gestão não permite outra via de análise.Deveria fazer um discurso e pedir desculpas ao povo brasileiro.Essa mulher está afundando o Brasil!

  2. - Responder

    A errada é a Imprensa? Que divulga…. Cobrem as onvestigacoes dos delitos do PSDB, e param de chorar como vitimas. Nos Brasileiros queremos um futuro e nao uma disputa ideologica e eleitoral entre Petralhas e Tucanalhas…

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