gonçalves cordeiro

Mauro Zaque e Ana Luiza Peterlini se afastam do Ministério Público e aceitam atuar como secretários de Segurança Pública e de Meio Ambiente no governo do Pedro Taques. Pode ser bom para Taques mas é péssimo para o MP, em plena crise que vive, ser enfraquecido com afastamento de dois profissionais de destaque. Quando a legislação proibia promotores de atuarem como secretários, não vi o Zaque nem a Peterlini defenderem a decisão de Marcos Machado, durante governo Maggi e diante do convite da então ministra Marina Silva. O próprio Pedro Taques atazanou a vida do Roberto Cavalcanti quando este, aproveitando permissão legal, passou a atuar, ao mesmo tempo, como advogado e procurador da República

Ana Luiza Peterlini e Mauro Zaque, promotores de Justiça, agora afastados do Ministério Público e prestes a assumirem como secretários do Meio Ambiente e da Segurança Pública, no governo de Pedro Taques (PDT)

Ana Luiza Peterlini e Mauro Zaque, promotores de Justiça, agora afastados do Ministério Público e prestes a assumirem como secretários do Meio Ambiente e da Segurança Pública, no governo de Pedro Taques (PDT)

 

O mundo dá muitas voltas e, às vezes, os papéis se confundem. Nesta quinta-feira(11), ficamos sabendo que os promotores Mauro Zaque e Ana Luiza Peterlini resolveram, temporariamente, se afastarem do Ministério Público e passarem a atuar como secretários de Estado.

O convite partiu do ex-procurador da República e agora governador eleito de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), aquele mesmo que fez tanto alarde, quando atuava no MPF e o seu colega de Procuradoria, Roberto Cavalcanti (a quem eu chamo carinhosamente de primo), aproveitando uma brecha legal, passou a atuar também como advogado.

A simples atuação de Roberto Cavalcanti como advogado não fez dele um picareta, um safado. Mas ele foi muito atanazado pelo sr. Pedro Taques por causa desta opção. Pedro Taques pretendeu expulsá-lo do MPF sem querer aceitar que o meu primo por afinidade estava exercendo uma opção que a legislação lhe garantia. Cavalcanti acabou renunciando a seu cargo de procurador e hoje continua atuando como um dos mais aplaudidos advogados desta comarca de Cuiabá. (Aí está o José Arlindo, agora nomeado chefe de gabinete de Taques, mas que é funcionário de carreira do MPF, que conhece bem esta história e seus bastidores.)

Em passado recente, quando o então promotor Marcos Machado assumiu a mesma secretaria do Meio Ambiente, no governo de Blairo Maggi, eu fui um dos que me opus a essa opção. Ele atuou em diversas secretarias do Governo Maggi e chegou a ser convidado para ser secretario executivo do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, pela então ministra Marina Silva, então ainda filiada ao Partido dos Trabalhadores.

Eu não me lembro de ter visto seja a promotora Ana Luiza Peterlini, seja o promotor Mauro Zaque levantarem a sua voz em defesa do promotor Marcos Machado quando veio a decisão do CNMP – Conselho Nacional do Ministério Público proibindo Marcos Machado de aceitar o cargo no ministério ou quando muitos, como eu, o combatiam por desviar-se das suas funções de promotor para atuar como um dos “homens de ouro” de Blairo Maggi.

Agora, no entanto, os tempos são outros, o CNMP mudou suas regras, abriu as pernas diante da pressão do estamento político e os promotores e procuradores de Justiça já podem se licenciar do MP para exercerem funções públicas no Poder Executivo, poder este que lhes cabe fiscalizar.

Abriu-se uma brecha para Mauro Zaque e para Ana Luiza Peterlini e para Pedro Taques e eles não vacilam em lançar mão dela.
Eu, humildemente, discordo da opção dos três. Acho que escolheram um péssimo momento para se afastarem do MP de Mato Grosso, no momento em que esta instituição atravessa uma grave crise, com as suspeições levantadas pela Operação Ararath ainda pairando sobre as cabeças dos notáveis membros desta corporação.

As brechas legais nem sempre são recomendáveis e nem sempre devem ser utilizadas, como nos mostrava Pedro Taques na sua peleja de outrora contra Roberto Cavalcanti.

Agora, o mundo continua girando, dando muitas voltas e alguns papéis se confundem. Entendo que Mauro Zaque não deveria assumir a Secretaria de Segurança Pública antes que se conheça, com detalhes, por exemplo,  a avaliação interna do MPE-MT quanto à atuação do também promotor Célio Wilson nestas mesmas funções. Há quem me diga que nenhum desastre foi tão profundo, na administração pública deste Estado, como essa passagem do sr. Célio Wilson pela Sejusp. Depois, ele caminhou para um limbo do qual nunca mais se afastou.

Entendo que não é saudável para o Ministério Público este tipo de imbricamento. Me faz pensar naquela canção do Chico Buarque que, falando de relação amorosa em crise de extinção, nos lança os versos lancinantes:

“Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir”
O Ministério Público e o Poder Executivo não nasceram para casar, nem sequer namorar, digamos assim. A sua convivência deve ficar em um patamar todo especial. Essa promiscuidade me parece deletéria. Disse isso ontem, com relação ao promotor Marcos Machado (que, aliás, penou um bocado por conta daquela sua opção) e digo isso hoje com relação aos promotores Ana Luiza Peterlini e Mauro Zaque. Salvo melhor juízo.

 

Roberto Cavalcanti, colega no Ministério Público Federal, que enfrentou campanha de Pedro Taques quando resolveu atuar como advogado paralelamente às suas funções de procurador da República

Roberto Cavalcanti, colega no Ministério Público Federal, que enfrentou campanha de Pedro Taques quando, aproveitando brecha na Lei (brecha que ele, como profissional estudioso foi o primeiro a descobrir), resolveu atuar como advogado paralelamente às suas funções de procurador da República

Ex-procurador da República, atual senador e futuro governador de Mato Grosso, Pedro Taques que enfraquece o MP do Estado para fortalecer seu secretariado, aproveitando-se, como Roberto Cavalcanti, de uma brecha na Lei, gerado por decisão do CNMP que alterou regulamento que proibiu, no passado, o então procurador Marcos Machado de atuar no ministério do Meio Ambiente com Marina Silva

Ex-procurador da República, atual senador e futuro governador de Mato Grosso, Pedro Taques enfraquece o MP do Estado para fortalecer seu secretariado, aproveitando-se, como Roberto Cavalcanti, de uma brecha na Lei, gerada por decisão do CNMP que alterou regulamento que proibiu, no passado, o então procurador Marcos Machado de atuar no ministério do Meio Ambiente com Marina Silva

 

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VEJA OS NOVOS NOMES ANUNCIADOS PARA O SECRETARIADO DE PEDRO TAQUES

Promotores deixam o MPE e vão para o staff de Taques

Outros nomes que irão compor o governo a partir de 2015 foram anunciados

O governador eleito de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT) anunciou nesta quinta-feira (11), mais doze nomes que irão compor o governo a partir de 2015.

 

Entre os novos anunciados estão o promotor de Justiça Mauro Zaque para a pasta da Segurança Pública; Eduardo Chiletto para Cidades e a promotora de justiça Ana Luíza Ávila Peterlini para Meio Ambiente. Frente à secretaria de Saúde ficará o engenheiro sanitarista Marcos Bertúlio; na secretaria de Educação o ex-vereador por Cuiabá Permínio Pinto e para a Casa Civil foi nomeado o advogado Paulo Zamar Taques.

 

Também foram indicados: Gustavo de Oliveira para o Gabinete de Projetos Estratégicos; Eduardo Moura para o Gabinete de Articulação e Desenvolvimento Regional; José Arlindo de Oliveira para o Gabinete de Governo; Patryck Ayala para a Procuradoria-Geral do Estado; Coronel PM Antonio Ribeiro Leite para a Casa Militar e o Coronel PM Zaqueu Barbosa para o Comando Geral da Polícia Militar.

 

Eles se juntam a outros nomes já anunciados pelo governador eleito: Marco Marrafon (Planejamento); Júlio Modesto (Administração); Seneri Paludo (Desenvolvimento Econômico); Marcelo Duarte (Infraestrutura e Logística) e Jean Campos (Comunicação).

 

Confira abaixo currículo dos nomes anunciados nesta quinta-feira:

 

Casa Civil

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Paulo Zamar Taques – Cuiabano, advogado militante há 20 anos, graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso, conferencista, com especialização em Marketing Eleitoral e Marketing Político pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. É diretor da ABCOP, Associação Brasileira de Consultores Políticos em Mato Grosso e representante da Sociedade Brasileira dos Profissionais e Pesquisadores de Comunicação e Marketing Político – POLITICOM na região Centro-Oeste.

 

Casa Militar

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Coronel Antonio Ribeiro Leite – Formado pela Academia de Policia Militar do Barro Branco – SP. Foi comandante da academia de polícia militar Costa Verde de Mato Grosso e atualmente é Diretor de Inteligência da PM. Especializado em Segurança Pública e em Inteligência Estratégica pela Escola Superior de Guerra.

 

Saúde

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Marco Aurélio Bertúlio Neves – Engenheiro Sanitarista, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Mestre em Avaliação de Políticas e Programas de Saúde. Servidor efetivo da Secretaria de Estado de Saúde de MT e Professor no Instituto de Saúde Coletiva da UFMT na área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde. Foi professor de pós graduação no Instituto Brasileiro de Pós Graduação da Faculdade Internacional de Curitiba e na Universidade de Cuiabá. Como docente da UFMT ministrou aulas para os cursos de Medicina, Enfermagem, Nutrição e Saúde Coletiva.

 

Educação

Exibindo Permínio Pinto - Educação-4796.jpg

 

Permínio Pinto Filho – Engenheiro agrônomo formado pela Universidade do Paraná, empresário rural-pecuarista, secretário de Educação de Cuiabá (11-12), ex-vereador por Cuiabá e secretário de Agricultura e Abastecimento de Cuiabá.

 

Segurança

Exibindo Mauro Zaque - Segurança-4720.jpg

Mauro Zaque – Promotor de Justiça há 18 anos, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa do MPE-MT e especialista em Direito Penal.

 

Meio Ambiente

Exibindo Ana Luíza Ávila Peterlini - Meio Ambiente-4730.jpg

Ana Luíza Ávila Peterlini – Promotora de Justiça há 19 anos, atua no Núcleo de Defesa do Meio Ambiente e é especialista em Direitos Difusos e Coletivos.

 

Cidades

Exibindo Eduardo Chiletto - Cidades-4718.jpg

 

Eduardo Chiletto – Graduado em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula (1988), mestrado em Física e Meio Ambiente pela Universidade Federal de Mato Grosso (2005) e doutorando em Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia pela USP (2010 – 2014). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento Urbano – Plano Diretor Participativo e Projetos da Edificação, atuando na área de Habitação de Interesse Social. Consultor no projeto “Banco de Experiências de Planos Diretores Participativos” do MCidades. Conselheiro Federal do CAU/BR – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

 

Procuradoria-Geral do Estado

Exibindo Patryck de Araújo Ayala - Procuradoria-Geral do Estado-4742.jpg

Patryck de Araújo Ayala – Procurador do Estado, doutor em Direito Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina com estágio de doutoramento junto à Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (PDEE/CAPES). Membro do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP), professor de graduação e de mestrado em Direito da UFMT e foi coordenador adjunto do Programa de Mestrado em Direito Agroambiental da instituição.

 

Gabinete de Desenvolvimento Regional

Exibindo Eduardo Moura - Gabinete Desenvolvimento Regional-4985.jpg

Eduardo Alves de Moura – Graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é empresário e pecuarista. Trabalhou como diretor na Aprosoja e por 20 anos como sócio e diretor do Banco de Investimentos Garantia S.A.. Foi presidente da Associação Nacional de Confinadores (Assocon) e suplente de Deputado Federal pelo PPS.

 

Gabinete de Projetos Estratégicos

Exibindo Gustavo Oliveira - Gabinete Projetos Estratégicos-4940.jpg

Gustavo Pinto Coelho de Oliveira – Engenheiro Civil, especializado em Geotecnia pela PUC/RJ e Administração de Empresas pela FIA/USP. Presidente do Conselho Econômico e Tributário da FIEMT e Conselheiro do SENAI como membro representante das Atividades Industriais.

 

Gabinete do Governo

Exibindo Eduardo Moura - Gabinete Desenvolvimento Regional-4985.jpg

José Arlindo de Oliveira Silva – Graduado em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso, especialista em Direito Público e Direito Processual Civil, é analista do Ministério Público Federal e Coordenador do Escritório de Apoio do Senador Pedro Taques em Mato Grosso. Foi servidor concursado do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região e Coordenador Jurídico do MPF/MT.

9 Comentários

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  1. - Responder

    Penso que uma coisa são os conflitos entre interesse publico e privado, outra é servir o bem público de distintas maneiras.

  2. - Responder

    Permínio participou da desastrada administração municipal do PSDB com Wilson Santos. E nisso se resume seu “curriculum vitae”. A Educação já está comprometida na escolha do titula da pasta! Lamentável!

  3. - Responder

    TÁ MISTURANDO ALHOS COM BUGALHOS…. UMA COISA É SER PROCURADOR DA REPÚBLICA E ADVOGAR CONTRA OS INTERESSES DA REPÚBLICA. COMO ROBERTO CAVALCANTE FAZIA… AGIA COMO PROCURADOR DA REPÚBLICA E ADVOGAVA CONTRA A CAIXA ECONOMICA FEDERAL…. OUTRA É AFASTAR-SE DE UM CARGO PARA COLABORAR COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO EXERCÍCIO DE OUTRO CARGO TAMBÉM PÚBLICO

  4. - Responder

    Se a lei não mais impede que o promotor se licencie para atuar no Poder Executivo, não vejo mal na ida do Mauro Zaque para a Segurança Pública. É ótimo promotor e vamos ver como se sair nessa área tenebrosa que é a Segurança Pública.

    A Segurança precisa de mais investimentos. Aliás, a distribuição das verbas do orçamento é uma ponto crucial
    Terá Pedro Taques coragem de abrir uma ampla discussão sobre o tema?

    Diminuir os repasses à Assembleia e ao Tribunal de Contas é questão que se impõe. Aumentar o repasse à saúde, à educação e à segurança é urgentíssimo.

    Desejo sucesso ao Promotor Mauro Zaque!

  5. - Responder

    MPE?… Símbolo de honestidade e probidade?… Sei!… Como está a situação do promotor Marcos Regenold?

  6. - Responder

    Eu particularmente penso que o MPE ainda apresenta um quadro bastante exíguo de membros, em face das crescentes demandas da sociedade para esse setor, para dar-se ao luxo de deslocar destacadas figuras de seu grupo para fazer parte de outras funções no estado. Será que não existe na sociedade mato-grossense mais ninguém apto e competente para preencher o estafe do governador eleito? Esse negocio de desvestir um santo para vestir outro nunca deu certo, já dizia meu saudoso pai.

  7. - Responder

    Ademar Adams defendendo mais verba para a segurança pública… Vou, por conta própria, aumentar a dose das gotinhas e marcar novas sessões com o psiquiatra e a analista… É de fuder a cachola! Mas esse arco de aliança de Pedro Taques – no qual estão incluídos os Partido do Ministério Público, Partido da Ong Moral, Partido do MCCE e outros mais – promete muito barulho e contradições explícitas, com a fila dos “chaleiras” cada vez aumentando mais… É circo de primeiro mundo!

  8. - Responder

    Vá à merda Ubirajara.
    A Ong Moral não é a sua casa!
    A Ong Moral não faz aliança com ninguém. Na primeira pisada do Pedro Taques, levaremos ele ao Judiciário.

  9. - Responder

    Ademar Adams utilizou seu argumento final, o argumento na falta de argumento, mandando-me à merda. Ademar, com esse artíficio, tem a pretensão de mandar o próprio debate à merda, na medida em que foi surpreendido com um discurso fascista de defesa de mais verbas para a segurança pública. Apenas pedir verba para a segurança pública, sem discutir a formulação de suas políticas e sem exigir reformulação do próprio conceito de “segurança pública”, é velha cantilena direitista e burguesa. Ademar e seu Partido da Ong Moral se alinhou com Pedro Taques ainda na campanha eleitoral e agora se presta a esse papel menor. Quem te viu e quem te vê! Mas Ademar ofendeu a minha casa e, por consequência, os meus e meu patrimônio moral… isso sem nunca ter pisado no meu portão e provado do meu chimarrão… Pego com suas defesas desguarnecidas, opta pela briga de rua, numa postura de machão de escola querendo se mostrar para as gurias. Mas que merda, Ademar, você é um intelectual respeitadíssimo, tem história… e vem aqui fazer ferver o refresco? Que coisa feia. Recomponha-se, homem! Mas para demonstrar que não guardo mágoa, faço, a seguir, uma pequena homenagem à sua casa e aos seus…

    “Guasca

    Pedro Ortaça

    Eu nunca pedi bexiga pra patrão ou pra milico
    Por isso ninguém me obriga a ser pelego ou pinico
    Não choro por rapariga nem tiro chapéu pra rico
    E onde a gaita choraminga eu levo a vida no bico

    Jamais arrotei grandeza pois fortuna não me encanta
    Porque a minha riqueza Deus já me deu na garganta
    Sou mais um que vira a mesa e faz chover quando canta
    Pois pra pelear com a tristeza a minha voz se levanta

    Sou do Rio Grande do Sul e por isso não me calo
    Por entre o verde e o azul em qualquer parte me instalo
    E onde não querem que eu cante meu canto vai a cavalo
    Levando a noite por diante, igual ao canto do galo

    Pra galinho ou pra tirano quando a vida se escancara
    Não saio queimando o pano pra ver a coisa mais clara
    No sufoco me abano faço soltar as amarras
    Atazanado o fulano com acorde de guitarra

    Por bem eu dou a guaiaca, fico liso sem um pila
    Porem a ponta de faca ninguém me tira da trilha
    Afinal não tenho marca, nem herança de família
    Porque um dia nasci guasca, no lombo dessas coxilhas.”

    Mais calmo agora?…

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