Mercado do prazer fatura alto na Capital

Reportagem de destaque da edição impressa do CircuitoMT, que circula nesta sexta-feira:

Mercado do prazer fatura alto na Capital
Roberta Penha

Loira, magra bonita. É do Rio Grande do Sul, mas mora em Santa Catarina. Faz faculdade de Direito e trabalha como vendedora, mas o que ganha não dá para pagar suas despesas pessoais. Como vive, então? É garota de programa.
Essa é a vida de Bibiana Mazz (nome fictício), de 28 anos. Ela conta que, ocasionalmente, vem à Cuiabá para ganhar dinheiro. Em Santa Catarina ela não trabalha com prostituição, porque não quer que ninguém lá saiba. “Quando venho para Cuiabá, fico de um mês a um mês e meio. Ganho dinheiro e volto para casa”.

Bibiana conta que começou a se prostituir há 3 anos, quando contraiu algumas dívidas e não tinha como pagar. Como os pais não tinham dinheiro para ajudá-la, ela decidiu “cair na vida” para arranjar dinheiro de forma rápida. “Minha família não sabe o que eu faço. Quando eu viajo, falo que vou para a casa de alguma amiga ou para praia. Onde moro, ninguém sabe do meu trabalho. Tenho medo que descubram, mas por outro lado ninguém pode suprir minhas necessidades”.
A garota de programa encontra seus clientes em uma famosa casa noturna da capital que tem os homens como público principal. Segundo ela, a grande maioria das garotas de programa que frequentam a casa não são daqui. Elas vem para Cuiabá, ficam em hotéis e frequentam o local como clientes. “Nós pagamos ingresso normalmente, não temos nenhum vínculo com a casa. Tem algumas moças contratadas que fazem shows e performances”.

Ao ser questionada sobre quanto cobra pelo seu trabalho ela revela que depende muito do momento. “O valor a ser pago depende do que eu conversar com o cliente, não tem um valor fixo”. Ela diz que o mínimo é 500 reais, mas que já conseguiu ganhar 2.800 reais de um só cliente em um programa. “Foi de uma pessoa muito importante”. Ela lucra, no mínimo, cinco mil por mês, mas pode chegar a 12 mil. “Há meninas que chegam a ganhar mais de 20 mil”.

Bibiana conta que atende, em média, dois clientes por noites, mas que já chegou a atender oito. Ela não tem clientes fixos. De acordo com ela, a grande maioria dos frequentadores da casa são empresários e políticos. Ela conta que nunca teve problemas com os clientes. “O tipo de homem que frequenta a casa não quer nenhum tipo de escândalo. As pessoas se preservam por estarem aqui”.
Ela revela que não tem nenhum relacionamento fixo e que nunca se envolveu emocionalmente com clientes, pois acha que isso só iria atrapalhar seu trabalho. “Mas já vi muitos casamentos saírem desse meio”. Ela conta, também, que é uma pessoa muito equilibrada e não tem problemas de ordem emocional. “Só me preocupo com meu próprio ganho. Ganho dinheiro e volto para casa”.
Em relação à proteção contra doenças e gravidez, ela fala que usa preservativos, contraceptivos e que frequenta regularmente seu ginecologista. “Nunca tive nenhum problema quanto a isso”.

Bibiana Mazz mora num apartamento alugado e diz que ainda não adquiriu nenhum bem porque não decidiu aonde vai se estabelecer. Ela conta que pretende parar de fazer programa daqui a três anos, porque não gosta do que faz. “Em muitos casos as meninas que entram na prostituição vem de famílias que tinham uma boa condição financeira, mas que perderam tudo. Elas não conseguem levar um padrão de vida mais baixo do que estavam acostumadas e acabam se prostituindo. Foi o que aconteceu comigo”.

Bibiana finaliza com um desabafo. “A sociedade ainda hoje vê as prostitutas com repulsa. Mas o que é a prostituição? Eu vejo muitas meninas na balada que se prostituem por bebida. Eu mesma, quando era mais nova, saía com caras por bebida. Minha mãe não me dava muito dinheiro para sair, então eu ia para boates e ficava com um cara que me pagasse bebida. No final da noite eu ia para o motel com ele. Muitas meninas fazem isso atualmente. Hoje eu vejo a prostituição como vínculo empregatício”.

Boates são legalizadas

Barão Furlin é um dos donos da casa noturna frequentada por Bibiana e conta que seu empreendimento é totalmente legalizado, com alvará da prefeitura e dos bombeiros. “Tem até pára-raios!”.

Ele conta que a casa tem vários frequentadores assíduos, inclusive artistas nacionais e internacionais. Ainda segundo ele, não são apenas homens que frequentam o local. “Há vários casais que vem ao estabelecimento juntos para assistir os shows. Além das performances das strippers, também temos shows de humor e mágica”.

Furlin frisa que a boate não tem quartos. Ele revela que a casa tem de oito a 10 modelos contratadas para fazer os shows, mas que não sabe se elas fazem programa. “O que elas fazem não é da minha conta. A boate é apenas um ponto de encontro”.

Anúncio em jornal

Karla (nome fictício), 19 anos, coloca anúncios em jornal e tem um site onde se oferece para programas. Ela conta que começou a se prostituir há um ano, devido ao montante e à velocidade com que consegue dinheiro. Ela entrou no ramo por influência de uma amiga.
Ela conta que trabalha todos os dias, atende de três a quatro clientes por noite e ganha em média quatro mil reais por mês. Frequenta o curso de Contabilidade em uma faculdade particular da cidade e fala quatro idiomas, além do Português. Mora em apartamento próprio, todo mobiliado e tem um carro de luxo.

Segundo ela, a família não sabe, pois não são de Cuiabá. “Eu digo para eles que trabalho com contabilidade”. A garota de programa afirma ainda que uma vez recebeu uma proposta de largar a profissão e que chegou a parar, mas que depois desistiu. “Me senti como se estivesse em cárcere privado”.

Karla diz que a grande maioria de seus clientes são homens casados e que já ficou inclusive com grandes figurões da cidade e artistas. A garota de programa afirma que usa preservativo e frequenta o ginecologista uma vez por mês. “Não abro mão da prevenção de doenças por nada”.

Ela diz que um dia quer largar a profissão, mas não agora. “Quero trabalhar como contadora”. Karla ainda faz outra revelação: “Você sabia que tem uma turma de advogados que se formou há pouco tempo e que 50% da turma eram garotas de programa? Pois é, elas se formam e depois largam a profissão”.

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  1. - Responder

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